Arquivo do mês: novembro 2009

Dance, dance, dance…

Por Grazi Barros

Quem não já ouviu uma história de uma gordinha que foi discriminada na academia ou numa sala de dança?! Todos já ouviram histórias de discriminação nesse lugares, e esse foi o caso de duas das nossas amigas do II dia de modelo do RJ: Roberta Ferreira e Paula Khalil.

Na última fileira, bem escondida…

Enquanto se preparava para a sessões de fotos do Dia de Modelo do Rio de Janeiro, Roberta Ferreira se aquecia delicadamente, esticando os pés graciosamente e com uma postura digna de uma bailarina. Quando era criança, Roberta fazia jazz. Ela adorava, mas nas apresentações de fim de ano, sempre era posicionada pela professora na última fila e por lá ficava durante toda a coreografia. Na frente, eram apenas as magrinhas. As gordinhas, por mais que dançassem bem e tivessem tanta técnica quanto as magrinhas, ficavam atrás, escondidas, excluídas e discriminadas. Por conta disso, Roberta deixou de freqüentar o grupo de dança, embora ainda seja apaixonada pela modalidade.

Dança do ventre, a predileta entre as gordinhas

Já Paula Khalil, não sofreu preconceito por parte da professora mas das “coleguinhas” da academia. Ela fazia jazz e sapateado na infância e ouvia constantemente das “parceiras” magrinhas de turma, que se continuasse dançando daquela forma, ela iria “quebrar o chão”. Sofreu tanto preconceito que acabou engordando mais e mais, chegando a pesar 120 kg. Desistiu do jazz e do sapateado até que, mais tarde, resolveu emagrecer e atingiu o manequim 48. Ela redescobriu o prazer de dançar e encontrou nessa oportunidade uma maneira de ser feliz. Atualmente, Paula pratica a dança do ventre e com ela descobriu a sensualidade, o movimento, a alegria e a certeza de que mesmo mais cheinha era capaz sim de dançar e muito bem.

Grupo Plus Size de Dança do Ventre

Visionária, Paula reuniu as amigas do mulherão e montou um grupo de dança do ventre. A intenção não é formar bailarinas profissionais, mas permitir que cada participante redescubra a feminilidade, o bem-estar e o prazer, mesmo estando acima do peso. Além disso, melhorar a saúde. Segundo Paula, será uma oportunidade maravilhosa de conhecermos a “Deusa” que existe dentro de cada uma de nós e mostrar que, apesar de gordinhas, somos sim, capazes de dançar e com graciosidade e beleza!

Para mais informações, acesse a comunidade do Orkut do Mulherão Carioca.

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Operação biquini – parte II

Ana Lisboa

Além de maiôs, biquinis e saídas de praia a pronta entrega, confecção faz também sob medida

Por Renata Poskus Vaz

Continuamos atentas à nossa missão de trazer boas opções de moda praia para os nossos mulherões. E não podemos perder tempo pois o verão já está aí, não é mesmo. Na segunda parte da nossa Operação Biquini, a grife da vez é Ana Lisboa, que vende no atacado e varejo e também produz modelos sob medida até o manequim 60. Se você não gostar de nenhuma opção do catálogo (o que é quase impossível devido a variedade de modelos e estampas) você pode dizer direitinho como é a peça dos seus sonhos que a Ana Lisboa produz.

Para saber mais, acesse o site.

E quem disse que gordinha só pode usar maiô? Os três modelos de sunquinis “prendem” aquelas gordurinhas ao redor do quadril e sustentam o busto.

E lá vamos nós levantar a bandeira do “maiô de vovó, nem pensar”. Embora gordinha possa encarar um biquini (comportado) numa boa, ainda há quem se sinta mais confortável com maiô. O primeiro modelo, da esq. para dir. tem um decote frente-única poderoso. O segundo, com flores brancas, dá leveza para o maiô preto. O terceiro (meu preferido) é uma prova de que gordinha pode sim usar cores claras, sem medo de errar.

As saídas de praia são muito dignas (como diria a Dani Lima). Só não vale ficar usando-as o tempo todo na praia. Mostre sem medo o seu corpitcho!

modelo: Julia Pires

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Novidade!

Por Dani Lima

Você se acha um mulherão bem phyno, cheia das chiquesas e se sente bela com suas curvas? Tem vontade de participar do Blog Mulherão e ilustrar um post? Então esse é o seu momento! 🙂

A partir de hoje, inauguramos a sessão “Mulherão Loosho da Semana”, que de 7 em 7 dias, trará uma de nossas leitoras num post com algumas fotos e uma mini-entrevista. Legal, né?!

Para participar, nos mande um email com:

  • Nome
  • Idade
  • Email de contato
  • Uma foto (de corpo, com um look bem legal!)

para blogmulherao@hotmail.com e coloque no assunto “Quero ser o Mulherão Loosho da Semana!”.

Eu mesma receberei e cuidarei dos emails, e a cada semana, vou selecionar uma leitora! Usarei como critério, observar os looks mais despojados e legais – já que é sobre moda, né! rs – e também, a participação da moça aqui no Blog! Temos várias meninas que enviam dicas e comentam smepre nos posts, ou seja, deixam sua marquinha e trocam experiências conosco! Na hora de avaliar, vou dar preferência a quem assiste ao blog de verdade, já que é um espaço para nossas leitoras, ok? 😀

Mostre para todas as amigas do Blog seu estilo e deixe sua marca no nosso cantinho.

Quem sabe você já não será o nosso looshinho da semana que vem? 😀

Caso você seja a leitora selecionada da semana, entrarei em contato para realizar a mini-entrevista e receber as fotos por email; por isso, necessitamos que nos envie um e-mail válido e de acesso constante! 😉

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Musa GG angolana fala ao Blog Mulherão sobre preconceito que sofreu em concurso de beleza

Por Renata Poskus Vaz

Em 2008, a revista Chocolate, admirada entre as jovens leitoras angolanas, organizou um concurso de beleza chamado Miss Chocotale, mas não imaginou que uma gordinha de 25 anos, 1,72m e 100 Kg seria uma das 10 finalistas. O nome dela é Tânia Almeida e criou uma saia justa entre os coordenadores da competição, que só analisaram fotos de rosto e esperavam apenas beldades magras em sua seleção.

Na foto acima, a linda angola que acompanha nosso Blog

Sem critérios de seleção, mas preconceito de sobra

O Miss Chocolate foi patrocinado por uma marca de linha de cosméticos e uma rede de perfumarias. As únicas exigências para participar do concurso eram a de se inscrever em uma das lojas e entregar uma foto em que estivesse usando os produtos da linha. E foi isso que a Tânia fez. Apoiada pela família, chamou uma amiga maquiadora, que por sua vez trouxe um fotógrafo, fez uma produção digna de modelo de capa de revista e tirou mais de 250 fotos. Depois, escolheu a predileta para a inscrição.

“Fui à perfumaria e me espantei quando a atendente deu uma gargalhada e disse que eu não poderia concorrer por estar fora dos padrões”, lamenta-se Tânia. Persistente, não se intimidou e falou com a gerente, que se desculpou pela atitude da funcionária e recebeu a sua candidatura.

Depois de um mês, Tânia recebeu a ligação da organização do concurso dizendo que estava classificada entre as 10 finalistas e que participaria de um ensaio final. “Quando chamaram pelo meu nome, olharam para a fotografia e para mim, depois olharam novamente, pareciam não acreditar que era eu”, desabafa.

à esq. foto que usou para se inscrever, à dir. foto realizada na etapa final

Uma vencedora

Em Angola, o preconceito é mais latente do que aqui no Brasil, agravado pela carência de personalidades GG e de lojas de vestuário para este púbico. Pelo que descreve Tânia, a organização da revista não esperava que uma gordinha se candidatasse a Miss. Ficaram surpresos, atônitos com a “audácia” deste mulherão. “Embora não tenha conquistado o primeiro lugar, consegui vencer o meu desafio pessoal e provei para muitas pessoas que quando queremos, independentemente do ”padrão”, nós podemos fazer. Desde então venci muitos dos preconceitos que tinha em relação ao meu corpo e melhorei bastante a minha auto estima”, fala a vencedora.

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Operação biquini – Parte I

Por Renata Poskus Vaz

Atenção, atenção! Fui incubida por minhas amigas leitoras de realizar uma missão extra-super-hiper especial: descobrir lojas que comercializam biquinis, maiôs e saídas de praia GG que sejam modernos e que não lembrem nada nada as roupitchas de banho que nossas vovós usavam. Para nossa surpresa, há mais lojas especializadas nesses artigos do que imaginávamos.

Na operação biquini (Parte I) você vai conferir os lançamentos da Palank. Mas fique de olho pois traremos muitas outras opções para vocês, mulherões!

Palank

Vocês se lembram das dicas verão 2010 da Dani Lima? Pois bem, verde e azul estão com tudo neste verão. O biquini vai bem para as que não tem vergonha de mostrar a barriguinha. Para as mais comportadas os maiôs. O modelo azul tem alças mais largas que garantem mais sustentação aos seios. O preto é uma boa pedida para as clássicas.

As “saídas” são um verdadeiro coringa. Você pode usá-las para chegar ou sair da praia ou piscina e também em um passeio ou almoço mais informal. Cá entre nós, eu usaria este modelo do meio na cidade, compondo com uma calça “sequinha” ou bermuda jeans, com rasteira.

Informações sobre valores, formas de pagamento ou para saber qual a loja mais perto de você, clique aqui

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Espaço da Leitora: por Vanessa Sobral

Há uns 7 anos, no auge da minha melhor forma (79kg, vestindo um “44 malhado”; nunca fui magra), conheci um rapaz no trabalho e com um mês começamos a namorar e com um pouco mais de um ano já ficamos noivos.No início tudo era lindo. Ele era bastante ciumento e me proibiu de várias coisas, como malhar e sair com amigos, por exemplo, alegando querer mais atenção e eu cedi; como eu disse: no início tudo é lindo!

Com o passar dos meses, e já tendo adotado hábitos bastante sedentários (minhas atividades limitavam-se a trabalhar e fazer programas engordativos de casal: cineminha + pipoca, jantares, fast food, etc.), alcancei a marca de 160kg! Pulei do manequim 44 para o 60! Aquele moço apaixonado já não era tão fofo assim. Demonstrava vergonha de andar comigo na rua . Fazia comentários desagradáveis, do tipo: “Você engoliu a minha Vanessinha” ou “Só comecei a namorar com você pois gordinhas são mais fáceis”.

Em seu novo círculo de amizade, feito com a promoção que ele alcançara graças também a tantos incentivos que dei, eu não fui apresentada. Os programinhas de casal já estavam quase extintos. Menos carinho, menos companheirismo, menos atenção. Percebi que cada dia que passava eu me sentia mais solitária e infeliz. Nesse tempo (2005), eu já havia mudado para um apê, que eu dividia com ele desde a compra, cujo objetivo era ser nosso ninho, após o matrimônio.

Um dia, sinceramente, eu não sei o que deu em mim. Só me lembro de ter esfriado bastante com ele uns 10 dias antes da tomada da decisão, antes do início do que seria o gozo de nossas primeiras férias juntos, durante uma briguinha, o rompimento. Garanto a vocês que foi o nosso primeiro e último rompimento em 4 anos de relacionamento; mas tenho certeza que o meu ganho de peso foi determinante. Ele cedeu à ditadura da sociedade de que os homens devem exibir mulheres magras ao seu lado.

Depois do calor da emoção da tomada da decisão, comecei a ficar hipertensa e entrei em depressão. Familiares e amigos ficavam aflitos quando eu não atendia o telefone, pois não tinha vontade de falar com ninguém. Isso fez com que minha mãe (meu ANJO aqui na terra – que Papai do Céu esteja cuidando bem dela) chegasse a mudar sua rotina e passasse algum tempo comigo, pois sabia da minha fragilidade emocional e tinha medo que eu fizesse o pior.

Dias muito difíceis foram aqueles. Sentia falta de tudo dele. Esperava por sua chegada todos os dias; afinal, isso fazia parte da minha rotina, até então. Meu erro foi viver minha vida pra ele, esquecer de viver a minha vida em primeiro lugar.

Hoje tenho a coragem de confessar que aquele COVARDE não tentou efetiva reconciliação em nenhum momento. Passados 3 anos, descobri que dias depois da nossa separação, onde ele alegava querer ficar sozinho, ele começara a namorar uma mulher do trabalho dele, muitos quilos mais magra que eu.

Mas eu dei a volta por cima, pessoal!

Demorou pra eu perceber que ele era um fraco, que com suas atitudes só fez dar mais força pra esse preconceito ridículo, e isso me machucou muito. Nós gordinhas temos sido mais discriminadas do que os negros, que lideraram por muito tempo esse ranking, devido à ditadura da beleza imposta que nada tem a ver com as mulheres reais. Por isso achei que tinha tudo a ver dividir a minha história com as outras leitoras desse blog incrível, que só tem nos enaltecido seja qual for o veículo de comunicação que consiga um espaço pra falar.

Depois do ocorrido, já conheci vários rapazes, até quando estava com o manequim 60, no auge dos meus 160kg (já estou vestindo 52!). Homens que valorizam outras coisas em uma mulher e não quanto ela veste. Hoje voltei a malhar e me alimento mais saudavelmente porque busco saúde, pois saibam que amo cada curvinha do meu corpo de MULHERÃO e não deixei os prazeres da comida de lado.

As pessoas têm imagens erradas dos gordinhos. Julgam termos falta de vergonha por não conseguirmos levar nossas dietas, mas só nós sabemos as dificuldades que enfrentamos todos os dias. Aí, inventaram a “tal de redução de estômago” que pra mim é uma agressão ao corpo e à vida de nós gordinhos (isso já seria assunto pra outro post).

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“Sou vítima de preconceito em minha própria casa”

Por Renata Poskus Vaz

Recebo centenas de e-mails com pedidos desesperados de ajuda de mulheres que sofrem preconceito dentro de suas próprias casas. Elas vivem uma rotina diária de ofensas e humilhações vindas do marido, pai, mãe, irmãos e até dos próprios filhos. São piadas, comentários maldosos e apelidos que se transformam em uma violência moral sem limites, que fere e às vezes mata. Sim, mata. Pois alguns casos de depressão podem se tornar irreversíveis quando a mulher desiste de lutar e acaba tomando como realidade o que os outros dizem e se nega a continuar vivendo.

Marido frustrado

É comum mulheres casarem magrinhas e depois de um tempo engordarem. Alguns maridos não admitem isso. Homens que se prezem reconhecem a dificuldade da mulher em controlar o peso e a auxiliam a emagrecer, convidando-a para caminhadas, sugerindo gentilmente mudanças na alimentação e até acompanhando-a em consultas médicas. Tudo sem pressão e alicerçado em muito amor e carinho. Há também homens maravilhosos que não se importam com o fato da esposa ter engordado, pois reconhecem que se ele teve o direito divino de criar uma barriguinha de chope e ficar calvo, não há nada demais em ela ter engordado alguns quilos.

Agora, há maridos intolerantes, grossos, que não percebem que as pessoas mudam e exigem que a mulher fique com o mesmo corpo que tinha aos 20 anos. Ofendem, gritam, humilham… Como se tivesse diante de um bem desvalorizado por causa do tempo. É por isso que eu digo: não mude por ninguém. Se tiver que emagrecer, que seja por você mesma. Não seja tola. Um homem que te maltrata não te merece. Você pode até emagrecer por ele, mas assim que engordar alguns quilos este ciclo de humilhações vai voltar. É assim que você quer viver? Em pânico?

Pais intolerantes

Alguns especialistas afirmam que mais do que fatores genéticos e hormonais, os maus hábitos alimentares são as principais causas da obesidade. Eu, por exemplo, tomava coca-cola na mamadeira e comia Nescau de colher desde os quatro anos de idade. Quem comprava essas delícias em casa? Aposto que se com 4 anos não existissem tantos alimentos gostosos e hipercalóricos na dispensa, eu certamente passaria muito bem só com uma bananinha.

Os pais enchem seus filhos de gostosuras. Filho gordo, na infância, confere título de pai zeloso, que não deixa faltar nada ao pimpolho. Só que depois que as crianças crescem, a gordura, ao invés de passar a idéia errônea de saúde, passa a falsa idéia de relaxo e ociosidade. Então, o que era um sentimento de orgulho para o pai, assume a característica de fracasso. Aí, o que eles fazem?

Poucos estimulam seus filhos obesos. A maioria faz piadas, desacredita o potencial de seus filhos e alguns até demonstram se envergonhar deles.

A única maneira de ser feliz é enfrentando o preconceito

A saída quando se é “perseguida” dentro da própria casa por pessoas que deveriam lhe dar amor, proteção e carinho, é procurar um profissional especializado em psicologia. Faculdades de psicologia costumam oferecer este serviço gratuitamente. Em alguns casos de agressão verbal é possível denunciar o agressor à justiça.

Outro passo importante é ter uma conversa franca com sua família e explicar que não é gorda porque quer e que não se sente bem com aquele tipo de tratamento. Mostre o Blog Mulherão para sua família. Se as ofensas continuarem, organize-se e saia de casa. Sem paz, ninguém consegue ter saúde e felicidade.

Lembre-se, você é especial e não é menos do que ninguém só por causa do seu peso.

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