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Gordas que não gostam de ser chamadas de gordas

gordinha

Foto: mulher de 30

Por Renata Poskus Vaz

A palavra gorda, que tanto me assustava quando eu ainda lutava para ter um corpo magro, hoje faz parte do meu vocabulário. Antes, eu tinha pavor de ser chamada de assim. Era a morte. Ofendia mesmo, de fazer meus olhos lacrimejarem em questão de segundos.

Em 2009 fiz um texto exatamente sobre isso. Para ler, clique aqui. Na época, eu disse que a palavra gordo, em latim, significava grotesco e estúpido e mulherões como nós não merecíamos ser chamadas de tal forma.

Enquanto o tempo passava, fui convivendo com mulheres bem mais gordas do que eu e que pouco se importavam quando eram chamadas assim. Muito pelo contrário, elas mesmas se auto-intitulavam gordas. Era um tal de gorda pra cá, gorda prá lá, que virou música para meus ouvidos. Fui percebendo que a palavra gorda tem poder ofensivo porque nós damos essa carga negativa para ela.

Gorda é uma palavra. Só isso. E comecei a usá-la. Quanto mais me referia a mim mesma como gorda, menos as pessoas me chamavam assim. Parece psicologia reversa. Quando você deixa de se incomodar, ninguém mais te chama desta forma. No entanto, esqueci que o poder negativo da palavra havia desaparecido para mim, mas que isso não significa que o restante do mundo também teria que, de uma hora para a outra, achar super bacana ser chamado de gordo.

Há alguns meses, conversando com um amigo que estava acima do peso, chamei-o de gordo. Calma, não partiu de mim com a intenção de ser uma ofensa e estava inserido em um contexto. Recordo que estávamos falando sobre nossas novas amizades e ele comentou que estava malhando muito, porque seus novos amigos eram todos sarados. Diante disso, ele sentia essa necessidade de se sentir inserido na galera se esforçando para adquirir músculos. Eu, então disse: “Amigo, mas você sempre foi gordo. Não vá se esforçar demais, pois este é o seu biotipo”. Meu Deus! A casa caiu. Vi uma amizade de anos acabando ali. Falei demais. Ele se ofendeu, disse que só porque não ligo de ser chamada de gorda que não tinha o direito de chamá-lo assim. E nunca mais nos falamos. Óbvio que achei um exagero por parte dele, mas tenho certeza que se fosse comigo, há uns 6, 7 anos, eu teria agido da mesma forma. Também me sentiria ofendida.

 Porém, embora tenha sofrido com a distância do amigo, eu não havia aprendido a lição. Semana passada, na academia, batendo papo com uma colega de turma com o corpo bem parecido com o meu, discutíamos se era possível ou não perder peso com a aula de hidroginástica. Então, eu disse: “ah, acho que nós que somos gordas conseguimos perder um pouco de peso sim”.  Gente, o rostinho lindo e sorridente da minha colega se transformou no semblante mais triste que vi nos últimos tempos. Vi na cara dela o quanto a magoei falando que era gorda. De repente, ela nem se considera como uma mulher gorda e o fato de eu me colocar no rolo, não diminuía a sensação ruim que ela estava sentindo. Sensação essa que eu conferi com minha indelicadeza. Pedi desculpas, mas desculpas não apagam palavras proferidas.

Dia desses, na Fan Page do Blog Mulherão no Facebook, houve reação parecida por parte de uma leitora, que pediu que eu parasse de usar a palavra gorda e usasse “fofinha”. Claro que não farei isso, mas achei curioso o pedido. Ainda tem gente, aliás, muita gente, que se ofende com isso.

Cheguei à conclusão que não podemos pressupor que as pessoas tenham o mesmo grau de autoestima do que nós, ou mesmo que tenham autoestima, que sejam obrigadas ou que gostem de se autodenominar como gordas. Tudo o que é forçado, imposto, não é natural.

Continuarei, é claro, me referindo às mulheres gordas como gordas em minhas redes sociais, de forma genérica, pois aqui é meu espaço para me expressar e me recuso a usar palavras no diminutivo, como fofinha, redondinha, gordinha… Diminutivos me reduzem e não combinam com um mulherão como eu.

No entanto, lá fora, no mundo real, tomarei mais cuidado para não ofender ninguém. Que eles são gordos eles são. Mas como diz minha amiga Keka Demétrio, “a verdade não é uma pedra, para sairmos atirando nos outros, machucando-os”. Então, vamos deixar que descubram sozinhos que ser gordo não é defeito.

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O dia em que fiquei entalada no maiô da hidroginástica

gordas no maiô

Por Renata Poskus Vaz

Existem situações constrangedoras pelas quais uma gorda passa, mas nenhuma se compara a ficar entalada ao experimentar ou vestir uma roupa.

Há cerca de um mês, comprei maiôs novos para a hidroginástica na loja Centauro de São Paulo. Experimentei, na loja, o modelo de uma marca na cor azul e ficou muito bonito e confortável em mim. A toquinha que vinha de brinde também ficou ótima. Na hora de pagar, peguei um modelo idêntico, da mesma marca, do mesmo tamanho, na cor Pink. Não experimentei porque achava que se tratando de peças idênticas, do mesmo tamanho, apenas em cores diferentes, isso seria perda de tempo. Percebi, da maneira mais terrível, que deveria tê-lo experimentado sim.

Com o maiô Pink na bolsa, fui para a academia. Normalmente eu me troco em casa, já vou com o maiô da hidroginástica por baixo da roupa, mas naquele dia estava atrasada. No vestiário havia umas 20 mulheres, todas esperando para entrar na piscina. Então, eu, como uma bela gordinha bem-resolvida, tirei meu maiô da bolsa e fiquei peladona, na frente de todas, para colocá-lo.

Senti uma certa dificuldade em passá-lo pela perna. Estranhei.  Ele quase entalou em minhas coxas, mas puxei firme e forte até cobrir meu bumbum. Não havia o porquê daquele maiô não entrar em mim e eu estava indignada com essa situação. Suei frio. E se ficasse entalado de verdade, como faria para retirá-lo? Todas olhavam para mim. Continuei tentando puxar o maiô para cima, mas ele não subia. E, para piorar, enrolava em meu próprio suor, dificultando ainda mais o trabalho que eu estava tendo para colocá-lo. Por falar em enrolar, é impressionante que as roupas, em gorda, enrolem sempre bem no meio das costas, onde nunca conseguimos alcançar.  Parece até piadinha divina para gordos.

 Naquele momento comecei a fazer promessas para São Longuinho e bolar teorias mirabolantes para sair daquela situação constrangedora. Foi quando uma senhora, vendo meu sofrimento, sem me dizer uma única palavra, desenrolou a parte de trás para mim. Olhei para ela, sorrindo (claro, com o sorriso amarelaço) e disse: “acredita que peguei o maiô da minha irmã por engano?”. Meu Deus, por que menti? Se eu me acho a rainha da autoestima, por que menti que o maiô era da minha irmã e não meu? A verdade é que mesmo a mais bem resolvida das mulheres, jamais aceitará que fez uma compra errada, por impulso, ou que cometeu a burrada de tentar entrar em uma roupa muito menor do que o seu manequim.

Enfim, eu me tranquei no banheiro para colocar meus seios no maiô e conseguir encaixar meus braços. Precisei esgarçar o maiô para meus seios entrarem e eles ficaram bem esmagadinhos, coitados! Mas o sofrimento não terminou por aí. A toquinha também era bem menor. Fiquei parecendo o Dunga dos sete anões com ela. Mas tudo bem, isso foi fácil de encarar. Não desisti de colocar o maiô, pois minha determinação em fazer a aula foi bem maior. Fiquei orgulhosa de mim mesma.

Acabei jogando fora aquele maiô, que apesar de ser vendido como sendo de uma numeração, era bem menor. É uma pena que não exista, no Brasil, uma lei que coíba essas disparidades de tamanhos.

Toda essa história seria engraçada, se tivesse acontecido apenas uma vez. Mas não. Eu sempre entalo nas roupas. Essa é a minha sina de gorda. rsrsrs Inúmeras vezes fiquei entalada em blusas e vestidos em provadores minúsculos de lojas de roupa, passando calor. E quanto mais eu suava, mais a roupa entalava. Sempre dá aquele desespero, um desejo inconsciente de rasgar tudo e sair correndo. O pior é a vendedora, do lado de fora, querendo entrar no provador para ver se “ficou bom”.  É um sufoco danado.

Torço pelo dia em que as roupas terão um padrão, a mesma medida, para que eu não fique entalada quando prová-las.  E se for para ficar, que seja em um provador bem grande, com ar condicionado, com a cara da riqueza e sem uma vendedora chata na porta querendo testemunhar tudo.

Fiquei entaladaEsse texto foi dedicado às minhas amigas da Fan Page Plus Size Depressão ;)

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Desafio Mulherão: “Sou gordinha e amo um magrinho”

Por Renata Poskus Vaz

Ontem recebi um e-mail longuíssimo de uma leitora, pedindo ajuda para resolver um conflito pessoal. Ela, gordinha e reclusa em casa por vergonha do próprio peso, conheceu um rapaz há mais de um ano pela internet. Sente-se apaixonada, mas tem medo da reação dele quando a conhecer pessoalmente. Segundo a leitora, ele só a viu por fotos de rosto e também se diz apaixonado e nem sabe que ela é gorda. Essa é a história resumida.

Eu fiquei um pouco assustada porque a leitora realmente se mostrou desesperada. Porém, eu pouco poderia ajudá-la com conselhos. Palavras podem entrar por um ouvido e sair pelo outro se não mostrarmos na prática que é possível ser feliz e realizada no campo afetivo, mesmo sendo gorda. Para ajudá-la neste primeiro encontro recorri ao socorro de outras leitoras. Solicitei no Fcebook que elas contassem como conheceram  e conquistaram seus maridos magrinhos. Nada como ver belos exemplos, histórias de amor que deram certo, independente do peso, não é?  Espero que sirva de inspiração!

Jobi Feschyll – ” o ex terminou comigo porque eu estava gorda, mas meu marido atual me ama como eu sou”

“Conheci meu marido Benhur por intermédio de um amigo em comum. Começamos a conversar pelo MSN e não tínhamos interesse um no outro desde o início. Na época, eu tinha recém-saído de um relacionamento cujo meu ex não aceitava gordinha. Com o tempo, eu e Benhur percebemos cada vez mais que tínhamos muito em comum e mesmo o que tínhamos de diferente completavam  um ao outro. Ele sempre soube que eu era gorda, nunca escondi dele nem em fotos, nem na webcam, em nada. Num belo final de semana chuvoso, ele foi para a minha cidade para nos conhecermos pessoalmente e logo começamos a namorar. Nos casamos dia 04/12/2011 e estamos juntos até então. Ele é magrinho e nem por isso não o amo. Sou gorda, mais ainda do que quando nos conhecemos, e nem por isso ele deixou de me amar, ou seja, não importa ser magra, “corpão malhado”, que seja! O importante é como você é de verdade!”

Kelly Medeiros – “eu pego, mas não me apego”

” Tenho 23 anos e meu namorado Leonel Silva tem 28 anos. Somos vizinhos e eu ficava olhando ele do outro lado da rua. Na época, ele tinha 23 anos e era solteiro. Eu sempre dizia para mim mesma a frase: ‘Eu pego mais não me apego’. Ele sempre me achou atraente até que um dia ele entrou na academia que eu treinava e nos conhecemos melhor. Namoramos há 6 anos e lembro de uma história que ele contou uma vez que também conversou com uma menina na internet e ela disse que pesava 70 quilos e ele não ficou com ela. Eu tenho 95 quilos e ele me ama muito!! Somos felizes e o fato de ser gordinha nunca empatou a nossa vida em nada. Tenho certeza que o problema não são os quilos a mais e sim a confiança que passamos para o parceiro. Hoje me sinto mais confiante, atraente e muito mais feliz pesando 95 quilos. “

Larissa Bovolin – “eu pensava que ele estava olhando para minhas amigas magras”

“Conheci o Junio no dia do meu aniversário de 15 anos. Eu já era gordinha e ele magro. Na ocasião, comemorava com minhas amigas em um parque de diversões no Interior de São Paulo, quando Junio passou e ficou me olhando, embora eu tivesse pensado que ele estava olhando para minhas amigas magras. Depois, ele se aproximou com sua moto e perguntou se eu tinha namorado, pediu meu telefone e ainda me deu um beijo na boca de despedida. Ele me ligou logo no dia seguinte, começamos a namorar. Muitas pessoas olhavam com estranhamento o Junio magro comigo gorda. Sou filha caçula e o Junio é 10 anos mais velho do que eu. Meu pai sentiu ciúmes e chegamos até mesmo a nos encontrar às escondidas. Estamos juntos há 7 Anos, 6 meses e 16 dias. Estamos casados há 8 meses e ele até ficou mais gordinho. Somos felizes e só posso dizer que não temos que ter vergonha de nossa aparência, o que importa é o amor que um sente pelo outro.”

Ada Cristina -” no primeiro encontro escolhi uma roupa que valorizava as minhas curvas”

“A minha história começou em janeiro de 2011, quando conheci o meu marido através de uma rede de relacionamento. Ele, atleta, praticante do ciclismo, magrinho. Eu, gordinha, sedentária, a preguiça em pessoa! No primeiro encontro fui bem bonita, com um vestido que realçava as minhas curvas protuberantes, apesar de já ter contado sobre o meu físico,não queria assustá-lo. Tudo correu bem, até que ele resolveu me apresentar à família, após três meses de namoro. Eles me trataram bem, apesar de ouvir algumas coisas sobre saúde, comidas naturais, mas preferi curtir o momento. Em julho, ele pediu a minha mão em casamento e em dezembro, dia do meu aniversário, nos casamos e estamos juntos até hoje. Ele nunca pediu para que eu mudasse. Só fiquei sabendo um pouco da resistência de seus pais após estarmos casados há três meses e hoje eles estão super felizes comigo, com a forma que eu trato o meu marido. Eu o amo demais. O que realmente vale não é o lado de fora, mas sim, o que temos dentro de nós: caráter, amor, respeito, honestidade… isso vale muito mais que os quilos a mais que tenho.”

Tatiana Almeida – “Ele largou a uma magrinha para namorar comigo”

“Namoro há 4 anos e moramos juntos há 1. Quando conheci o Odair ele namorava com uma moça magra, mas depois de um mês ele terminou aquele relacionamento e começou a namorar comigo. Ele conta até hoje que se apaixonou pelas minhas curvas e que foi amor à primeira vista. Ele é magro e sempre coloca apelidinhos carinhosos em mim como “gordinha fofuxinha da minha vida” e assim vamos levando a nossa vida felizes. Não me importo de ser gordinha, tem muita gente por aí que está em forma, mas não tem conteúdo.”

Evelyn – “meu namorado magrinho é fanático por gordinhas”

“Meu namorado é fanático por gordinhas. Bom, por eu ter dito que ele é fanático por gordinhas, vocês devem ter imaginado que ele é um gordinho, fofinho, tudo de bonitinho. Ele é fofinho e muito bonitinho, mas está bem longe de ser gordinho. Ele é muito, muito – repetindo -  muito magro! E quer saber de uma coisa? Eu amo o fato dele ser magrinho. Literalmente não atrapalha em nada. Sei lá, acho sexy clavículas e ele tem uma que… Nossa!!! E eu adoro sentir as costas dele,  que não são largas, até porque eu não gosto de costas largas. Parece coisa de louca, mas eu gosto! E ele não é meu primeiro namorado magricelo (apelido carinhoso. Nada contra, adoro vocês mesmo). Se eu pudesse dar um conselho para a leitora que está com medo de se encontrar com o rapaz magrinho, saiba que todo magrinho adora uma gordinha. Aliás, todo magrinho só não, a maioria dos homens que sabem o que é bom preferem as gordinhas. Somos boas, bonitas, gostosas, graciosas, notáveis, e todas nós temos muito, muito amor pra dar.”

Thais Guinatti – ” Não damos a mínima para o preconceito das pessoas”

“Sou casada há 5 anos com o Técio. Nosso romance começou com uma forte amizade. O Técio é bem mais magro que eu, de quebra, mais baixo, e 3 anos mais jovem. Tinha medo de que eu não fosse a pessoa ideal para ele. Além dessas coisas , eu ainda era mãe solteira na época. Minha filha tinha apenas 1 aninho quando nos conhecemos. Mas o amor tem dessas coisas, não é ? Aos poucos fomos nos envolvendo, até o dia em que ele tomou coragem e, por telefone, disse tudo o que sentia por mim. Como éramos amigos há muito tempo, já nos conhecíamos muito bem, decidimos nos casar. Em três meses estávamos oficializando nossa união. Ele assumiu minha filha e, hoje, ela o chama de papai e as fotos podem mostrar: ela se parece mais com ele do que comigo! O Técio é muito gentil, e sempre faz questão de dizer que me acha linda. Ele ama as minhas “curvas” e sinto que ele é sincero. Ele me chama de mMinha modelo plus size” … Fico toda orgulhosa! É verdade que por onde passamos chamamos a atenção. Mas não damos a mínima importância para o preconceito das pessoas. Nosso amor não está onde as pessoas procuram e podem enxergar. Nosso amor não é casca deteriorável. Nosso amor é de coração… E isso a nossa felicidade pode mostrar !”

Flávia Telles: “tinha medo que ele ficasse reparando nas minhas estrias e celulites”

“Namoro um magrinho há 3 anos. Quando o conheci fiquei um pouco incomodada e receosa achando que ele ia fosse prestar atenção nas minhas celulites e gordurinhas. Mas depois que comecei a conhecê-lo bem, percebi que ele me achava linda gordinha. Já ouvi ele falando com os amigos dele que nunca gostou de mulher magrinha. Hoje estamos muito felizes. Ele engordou um pouquinho depois que comecei a cozinhar pra ele, mas ainda continua magrinho.”

Thalita Martins – ” A gente tem que primeiro se namorar, se amar, e os outros, naturalmente, o farão.”

Tenho 25 anos, 1,53m e 98kg. Há 1 ano e 9 meses conheci meu atual namorado pelo Facebook – temos um amigo em comum que “sugeriu” que formaríamos um bom par – e marcamos nosso encontro meio às escuras, já que a foto dele era minúscula e a minha era só do meu olho. Nos encontramos, conversamos, nos beijamos e nunca mais nos separamos. No início fique griladíssima, pensando que ele era bonito demais pra mim, que ele tava passando tempo comigo, que meu peso era um incômodo pra ele. Na verdade, meu peso era incômodo pra mim, o problema era comigo e minha autoestima que havia sido mais que rebaixada pelo último namorado. Ele me mostrou que não havia nada de errado em ser quem eu era, ele me valorizou exatamente como eu sou. Aliás, me chama de “gostosa” e outras coisas impublicáveis, hahaha. Ele aprecia minhas curvas e todo o conteúdo que as preenche. Ele me ensinou a me valorizar e eu sou eternamente grata. Por ter me ensinado a me amar, por ter me amado quando eu mesmo não sabia fazê-lo é que eu o amo ainda mais. É isso. Não há problema em namorar um magrinho, um gordinho, um altinho, um baixinho. A gente tem que primeiro se namorar, se amar, e os outros, naturalmente, o farão.”

Virginia Figueiredo: “somos a prova dos opostos que se atraem”

Eu e o Dri nos conhecemos no trabalho e nos tornamos amigos. Eu estava naquela fase do “se achar, se jogar, sair, dançar, beijar”. “Após atitudes mimadas de minha parte paramos de nos falar por longos 6 meses. Chega o jantar de confraternização da empresa e quem me dá carona? O Dri, todo educado! Eis que os dias se passam e muitos torpedos rolaram, conversávamos e eu, “acelerada como sou” o convidei para um cinema e no dia 08/03/2006. Começamos nossos passos juntos, somos a prova dos opostos que se atraem: ele magro x eu gordinha, ele ciclista x eu sedentária, ele saudável x eu só como porcaria, ele caseiro x eu baladeira… E ainda com todas as diferenças, ele não me desrespeita pela forma que sou, ainda me acha bonita, até onde eu sei, hahaha, mas pega no pé para eu me manter em dia com a saúde. Hoje, tenho o orgulho de ter encontrado o meu amor, meu marido, aquele que da uma paz só de estar por perto, que me faz querer ser uma pessoa melhor, que cuida de mim, que me ama e que me faz tão feliz… E assim foi, é e se Deus permitir, será ao longo dessa nossa vida aqui!”

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Por que ele não adivinha minhas necessidades?

Eu e meu noivo. Três anos e nada de adivinhações! rsrsrs

Por Renata Poskus Vaz

Ontem passei a madrugada toda no Netflix assistindo Teen Mom, um reality show da MTV dos EUA e que mostra os desafios de adolescentes que acabaram de ser mães. Uma delas tinha dificuldades tremendas de relacionamento com o namorado, pai de seu filho. Em uma das cenas, a garota preparava a casa para o aniversário de 1 aninho do bebê. O namorado, sentadão no sofá, não se habilitava a ajudá-la. Ela, nervosa, ao invés de pedir ajuda literalmente, bufava, batia o pé e fazia cara feia. Quando finalmente ela diz: “você não vai me ajudar mesmo, não é?” o namorado então se levanta e pergunta: “o que você quer que eu faça?”. Ela mais uma vez se enfurece enquanto ele continua insistindo para que ela passe as coordenadas, sem sucesso.

 Foi inevitável me colocar no lugar da adolescente. Isso já aconteceu muitas vezes em meus relacionamentos “adultos” e era algo que sempre me intrigava. “Por que ele não advinha minhas necessidades?”. Sempre me frustrei esperando que meus namorados adivinhassem o que eu queria ou precisava. Achava o cúmulo ter que pedir ajuda ou ter que explicar o porquê dele ter me desapontado em alguma coisa. Era comum fazer bico, às vezes ficava putadavida, rendia-me aos gritos, ao chororô e ficava repleta de mágoa, achando que estando ao meu lado, meu companheiro deveria perceber e se prontificar a me ajudar quando eu precisasse, ou então perceber que algo entre nós não estava bem. Eu pensava que se ele não percebia o porquê de eu estar brava com ele era porque não queria solucionar nossos problemas ou porque não gostava de mim o suficiente.

 Após muitas decepções e encenações (sim, nessas horas a gente vira a protagonista de um melodrama mexicano) para que percebessem minhas necessidades, entendi que não era descaso, preguiça ou falta de amor que eles tinham por mim. O motivo era apenas um: “coisa de homem”. Demorei anos para perceber que eles não têm a mesma sensibilidade que nós, mulheres, temos.  Homens são práticos e nada subjetivos. Eles não entendem sinais. Quando precisamos de algo ou temos algum problema ou reclamação devemos dizer, com todas as letras. Não adianta fazer bico, pois eles podem até perceber que algo está errado, vão parar para pensar e tentar adivinhar, mas dificilmente vão acertar o motivo correto do nosso descontentamento.

Certa vez, meu noivo esqueceu nosso aniversário de namoro. Eu já sabia que ele esqueceria. Primeiro porque terminamos nosso relacionamento e nos reconciliamos várias vezes e fica difícil guardar uma data nessas condições. Ele guardaria a data do dia em que ficamos pela primeira vez ou a de nossa última reconciliação? Depois, como exigir que ele guarde uma data, se ele já chegou a esquecer da data do próprio aniversário? Mesmo assim, fiz o teste. Não o lembrei. Ele me ligou várias vezes durante o dia e nem tocou no assunto. Conforme as horas passavam eu ia ficando mais impaciente, brava e concisa. Ele, óbvio, percebia a mudança nítida de humor e perguntava o que estava acontecendo, se havia algum problema. Eu me limitava a dizer: “nada, não está acontecendo nada”. Meu noivo se desdobrava para descobrir o que estava rolando. Chegou em casa, me abraçou, me beijou e percebendo que eu estava mal humorada, pegou o kimono e cogitou ir para o karatê. Foi quando comecei a chorar e falar: “você não gosta de mim, não lembrou que hoje é o nosso aniversário”. O mais engraçado é que ao reconhecer seu erro e pedir desculpas, ele se propôs a corrigir a falha de memória e me levar para jantar. E é claro que para fechar o desentendimento com chave de ouro, eu disse que não queria mais. Rsrsrs

Ok, você, leitora, deve estar rindo agora, mas certamente já cometeu alguma pirraça desnecessária dessas. Hoje, vejo com outros olhos essa postura do meu noivo e reavalio minha forma de reagir à ela. Se fosse hoje, eu logo o lembraria com dias de antecedência. Deixo claro o que é importante para mim, o que eu gostaria que ele fizesse por mim ou por nós. Tudo flui mais fácil dessa maneira.

Eu pensava que ser objetiva, sincera e direta acabaria com o romantismo em nosso relacionamento. Afinal, nós, mulheres, nos sentimos especiais com surpresas ou quando eles advinham nossos pensamentos. Porém, o romantismo não diminui. Eles se sentem seguros quando dizemos o que gostamos, queremos ou deixamos de querer e, com isso, passam a ousar mais nos surpreendendo e se preocupando com pequenos detalhes para os quais antes não se atentavam.

 Antes de ontem, meu noivo foi me buscar com um buquê de rosas. Achei lindo. Não era nosso aniversário de namoro e nenhuma comemoração especial, mas ele me surpreendeu e me encheu de carinho. Viu? Milagres acontecem! rsrsrs

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“Fui estuprada”

Por Renata Poskus Vaz

Há alguns meses venho ensaiando fazer um texto sobre estupro. Ao longo desses 4 anos de Blog Mulherão recebi inúmeros e-mails de mulheres que se disseram vítimas de violência sexual. Grande parte delas, não relatam abusos sofridos por estranhos, mas por amigos, parentes e pelo próprio marido. Sim, pois quando seu marido quer transar, você não quer e mesmo assim ele força a relação sexual isso é um estupro. Você não é propriedade de ninguém. Não é um objeto.

Pedi para minhas leitoras relatarem suas experiências, mesmo que usando pseudônimo. Uma delas foi estuprada por um amigo, que lhe ofereceu carona, uma bebida com “boa noite Cinderela”. Ela perdeu os sentidos e acordou com dores e completamente suja de sêmen. Imagine o sofrimento de ter que contar que foi engana e estuprada por um amigo. Talvez seja essa vergonha, medo e resolta que a tenha impossibilitado de escrever para o Blog Mulherão.

No site Papo de Homem, Paula Abreu descreveu sobre um estupro que sofreu. Achei comovente e chocante ao mesmo tempo e acredito que possa servir para consolar e estimular mulheres a denunciar esse tipo de abuso. Veja o relato de Paula abaixo:

“Na primeira vez em que um pau me foi enfiado goela abaixo – figurativamente falando – eu tinha apenas doze anos. Doze.

Voltava da escola pra casa todos os dias, de ônibus. Naquele dia não foi diferente. E, mesmo assim, foi totalmente diferente. Porque, naquele dia, sentado do meu lado, estava um senhor que achou que seria uma excelente ideia colocar o pau pra fora da calça e se exibir pra uma criança.

Aquele foi o primeiro dia em que me senti um objeto. Enojada e impotente.

Da segunda em diante, parei de contar. Já apertaram minha bunda, já apertaram meus peitos, já puxaram meu cabelo, já assobiaram e disseram grosserias que, certamente, não diriam às suas santas mãezinhas.

Há quase dez anos, contudo, uma dessas situações marcou a minha vida. Há quase dez anos fui estuprada.

Não fui estuprada por um estranho. Sei o nome e sobrenome do meu estuprador, e há dez anos sabia também o seu endereço, onde trabalhava, o que fazia, onde tinha estudado, quem eram seus amigos.

Fui estuprada por um amigo, num encontro.

Não estávamos muito bêbados. Não, eu não estava usando roupas provocativas. Sim, eu disse que não queria. Aliás, nada disso explicaria ou justificaria o que aconteceu, mas acho bom ressaltar pelo caráter educativo do relato: não, as mulheres nunca estão a salvo.

Como em algumas vezes anteriores, eu e meu amigo tivemos um “date”, saímos juntos pra jantar, conversamos, rimos. Fomos pro meu apartamento, depois. Tomamos um drink qualquer. Eu queria estar com ele, eu estava atraída, eu estava a fim.

Mas, de repente, me vi forçada a uma situação de violência e agressão da qual não queria participar. Enojada e impotente, como aos doze anos. Dizendo, ou melhor, gritando que não, mas não tendo força suficiente para me desvencilhar de um corpo adulto muito maior e mais forte do que o meu.

Sei que é chocante revelar publicamente um estupro e pensei muito antes de escrever esse texto. Nem mesmo as pessoas mais próximas sabem do que me aconteceu.

Mas o estupro em si não é o meu ponto mais importante. A cada doze segundos – SEGUNDOS – uma mulher é estuprada no Brasil. A cada quinze segundos uma mulher é espancada por um homem, também no Brasil. Aproximadamente uma em cada três mulheres sexualmente ativas já sofreu agressão física ou sexual por um parceiro. Uma em cada 3 mulheres NO PLANETA já foram espancadas, estupradas ou submetidas a outro tipo de abuso. De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da sua vida.

O meu estupro é só mais um em UM BILHÃO no planeta. Sim, esse número é real. Um bilhão.

O importante é como eu, depois do estupro, relutei em acreditar e admitir que fui estuprada. É como defendi meu estuprador para o amigo que me socorreu, dizendo que ele provavelmente não tinha entendido que eu não queria. É como passei um longo tempo achando que, apesar de todos os meus gritos, resistência física e de todo o sangue que ficou na roupa de cama, aquilo tudo podia ter sido apenas um mal-entendido.

O importante é que, depois do estupro, ainda falei amigavelmente com meu estuprador, e ainda tive pena dele.

O importante é quantos anos demorou pra que eu finalmente admitisse pra mim mesma – e só pra mim, claro – que eu tinha sim sido estuprada. E como, mesmo assim, optei por não contar isso pra ninguém, por não falar no assunto, por não alertar outras mulheres para o perigo que correm todos os dias ao simplesmente existirem.

O estupro em si foi só mais um, mas a minha ATITUDE – infelizmente, também muito comum – é o que permite que a cada doze segundos uma mulher seja estuprada no Brasil.

Esse ano, me vi novamente numa situação em que me senti impotente e, por alguns minutos, não tive força física suficiente para resistir a algo que eu não queria que acontecesse com o meu corpo. Não era uma tentativa de estupro, mas a sensação de impotência me remeteu automaticamente a dez anos atrás. Das entranhas, me veio uma força desconhecida e consegui dizer NÃO. Consegui reaver a posse do meu próprio corpo, e impedir que alguém fizesse comigo algo que eu não queria.

E, pela primeira vez em dez anos, chorei pelo meu estupro. Me permiti sentir pena de mim pelo que aconteceu. Me permiti sentir raiva do meu estuprador. Me permiti chorar.

Mas chorei também de orgulho pela minha recém-adquirida coragem, por ter conseguido me defender, me impor, cuidar do meu corpo, mandar no meu corpo, retomar das mãos do outro o meu direito sobre mim mesma.

Parece uma coisa simples que uma pessoa tenha direito sobre seu próprio corpo, mas não é simples para as mulheres. E as mulheres precisam falar mais sobre isso, se abrir, contar suas histórias, ter coragem de se expor. Não só sobre estupro, mas mão na bunda, mão nos peitos, puxões de cabelo, paus pra fora da calça, agressões verbais. Me arrisco a dizer que TODA mulher que conheço já passou por pelo menos uma situação de abuso ou violência sexual (sim, tudo isso É violência!). E os homens precisam ouvir, saber, perceber as diferenças, compreender as dificuldades que, ainda hoje, as mulheres sofrem.

A propósito do 11 de setembro, lembro que na época do atentado uma das coisas que mais se falava era que eram tantos passageiros contra apenas uns poucos terroristas que, se tivessem se unido, o desfecho poderia ter sido tão diferente. Uma tragédia poderia ter sido evitada.

Demorei dez anos pra admitir e chorar pelo meu estupro. Demorei dez anos pra ter coragem de me abrir e me expor. Não esperem isso tudo. Contem suas histórias. Somos mais frágeis, sim, mas somos muitas. Juntas, podemos mudar tudo.”

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Samuel e Gecélia, uma história de amor verdadeiro e fidelidade

Por Renata Poskus Vaz

Você acredita em amor verdadeiro, amor que resiste a tudo?

Há algumas semanas tomei conhecimento da história de um casal que serve de exemplo para todas nós. Uma história de amor verdadeiro, fidelidade, devoção, companheirismo e fé, muita fé! É a história de Samuel Luna, engenheiro, e seu mulherão, Gecélia, que não anda, não fala, não enxerga, não consegue controlar os movimentos e nem ingerir alimentos, mas que com toda essa enfermidade, continua sendo a grande paixão de Samuel.

E não é por menos! Samuel não consegue esquecer o mulherão que há por dentro daquele corpo debilitado. Juntos, adotaram duas crianças que hoje têm 3 e 5 anos. Gecelia acabara de se formar psicóloga. É uma mulher evangélica, com personalidade forte e, segundo relatos de Samuel, a melhor esposa que um homem poderia sonhar desejar. Ela foi acometida por duas enfermidades raras – Degeneração Cerebelar Paraneoplásica e Síndrome de Eaton-Lambert, que surgiram após o tratamento para um Linfoma, do qual ela foi curada. As duas síndromes são muito raras e as características do caso de Gecélia são bem diferentes de outros raros casos já descritos na literatura médica. Os sintomas começaram a se manifestar há aproximadamente 1 ano.

Gecélia hoje

Gecélia escuta e seu raciocínio continua perfeito. Imaginem o quanto deve ser triste estar aprisionada a um corpo que não responde às ordens do seu cérebro? Ela chora, grita, tem momentos de aflição. Porém, ao seu lado, o marido incansável e fiel Samuel, não a abandona.

Fico pensando quantas de nós já não fomos abandonadas por muito menos do que isso. Às vezes porque engordamos, porque estamos tristes já somos maltratadas e abandonadas, imaginem com uma doença tão devastadora como essa? Existem sim homens fiéis e Samuel é uma prova. Nós é que escolhemos errado, mulherões!

Hoje, a luta de Samuel é para tornar o problema de Gecélia conhecido e, quem sabe, encontrar a cura para a esposa. Samuel tem um bom emprego, mas esteve afastado muitos meses devido ao seu estado depressivo e incapacitante para o trabalho. Ele precisa de ajuda para custear o tratamento da esposa. O governo negou exames para Gecélia que custam mais de R$10 mil e ele pode conseguir isso na justiça, mas até para um advogado competente ele precisa de dinheiro. Quem se sensibilizar com a história do casal, pode contribuir doando alguma quantia no VAKINHA. Clique aqui e saiba como. Lembrem-se que somos mais de 10 mil leitoras do Blog Mulherão e que se cada uma doasse um mísero real já faria uma grande diferença na vida deste casal.

Para conhecer mais sobre a história de Gecélia e do casal, adcione Samuel no Facebook. Clique aqui.

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Boa sorte, Keka!

Por Renata Poskus Vaz

Blog é como a casa da gente. E quando a gente ve um colunista saindo para carreira solo dá um aperto danado no coração. É como um filho adotivo que vc acolheu, que viu crescer e que quer que prospere, mas aquele ciúmes de mãe quer mantê-lo para sempre por baixo das suas quentinhas e seguras asas.

Keka Demétrio viu uma matéria no Blog Mulherão há quase três anos e logo entrou em contato conosco. Fez o Dia de Modelo, ficamos amigas e logo a convidei para ser nossa colunista, após ler um texto super bacana em seu perfil do falecido Orkut. Ainda me lembro da Keka de ontem, uma mulher depressiva, com baixa autoestima, ainda tentando se enquadrar na vida após o divórcio, mas ciente de tudo o que deveria fazer para mudar sua vida, mesmo que essas coisas, até então, fossem claras apenas na teoria.

Ela foi mudando, crescendo e se transformando em um mulherão.  Seus textos não somente ajudaram milhares de leitoras que temos pelo País inteiro, como também ajudaram a ela mesma.  Falo isso porque também tive essa experiência pessoal no Blog Mulherão, a nossa casa.

Após quase 3 anos de colaboração, Keka foi convidada para escrever no Tempo de Mulher, um site feminino do Portal MSN. Isso vai ser muito importante para ajudar a divulgar uma palestra que ela está organizando. Acreditamos que todas as leitoras que admiram e acompanham a Keka continuarão a acompanhar seu trabalho no MSN. Lá, ela terá oportunidade de divulgar nossas ações, eventos, projetos e o mais importante, ajudar novas mulheres.

Só Deus sabe o quanto já chorei.  Mas vamos cair na real, estamos falando apenas de acompanhar mais um site. É um clique. Apenas um clique que vai mudar!

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O jejum do espelho

Por Renata Poskus Vaz

Você ficaria um mês ou até um ano sem se olhar no espelho, para recuperar sua autoestima? Esse é o tema de uma matéria do Jornal Fala Brasil da Rede Record, que deve ir ao ar amanhã por volta das 8h30 e que conta sobre algumas blogueiras americanas que fizeram o jejum do espelho. Elas pararam de se olhar no espelho por longos períodos e repassam essa técnica para suas leitoras, já que consideram que o hábito de monitorar a aparência no espelho seja uma mania doentia, que deva ser evitada.

Durante a entrevista para o Jornal Fala Brasil, eu disse justamente o contrário do que defendiam as blogueiras americanas. Se não gostamos de nossa imagem, fugir do espelho ajudaria esse resgate do amor próprio? Creio que não. O que é determinante não é o fato de se olhar ou não no espelho, mas a forma como você se enxerga. Estamos acostumados a valorizar nossos defeitos e acabamos deixando nossas qualidades em segundo plano. Eu, por exemplo, ao invés de prestar atenção no meu narizinho de tucano, agora valorizo meus lindos olhos amendoados. Todo mundo tem qualidades únicas, basta valorizá-las.

 Isso me lembra a Terapia do Espelho que a Keka ensinou aqui no Blog (recorde aqui). Você se olha para o espelho e repete: “ai, como sou linda! Ai, que gostosa!”. E por aí vai. E isso não é mentir para si mesma já que, lá no fundo, por mais que negue, você sabe que é merecedora de todos esses elogios.

 O bacana não é fugir do que te deprime, mas tentar enxergá-lo de outra forma, mesmo que seja para seu corpo, aquele que você renega. Óbvio que não é do dia para a noite que uma pessoa que não se gosta passará a se valorizar e a amar a própria imagem refletida no espelho. Isso leva tempo. É como um namoro. Primeiro você se olha, de longe, com uma certa desconfiança. Aí presta atenção em suas qualidades. Observa o que tem de único, um charme, um detalhe que ninguém mais no mundo tem. Aí você percebe que é diferente, mas que ser diferente pode ser um tanto quanto especial. E é neste exato momento que você se apaixonará por si mesma.

 Hoje, morro de amores pelo que vejo todos os dias no meu espelho.

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Pelo direito de não ser mãe

Por Renata Poskus Vaz

Quando desejei pela primeira vez ser mãe eu era apenas uma garotinha. Obvio que eu ainda desconhecia a maneira safadinha como os bebezinhos eram gerados e muito menos sabia como e por onde eles nasciam. Porém, no meu imaginário, me sentia especial ao ninar as minhas bonecas. E fazia isso com tamanha delicadeza e carinho que até parecia embalar um bebê de verdade. Mesmo com essa natureza maternal latente desde a mais tenra infância, reconheço o direito de outras mulheres que não querem ter filhos. Afinal, mulher nasceu mesmo para ser mãe?

Antigamente, muitas vezes impedidas por seus pais ou maridos de trabalhar, sem autonomia para decidir a própria vida, as mulheres só tinham uma única função na sociedade: casar e parir. Hoje, a idéia de que a mulher nasceu para ser mãe tem sido combatida por uma nova geração de mulheres que optaram por não ter filhos.

Silvia e Marcus Neves

Este é o caso de Silvia Neves, 38 anos, modelo plus size mineira, que é graduada em pedagogia, mas também trabalha como secretária e cantora lírica (ufa!) e é casada com Marcus. “Nunca tive vontade de ter filhos, simplesmente não quero tê-los, sem motivos… Acredito que colocar uma criança no mundo vai muito além de ser um sonho, você tem que ter estrutura emocional, física e financeira.”, declara Silvia.

Quando optam por não ter filhos, casais são vistos com certo preconceito e estranhamento. “A família já se acostumou com a idéia de não querermos ter filhos, mas sempre comentam com ar de espanto e até tristeza pela decisão. Alguns amigos entendem, outros acham que nunca serei feliz, mas desde quando filho é sinal de felicidade?”, esclarece Silvia.

Ela completa que as pessoas estão acostumadas a colocarem suas expectativas e sonhos em outras pessoas, geralmente nos filhos, e que acabam se frustrando mais ainda quando não são correspondidos. “Já fui chamada de egoísta em uma entrevista de emprego a um tempo atrás, acredito que egoísmo maior é colocar uma criança no mundo sem a menor condição de amparo”.

Clarissa Guedes: mais liberdade sem filhos

O gostinho pela liberdade pode fazer com que mulheres decidam não ter filhos. Clarissa Guedes, maquiadora, diz que não conseguiria abrir mão de seus desejos e prioridades por ninguém, mesmo que por um filho. “Em algum momento da minha vida eu o culparia pelas coisas que teria que abrir mão por ele”, declara Clarissa. Essa postura pode causar estranheza, mas não estaria ela sendo sincera com relação aos seus sentimentos? Quantas mulheres não dão à luz apenas para suprir uma expectativa dos outros que a cercam e se tornam péssimas mães?

Muitas vezes acusadas de serem egoístas por não desistirem de seus planos e carreira para ter filhos, essas mulheres são unânimes ao concordar que egoísta é ter filhos pensando em ter alguém para cuidar delas na velhice. “Não necessariamente são os filhos que cuidam dos pais na velhice”, afirma Clarissa.  Silvia concorda “não me preocupo por enquanto, e já vi muita gente que tinha muitos filhos totalmente abandonada quando precisava. Filho não é segurança de amparo na velhice, infelizmente”.

Não importa se você quer ou não ser mãe, essa é uma escolha sua. Porém, sempre seja honesta com seu parceiro em relação às suas escolhas. Lembre-se, você pode não querer ser mãe, mas e se ele desejar ser pai?  O ideal é que esta conversa role assim que vocês iniciarem os primeiros planos para um futuro a dois.

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Digitais

Por Eduardo Soares

 

No meu desencanto
A tua ausência
No meu pranto silencioso
A tua presença
Meu rosto anseia
Por um afago seu;
Meu silêncio proseia
Com sua respiração;
Meus verbos carecem
Da tua conjugação;
Minha caligrafia descreve
Nossas fotografias exibem
Entre molduras e rasuras
Suas palavras (te) revelam
Suas palavras (me) revelam
Suas palavras (nos) revelam
Meu peito nu espera o repouso da sua cabeça
Assim, meu coração ouvirá seus pensamentos
Enquanto você irá decifrar minhas batidas
Absorvo teus segredos
Absorva minhas vontades
Com a mão direita,
Acaricie minha boca
Enquanto a esquerda
Crava as unhas no meu peito
Não tenha pressa
Me arranhe devagar
Vasculhe minhas veias
Até encontrar (com o polegar)
Meu melhor ponto fraco
Depois de um tempo
Ao tirar o dedo
Tome cuidado
Meu coração não precisa de marcas
Certifique-se, faça o certo
Longe ou perto
Ao lembrar de você

Ele pode esquecer a dor
Para eternizar
Apenas
Suas digitais.
 


							

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