Arquivos da Categoria: O que rola por aí

Aluno envolvido no “Rodeio das Gordas” é condenado a pagar R$20 mil

Por Renata Poskus Vaz

Há quase 3 anos, noticiamos aqui no Blog Mulherão (leia aqui) que alunos da  Unesp – Universidade Estadual Paulista, organizaram um “Rodeio das Gordas”, em que alunas eram humilhadas e agarradas por colegas de faculdade que simulavam um rodeio.

A “brincadeira” foi parar na justiça. Alunos fizeram um acordo com o Ministério Público e pagaram 20 salários míninos para instituições filantrópicas. O bonitão que não quis assinar o acordo, foi condenado agora a pagar R$20 mil, ou seja, 30 salários mínimos, como dano moral.

Que fique o exemplo.

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O dia em que fiquei entalada no maiô da hidroginástica

gordas no maiô

Por Renata Poskus Vaz

Existem situações constrangedoras pelas quais uma gorda passa, mas nenhuma se compara a ficar entalada ao experimentar ou vestir uma roupa.

Há cerca de um mês, comprei maiôs novos para a hidroginástica na loja Centauro de São Paulo. Experimentei, na loja, o modelo de uma marca na cor azul e ficou muito bonito e confortável em mim. A toquinha que vinha de brinde também ficou ótima. Na hora de pagar, peguei um modelo idêntico, da mesma marca, do mesmo tamanho, na cor Pink. Não experimentei porque achava que se tratando de peças idênticas, do mesmo tamanho, apenas em cores diferentes, isso seria perda de tempo. Percebi, da maneira mais terrível, que deveria tê-lo experimentado sim.

Com o maiô Pink na bolsa, fui para a academia. Normalmente eu me troco em casa, já vou com o maiô da hidroginástica por baixo da roupa, mas naquele dia estava atrasada. No vestiário havia umas 20 mulheres, todas esperando para entrar na piscina. Então, eu, como uma bela gordinha bem-resolvida, tirei meu maiô da bolsa e fiquei peladona, na frente de todas, para colocá-lo.

Senti uma certa dificuldade em passá-lo pela perna. Estranhei.  Ele quase entalou em minhas coxas, mas puxei firme e forte até cobrir meu bumbum. Não havia o porquê daquele maiô não entrar em mim e eu estava indignada com essa situação. Suei frio. E se ficasse entalado de verdade, como faria para retirá-lo? Todas olhavam para mim. Continuei tentando puxar o maiô para cima, mas ele não subia. E, para piorar, enrolava em meu próprio suor, dificultando ainda mais o trabalho que eu estava tendo para colocá-lo. Por falar em enrolar, é impressionante que as roupas, em gorda, enrolem sempre bem no meio das costas, onde nunca conseguimos alcançar.  Parece até piadinha divina para gordos.

 Naquele momento comecei a fazer promessas para São Longuinho e bolar teorias mirabolantes para sair daquela situação constrangedora. Foi quando uma senhora, vendo meu sofrimento, sem me dizer uma única palavra, desenrolou a parte de trás para mim. Olhei para ela, sorrindo (claro, com o sorriso amarelaço) e disse: “acredita que peguei o maiô da minha irmã por engano?”. Meu Deus, por que menti? Se eu me acho a rainha da autoestima, por que menti que o maiô era da minha irmã e não meu? A verdade é que mesmo a mais bem resolvida das mulheres, jamais aceitará que fez uma compra errada, por impulso, ou que cometeu a burrada de tentar entrar em uma roupa muito menor do que o seu manequim.

Enfim, eu me tranquei no banheiro para colocar meus seios no maiô e conseguir encaixar meus braços. Precisei esgarçar o maiô para meus seios entrarem e eles ficaram bem esmagadinhos, coitados! Mas o sofrimento não terminou por aí. A toquinha também era bem menor. Fiquei parecendo o Dunga dos sete anões com ela. Mas tudo bem, isso foi fácil de encarar. Não desisti de colocar o maiô, pois minha determinação em fazer a aula foi bem maior. Fiquei orgulhosa de mim mesma.

Acabei jogando fora aquele maiô, que apesar de ser vendido como sendo de uma numeração, era bem menor. É uma pena que não exista, no Brasil, uma lei que coíba essas disparidades de tamanhos.

Toda essa história seria engraçada, se tivesse acontecido apenas uma vez. Mas não. Eu sempre entalo nas roupas. Essa é a minha sina de gorda. rsrsrs Inúmeras vezes fiquei entalada em blusas e vestidos em provadores minúsculos de lojas de roupa, passando calor. E quanto mais eu suava, mais a roupa entalava. Sempre dá aquele desespero, um desejo inconsciente de rasgar tudo e sair correndo. O pior é a vendedora, do lado de fora, querendo entrar no provador para ver se “ficou bom”.  É um sufoco danado.

Torço pelo dia em que as roupas terão um padrão, a mesma medida, para que eu não fique entalada quando prová-las.  E se for para ficar, que seja em um provador bem grande, com ar condicionado, com a cara da riqueza e sem uma vendedora chata na porta querendo testemunhar tudo.

Fiquei entaladaEsse texto foi dedicado às minhas amigas da Fan Page Plus Size Depressão ;)

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Renata Poskus confere palestra sobre mercado plus size para alunas de pós da Belas Artes

eleni

Por Renata Poskus Vaz

Meninas, fui convidada para dar uma palestra na Belas Artes, sobre a trajetória de sucesso do Fashion Weekend Plus Size. Falei para as alunas da  disciplina Jornalismo de Moda, do curso de pós-graduação “Comunicação e Cultura de Moda”. Quem me fez o convite foi a professora Eleni Kronka, que também edita o World Fashion Varejo e é uma das profissionais de comunicação mais respeitadas no mercado da moda. 

Já faz algumas semanas que dei essa palestra, mas só tive acesso às fotos agora, e quis muito dividir com vocês esse momento especial. Para quem não sabe, a Belas Artes é uma instituição de ensino super prestigiada e falar para um grupo que está se pós-graduando é uma grande honra. O mais bacana foi ver que 90% da sala era formada por profissionais da moda e jornalismo super magrinhas. Mesmo assim, elas se interessam – e muito! – pelo mercado plus size e se mostraram empenhadas em contribuir, de alguma forma, no futuro, para com este setor.

Na foto, estou com cara de “tadinha”. Havia recém-saído de um período tenso, com dores estomacais. Tô perdoada, né? rsrs

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Mayara Russi e sua pequena Sofia

Por Renata Poskus Vaz

Se os sites de celebridades deliram quando as super Top Models dão à luz, nós, do Blog Mulherão, ficamos radiantes com nossas mamães plus size.

Neste sábado, a nossa queridinha top model plus size Mayara Russi, deu a luz à fofa Sofia, que já nasceu plus, com 52cm e 4,230kg. A pequena veio ao mundo às 8h44 do sábado, saudável, linda, de parto cesárea. Eu, como amiga, posso dizer que Mayara teve uma gravidez maravilhosa, sem complicações, o que prova que mesmo sendo ideal emagrecer antes de engravidar, que é absolutamente possível ter uma gestação saudável e tranquila mesmo estando acima do peso.

Infelizmente, não pude visitar minha amiga e seu bebê, porque estou me recuperando de uma gripe. No entanto, fico aqui vibrando para que toda a família seja muito feliz.

Sofia 4

sofia 1

Sofia 2

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Por onde andei…

FWPS 9 RENATA POSKUS                                                       Eu, entre duas de nossas modelos do FWPS, Jacque (à esq.) e Amanda (à dir.)

Por Renata Poskus Vaz 

Eu poderia fingir que minha vida é sempre perfeita, mas estaria sendo injusta e falsa com vocês, minhas leitoras, que me seguem há tanto tempo.   Também não considerava correto enchê-las de lamúrias. Quero ajudá-las e não contaminá-las com meu pessimismo. E foi por isso, para poupá-las, que fiquei meses ausente aqui do Blog Mulherão.  Postava uma coisinha ou outra, mas não tinha ânimo nem para esses escassos posts.

Eu, que já passava por alguns problemas pessoais, em plena semana do Natal fiquei solteira. Foram 3 anos e meio de namoro, muito amor e também muitos desentendimentos. Fiquei arrasada!  Eu tentava manifestar essa tristeza por meio de minhas redes sociais, como uma forma de desabafo e como uma espécie de pedido de socorro e era super mal interpretada. Por diversas vezes escutava: “não escreva coisas ruins que acontecem com você”. “Não alimente seus inimigos com sua infelicidade”… Ou seja, as pessoas que me queriam bem tentavam me convencer a simular uma falsa felicidade e camuflar minha dor, em prol de uma imagem que, sinceramente, eu estou pouco me lixando se poderia se abalar com isso.

Recordo, nesses últimos dois meses, ter ouvido que eu era um exemplo para mulheres acima do peso e que se me mostrasse triste, acabaria com o mito “mulherão bem-resolvida”. Gente, desde quando um mulherão bem-resolvido não sofre, não chora, não fica jururu quando termina um namoro? O segredo não é não sofrer, mas não parar de viver. E eu não parei!

Aproveitei para focar todas as minhas energias no Fashion Weekend Plus Size. Eu não tinha forças para sair, passear, me divertir, mas tinha forças para trabalhar. E trabalhando eu acalmava meu coração, minha alma… Não que isso seja um exemplo a ser seguido, mas nos últimos meses dormi apenas umas 4 horas por dia. Queria que esse evento fosse perfeito. E foi justamente isso o que aconteceu. Casei com meu trabalho e tive um filho perfeito: o FWPS INVERNO 2013.

O primeiro passo foi transferir o Fashion Weekend Plus Size para um novo espaço, já que o antigo espaço passaria por reformas de expansão. Já que era para mudar de local, eu queria que fosse em um lugar melhor, mais bonito e acessível. Então, fechei no Memorial da América Latina. 

Neste fim de semana aconteceu o evento. Quando via a carinha das minhas amigas entrando no salão de negócios eu percebi que aquele espaço realmente impressionava e que eu tinha feito a escolha certa. Como diz minha tia Cintia, “nunca deixe de se aperfeiçoar” e eu senti isso. Senti que o evento mudou, melhorou, estava mais bonito. De 26 modelos, passamos para 40 nesta edição, mais 20 modelos convidadas pelas grifes, totalizando 60 mulherões. Foram mais de 20 produtores coordenados por Lu Oliva, minha amiga e estilista da Korukru. Ao todo, o evento recebeu mais de 1600 pessoas. Os expositores venderam muito. Pela primeira vez tive patrocinadores, a Flor de Menina e a Bifarma. Óbvio que eu mudaria e melhoraria muita coisa no evento.  Também gostaria que algumas grifes investissem mais em suas coleções. Porém, estou muito satisfeita e encaro que estamos andando em ritmo acelerado.

O que tenho para dizer a  vocês é que andei meio chateada e reclusa, mas que agora voltei. Estou com novos planos, para minha vida pessoal e para o Blog Mulherão e quero dividir tudo isso com vocês, em breve. Obrigada para todas vocês que me acompanham, que fazem parte de minha vida e que jamais desistem de mim.

O ano de 2013 finalmente vai começar para mim!

Veja uma matéria bacaninha sobre esta edição do Fashion Weekend Plus Size

[https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CVlItIIny0g]

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Carnaval é a festa do povo – desde que este povo seja magro e sarado!

Por Renata Poskus Vaz

Aquela história de que carnaval é a festa do povo e que somos livres para nos divertirmos e sermos nós mesmos é conversa para boi dormir.  Nesta época, o culto ao corpo impera. Sempre foi assim. Só que antes, décadas atrás, embora as peladonas já dominassem os grandes desfiles das escolas de sampa, a imprensa se restringia a comentar e elogiar suas formas físicas, sem perder tempo falando mal de alguém que estivesse acima do peso que eles consideravam ideal.

Vejam algumas manchetes que me deixaram com o estômago embrulhado nesses primeiros dias de carnaval. Malditos estagiários do Ego!

barriguinha 1

barriguinha 2

Senhores estagiários do EGO Léo Martinez e Naiara Sobral (puxa vida, precisaram 2 profissionais para escrever uma matéria xexelenta dessas?), Quitéria Chagas não desfilou apenas a barriguinha. Ela desfilou a barriguinha, a beleza, o charme, a simpatia, o sorriso lindo, a fantasia maravilhosa e, o mais importante de tudo e que muito falta em muita rainha de bateria por aí: samba no pé.

Quitéria se tornou a mais nova diva do Mulherão nesta frase: “Você acha que estou gorda? Que eu saiba não estou grávida, mas isso também não vai demorar. Minha preocupação é sambar. O resto é resto. Eu não tomo hormônio, todas tomam. Essas meninas chapadas, todas tomam. Mais chapada que isso não dá. Sou natural. Quem não gostou, paciência. Jamais vou tomar nada para depois tentar engravidar e não conseguir.”

É isso aí, Quitéria Chagas. Sua linda!

barriguinha 3

barriguinha 4

Barriga estranha? Depois de muito reparar vi que a esposa do lindo-tesão-bonito-e-gostosão do Diogo Nogueira realmente tem uma risquinha na lateral do abdômen que pode ser uma cicatriz de cirurgia ou simplesmente uma “dobrinha” ou um músculo, tendo em vista que ela está com a perna erguida. Ah, mas me poupe! Estranha não é a barriga dela, mas prestar atenção num detalhe tão idiota enquanto se tem um mulherão lindo desse para se admirar.

bumbum 1

bumbum 2

Quem nunca andou no “busão” em alta velocidade, vestindo decote, não sabe o que é perder o controle do sacolejar do próprio corpo. É normal! Quanto maior você for, mais vai balançar em movimento. A garota acima, passista da Caprichosos de Pilares, foi clicada, muito provavelmente, em um momento de intenso ziriguidum. Qualquer uma ficaria desfavorecida clicada em um momento desses. Acharam a passista gorda demais para este mini-micr0-fantasia? Ok, então quer dizer que somos obrigadas a desfilar na ala das baianas, contrariadas, porque não somos magras ou marombadas o suficiente para uma roupa safadinha de passista? Se o carnaval é festa popular, cabe a cada um decidir como quer sair na avenida.

Amiga da foto,  adorei a ousadia! Da próxima vez, venha pelada! Se somos obrigadas a ver um festival de peitolas falsas siliconadas na avenida, que também vejam nossas celulites autênticas sem reclamar!

Um bom restinho de carnaval para vocês.

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Preta e gorda

Por Renata Poskus Vaz

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra em diversas cidades do País. Como se trata de um ponto facultativo, nem todas as cidades aderiram ao feriado. Mas uma coisa é certa, nesse dia 20 de Novembro, sites, blogs e demais redes sociais estarão inundadas de matérias sobre preconceito, direitos e conquistas de cidadãos brasileiros da raça negra. Hoje, todo mundo virará militante da causa negra de carteirinha.

Lidiane Machado

Eu não queria ser mais uma dessas, só mais uma blogueirazinha cumprindo sua média social, criando uma matéria para esta data, sem ter feito nada antes para contribir com a discussão dessa temática. Há semanas, por sugestão de Lidiane Machado, uma linda modelo plus size negra carioca, já vinha rabiscando um artigo sobre este tema. Entrevistei algumas pessoas e pedi que me enviassem suas respostas antes do dia 20, para evitar a coincidência. Hoje, recebi uma das respostas. Logo pensei, chateada: “poxa, só agora fui receber?”. Acho que estava sentindo um medo danado de publicar algo hoje e todo mundo achar que só estava escrevendo porque era o Dia da Consciência Negra. Talvez, até sentisse minha consciência branca um pouco pesada: “eu não poderia ter abordado mais sobre racismo em meu blog nesses últimos 4 anos? Não poderia ter ajudado mais? Fui deixar para falar sobre isso somente agora?”. Porém, entre falar e me calar, entre contribuir e ignorar, eu preferi agir!

Ao longo dessa semana, vou publicar inúmeras entrevistas com profissionais negras e gordas. Mas a primeira delas, a de hoje, é uma das mais especiais para mim.

Faz algum tempo que eu encontrei no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda. Sim, diretíssima, sem diminutivos e nenhum nhenhenhém. O nome pode chocar os “politicamente corretos”, eu sei. Lembro de quando criei o Blog Mulherão e achava o cúmulo alguém ser chamado de Gordo. Hoje, com uma autoestima um pouco mais elevada, percebi que os diminutivos, como “gordinha”, “fofinha”, “cheinha”, podem ser muito mais cruéis conosco e, ao invés de passar uma sensação de carinho, às vezes transmitem a idéia de alguém pequenino como ser humano, digno de pena. Porém, muita gente ainda não gosta de ser chamada de gorda, mesmo tendo passado dos três dígitos da balança há muito tempo, fato.

Já de preta, há inúmeras mulheres que se autointitulam dessa forma. Ou homens negros que de forma carinhosa se referem assim sobre suas esposas. Todavia, uma mulher branca não ousa chamar de preta outra mulher. Já me arrisquei uma vez e ouvi: “preta é cor, negra é raça”. Aí você se sente a maior das racistas e se cala pra sempre, até ver no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda.

Amber Riley, atriz e cantora, uma das imagens compartilhadas por Preta&Gorda

Preta&Gorda compartilha imagens e mensagens sobre mulheres gordas, negras, lindas e estilosas no Facebook, para servir de exemplo para outras mulheres, que não encontram nos catálogos e desfiles de moda mulheres da mesma raça.  Você pode achar que criar uma comunidade só para negras é racismo ao contrário. Então, pare para pensar em quando surgiram os blogs de gordinhas aqui no Brasil. Muita gente insinuou que as blogueiras GG estariam discriminando as magras, ou se fechando em um mundinho paralelo, que só criaria mais preconceito contra nós. E não foi o que aconteceu (com raras exceções, claro). Conseguimos reunir forças, recuperar a autoestima e, finalmente, sermos ouvidas. Uma nova comunidade reunindo e dando forças para as gordas da raça negra é um progresso, um passo adiante dos que já demos até então. Na minha opinião, alguns assuntos poderiam ser tratados na comunidade de forma menos agressiva e com mais respeito às divergências de opiniões (se bem que aqui no Blog Mulherão eu também não sou lá muito maleável). Vi algumas brigas e algumas pessoas queridas, que muito contribuem pelo crescimento do mercado plus size saindo magoadas de discussões lá na Preta&Gorda. Porém, essa é só minha opinião. E como sou só gorda, não sou negra, por mais que tente me colocar no lugar daquelas que já foram discriminadas por conta da raça, só posso ficar no campo da suposição. Jamais senti na pele esse tipo de discriminação.

Entrevistei a Alessandra que, junto com o Maicon, administra a comunidade Preta&Gorda no Facebok.  Leiam na íntegra:

Mulherão: Qual a motivação de criar uma página exclusiva para as mulheres acima do peso da raça negra?

Alessandra: Pra mim, Alessandra, a princípio foi algo voltado para minha auto-afirmação. Sou militante do Movimento Negro e sempre me indispus com todo este sistema que excluí todos aqueles que são considerados “fora dos padrões”. Sou gorda e sempre acreditei que não preciso mudar para agradar a ninguém a não ser a mim mesma. Enquanto eu estiver bem comigo mesma, a opinião das pessoas não tem de me importar. Como gorda, participava de grupos de discussão na internet, tinha o meu próprio grupo, acompanhava as postagens e tal, mas sempre notei uma exclusão já ali. Fotos de mulheres eram postadas, mas as que tinham maior número de curtições e elogios eram das moças brancas. As pretas, em geral, ou não se manifestavam, ou não tinham o mesmo reconhecimento de todos (homens e mulheres) como belas. Sempre fui muito crítica. Então, um belo dia, escrevi um texto de desabafo no meu perfil do Facebook tocando neste assunto, sobre a invisibilidade da mulher preta e principalmente quando ela é gorda. E isso chamou a atenção de muita gente, inclusive de uma amiga que é fat militante há anos. Começamos a conversar dentro deste contexto e ela, mesmo sendo branca, reconheceu que existe uma mega exclusão das mulheres pretas no meio Plus. Publiquei no Blog dela, e para minha surpresa, uma chuva de moças pretas assumidíssimas começou a desabafar! Achei lindo! Gosto do movimento do meu povo! Gosto quando eles vestem a roupagem de luta! Foi aí que eu percebi, que este sentimento, estava abafado dentro de mta gente. Então eu encaro a page como um desabafo de mais de 2.000 pessoas (em sua grande maioria mulheres) dizendo que existe algo de errado e que precisa urgentemente ser acertado.

Mulherão: Qual a sua visão sobre o mercado de trabalho para as modelos plus size negras?

Alessandra: Nulo. Dentro de um contexto amplo? Nulo. Tendo em vista o fato da população preta ser maioria. Questão de números. Existem modelos pretas lindíssimas que estão sem trabalho. Pessoas queridas com muito talento que não tem oportunidade de trabalhar porque o mercado simplesmente não está aberto a elas. Existem algumas pessoas que colocam pretas em seus catálogos, mas, sinceramente? Se não for feita uma campanha séria que realmente mova o mercado plus a abrir os olhos e as portas para as mulheres pretas (e homens também), a inclusão das meninas será por cumprimento de Lei. Nada mais além disso. Supondo que uma agência tenha 100 modelos, 10 são pretas? Onde está a igualdade nisto? Onde está a representatividade das moças dentro dos desfiles. Porque eu, como preta, sou obrigada a ser representada por uma mulher branca, loira? Porque eu não posso me ver também? Porque dizem para as moças que mulher preta não vende? Não vende? Lembro-me que a uns anos atrás o papo era que gordo não vendia… E olha aí todo mundo andando na moda! Agora preto não compra roupa? Quero ver uma negra vestindo uma roupa legal, que combine com o meu jeito de ser, com meu estilo, para que eu me veja também.

Mulherão: Eu li em alguns posts você falando que a preferência de modelos brancas ao invés de negras para estrelar catálogos é racismo. Na sua opinião, esse racismo é algo enraizado ou acha que as grifes fazem de propósito?

Alessandra: Racismo sempre está enraizado. Isso é algo que dificilmente mudará. De propósito? Sim é de propósito, como o racismo é cultural a discriminação por cor é o racismo em ação. Portanto, normal as grifes fazerem isso. O racismo é simplesmente manutenção de poder caucasiano não deixando ter acesso os pretos(as) em todos níveis sociais. Elas acham que realmente não são racistas, mas excluem naturalmente.

Silvia Neves: ela se autointitula negra, mas a consideram clara demais para ser negra.

Mulherão: No Fashion Weekend Plus Size há poucas modelos negras: Silvia Neves, Erica Calderal e Juliana Ferreira. Elas se intitulam negras, mas muitas vezes são censuradas por as considerarem muito claras para serem negras. O que acha disso?

Alessandra: Acho que o orgulho de ser preta independe da sua tonalidade da pele. Até porque aqui no Brasil, encontramos pretos e pretas em inúmeras pigmentações. Isso é genética. O que verdadeiramente define sua negritude não é apenas seus traços africanos, e sim o somatório destes traços com sua afirmação e posicionamento político e afrocentrado dentro deste contexto. Pretas que possuem pele mais clara mas que exalam e afirmam sua negritude diante de toda adversidade que encontram dentro do universo fashion, merece nossa total admiração! O que muitas pessoas não conseguem entender é que uma pessoa se intitular preta, é mais do que se orgulhar de quem é e de sua ancestralidade… É uma maneira também de protestar contra todo sistema excludente que nos cerca, que quer inclusive determinar quem somos e quais as ‘qualificações’ necessárias para sermos ou não pretas. Quanto as pessoas que as censuram, estão querendo chamá-las de mestiças. Uma forma sutil de diminuí-las e negar a participação das moças como pretas. Quantas pretas já ouviram assim “Não… Você não é preta! Que isso! Você é uma morena linda!”? Isso é uma forma sutil de dizer que não existe beleza em ser preta. Que para você ser aceita, tem de ser ‘morena’… Quanto mais “clarinha” você se afirmar, mais a sociedade vai te aceitar. Só que se as meninas se consideram pretas e batalham por representar as pretas, é como pretas que elas tem de ser reconhecidas e nada menos que isto. Coibí-las é racismo. Preterí-las também.

Quando se descreve como negra na internet, Erica Calderal também deixa muitas pessoas surpresas

Mulherão: No mercado tradicional, o das modelos magrinhas, não é muito diferente. Você acha que o mercado plus size também vai demorar para reconhecer as modelos negras? Qual a sua sugestão para alterar esse cenário?

Alessandra: O meio fashion é muito preconceituoso. Independente da forma física, dificilmente vemos pessoas pretas fazendo parte de desfiles. Isso é uma problemática antiga. Sim, o processo é lento… Muito lento. Mas não é impossível. Os pretos tem esta marca de sempre ter de batalhar muito e dobrado para conseguir um objetivo, e quanto a isto, não será diferente. Sabemos disso. Minha sugestão é a auto-afirmação. O que temos feito na nossa comunidade. As mulheres pretas precisam assumir-se pretas e acreditar que tudo o que disseram sobre sua aparência não passa de uma estratégia racista para diminuir nossa auto-estima. Isso é uma terrível tática de guerra, que funcionou durante séculos, mas que felizmente temos conseguido vencer. Temos de ter orgulho de nós mesmas e de nossa raiz e lutar para que sejamos reconhecidas e respeitadas como somos e pelo que somos. Acho que esta é a chave.

Juliana Ferreira, uma das modelos mais solicitadas pelas grifes do FWPS

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Todo esse processo para conseguir a entrevista com a Alessandra foi bem difícil. Ela estava temerosa que sua ideologia e viés político não fossem respeitados. Eu, uma simples jornalista gorda, branquela e organizadora de um evento de moda plus size que se enquadra nos citados por ela, com apenas 3 modelos negras em um grupo de 28 modelos, tentei, a todo custo, provar que sei da situação atual do mercado, que não concordo com ela e que estou disposta a ajudar a mudá-la. Afinal, ao contrário de muita gorda que fica sentada na frente do computador atacando, ofendendo e depreciando quem se predipõe a fazer alguma coisa por nossas plus size, eu sempre estou disposta a contribuir. Fiquei relatando minha experiência a frente do Portal Negritude do qual fui editora, numa tentativa desesperada de mostrar: “olha, sou legal, acredite em mim”. E é por este motivo que colei suas respostas na íntegra.

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Lembro-me quando iniciei minhas atividades no Blog Mulherão e recebia alguns e-mails dizendo que eu era racista, porque no Dia de Modelo só havia participantes brancas. Uma bobagem! O Dia de Modelo não é filantrópico, é um evento custeado pelas participantes e eu não tinha como obrigar nenhuma negra a pagar e participar, e nem era essa minha intenção. Notoriamente, naquele início, a participação de negras era bem menor.  Segundo Alessandra, esse fato poderia se justificar pelo medo da rejeição. “A mulher preta por si só já tem auto-estima baixíssima por conta do racismo e todas as formas de exclusão e perda de identidade que ele acarreta. A mulher gorda de modo geral nem se fala… Somos tidas como ET´S pelos demais… Então a mulher preta e gorda tem o dobro de dificuldade de acreditar que é linda e que pode fazer o que bem entender.”.

Já no Fashion Weekend Plus Size, as marcas que desfilam são orientados por mim a privilegiar a diversidade de raças em seus castings. Porém, a melhor forma das confecções entenderem essa necessidade e ampliarem seus quadros de modelos deve partir de vocês, consumidoras de moda plus size. Escrevam para os estilistas e manifestem suas opiniões nas redes sociais. Claro, de forma educada e construtiva, pois no momento em que a Militância vira Ignorância, ela perde o seu efeito.

Para acompanhar a Preta & Gorda, clique aqui.

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Saiba como me livrei do vício da coca-cola

Por Renata Poskus Vaz

Há algum tempo, fiz aqui no Blog Mulherão um relato emocionado (kkkk… que drama!) sobre meu vício exagerado de coca-cola. Para relembrar, clique aqui. O negócio era sério mesmo! Não passava um dia sem tomar coca-cola, ficava extremamente irritada quando não tomava a bebida. Ingeria cerca de 2 litros de coca por dia. Eu era uma espécie de drogada,  e quando ficava sem coca manifestava os mesmos sintomas de privação que um dependente químico de drogas pesadas sofre. Mas eu não ligava. Um copo de coca, para mim, compensava qualquer surtada.

Isso só mudou quando, ano passado, diante de uma dificuldade séria em minha vida pessoal, fiz uma promessa para Deus. Sou espírita e acredito que Deus não curte ver a gente passando por privações nessas promessas malucas. Ele não é sádico. Porém, achei que demonstraria toda a minha fé e consequente merecimento, se mostrasse que abdiquei de algo que amava em troca de uma graça. Parei de tomar a bebida no mesmo dia da promessa. Não quis esperar ser agraciada. Minha fé era grande.

Nos primeiros dias sofri bastante. Foi só então que percebi o quanto essa coca-cola é perigosa e por mais que a companhia que a fabrica e o Ministério da Saúde digam o contrário, essa bebida tem sim um poder de vício tremendo. Foram inúmeras vezes que tive pesadelo em que estava bebendo um copo geladinho de coca-cola e acordei me sentindo culpada. Uma vez, até chorei. Algumas vezes, sonolenta, chegava a abrir uma garrafa de coca-cola, me servindo, meio que seguindo uma rotina viciante. Depois de alguns segundos percebia que eu não queria beber aquilo. Estava habituada, apenas isso.

Quando meus familiares abriam uma garrafa, conseguia sentir o cheirinho da coca-cola e até cócegas no nariz por conta das bolhinhas de gás. O meu desejo era absurdo. Naquela época eu tomava muito pouco outros refrigerantes. O engraçado é que a gente substituí um vício pelo outro, não é mesmo? Passei a tomar tubaína, soda e citrus. Mas jamais na mesma proporção que tomava a coca-cola.

As primeiras semanas sem coca custaram a passar. Depois de 2 ou 3 meses eu já não tinha mais vontade de tomar essa bebida. Porém, fazia planos para o dia em que eu poderia voltar a tomá-la. Até que 1 ano se passou. No dia final da promessa de 1 ano sem coca-cola, fiz planos de tomar um copão geladinho, mas não tinha coragem. Nisso, se ´passaram 1, 2 semanas… 3 meses! E quando finalmente tive coragem de beber um copo de coca-cola, a surpresa: pensei que estava estragada! O gosto era péssimo. Se madeira tem gosto, deve ser aquele. Pensei que estava vencia e só consegui dar um gole. Na outra semana, mais um teste e novamente senti o mesmo gosto ruim. Depois, tentei com Pepsi e a mesma sensação estranha.

Enfim, nunca mais tentei tomar coca-cola e acho que meu corpo finalmente se livrou daquele vício. Agora, já estou pronta para o próximo passo, que é deixar de tomar os outros refrigerantes.

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Porque todo mulherão já foi uma criancinha…

Por Renata Poskus Vaz

O Dia das Crianças já está chegando e eu resolvi fazer uma homenagem para minhas leitoras que hoje são Mulherões com M maiúsculo. Você pode participar mandando suas fotos para blogmulherao@hotmail.com.

Agatha Godoy

Alessandra Linder

Aline Soares

Camila Marchiori

Erica Calderal

Luciana Soares

Thereza Apocalypse

Thaiz Bechara

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O “conto do plus size” mencionado pela revista Vogue da Editora Globo

Por Renata Poskus Vaz

Hoje, nossa leitora Emma nos indicou uma matéria da revista Vogue brasileira, que é publicada pela Editora Globo. Nela, a redação sugere um video com depoimentos de fashionistas explicando como se mantém saudáveis, longe da anorexia e “do conto plus size”.

Que revolta! No dicionário, conto quer dizer mentira, falácia, algo que nunca existiu. E a realidade plus size em que vivo, hoje, não é de mentirinha, não é uma ilusão. Finalmente consegui ser uma mulher bem-resolvida e feliz, mesmo com minha forma gorda. E o que essa publicação sugere é que vocês não acreditem em mim ou qualquer profissional que tente dizer que ser saudável ou feliz acima do peso é possível.

O Brasil cresce a cada dia, mas a mentalidade de algumas pessoas continua sendo a de terceiro mundo. Enquanto as editoras de Vogue do restante do mundo colocam representantes plus size em suas capas e até fazem sites exclusivos para as gordinhas, no Brasil vivemos esse retrocesso.

Adele nas capas da Vogue Americana e Britânica

Vogue Curvy

Update: A nossa leitora Emmanuelle comentou e eu não quis acreditar! Mas fui dar uma googlada, claro e confirmei que a Editora Chefe da Vogue Brasil é gordinha. Veja só a silhueta fofinha de Daniela Falcão:

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