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Vergonha?

Por Eduardo Soares


Vergonha. Qual é o motivo dela existir? Vergonha de quem? Vergonha de usar uma roupa mais decotada, de fazer um strip-tease para o amado, de ir à praia, por ser o alvo de comentários maldosos numa festinha?

A verdade é que essa palavra faz parte da vida de várias pessoas. Afinal, ela pode se apresentar de várias formas. A timidez é de certo modo um tipo de vergonha. Mas no caso das gordinhas, esse sentimento é presente e infelizmente são poucas as mulheres que sabem reverter esse panorama.

“Que espelho maldito!”, “Será que ele vai olhar para mim?”, “Não quero tirar foto, estou uma baleia”, “Até quando minha estima vai continuar em baixa?”. Provavelmente algumas de vocês já devem ter dito uma (ou todas) dessas frases ao longo do tempo. Acreditem, em pleno século 21 continuamos vivendo dentro de uma sociedade preconceituosa. E isso não é um ‘mérito’ apenas nacional. Existe uma falsa imagem de que tudo está bem, mas só quem é negro, homossexual, deficiente físico e, sim, gordinho/a (fora outros casos) conhece o amargo sabor da discriminação que mesmo presente de forma discreta, não deixa de ser menos torturante.

Digo isso pois já fiz parte da ala que desdenha as gordinhas. “Eu? Nunca! Tá maluco? Nem se fosse a ultima mulher do mundo”, era o que eu costumava dizer aos amigos. Até que num belo domingo de sol, estávamos reunidos na praia (uns cinco amigos e eu) jogando conversa fora e admirando as belas mulheres de Ipanema. Lembro-me que o papo do momento era justamente sobre estética e eu, assim como todos, levantava a bandeira dos contra-gordinhas. Os termos vulgares e comentários maldosos eram ditos a exaustão. Até a hora em que passou na minha frente uma linda gordinha! De quebra, era baixinha e loirinha. Eu parei! A conversa continuava rolando mas minha visão ficou naquela menina! Como não sei filtrar meus pensamentos, disse em alto e bom som: “Que menina linda, gente!”. Evidentemente a galera toda me sacaneou até o fim do dia. Cinco anos depois, ironicamente três desses amigos são casados com moças belíssimas e…gordinhas! E eu? Bom, de lá para cá só namorei com meninas “plus size”!

Graças a Deus noto que atualmente existe um olhar mais admirador no que diz respeito a mulheres fora do padrão comum de estética (quanta pompa). Oras, casos de gordinhas em evidência (sem o teor de esculhambação) são vários: em Malhação ID, Carolinie Figueiredo é uma das protagonistas da trama; Simone Gutierrez arrancou aplausos de pé quando foi no Programa do Jô para divulgar a peça “Hairspray”, tamanha sua simpatia; o mundo ficou boquiaberto com a beleza da Miss Gordinha americana Chloe Marshall (aliás, bem que poderíamos fazer o mesmo por aqui, afinal as brasileiras são as mulheres mais belas do mundo); a irmã da atriz Liv Tyler (que leva o sobrenome do pai, Steve, vocalista do Aerosmith), Mia Tyler, é uma renomada modelo americana da linha plus size. Não podemos esquecer do encanto da atriz Fabiana Karla, que é uma das melhores humoristas dessa nova safra. Lembrando que estou me referindo a casos onde a saúde da pessoa não corre risco, como nos casos de obesidade mórbida, que é doença e precisa ser tratada a sério.

O que quero dizer a vocês é simples: jamais tenham vergonha do físico. Agradeçam a Deus pela beleza, pela saúde, pela alegria (impressionante, nunca vi uma gordinha mal humorada) pelo caráter e pela personalidade. Quanto a estima só quem pode realmente alterá-la são vocês. Quando a mente maquina negativismo, não tem jeito! A pele fica feia, o cabelo perde o brilho, o sorriso fica amarelo.

Não se permitam chegar a esse ponto. Olhem para o espelho, meninas! Vergonha do corpo? Sem chance!

Reza a lenda (e bom, posso comprovar isso…) que vocês são quentes! Coloquem uma lingerie sensual (vocês conhecem várias lojas especializadas em tamanhos maiores), façam books como fotos audaciosas (existem profissionais que fazem ensaios fotográficos de pessoas ‘não famosas’ e esse é um seguimento que está em crescimento no pais), usem e abusem da genética!

Chega de lamentos, choro, depressão e tristeza. Se algum cara vier a querer menosprezá-las, não fiquem por baixo. Detonem o sujeito e busquem a felicidade com quem gosta realmente de vocês como são. Ninguém pode julgar o caráter da pessoa só pela aparência. Isso é como fazer vista grossa para um presente valioso só por causa da embalagem! E no fundo cada uma de vocês é um presente valioso e raríssimo, cujo “presenteado” é um sujeito inteligente pelo simples fato de ter aceito vocês sem qualquer tipo de preconceito.

Já diria minha mãe: “vergonha é matar e roubar”. Bom, se for pensar assim matem as magrelas de inveja com a beleza peculiar das gordinhas! Ou então, roubem as cenas com o encanto, charme e fascínio que só vocês têm. Nesses casos, e só nesses casos, a “vergonha” é saudável.

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