Tal pai, tal filho?

Por Keka Demétrio

O tamanho e as formas do corpo não medem o caráter de uma pessoa, mas sim as atitudes em relação à própria vida e o respeito que dispensa aos seus semelhantes. Preconceito sempre irá existir, de formas diversas, e é fato de que não serão totalmente extirpados, já que somos todos dotados, em menor ou maior grau, de sentimentos menos nobres.

Ninguém é obrigado a gostar, ou mesmo tolerar, em seu convívio, uma pessoa obesa, aliás, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas isso não quer dizer que também possa desrespeitá-la da forma que for.

O ato desprezível intitulado “Rodeio das gordas” é a prova inconteste que devemos repensar com muita cautela a forma como estamos educando nossas crianças, e em quais alicerces e pilastras estão sendo erguidas a conduta moral e ética desses cidadãos que amanhã serão as molas propulsoras da nossa sociedade. A base familiar, sempre tão discutida, parece apresentar rachaduras, cujas infiltrações podem levar ao desmoronamento total.

O absurdo desrespeitoso a que fomos apresentados por estudantes da UNESP, deve abrir uma discussão profunda sobre quem é o culpado por atos assim: o jovem delinqüente, que de tão vazio de princípios e de qualquer tipo de respeito por si mesmo, e que sendo assim, se acha no direito de tratar seu semelhante como um animal, e precisa desesperadamente humilhar outro ser humano para se sentir minimamente alguém, ou se nós, pais, estamos amando tão pouco nossos filhos. Porque amar de verdade é impor limites, mostrar caminhos sem querer caminhar por eles, é ensinar que as quedas nos fortalecem e não os superproteger como bibelôs feitos de cristal. Criar um filho qualquer um cria, mas educar um filho só quem realmente ama o faz.

Se um filho meu estivesse envolvido em um ato dessa natureza, eu, como mãe, estaria com o sentimento de fracasso e decepção sangrando meu coração e corroendo minha alma. E não adianta pedir que Deus me livre de passar por uma situação dessas, porque Deus não irá se envolver nisso se meus filhos não tiverem dentro de casa o ensinamento dos princípios básicos do amor, do respeito, da dignidade, da honestidade e da ética.   

Toda essa conduta vergonhosa vem sendo noticiada pela mídia, portanto, momento oportuno para não mais nos calarmos, não mais baixarmos a cabeça e deixar o sentimento de inferioridade mais uma vez tomar conta. Ao exigirmos a continuidade do processo de apuração, e não aceitarmos qualquer tipo de punição, estaremos, quem sabe, impedindo que outras pessoas sejam transformadas em cachorrinhos encoleirados nos corredores de alguma outra universidade.

Mas, por obséquio, universidade não é lugar de gente inteligente???   

25 Comentários

Arquivado em comportamento, Para Refletir, Preconceito, Relacionamento

25 Respostas para “Tal pai, tal filho?

  1. Janaína Casero

    Olá meninas maravilhosas!!!
    Nossa, juro que não acreditei quando li a respeito desse tal rodeio de gordas, que absurdo é esse? Que mundo é esse? Que jovens cruéis são esses?
    Meu Deus! Onde tudo isso vai parar?
    É bom os pais e educadores abrirem bem os olhos e passarem a enxergar seus pupilos como realmente são, quem é preconceituoso e cruel não começa a demonstrá-lo na juventude e sim na infância.
    Vamos acordar pessoas!!!

  2. lu

    Renata

    Li 3 x o seu post para refletir dentro de mim … como sou mãe de 2 meninos ( 16 e 6 anos)um loiro e um moreno, eu ensino e dou exemplos todos os dias, que preconceito é a coisa mais suja que existe no mundo, e as vezes vem de berço, pq. conheço varias pessoas que passam isso para os filhos e depois de tais acontecimentos colocam a culpa em Deus, na vida, mas esquecem de ver la atras os exemplos e ensinamentos dados a eles.
    As pessoas devem se respeitar mais, se amar mais … esta tudo uma confusão de sentimentos, todo mundo quer levar vantagem em cima dos outros, querem ser o bom pq. é magrinho, saradão … isso é uma violencia humana.
    Vamos educar nossos filhos para que no futuro ( as vezes, muito proximo) a gente não precise punir.

    Bjusss

    Lu

    http://www.lugoisacessorios.blogspot.com

  3. Cristiane

    Keka…como sempre dando um show….
    essa foi a melhor materia que ja li sobre esse assunto….isso tudo é um absurdo…é inaceitavél…
    ate quando vamos ficar aguentando todas essas humilhações…esta na hora de darmos um basta…

    acho que a menor punição que eles devem ter…é ser expulsos da universidade…e sem dizer que devem responder processo por danos morais…

    ….meninas que sofreram com isso…falem…não fiquem caladas…temos que acabar com isso…também temos o direito de sermos felizes…frequentar faculdades…ir no shopping…somos normais….

    todas (o) juntas vamos acabar com isso…
    …parabéns Keka…arrasou na materia…tem total razão…

    …bejuuussss a todas (o)….

  4. Jackie

    Às vezes o preconceito começa em casa e dá margem até pra um gordo discriminar outro.
    Tem gente quequer te obrigar a emagrencer pq td que acontece é pq vc é gorda, se vc tá sem emprego, sem dinheiro, sem roupa, etc, etc.
    Eu, segundo minha mãe, não tô desempregada pq bacharel em direito não é nada, mas pq sou gorda…. Tenha santa paciência.

  5. Marco Antonio

    Linda Keka infelizmente nossa familia esta corroída os pais ja não dão a atenção devida aos filhos, chegam em casa querem correr para a net, olharem novela e a vida familiar deixou de existir. É cada um por si, com certeza o preconceito nesse aspecto é absurdo e se deixarmos as coisas correm perderemos o norte do carater pois hoje é esse rodeio, amanhã sera das pessoas baixas, magras, negras, amarelas, pobres etc…etc…

    Com certeza a faculdade seria um local de pessoas nobres, mas me diga por que não nos unimos e impetramos uma ação de preconceito sobre esse fato?

    Como sempre inteligente, articulada e digna Keka, por isso a cada dia sou mais teu fã.

    Beijos e bom feriado.

  6. Cynthia

    Keka querida, nem há tanto mais o que falar porque você disse tudo.
    Eu, como mãe e educadora, fico perplexa com atitudes tão estúpidas. Então, fico cada vez mais alerta no papel que desempenho tanto como mãe, quanto professora, tentando educar minha filha e meus alunos com atitudes que os ajudem a se tornar pessoas corretas, que respeitem e valorizem o próximo e a vida.

    Cheiro!

  7. Mariana

    Sabe o que essa situação me lembra? A época da caça às bruxas. As mulheres diferentes que são humilhadas e condenadas à morte por isso (nesse caso a morte psicológica e castradora de não ter roupas, de a mocinha da novela ser sempre magérrima, etc). Eu sou professora, e atualmente peso 120 kg. É curioso, porque às vezes eu converso sobre isso, sobre respeito, porque eu também sou “diferente”, assim como todo mundo. E a reação ” Magine, teacher, você não é gorda não”, como se vc fosse um insulto….de chorar.

  8. taline

    Tudo bem, isso é mesmo uma babaquice, falta de ética, e tal…. Mas peraí….. GENTE, QUEM SE DEIXA MONTAR é ainda pior que esses idiotas!!!!
    Pessoal, essas meninas não foram amarradas e obrigadas a participarem disso não!
    Galera, se a festa ta ruim pra mim, não to gostando do papo, que a gente faz? Se vc vai embora, certo?
    Respeito em certos momentos não se pede, se impõe (é assim q escreve?).Pronto-falei.

    • Taline, acredito q as meninas q foram alvo disso NÃO se “deixaram montar”, como vc disse, elas foram VÍTIMAS, não houve participaração voluntária das mesmas, seu conceito é errôneo, pois coloca as vítimas no mesmo patamar dos verdadeiros responsáveis. Isso é ser conivente com a atitude de discriminação e preconceito desses moleques.

      • veja o exemplo, pelo seu pensamento é como se alguém fosse assaltado e fosse culpado ao mesmo tempo por isso, por ter sido vítima de criminosos, ninguém em sã consciência pede para o ladrão “vem aqui que tem dinheiro”.

      • Selma Soares

        Disse tudo Katie!!!
        Quando li sua postagem Taline, pensei estar lendo as palavras do “advogado de defesa” dos “deliquentes do caso”, pois sei que uma advogado que não quer perder “sua causa” coloca a culpa da traição no próprio Jesus e livra a cara do safado do Judas…
        Que os culpados sejam ouvidos pois teem direito a isso, mas quando falo culpados me refiro aos “verdadeiros culpados”.

  9. Olá, Keka. Bom, anteriormente já expressei o que senti quando soube daquele ato horrendo. Não há dúvidas que muitas vezes, os pais são os principais responsáveis por ensinar valores fundamentais como amor ao próximo, honestidade, respeito às diferenças e a convivência harmoniosa entre as diferenças. Valores tão simples, mas totalmente indispensáveis para formação do nosso caráter. E não basta apenas ensina-los com palavras, mas com exemplos, uma vez que um bom exemplo pode valer mais do que palavras. O que posso dizer é que sou grato pelos valores que os meus pais me ensinaram ao longos das minhas 2 décadas e meia de existência. Valores esses que certamente passarei para os meus filhos (ou filhas) quando me tornar pai.
    Bom, é isso. Beijos e bom feriadão.

  10. Acho que os pais são responsáveis por ENSINAR bons princípios e valores sim, é o papel dos pais educar, MAS OS PAIS NÃO SÃO OS CULPADOS pela atitude imbecializada dos filhos, isso é outra questão, por mais que os pais ensinem e dêem bons exemplos a escolha do caminho certo ou errado está nas mãos do próprio ser humano, é o chamado livre arbítrio, e que nesse momento não estou falando de princípios religiosos, mas sim de caráter, honestidade e retidão diante do outro ser.

  11. Kamila

    Oi Keka!! Adoro vc e todos que postam nesse blog maravilhoso e que levanta a estima dos mulherões como eu!!
    Assim como no post da Renata que eu havia exposto minha opinião desse ato vergonhoso, eu expresso novamente e me pergunto: será que se no lugar dessas moças que foram agredidas, fossem a mãe, irmã ou namorada desses canalhas, eles iriam gostar, iriam continuar pensando que se trata apenas de uma “brincadeira”?
    Fica aí essa perguna no ar.
    Beijos e tudo de bom!!

  12. Luciene

    Tristeza. Como vc mesma disse: ” Universiade não é lugar de gente inteligente???” Olha, há um bom tempo deixou de ser. A educação está sucateada, e já vi universitários tão toscos quanto pessoas “iletradas”. Penso que a conduta desses infelizes não está tão relacionada à faculdade. Entrar na faculdade foi apenas o gatilho para desencadear essa onipotência em relação ao outro. A questão vem de casa; ou como dizia minha vó: “educação vem de berço”. E como isso é verdade. A universidade, escola, só aprimora, lapida o trabalho que a família deu início. Lamentável esse episódio. Agora, é fiscalizar a UNESP e ver o que será feito com essas “pessoas”, do contrário, mas um ato impune nessa país tão lindo chamdo BRASIL. Beijos

  13. Isso me intristece infelizmente á pessoas assim, mas luto tdos os dias pelos meu ,os nossos direitos pois tdo bem ninguem é obrigado gostar de um obeso mas tem a obrigação de respeita-lo como um ser humano as pessoas nesse mundo são hipocritas ao extremo, mas temos começar colocar a boca no trombone que adiante , emagrecer fazer uma coisa ou outra só para fugimos de preconceito se a saude ta pessima ate entendo mas se vc realmente é feliz seja vc só que tem que ter opnião pois sei que as vezes não é facil eu tenho dó mas dó pq essas pessoas sõ dignas de dó , lembro quando estudava ninguem tirava farinha comigo não pois sempre fui mtu legal, mas socava eles msmo mas tdos me adoravam,mas enfin a vida e feita de igualdade enquanto engolirmos sapos nda mudara completamente, a area plus mudou graças á Deus mas só isso não basta, tem que haver respeito ao proximo concerteza se não gostou de algo fale e nunca se cale pois faz mal por isso que tem tanta gente enferma de alma , não precisa agredir ninguem mas responda sempre a altura!!!
    Bju adorei o tema falei o que precisava!!
    te adoro amiga!

  14. Mari

    Se fosse meu filho eu ficaria envergonhada… Criar os filhos para serem preconceituosos e causar dor aos outros seria com certeza motivo de vergonha.

    Acabei de ler sobre o polêmico atigo que saiu na Marie Claire americana sobre a série Mike and Molly , em que a jornalista diz que tem nojo de gordos… é muito odioso…

  15. André

    Bom, apesar de sempre acompanhar as notícias que rolam pelo blog, não sou muito de comentar aqui, mas esse tema me deixou com tanta raiva, tanto ódio (sim, ódio), que precisei escrever até para ter uma válvula de escape.

    Pra quem não me conhece, sou marido da Andrea Boschim, e durante esta semana acompanhei as diversas matérias mencionadas sobre este assunto.

    Vi diversos posts pela net, de universitários da referida instituição de ensino, dizendo que acharam um absurdo, um desrespeito e bla bla bla.
    Se acharam tudo isso, pq na ocasião dos fatos deixaram a coisa acontecer ? Eu me lembro bem que uma vez em Barretos, acompanhado de algumas amigas e amigos, passamos por situação parecida, porem na ocasião os meninos laçavam as meninas para roubar um beijo. Na primeira cena que vimos acontecer, partimos pra cima dos caras sem pensar duas vezes, independente de ser ou não uma das garotas que nos acompanhavam, arrancamos o laço da mão dos caras e pusemos fim na brincadeira. Tá, haviam mais 20 laços no meio da festa, mas fizemos a nossa parte. Pelo menos ao nosso lado, ninguem mais laçou ninguem.

    Será que estes estudantes que hoje dizem estar tão chocados com a cena, não poderiam tomar uma providência no ato do ocorrido ? Será que eram mais de 500 pessoas fazendo este tipo de arruaça que uma turma de uns 20 não poderiam dar fim ? Não, eram poucos que estavam fazendo e quem hoje fala sobre preconceito, estava lá e não mexeu um dedo pra mudar a situação. Agora pagam de falsos moralistas e vem dizer que estão chocados.

    Eu espero no mínimo cadeia a estes marginais preconceituosos e não medidas educativas, até porque, educação é uma coisa que passou longe da vida deles a tempos.

    Na cadeia, tem bastante “touros humanos” para eles exercitarem as suas montarias. Que tal ?

    André

  16. Daniela

    Isto tudo é tão absurdo que não consigo nem mesmo acreditar que um ser humano possa ser tão maquiavélico ao ponto de pensar em algo deste tipo.

    Minha indignação é tamanha que nem sei descrever em palavras.

    O fruto da falta de limites e da irresponsabilidade de alguns pais….uma vergonha!!

  17. Sandra

    É terrível o que houve, mas passei por coisa parecida com minha filha ela é linda mas está fora de forma e sofremos por isso, uma turminha do mal, alguns meninos que se acham os bons da escola tentaram usá-la como pode espiatório da maldade, MAS AQUI NÃO VIOLÃO, subi nas tamancas e fiquei doida, mas não vou perder a razão agindo sozinha pra isso tem a lei, discriminãocão é crime e falei com a diretora da escola que se ela não desse um jeito nos projetos de marginal, colocaria um advogado na conversa e aí sim…
    Não devemos nos calar diante de absurdo, todos temos direito a ir e vir e ser felizes como somos, já sofremos pois muitos vivem lutando contra a balança, e ainda ter que ser humilhado e tratado pior que bicho?
    Cadeia neles, todos os que se envolveram no assunto pois infelizmente só penando numa sela ou mexendo no bolso de alguém é que vai mudar alguma coisa.
    Beijo meninas e meninos de bem!

  18. Fátima

    Educação é algo a ser transmitido pelos pais e não por professores ou pela escola. Educação e transmissão de bons costumes deve ser feita pela familia que cada dia mais vem se esquecendo disso. Os pais, deixam a tarefa de educar para professores, desde que eles não peguem pesado com seus filhinhos, ou com as domésticas e babás que prestam serviço em casa, desde que elas não contrariem os seus bebezinhos de 12, 15 anos… Os pais vem se esquecendo da sua função de pais, para compensar sua ausencia crescente no crescimento dos filhos, ensinam a lei do PODE TUDO, ninguem deve contraria-los, tudo que vier a mente é possível de ser praticado, doa a quem doer…Até alguns anos atrás, maltratar um negro era normal para muitos, até virar crime de racismo, já que não podem mais USAR os negros como faziam antes, mudaram seu alvo, para os gordos, os estudiosos, os tímidos, os mais pobres que eles…A punição para com os alunos deveria existir, suspensão ou expulsão mas deveria haver também para os pais, em forma de uma palestra ou algo parecido, para de alguma forma tentar faze-los ver os monstros que criaram. Faculdades e universidades eram sim, lugar de gente inteligente e esforçada, agora são locais para quem pode pagar a mensalidade , ou para filhos de pais que não deram base, que querem mostrar a sociedade que pagando bem, seus filhos podem até parecer ” humanos”.

  19. Juliana Luz

    Olá… to meio atrasadinha pq voltei hj dos meus dias de descanso….
    Eu tbém achava q universitários eram diferentes, inteligentes, cultos…………..rsrs
    Eu tento todos os dias…. ensinar principios básicos ao meu João Lucas… e graças a Deus..até agora ele só me dá orgulho..( mesmo tendo sido vítima tbém…pq ele é fofo e gostoso igual eu sabe!)…e os amiguinhos tiraram sarro dele outro dia… ele deu a volta por cima melhor do que eu daria….
    BjkssssssssssD. keka

  20. Andréa

    è triste esta situação mais pior ainda são as meninas que aceitaram essa humilhação.Quando somos “diferentes” temos que impor limites e respeito porque esses imbecis acham que tem o direito de ofender pra se sentirem populares serem admirados…
    e acham que mulheres são vagabundas e só servem pra trepar.

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