Arquivo do mês: novembro 2011

Minha opinião sobre os 5 concursos de Miss Plus Size

Por Renata Poskus Vaz

Há algum tempo venho ensaiando fazer essa matéria, mas não sabia como abordá-la, com medo de cometer alguma injustiça. Já fui julgada e condenada diversas vezes por outros motivos sem direito à defesa e não queria fazer isso com outras pessoas. Ao longo de minha carreira à frente do Blog Mulherão, foram raras às vezes que questionei aqui, no Blog, a idoneidade de uma empresa. Sei separar bem as coisas. Posso não gostar de uma pessoa, mas respeito o seu trabalho. Então, estava com medo que minha opinião pessoal pudesse prejudicar qualquer pessoa e preferi pesquisar e pensar bem no que iria escrever para vocês.

Esse lenga, lenga todo é para dizer que no último mês recebi uma série de e-mails e mensagens via Facebook perguntando sobre o evento Miss Brasil Plus Size, se era confiável ou não. Então, fiz uma série de pesquisas essa semana, esperando que as dúvidas fossem respondidas e para que eu possa tocar meus projetos profissionais que não podem ficar de lado por causa de tantas fofocas.

Então, antes de prosseguir, gostaria de esclarecer:

– Não produzo nenhum concurso de beleza plus size;

– Não vou mais responder à perguntas via Bate-papo do facebook sobre esses concursos, pois não conheço suas dinâmicas internas e já tenho muito trabalho do Mulherão para cuidar. Quem quiser pode postar a pergunta aqui, assim os seus organizadores podem responder as dúvidas que, muitas vezes, são coletivas. Vamos parar com fofocas! E assim todo mundo fica feliz!  🙂

O engraçado nessa história toda é que existem, atualmente, cinco empresas organizando concursos de Miss Brasil Plus Size. É muito concurso para pouca gordinha e isso gera uma série de mal entendidos e confusões. Vou falar sobre eles (lembrando que são baseados em algumas pesquisas e opiniões pessoais e todos os organizadores serão bem-vindos para rebater qualquer comentário, aqui no Blog Mulherão:

Miss Plus Size Brasil Eduardo Araújo

Quando a primeira edição do evento aconteceu, ano passado, lá no Rio de Janeiro, evitei emitir minha opinião, pois não conhecia o organizador Eduardo Araújo. Depois da primeira edição, e diante do carinho das participantes por ele, passei a indicar o concurso para quem perguntasse a minha opinião, nem que fosse para sentir como funcionam os bastidores de um desfile. A primeira edição coroou Tati Gaião como Miss Plus Size Rio de Janeiro e Erica Calderal como Miss Simpatia e ambas trabalharam muito após a exposição obtida por meio deste evento. O que senti é que Eduardo talvez não estivesse preparado para a quantidade de inscritas que essa segunda edição teria. Mas, segundo apurei durante o evento, ele está investindo na contratação de uma empresa de marketing para profissionalizar, ainda mais, o evento, em sua primeira edição nacional. Não sei como foram apurados os votos, mas, no que se diz respeito aos prêmios, em todos os momentos ele não prometeu nada além daquilo que poderia cumprir às participantes. Para mim, isso é uma grande virtude. E, antes que me perguntem, Eduardo Araújo não é meu amigo íntimo.

Miss Brasil Plus Size Virtual

Uma edição virtual do concurso aconteceu este ano promovido por um Blog chamado Gordinhas do Brasil. O concurso não prometeu nada para as participantes além de divulgação e promoção da diversidade da beleza das candidatas. Preocupou-me, apenas, a obrigatoriedade de que as participantes tivessem grau 1 de obesidade. Da mesma forma que as exigências dos concursos de beleza das magrinhas acabam gerando uma onda de anorexia, não queria ver mulheres com sobrepeso mergulhando no Big Mac para atingir as exigências do concurso (ok, tudo bem, isso foi um pouco de exagero de minha parte!). A competição aconteceu de forma aparentemente saudável e, pelo que acompanhei via Facebook, fez com que diversas meninas se conhecessem e interagissem. A campeã foi Cintia Bueno, uma linda representante de São Paulo.

Miss Plus Size Mulheres Reais

O concurso promovido pelo site Somos Mulheres Reais, que também promove outros eventos para plus size, incluindo o desfile Mulheres Reais Fashion Show, anunciou um concurso de Miss Plus Size que levava o nome do grupo/empresa/site, enfim. Depois, em algumas matérias, vi que o nome do concurso fora alterado para Miss São Paulo Plus Size. Fiquei sem entender se era uma alteração feita indevidamente pela imprensa ou se no andar da carruagem a organização do evento preferiu vender a idéia de que elegeria uma representante da cidade. Não consegui entrar em contato com os organizadores para tirar essas duvida, hoje. Muitas, muitas meninas vieram me perguntar se eles eram confiáveis. (Ah, gostaria de esclarecer que não sou a Mãe Dinah do movimento plus, apenas muitas garotas me pedem conselhos por sentirem confiança em meu trabalho, da mesma forma que devem pedir para outros organizadores de eventos referências ao meu respeito. Normalmente, são ex-participantes do Dia de Modelo ou leitoras assíduas do Blog). A maior dúvida era se elas, por serem minhas pupilas, queridinhas, lindinhas, teriam as mesmas chances de ganhar o título de Miss Mulheres Reais, que as modelos que vira e mexe participam dos eventos dessa empresa. Então, liguei para o Adilton, organizador do concurso, e ele me garantiu que sua preocupação maior era a transparência do julgamento. Para isso, providenciou uma empresa de advocacia que se responsabilizaria pelo acompanhamento da apuração dos votos e conferiu o título de Miss Honorária para a modelo Talita Kobal, fiel escudeira do Mulheres Reais, para que a mesma não concorresse ao título gerando mal estar entre as participantes. Apenas não gostei da Talita ter se apresentado ao Jô Soares, em uma noite de autógrafos, como a Miss Plus Size. Achei chato com Géssica Carneiro, que na mesma semana tinha recebido o título de Miss Plus Size Rio de Janeiro 2011, eleita por uma comissão de jurados. Antes que a rádio fofoca comece, não tenho nada contra Talita, ela é uma das nossas mais belas modelos GG da atualidade. Só não gostei daquela atitude. Continuando, nunca ouvi tanta fofoca na minha vida. Todas temiam que Carla Manso já tivesse com sua coroa praticamente na cabeça sem ao menos ter começado o concurso. Então, meu papel foi dizer às meninas que me perguntaram sobre essa hipótese, que a Carla Manso era sim uma forte candidata ao prêmio, já que pessoalmente ela é muito mais bonita que na foto e certamente, por sua experiência nas passarelas, ela se apresentaria mais confiante e segura que a maioria. Embora eu não tenha intimidade com Adilton ou com os demais organizadores do evento, jamais ouvi falar de nenhuma atitude deles que desabonasse suas condutas. São conhecidos no mercado como profissionais honestos e dedicados. Só não fico puxando muito o saco deles por aqui, pois são meus concorrentes em alguns eventos. Hahaha… Mas sempre tivemos uma competição saudável e que têm dado frutos ótimos ao mercado. Bom, Carla Manso, modelo, jornalista e empresária, realmente foi eleita a Miss Plus Size Mulheres Reais, para desespero de muitas. Ah, e uma participante do Dia de Modelo do Blog Mulherão, Denise Vasconcelos, quase chegou lá, sendo a segunda mais votada.E não custa reforçar que ninguém do Mulheres Reais é meu amigo.

Miss Brasil Plus Size – Renata Issas

A primeira pessoa que vi expor a idéia de fazer um concurso de Miss Plus Size foi Renata Issas, autora do site Beleza Grande. O grande problema de você ter uma grande idéia e não tirá-la do papel é que, ao mesmo tempo que você está se deleitando com seus pensamentos geniais outra pessoa pode vir e colocar a idéia em prática na sua frente. Talvez seja isso que esteja acontecendo com ela. Renata teve uma preocupação muito grande em divulgar que o concurso seria realizado em breve e mandando informações para o maior número de gordinhas possíveis, conseguindo um total de mais de 400 inscritas. Segundo Issas, ela não cobrará taxas das participantes porque quer que o concurso seja o mais democrático possível, mas datas e local do evento ainda não foram definidos. Sendo assim, mesmo sabendo e confiando em sua boa fé, fica tudo muito no ar e complicado, para mim, indicar um evento que ainda não está estruturado. E antes que me perguntem, a Renata Issas é minha colega, já foi participante do Dia de Modelo, mas sou muito imparcial e só vou divulgar esse evento no dia em que tivermos uma data e local confirmados.

Miss Brasil Plus Size – Impacto Produções e World Model

Este é o caso que mais me preocupa. Quando conheci Alberto no Miss Plus Size Rio de Janeiro (em que ambos fomos jurados) e soube que ele tinha intenção de fazer um Miss Plus Size São Paulo, me predispus a ajudar no que fosse necessário, embora não o conhecesse. Todavia, quando soube que o mesmo estava associado à Agência World Model, fiquei deveras receosa. A história é longa. No primeiro ano de Blog Mulherão, eu e Graziela Barros, minha amiga do Rio de Janeiro e que na época prestava alguns serviços como assessora de imprensa para o Blog Mulherão, conseguimos uma pauta no Fantástico sobre poses que favorecem gordinhasem fotos. Apauta foi feita na praia, com amigas e clientes minhas, como Aline Carvalho, Cristiane Miranda, Fabiana Soliva e Cintia Alencar. Enfim, o proprietário dessa agência usava esse vídeo do Fantástico como portfólio. Dizia que as modelos do vídeo eram modelos da agência dele e dava a entender que ele conseguiu a pauta. Sei que para vocês isso pode parecer besteira, mas nós que gastamos tempo e dinheiro com ligações, que nos esforçamos, que fizemos de tudo para essa matéria ficar bacana, nos sentimos usurpadas por este senhor.

Recentemente, no Blog da World Model, vi um anúncio de um trabalho em Dubai, com cachê de R$6 mil para modelos ficha rosa. Quem é da área de moda, eventos e produções sabe ao que se refere essa terminologia. Quem não conhece, basta digitar a expressão no Google e compreenderá. Não posso ser injusta e omitir que tenho amigas minhas, modelos, que já fizeram trabalhos para importantes marcas por meio da World Model. Mas, no meu caso, jamais associaria a minha imagem à uma agência que também trabalha com o serviço de ficha rosa.

Além de tudo isso, recebi uma série de denuncias de que o Miss Brasil Plus Size organizado por essas duas empresas estaria usando indevidamente a logomarca de multinacionais importantes sem o consentimento das mesmas. Após enviar e-mail para algumas das marcas que o evento dizia ser seus patrocinadores, recebi, da Sony e da BMW, a mensagem de que nada sabiam sobre esse patrocínio. Inclusive, ficaram preocupados com uma possível exposição indevida de suas logomarcas.

Antes de divulgar essas informações, contatei Alberto Conde, diretor executivo do Miss Brasil Plus Size e apresentei as denúncias. Segundo ele, o logo da BMW que está no site é de uma loja na Suíça, que fará os translados da Miss Plus Size lá durante os 14 dias em que a Miss estará naquele País. Ele complementou que todos os logos que estão alí são de parceiros da Suíça que oferecerão “brindes” à eleita. O organizador se comprometeu a substituir os logotipos das multinacionais pelo das lojas na Suiça que estão apoiando o evento. Minha outra dúvida era sobre o local do concurso. Liguei para o Espaço Ágape, local onde supostamente seria realizado o evento. E, segundo Andressa Soares, atendente comercial do local, embora a organização do Miss Brasil Plus Size tenha orçado o espaço, até às 16h de hoje não havia assinado o contrato. Novamente indagado, Ângelo disse que não teve disponibilidade de tempo para a assinatura do contrato, mas que confirmou ao Espaço a locação e em breve assinaria o contrato.

Percebi que Ângelo se sentiu extremamente incomodado com minhas indagações, principalmente quando perguntei se o mesmo estava se aproveitando do fato da similaridade de nome com o evento de Renata Issas para conseguir mais inscritas (perguntei isso porque algumas meninas realmente estavam confusas e se confundem o meu Dia de Modelo com um tal Dia de Glamour, porque não podem confundir Miss Brasil Plus Size com Miss Brasil Plus Size?):

“Porque estas afirmações com esses questionamentos abaixo? Você assina embaixo o que ela disse? Você quer um extrato da minha conta bancária? Porque deveria lhe dar tais satisfações? Como uma blogueira responsável e uma jornalista consciente de seus deveres, veja bem quem você esta questionando e em que esta embasada estas dúvidas e principalmente as afirmações antes de qualquer divulgação errada”. Prefiro acreditar que este senhor não estava tentando me intimidar ou me ameaçar quando disse “veja bem quem você está questionando”. O que fiz foi deixá-lo ciente das denúncias sobre seu evento, dando ao mesmo a oportunidade de esclarecer qualquer mal entendido. A mesma coisa fiz com os outros organizadores, mas que reagiram de forma mais amistosa.

Conclusão

Para as meninas

Para esclarecer, não tenho a intenção de fazer nenhum concurso de beleza. Portanto, não tenho nenhum interesse em prejudicar quem quer que seja e que esteja atuando nessa área. No passado, até cogitei fazer um concurso de Miss e, recentemente, fui convidada por uma atriz Global para tirar esse plano do papel, mas não aceitei. Quem me conhece sabe o quanto sou perfeccionista e dedicada e não deixaria o Fashion Weekend Plus Size de lado para me dedicar a um projeto que merece a mesma dedicação e carinho. Por isso, prefiro apoiar quem tem boas intenções.

Sugiro a vocês, meninas, que sempre se certifiquem sobre a idoneidade das empresas que estão promovendo concursos. E não falo só desses que vocês estão vendo acima, mas de muitos outros que ainda virão.

Para os organizadores

Também acho importante salientar que seria interessante que os concursos de Miss usassem nomes mais originais, pois no ano que vem teremos cerca de 5 Miss Brasil Plus Size e acredito que isso vá banalizar o título, que tem muito glamour e merece sobreviver no imaginário feminino plus size. Seria muito bacana que tivéssemos diversos concursos de beleza, com nomes e enfoques diferentes. No mais, acho bacana toda essa interação e divulgação. Cada vez que uma miss vai à TV ou sai em um site de notícias, a audiência do Mulherão aumenta muito.

update (03/03/2013) : Uma mulher de Santa Catarina que se diz Miss sei lá o quê, tem divulgado via mensagens inbox um link meu sobre concursos de Miss Brasil, desaconselhando que as candidatas ao concurso promovido pela Impacto Produções que participem do evento.

Então vamos lá:

1) O texto é esse:https://mulherao.wordpress.com/2011/11/30/minha-opiniao-sobre-os-5-concursos-de-miss-plus-size/

2) Desde o início eu deixo claro minha vontade de apoiar o Sr. Alberto na organização do Miss Plus Size e só não fiz por conta de sua associação com um senhor que, ao meu ver, não tinha uma forma séria, honesta e ética de tocar seus negócios. A parceria dos dois se encerrou após a primeira edição do concurso e Alberto, humildemente, reconheceu que eu tinha razão em ao levantar dúvidas com relação àquela parceria. E da mesma forma que cometo meus equívocos e me considero merecedora de uma “segunda chance”, eu não poderia virar as costas para alguém que se enganou ao se associar com alguém ruim, mas que estava predisposto a acertar.

3) Tive inúmeras conversas com Alberto antes de apoiar seu concurso e reconheço nele um profissional empenhado e íntegro.

4) Antes que se levante qualquer especulação sobre meu relacionamento com outros organizadores de concursos de Miss como Renata Issas, Eduardo Araujo, Adilton Amaral, entre outros, não tenho nada contra nenhum desses realizadores e, assim como me predispus a apoiar a Impacto produções, apoiaria e apoiarei se solicitado cada um de vocês.

5) No mais, quero deixar como conselho, que duvidem das intenções de qualquer pessoa que abordem vocês às escondidas. Quem não deve, não teme. Quem não deve, faz colocações públicas e não alimenta uma rede de fofocas por inbox.

Um bom concurso para todas!

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4 mulherões

Hannah, Flavia, Clarissa e Layza: de candidatas à Misses recatadas, à Mulherões provocantes

Por Renata Poskus Vaz

Mesmo após 3 anos de trabalho a frente do Blog Mulherão, ainda me impressiono com muitas mulheres que conheço. No último Dia de Modelo em São Paulo, conheci diversas mulheres maravilhosas e tive a oportunidade de rever algumas que já conhecia. Entre tantas mulheres com M maiúsculo, um grupo me chamou atenção. Laysa, Clarissa, Flavia e Hannah vieram do Rio de Janeiro para fazer seu book fotográfico no Dia de Modelo Plus Size. Nossa, quanta honra! Eu já havia visto as 4 no Rio de Janeiro. Todas participaram do Miss Plus Size carioca, fofas e angelicais com seus vestidos longos.

Bolamos um ensaio diferente do que os que habitualmente fazemos e que também deixaria as garotas bem diferentes da forma como se apresentaram no concurso de Miss. Convidamos uma famosa Corset Maker que se comprometeu a levar alguns corsets, para compormos um visual sexy em nossas 4 modelos cariocas (ops, a Hannah é baiana, mas mora no Rio). Infelizmente a Corset Maker não quis pode comparecer. Mas como nós da equipe do Blog Mulherão somos brasileiras e não desistimos nunca, abrimos a mala das meninas e montamos looks provocantes com o pouco de peças pretas e sensuais que elas tinham levado ao estúdio, principalmente meias calças rendadas e arrastão, colants, calcinhas e blusinhas transparentes. Com a ajuda de Ludmila Batista, do site Sacada Fashion, deixamos os mulherões lindos e o estúdio em pleno clima de Rio 160 graus. Sim, pq 40 graus era muito, muito pouco para elas!

Assista o video dos nossos mulherões e envie o link para as suas amigas que ainda nãos e aceitaram e precisam de um estímulo para recuperar o amor próprio:

Agora, quer conhecer um pouco mais das meninas?

Layza Serrão

Layza: 26 anos/ Manequim 48/ 1,72m

“Sou estudante de jornalismo e atualmente trabalho em um call center.  Considero-me um mulherão por correr atrás dos meus objetivos, ultrapassando obstáculos para realizar os meus sonhos, sempre com muito respeito, dignidade, beleza e trabalho. Eu me sinto sexy mesmo acima do peso. Já tive muita vontade de emagrecer, pois não me aceitava, porém percebi que mesmo acima do peso chamava atenção na rua. Também percebi que magreza não é sinônimo de beleza. Estou acima do peso e me sinto sexy e valorizada. Sonho em ser reconhecida como uma grande modelo plus size. Há 2 anos eu penso nisso e para conquistar esse sonho preciso me aperfeiçoar cada vez mais e o meu foco é este no momento”.

Clarissa Guedes


Clarissa: 32 anos/ Manequim 46/ 1,69m

“Considero-me um mulherão porque me aceito de verdade! Corro atrás da realização dos meus sonhos e só quero melhorar sempre. Amo minhas curvas. Quando emegreci devido a um problema sério de saúde, não me reconhecia, achava que era outra pessoa. Acredito que para uma mulher se sentir sexy precisa apenas se sentir feliz  e se aceitar plenamente. Quando você se sente sexy, outras pessoas também lhe enxergam assim. Tudo depende de auto-estima e atitude. Quero conquistar uma carreira de modelo plus size de sucesso e comprar minha casa própria. Mas não deixo de lado a minha carreira como farmacêutica e também o meu trabalho como maquiadora. Quero casar casar, ver meus pais com mais saúde e ser ainda mais feliz com as pessoas que me cercam e me querem bem”.

Flavia Rebello

Flávia: 25 anos/ Manequim 46/ 1,60m

“Sou guerreira, batalhadora, tenho atitude e personalidade. Um mulherão não se mede só com a fita métrica. Um mulherão é aquela que tem olhar marcante, e é percebida em qualquer lugar que passe. Essa sou eu! Vc se sente sexy, mesmo acima do peso?Antes eu associava ser sexy a ter corpo escultural, mas hoje entendo que vai muito além disso. Uma mulher sensual é uma mulher inteligente, bem humorada, de bem com a vida. Ser sensual é transperecer a beleza que vai além da forma física. Estou bem comigo e amo o meu corpo, e isso é muito sexy. E digo mais: tem coisa mais sexy do que a fantasia da bibliotecária de óculos e coque?”

Hannah Andrade

Hannah: 19 anos/ Manequim 48/ 1,73m

“Sou uma mulher com grandes curvas e feliz mesmo assim. Acho que ser mulherão vai muito além do “corpo”. Tem a ver com os sentimentos e as atitudes. Antes, as pessoas tentavam me fazer acreditar que eu sou sensual, atraente, sexy e tal, mas eu não acreditava. Resolvi fazer uma análise disso e descobri que sou sim, tudo isso! E que posso ser muito mais se eu quiser. Quanto ao peso…ele é apenas um tempero a mais, pra dar aquele sabor mais gostoso. hahaha “

Quer ter seu Dia de Modelo Plus Size, como Layza, Clarissa, Flavia e Hannah? Então se inscreva no blogmulherao@hotmail.com ou ligue para (11) 8574-3558. A última sessão fotográfica do ano acontece em 10 de dezembro. Participe!

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Odeio os meus seios

Por Keka Demétrio

Havia um monte de coisas que eu detestava em meu corpo, e meus seios era um dos principais. Desde sempre nunca gostei deles, que sempre foram grandes e incomodavam bastante, desde estética como fisicamente. Na verdade o incomodo era muito mais estético do que físico. Essa tortura psicologia que eu me submetia por possuir uma comissão de frente tão exposta fazia com que minha auto estima ficasse bem menos do que zero.

Depois de dois filhos e emagrecer e engordar vários quilos, é óbvio que eles iriam sofrer as conseqüências, e hoje em minhas palestras sempre digo que o único anti depressivo que ainda aceito em minha vida são meus sutiãs que colocam meus seios no lugar que eles merecem estar.ahahahah

Quando passei a me aceitar e a me olhar com os meus próprios olhos, a me perceber com um infinito amor por mim mesma, passei a enxergar uma obra de Deus e não mais um ser que precisava se moldar para que os outros achem bonito. Eu me acho bonita, um monte de gente me acha bonita, e o melhor, as pessoas que realmente me importa além de também me acharem bonita, me vêem como deve ser: um ser em constante evolução, que erra, tropeça, mas que procura deixar rastros de amor por onde passa. E é com essa beleza que vale a pena ser percebida, porque diferente da física, ela com o tempo só tende a crescer e melhorar.

Jamais pensei, porque isso realmente sempre me incomodou muito, que um dia fosse expor publicamente meus traumas em relação aos meus seios que hoje tanto amo e que tanto prazer e alegria me proporcionam. Mas depois de duas semanas onde a exaustão me impossibilitou de escrever para vocês, e para mim mesma (sim, sempre estou puxando minha orelha ao escrever meus textos. rsrs) senti uma vontade enorme de falar sobre isto. Talvez por estar em uma fase de novos valores e atitudes, quis escancarar minha intimidade como forma de ajudar amigas leitoras, que eu tenho certeza passam pelo problema, e também uma forma de servir de voz para inúmeras mulheres mastectomizadas e que, acredito eu, gostariam de dizer a todas as mulheres que se envergonham pelos seios que possuem para que sintam-se à vontade com seus corpos, pois ele é o seu templo, a casa dos seus sentimentos, das suas emoções e percepções. Para não se matarem com pensamentos destrutivos em relação ao que são e estão, pois o mais importante de tudo é sentirem-se vivas, mas principalmente vivas para si mesmas.

E eu emendo dizendo: Queridas, nossos seios podem não ser moldados, desenhados a pincel, mas é a maior marca de nossa feminilidade. Independente do formato, cor ou tamanho, eles são a demonstração da força feminina, é através deles que nossos filhos saciam sua fome, e através deles damos e recebemos prazer. Por isso não fique constrangida se seus seios não são tão bonitos quanto gostaria, sinta-se verdadeiramente feliz por possuí-los. Homens que só amam a anatomia do seu corpo não serão capazes de perceber a silhueta do seu coração, e estes não merecem ter ao lado mulheres realmente belas.

Cuide dos seus seios. Faça o auto exame, use cremes, proteja-os com sutiãs apropriados. Invista em decotes e faça deles um aliado para se sentir bonita, sexy e poderosa. Nunca mostre demais, nem de menos, seja sutil e ao mesmo tempo provocante. A grande maioria de nós conhece alguma mulher que teve que retirar um seio por causa do câncer de mama, e nós sabemos o quanto isso é difícil, triste, deprimente, e doloroso, portanto, não se deixe ficar presa a convenções, a padrões estéticos, se tiver que se prender que seja na força que possui para retomar seu próprio caminho e fazer a sua vida realmente memorável. Você é mulher, escolhida de DEUS para dar continuidade à sua imagem e semelhança, e só por isso é a mais bela das criaturas.

PS: de acordo com o jornal Folha de São Paulo do dia 25 último, 52.680 é a previsão do número de casos de câncer de mama para 2012.

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Matéria Vejinha São Paulo: Gordos e ex-gordos falam sobre suas dificuldades

Fonte: Veja São Paulo

COM A PALAVRA, OS GORDOS…

“São muitas as praças de alimentação com mesas e assentos fixos, sem espaço. Outro dia, levei um grupo de amigos a um restaurante do centro. Como o mobiliário era assim, tivemos de ir a outro lugar.”  Sérgio Montes, 33 anos, o DJ Catatau

“O preconceito das lojas é impressionante. Não entendo por que mesmo grandes redes de departamentos que têm roupas de tamanhos maiores jamais colocam uma manequim gordinha na vitrine. A cliente plus size não tem bola de cristal e acaba se sentindo tímida para entrar. Perde-se um mercado incrível.”  Renata Vaz, 29 anos, criadora do blog Mulherão e do Fashion Weekend Plus Size

“No trabalho, convivo com a curiosidade das pessoas. De vez em quando, alguém pergunta como posso estar tão acima do peso sendo cirurgiã plástica. Meu problema é principalmente genético e não fico chateada, mas acho que quando eu emagrecer minha autoestima vai melhorar. Perdi 17 quilos em um tratamento recente e agora falta me livrar de mais uns 40.”  Ana Helena Patrus, 47 anos, dona da Clínica Santé

“Passo vergonha em lojas porque tenho o hábito de me apoiar no balcão de vidro. Peso uns 140 e tantos quilos, e a placa não aguenta, né? Outro dia, fui comprar tênis em uma loja da Vila Madalena e, quando me encostei, o apoio quebrou na hora.”  Carlos Miranda, 49 anos, produtor musical

…E TAMBÉM OS QUE EMAGRECERAM

“Antes de fazer a cirurgia de estômago e perder 60 quilos, eu entrava em restaurantes preocupada com o trajeto da mesa até o banheiro. Em muitos lugares, a distância entre as cadeiras era mínima e quando eu passava se formava uma espécie de ola, com todo mundo tendo de se levantar para eu passar.”  Leonor Corrêa, 48 anos, diretora de TV

 “Com a redução do meu peso de 155 para 100 quilos, após operação bariátrica feita há cinco anos, o melhor foi pegar avião sem tanto aperto. Já comprei assento na saída de emergência para ter mais espaço, mas fui retirado porque acharam que não teria agilidade se algo acontecesse. O pior era quando pedia discretamente o extensor do cinto e a aeromoça vinha perguntando de longe para quem era o acessório.”  Celinho, 43 anos, membro da banda Fat Family

 “Acostumado a andar de ônibus na Itália, tive de desistir da ideia aqui, depois de ficar entalado algumas vezes na roleta. Não conseguia seguir em frente nem voltar, o que era bastante humilhante, algo que só acabou depois que perdi quase metade de meu peso com a cirurgia de estômago.”  Giancarlo Marcheggiani, 54 anos, chef do Italy

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Matéria Vejinha São Paulo: Teste de receptividade para obesos

Fonte: Veja São Paulo

Com 90 quilos distribuídos em 1,65 metro de altura, a executiva Márcia Ornellas já passou por constrangimentos em shoppings. Uma vez, ao observar vitrines, foi recebida com uma frase à queima-roupa da vendedora: “Nossos modelos só vão até o 44”. Lojas de roupas estão entre os ambientes temidos por grande parte dos obesos, assim como várias situações da vida social. Para avaliar como são tratados e atendidos, VEJA SÃO PAULO convidou a executiva Márcia, o designer Roberto Labate, também acima do peso, e um casal dentro das medidas para um teste ao redor da metrópole. As duas duplas percorreram mais de vinte endereços na capital para checar possíveis diferenças no atendimento.

DUPLA 1
Elena Mesa MarquezProfissão: compradora técnica de uma empresa multinacional do ramo automotivo ■ Idade: 29 anos ■ Altura: 1,75 metro ■ Peso: 63 quilos ■ Manequim: 38

Marcelo Alves GermanoProfissão: gerente financeiro da SP Escola de Teatro  ■ Idade: 27 anos ■ Altura: 1,75 metro ■ Peso: 71 quilos ■ Manequim: 40
DUPLA 2
Márcia OrnellasProfissão: executiva de uma multinacional farmacêutica e modelo plus size  ■ Idade: 39 anos ■ Altura: 1,65 metro ■ Peso: 90 quilos ■ Manequim: 48

Roberto LabateProfissão: designer e empresário. Já fotografou para o catálogo de lojas GG, como Kauê  ■ Idade: 31 anos ■ Altura: 1,80 metro ■ Peso: 112 quilos ■ Manequim: 50

+ O aperto dos gordinhos: como vivem os obesos em São Paulo + Gordos e ex-gordos falam sobre suas dificuldades
PRIMEIRA PARADA: LOJAS DE ROUPAS Duplas só entraram em locais que não teriam peças da numeração de Márcia e Roberto

RUA OSCAR FREIRE E ARREDORES Carmin, Track and Field, Tufi Duek e Planet Girls — Os funcionários foram simpáticos e trataram os quatro com atenção semelhante  Avaliação: atendimento bom

Carlos Miele — A dupla GG chegou primeiro. A vendedora foi formal, explicou que a numeração é limitada e logo deixou Márcia de lado para atender Elena, que ouviu a funcionária tomar um sermão de sua superiora: “Quando for assim, não perca tempo. Avise qual é a numeração e atenda o outro casal”. À reportagem, a empresa disse que “lamenta o ocorrido” e que agirá para que ele não se repita  Avaliação: atendimento ruim

SHOPPING FREI CANECA Hering — Os atendentes exageraram ao insistir em elogiar o caimento de roupas apertadas para Márcia e Roberto Avaliação: atendimento razoável

Simulassão — A vendedora mostrou as maiores peças, mas não forçou a barra quando viu que não serviam Avaliação: atendimento bom

Calvin Klein — Após ver que não havia nada para Roberto, o vendedor o trocou por Marcelo. Com Márcia, foi pior: a vendedora sumiu. “Deve estar esperando eu ir embora”, disse a executiva. A grife declarou que as próximas coleções terão numeração até 50  Avaliação: atendimento ruim

+ Lojas que investem na moda plus size + Programas para quem deseja entrar em forma + Mulheres plus size: 25 dicas de como se vestir

SEGUNDA PARADA: BALADAS DA MODA Glamourosas, caras e conhecidas pelas hostesses implacáveis com quem está malvestido, as casas noturnas Disco, Mynt e B4 (essa última considerada “pré-balada”), todas na Zona Oeste, receberam os dois pares da mesma maneira. Os funcionários foram simpáticos, apresentaram os preços da noite e convidaram todos para conhecer o interior da casa Avaliação: atendimento bom

TERCEIRA PARADA: ACADEMIAS DE GINÁSTICA Para esse item do teste, Márcia e Roberto foram juntos a três academias: a Bio Ritmo da Avenida Paulista, a Runner de Moema e a Body Company, na Vila Mariana. Em todas elas, houve um tour para conhecer as dependências e uma apresentação de diversos pacotes. Obesos eram exceção entre os frequentadores, mas os atendentes insistiram em dizer que recebem gente de diversos perfis e que seus programas de emagrecimento são eficientes Avaliação: atendimento bom

QUARTA PARADA: SELEÇÃO DE EMPREGO Elena e Márcia visitaram algumas das lojas do Shopping Villa-Lobos com vagas fixas e temporárias para vendedoras
Colcci — Foi o maior contraste entre os locais visitados. Márcia odiou: “confirmaram que tinha vaga, mas ninguém sorriu e uma moça me olhou dos pés à cabeça com hostilidade”, disse. Elena adorou: “Quando pedi informações, um vendedor interveio e chamou o gerente, que disse que eu era o perfil procurado”.  Avaliação: atendimento ruim

Animale, TNG, Forum, M. Officer e Le Lis Blanc — Funcionários atenciosos esclareceram para as duas os trâmites da seleção para a equipe de vendas  Avaliação: atendimento bom

Osklen — para Márcia, disseram que o recebimento de currículos para vendas havia se encerrado e sugeriram a vaga de estoquista. Já Elena foi atendida pelo gerente, que afirmou que poderia tentar encaixá-la direto nas entrevistas  Avaliação: atendimento ruim

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Matéria da Vejinha: o aperto dos gordinhos em São Paulo

Fonte: Veja São Paulo

Com 26 anos, 1,79 metro de altura e 140 quilos, o comediante Ben Ludmer passa por apertos diários em seu cotidiano na cidade. “O problema já começa no elevador cheio, com olhares tortos quando o gordo quer entrar”, conta ele, que cita em seguida a frustração de não poder andar em montanhas-russas de parques de diversões nem se acomodar nas poltronas apertadas de teatros. “É por isso que prefiro estar no palco”, brinca o ator, que apresenta bem-sucedidos shows de stand-up no Shopping Higienópolis, nos quais se celebrizou por fazer graça sobre a própria circunferência. Em julho, ao estender a piada para a plateia e usar como exemplo um espectador também rechonchudo, acabou levando um soco no rosto, o que lhe mostrou quanto o tema é sensível.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o paulistano está engordando. E rápido. O porcentual de moradores da metrópole com sobrepeso — ou seja, índice de massa corporal (IMC, ou peso dividido pela altura ao quadrado) maior que 25 — passou de 44,3% em 2006 para 48,5% em 2010 (são 51,1% dos homens e 46% das mulheres). Se considerados apenas os obesos, de IMC superior a 30, o salto é de 11% para 15% no período. Pois, mesmo com uma população na qual os esbeltos e os chamados normais logo poderão se tornar minoria, são muitos os desafios do dia a dia. Comprar roupas sem cara de avô é sempre difícil e há, muitas vezes, discriminação na hora de procurar emprego. “São situações que fazem com que muitas pessoas se privem da vida social”, diz a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do Núcleo de Obesidade do Hospital Sírio-Libanês. “Tem gente que, em vez de se cuidar, acaba trancada em casa, triste e comendo ainda mais.”

Para avaliar como anda a relação da cidade com quem não está em dia com a balança, VEJA SÃO PAULO convidou quatro paulistanos, dois magros e dois gordos, para um teste. Na experiência acompanhada pela reportagem, o tratamento foi bom, por exemplo, em academias de ginástica, das quais muitos fogem por estar fora do padrão médio dos frequentadores, e em baladas da moda, como Mynt e Disco, conhecidas pelas hostesses implacáveis com quem está malvestido. Mas esse tapete vermelho não se repetiu em algumas lojas de roupas com numerações limitadas. Na Carlos Miele da Rua Bela Cintra e na Calvin Klein do Shopping Frei Caneca, os menos delgados foram logo deixados de lado pelos atendentes, que preferiram dar atenção ao outro par.

Para quem vive em São Paulo, as dificuldades podem ser as mais prosaicas. Carlos Miranda (1,75 metro e mais de 140 quilos), produtor musical, perdeu a conta de quantas vezes causou estrago ao se apoiar em balcão de vidro em lojas. “Outro dia, fui comprar tênis na Vila Madalena e, quando me encostei, o apoio quebrou na hora”, diz. Já Sérgio Montes (1,73 metro e 102 quilos), o DJ Catatau, da festa Trash 80’s, sofre com cadeiras fixas em lanchonetes e praças de alimentação, nas quais muitas vezes seu corpo acaba prensado. Para a atriz e diretora Eliana Fonseca (1,72 metro e peso não revelado), o pior são as restrições menos objetivas, como o julgamento alheio. “Parece que o excesso de peso virou falha de caráter”, observa. “O policiamento em cima da saúde faz muita gente esquecer que ser gordo não é uma escolha.” O endocrinologista Marcio Mancini concorda. “A pessoa é vista como culpada e não como vítima, o que é injusto”, afirma ele, que é chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas. “Mesmo que a força de vontade seja fundamental para emagrecer, há que considerar que não é tão fácil.”

 Uma pesquisa de 2010 do Hospital do Coração (HCor) que ouviu exclusivamente paulistanos e cariocas mostrou que a maior parte dos 600 entrevistados não se casaria com uma pessoa gorda. Essa rejeição ocorreu mais na classe A (66%) que na classe B (44%). Em outro ponto do questionário, 81% disseram acreditar que o excesso de peso interfere nas relações de trabalho. “De fato, mesmo sendo velado, o preconceito existe”, admite o headhunter Gutemberg de Macedo. “Muitos contratantes acham que esses empregados têm maior propensão a ficar doentes e a deixar a empresa na mão.” O próprio governo estadual causou polêmica recentemente ao vetar professores concursados da rede pública de ensino por sofrerem de obesidade, já que a doença causa ou agrava várias outras, como diabetes e hipertensão. Após o debate do caso na imprensa e a crítica de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, os reprovados foram reavaliados e a maior parte, enfim, assumiu o cargo.

Uma lei proposta pelo deputado Rogério Nogueira, do PDT, em vigor desde 2008, obriga cinemas, teatros, casas de shows e empresas de transporte público a assegurar, no mínimo, duas cadeiras especiais, mais espaçosas, para quem precisar delas. Com isso, vagões e estações de metrô ganharam assentos de 88 centímetros de largura e com capacidade para suportar 300 quilos (os demais têm 50 centímetros). Em casas de espetáculos como Credicard Hall e Citibank Hall, quem é obeso pode solicitar lugares maiores antes de comprar o ingresso, sem ter de pagar mais por eles. Já a rede de cinemas Cinemark admite que ainda está se adaptando. Em apenas parte de suas salas, o braço de algumas cadeiras pode ser levantado para que o espectador tenha mais espaço. Os complexos lançados a partir do ano que vem terão poltronas para gordinhos, e parte das plateias atuais será adaptada. O Procon lembra que quem não consegue usufruir o ingresso devido a esse aperto deve reivindicar a devolução do dinheiro. “Mas, por incrível que pareça, não recebemos reclamações assim de obesos, ao contrário do que acontece com cadeirantes, já habituados a reivindicar seus direitos de acessibilidade”, diz Andrea Sanchez, da diretoria do órgão de defesa do consumidor.

Na moda, quem excede as medidas ainda sofre para achar algo arrojado, mas isso tem mudado a passos lentos. Na companhia de redes tradicionais como as camisarias Varca, forte em trajes sociais, e Kauê, com peças mais esportivas, uma série de novos estabelecimentos ganhou espaço com roupas modernas. “Os modelos do tipo saco de batata, que eram confortáveis e só, estão sendo substituídos por itens que poderiam ser achados em qualquer loja”, afirma Renata Vaz, a paulistana mais influente do mundinho fashion GGG. Ela é a criadora do blog Mulherão, que tem 300.000 acessos mensais, e do Fashion Weekend Plus Size, evento que chega à quinta temporada em fevereiro, pela primeira vez com dois dias de desfiles em vez de um. “Na última edição, foram dez marcas”, contabiliza. “Nesta, estabeleci o limite em vinte, mas a demanda é crescente.” A Maison Spa, com sede em Moema e filial aberta há três meses nos Jardins, é repleta de artimanhas para ganhar esse mercado. Seus provadores têm espelhos sutilmente côncavos, para afinar o reflexo da cliente, e a iluminação é preparada para não evidenciar imperfeições. A vendedora Roseli Santos, com medidas comparáveis às da clientela, costuma circular com um pote de bombons e balas de goma entre as araras. “O açúcar ajuda a fechar a venda”, explica.

Principal top model nesse padrão no país, a paulistana Mayara Russi está fazendo história. Protagonizou a primeira campanha GGG da lingerie Duloren, empresa que lançou suas linhas em tamanhos plus size há quatro anos e hoje vê esse nicho representar nada menos que 55% de suas vendas. Na foto, impensável no catálogo da marca anos atrás, a modelo mostra sem pudor o seu corpo, coberto apenas por calcinha e sutiã. A publicidade ousada foi feita para ajudar muitas das pessoas que se escondem sob roupas de corte desleixado.

Ao mesmo tempo, a cidade também está cheia de gente que busca a autoaceitação correndo atrás do corpo perdido. Só o tradicional Vigilantes do Peso, por aqui desde os anos 80, alardeia que seus 16.000 frequentadores paulistanos perderam juntos 113 toneladas em 2010. Há grupos menos conhecidos, como os Comedores Compulsivos Anônimos, uma das opções gratuitas para quem procura um caminho sem medicamentos nem cirurgia. A reportagem acompanhou uma reunião numa sala da Igreja de São Judas Tadeu, na Zona Sul. Baseado nos princípios dos Alcoólicos Anônimos, como “Só por hoje”, o encontro mostrou ser uma boa forma de trocar experiências, das mais divertidas às mais dramáticas. Os relatos de perda de peso são animadores: “8 quilos”, “16”, “40”.

Vem mais por aí. Um projeto de lei do vereador Paulo Frange, do PTB, tenta implantar no município o programa Obesidade Zero, de autoria do nutrólogo Daniel Magnoni, diretor de nutrição do Instituto Dante Pazzanese. Nele, são propostas ações mais amplas e coordenadas para adequar a silhueta da população, que vão de educação nutricional nas escolas até incentivos tributários para a instalação de barracas de frutas nas ruas, oferecendo opções baratas à comida rápida e gordurosa. Os legisladores deveriam levar a sério esse tipo de debate. Criar uma capital menos hostil a seus moradores GG é uma questão de cidadania, de respeito ao próximo e também uma bela oportunidade de negócios.

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