Por Renata Poskus Vaz
Renata Vieira, 30 anos, é a simpatia em pessoa. Formada em artes cênicas há 5 anos pela Universidade de Londrina, esse mulherão se divide entre palcos, comerciais de TV e salas de aula, como professora de teatro. Nesta entrevista, ela explica os desafios de ser uma atriz com alguns quilinhos a mais.

Mulherão: Como você lida com seu peso?
Renata: Muito bem, as pessoas é que não sabem lidar com ele. É claro que, às vezes, bate aquela vontade de fazer parte dos padrões impostos pela sociedade, pela mídia, mas lembro do meu valor e das minhas realizações. Sou mulherão e pronto!
Mulherão: Seu corpo já te prejudicou na hora de conseguir um papel?
Renata: SIM e NÃO
Tenho algumas situações q podem ilustrar a resposta pra essa pergunta:
A do SIM: Além de atuar como atriz também estudo canto e dança. Certa vez, me preparei para um teste de um musical. Mandei fotos, medidas, fui chamada. Chegando lá o diretor me olhou e disse: pode sair, você não tem o perfil do personagem. Que ódio, tenho certeza que foi por causa do meu peso. Briguei um monte, discuti com ele, insisti e cantei para uma banca de jurados que perceberam o preconceito e me ouviram, elogiaram a minha interpretação. Saí de lá com muita raiva. Fiquei no canto da sala perto da escada para ouvir o teste da próxima candidata uma loira magérrima. Ela desafinou , errou a letra da música e o diretor gordo (sim, o cara era gordo!) pediu pra trazer um copo d’água pois ela estava nervosa. Com certeza o cara sofria preconceito e como estava numa situação onde tinha um pouquinho de poder resolveu descontar suas frustrações em mim.
As do NÃO: Certa vez uma amiga mandou um endereço e disse pra eu fazer um teste pra um comercial de um produto novo no mercado. Chegando ao local só havia mulheres loiras e magras. O diretor até ficou incomodado e perguntou se era comercial da boneca Barbie, não havia nenhuma de cabelo escuro, muito menos acima do peso, só eu. Comecei a ficar preocupada, ainda mais quando a produtora começou a procurar uniformes para as moças. Aí eu me desesperei, pois não ia ter número de camisa pra mim. Fui conversar com ela que me disse: “o seu uniforme já está separado, você foi escolhida pelo cliente e fará a chefe do departamento de telemarketing do comercial, será a supervisora das meninas”.
Também já participei de um teste pra um musical com mais de 300 meninas passei e fiquei em cartaz no Teatro do Shopping Frei Caneca em 2007. Quando eu cantei, fiz uma cena e ainda dancei o diretor disse: “garota,o papel é seu! Fiz a camponesa do musical “O gato de Botas”.
Mulherão: Se fosse mais magra o crescimento profissional seria mais fácil?
Renata: Na área artística é muito difícil para qualquer tipo físico alcançar o crescimento profissional, mas se você se prepara como eu me preparei, cursando a universidade, fazendo cursos e não desistindo nunca (isso em qualquer profissão), o mercado está aí pra você vencer !
Mulherão: As mulheres reclamam que só há magrinhas na tv. O que as gordinhas esperam ver na tv, na publicidade…?
Renata: As gordinhas, as baixinhas, as mulheres que possuem deficiência visual, física… Todas nós gostaríamos de nos identificar com os tipos que aparecem na TV e nas revistas. Eu gostaria de ver pessoas parecidas comigo, pessoas reais como vejo quando estou andando nas ruas pessoas de verdade, de carne e osso, no meu caso, mais carne do que osso. E que as matérias que tratassem de alimentação falassem sobre reeducação alimentar que inclusive eu faço, para cuidar da minha saúde. A alternativa nas revistas são os regimes radicais tipo “emagreça 5kg em uma semana com a dieta da maquiagem (claro é só comer o rímel, o pó compacto e a sombra ao invés de verduras, frutas e legumes e beber a base líquida ao invés de água pra ver se você não emagrece!!!Risos)
Mulherão: emagreceria por um papel:
Renata: Sim, e engordaria também. Mas nada imposto tipo, “você só vai fazer isso se pesar tantos quilos”, nada de preconceito! Se eu gostar do personagem, me apaixonar por sua história e precisar me caracterizar, me aproximar do seu tipo físico para interpretá-lo, sem problemas. Minha profissão exige isso de mim. Escolhi ser atriz, tenho de me doar, ser generosa. Quando estou atuando, cantando ou dançando e convido um (a) amigo(a) para assistir, penso em cada detalhe. É como se eu lhe desse um presente e pedisse pra ele esquecer um pouco dos seus problemas, suas contas para pagar e embarcasse numa viagem comigo, uma viagem que o transforme para sempre, como eu me transformo a cada apresentação.
Renata Reis, em uma de suas atuações no teatro
Quando temos a auto-estima muito baixa, nos deixamos levar por tudo e por todos, e nos submetemos a situações que mais nos deixam infelizes que propriamente felizes e aceitos.


Foto coletiva com todas as participantes e equipe de produção do Dia de Modelo, edição Rio de Janeiro.







Maite La Spina



