Esta vaga não é sua nem por um minuto

Por Keka Demétrio

Muitos de nós nos sentimos magoados, abatidos, tristes, deprimidos e um lixo quando somos descriminados e vitimas de preconceito por causa das nossas formas arredondadas. Achamos difícil passar pela roleta do ônibus, ficamos sem graça porque nossa retaguarda não cabe direito no assento das cadeiras, sentimos vergonha ao usar um short porque nossas pernas não possuem a firmeza de quando tínhamos 15 anos.

Nos fechamos em nosso mundinho de coitadinhos e esquecemos que não somos as únicas vítimas da falta de respeito e amor ao próximo. Esquecemos inclusive que mesmo com nossos quilos a mais conseguimos nos locomover sozinhos, que nossas pernas cheias de celulite nos permitem fazer uma caminhada, passear de mãos dadas com nosso companheiro, e até mesmo buscar um copo de água sem a ajuda de ninguém.

Só quem possui na família, no rol de amigos, ou em seu convívio diário, um portador de necessidades especiais e convive com um idoso conhece as dificuldades enfrentadas por estas pessoas para terem uma vida digna e exercerem o simples direito de ir e vir.

Fico particularmente irritada quando vejo vagas destinadas aos deficientes e idosos serem ocupadas por pessoas perfeitamente saudáveis fisicamente, mas que, obviamente, possuem alguma deficiência de caráter por não conseguirem viver em sociedade, respeitando os limites dos outros, olhando apenas para suas necessidades.

É impossível ter a autoestima elevada, ser conhecedor de si mesmo se não olharmos para o lado. Felicidade é uma das coisas mais subjetivas que existem. O que me faz feliz pode não fazer você, porém, uma coisa é certa, e inconteste: ninguém é realmente feliz enclausurado em seu próprio mundo, fechando os olhos para tudo aquilo que pode incomodar. Felicidade tem a ver com doar-se: a si mesmo, ao próximo e ao próximo do seu próximo.

O texto que eu ia postar hoje é completamente diferente do que você leu nos parágrafos anteriores, mas depois que tive conhecimento, através de um primo, da campanha criada pela agência TheGetz, em Curitiba, com o título “Essa vaga não é sua nem por um minuto!”, eu, que sempre grito aos quatro cantos que dá para ser feliz em meio a diversidade, me senti na obrigação de ajudar a difundir e, sinceramente, acho que todos os blogs que pregam a autoestima, o respeito, a valorização do ser humano, deveria fazer o mesmo e ajudar a conscientizar as pessoas de que é impossível ser feliz sozinho, e que quando respeitamos os outros é sinal de que estamos prontos para realmente amar, receber amor e ser feliz de verdade.

Deem uma olhada na campanha.

http://www.mistertube.com.br/2011/04/campanha-esta-vaga-nao-e-sua-nem-por-um.html

 

12 Comentários

Arquivado em Campanhas, comportamento, Mulherão Solidário, Para Refletir, Relacionamento

12 Respostas para “Esta vaga não é sua nem por um minuto

  1. Eu não sento em locais reservados mesmo que não tenha ninguém, não gosto.
    Mas não acho nada demais quem senta quando está livre e desocupa quando chega alguém de direito.

  2. Cynthia Alonso

    Respeito sempre!
    Cheiro linda!

  3. Raquel

    Minha mãe é deficiente, é muletante e nós que vivemos de perto essa batalha sabemos o quanto é diicil pra essas pessoas encararem metros de caminhada por causa de pessoas mal educadas e irresponsaveis.
    Parabens pela iniciativa do site, é de movimentos assim que nós precisamos pra um pais melhor.

  4. Raquel Ap.

    É realmente muuita falta de respeito..

  5. WANISA

    descriminar
    des.cri.mi.nar
    (des+lat crimine+ar2) vtd Absolver de crime; inocentar, tirar a culpa a. Cf com discriminar

    discriminar
    dis.cri.mi.nar
    (lat discriminare) vtd 1 Discernir: Discriminar as causas de uma situação. 2 Diferençar, distinguir: Já os olhos mal discriminavam os caracteres. 3 Separar: Discriminar argumentos, razões. Discriminava bem umas das outras razões. 4 Classificar especificando; especificar. 5 Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes.

  6. Mariana

    Se cada um de nós fizessemos o simples exercício mental de nos colocarmos no lugar do outro nada disso aconteceria. Já não basta todas dificuldades de mobilidade e o precnceito que os cadeirantes sofrem? Um desrespeito total tomar conta de uma das poucasa conquistas dos deficientes físicos.

    Mudando de assunto, olhado umas coisinhas na net encontrei um blog plus size tão bacana, mas é em francês…
    http://saksinthecity.blogspot.com

    Bjosss!!!!

  7. A cada dia mais desapontada com a falta de cultura e respeito das pessoas e o pior, por quem ainda passou pela mesma situação a qual está criticando. É o fim.

  8. Keila Barros

    Adorei a campanha…vejo o qto aqui na minha cidade (Ituiutaba-MG) ñ se respeita as vagas restritas para idosos e pessoas com deficiência. Aliás ñ se respeita as regras de transito em geral.
    Keka essa campanha esta sendo divulgada em outros meios de comunicação??

  9. Denise Paz

    Meu pai é idoso em por um tempo ainda precisou de cadeira de rodas devido um acidente, me indignava ver como as pessoas que mais precisam de respeito ficam invisíveis perto de outras… Temos muitos idosos e portadores de necessidades especiais na cidade, mas temos em número muito maior deficientes visuais que vêem, mas não enxergam a necessidade do outro e só pensam em si…
    Outra coisa que percebo aqui em SP quando ando de metrô é que as novas cadeiras para obesos, tirando os horários de pico onde vc não tem lugar nem pra por o pé, estão sempre vazias. Toda vez que pego metrô faço questão de sentar nela e percebo que as pessoas ficam me olhando, como se fosse algo de outro mundo eu me assumir como obesa e sentar ali…

  10. Ariane Hirche

    Simplesmente AMEI o video da campanha!

    Sinto todos os dias na pele esse preconceito e discriminação!

    Quer ver um exemplo tosco, mas que faz muita diferença para quem utiliza a cadeira de rodas… os elevadores em shopings, e olha que as pessoas não podem nem reclamar de subir escadas, por as escadas que sobem as pessoas! E eu já tive que varias vezes fazer pessoas sairem do elevador para entrar com a cadeira de rodas do meu filho!

    Isso para não falar do transporte publico!

    Teve um comentario que diz que não tem nada de mais utilizar a vaga quando ela está livre, não tem se vc realmente for uma pessoa observadora e sair quando chega a pessoa para que aquela vaga está destinada!

    Já respondi a uma garota que voltava da faculdade, que reclamou que a cadeira do Arthur estava atrapalahndo, perguntei se ela queria trocar de lugar com ele!

    Mais que respeito é humanidade!

  11. Juliana Luz

    Mulherão é Culturaaa!!!

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