Arquivo do mês: setembro 2012

“Fui estuprada”

Por Renata Poskus Vaz

Há alguns meses venho ensaiando fazer um texto sobre estupro. Ao longo desses 4 anos de Blog Mulherão recebi inúmeros e-mails de mulheres que se disseram vítimas de violência sexual. Grande parte delas, não relatam abusos sofridos por estranhos, mas por amigos, parentes e pelo próprio marido. Sim, pois quando seu marido quer transar, você não quer e mesmo assim ele força a relação sexual isso é um estupro. Você não é propriedade de ninguém. Não é um objeto.

Pedi para minhas leitoras relatarem suas experiências, mesmo que usando pseudônimo. Uma delas foi estuprada por um amigo, que lhe ofereceu carona, uma bebida com “boa noite Cinderela”. Ela perdeu os sentidos e acordou com dores e completamente suja de sêmen. Imagine o sofrimento de ter que contar que foi engana e estuprada por um amigo. Talvez seja essa vergonha, medo e resolta que a tenha impossibilitado de escrever para o Blog Mulherão.

No site Papo de Homem, Paula Abreu descreveu sobre um estupro que sofreu. Achei comovente e chocante ao mesmo tempo e acredito que possa servir para consolar e estimular mulheres a denunciar esse tipo de abuso. Veja o relato de Paula abaixo:

“Na primeira vez em que um pau me foi enfiado goela abaixo – figurativamente falando – eu tinha apenas doze anos. Doze.

Voltava da escola pra casa todos os dias, de ônibus. Naquele dia não foi diferente. E, mesmo assim, foi totalmente diferente. Porque, naquele dia, sentado do meu lado, estava um senhor que achou que seria uma excelente ideia colocar o pau pra fora da calça e se exibir pra uma criança.

Aquele foi o primeiro dia em que me senti um objeto. Enojada e impotente.

Da segunda em diante, parei de contar. Já apertaram minha bunda, já apertaram meus peitos, já puxaram meu cabelo, já assobiaram e disseram grosserias que, certamente, não diriam às suas santas mãezinhas.

Há quase dez anos, contudo, uma dessas situações marcou a minha vida. Há quase dez anos fui estuprada.

Não fui estuprada por um estranho. Sei o nome e sobrenome do meu estuprador, e há dez anos sabia também o seu endereço, onde trabalhava, o que fazia, onde tinha estudado, quem eram seus amigos.

Fui estuprada por um amigo, num encontro.

Não estávamos muito bêbados. Não, eu não estava usando roupas provocativas. Sim, eu disse que não queria. Aliás, nada disso explicaria ou justificaria o que aconteceu, mas acho bom ressaltar pelo caráter educativo do relato: não, as mulheres nunca estão a salvo.

Como em algumas vezes anteriores, eu e meu amigo tivemos um “date”, saímos juntos pra jantar, conversamos, rimos. Fomos pro meu apartamento, depois. Tomamos um drink qualquer. Eu queria estar com ele, eu estava atraída, eu estava a fim.

Mas, de repente, me vi forçada a uma situação de violência e agressão da qual não queria participar. Enojada e impotente, como aos doze anos. Dizendo, ou melhor, gritando que não, mas não tendo força suficiente para me desvencilhar de um corpo adulto muito maior e mais forte do que o meu.

Sei que é chocante revelar publicamente um estupro e pensei muito antes de escrever esse texto. Nem mesmo as pessoas mais próximas sabem do que me aconteceu.

Mas o estupro em si não é o meu ponto mais importante. A cada doze segundos – SEGUNDOS – uma mulher é estuprada no Brasil. A cada quinze segundos uma mulher é espancada por um homem, também no Brasil. Aproximadamente uma em cada três mulheres sexualmente ativas já sofreu agressão física ou sexual por um parceiro. Uma em cada 3 mulheres NO PLANETA já foram espancadas, estupradas ou submetidas a outro tipo de abuso. De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da sua vida.

O meu estupro é só mais um em UM BILHÃO no planeta. Sim, esse número é real. Um bilhão.

O importante é como eu, depois do estupro, relutei em acreditar e admitir que fui estuprada. É como defendi meu estuprador para o amigo que me socorreu, dizendo que ele provavelmente não tinha entendido que eu não queria. É como passei um longo tempo achando que, apesar de todos os meus gritos, resistência física e de todo o sangue que ficou na roupa de cama, aquilo tudo podia ter sido apenas um mal-entendido.

O importante é que, depois do estupro, ainda falei amigavelmente com meu estuprador, e ainda tive pena dele.

O importante é quantos anos demorou pra que eu finalmente admitisse pra mim mesma – e só pra mim, claro – que eu tinha sim sido estuprada. E como, mesmo assim, optei por não contar isso pra ninguém, por não falar no assunto, por não alertar outras mulheres para o perigo que correm todos os dias ao simplesmente existirem.

O estupro em si foi só mais um, mas a minha ATITUDE – infelizmente, também muito comum – é o que permite que a cada doze segundos uma mulher seja estuprada no Brasil.

Esse ano, me vi novamente numa situação em que me senti impotente e, por alguns minutos, não tive força física suficiente para resistir a algo que eu não queria que acontecesse com o meu corpo. Não era uma tentativa de estupro, mas a sensação de impotência me remeteu automaticamente a dez anos atrás. Das entranhas, me veio uma força desconhecida e consegui dizer NÃO. Consegui reaver a posse do meu próprio corpo, e impedir que alguém fizesse comigo algo que eu não queria.

E, pela primeira vez em dez anos, chorei pelo meu estupro. Me permiti sentir pena de mim pelo que aconteceu. Me permiti sentir raiva do meu estuprador. Me permiti chorar.

Mas chorei também de orgulho pela minha recém-adquirida coragem, por ter conseguido me defender, me impor, cuidar do meu corpo, mandar no meu corpo, retomar das mãos do outro o meu direito sobre mim mesma.

Parece uma coisa simples que uma pessoa tenha direito sobre seu próprio corpo, mas não é simples para as mulheres. E as mulheres precisam falar mais sobre isso, se abrir, contar suas histórias, ter coragem de se expor. Não só sobre estupro, mas mão na bunda, mão nos peitos, puxões de cabelo, paus pra fora da calça, agressões verbais. Me arrisco a dizer que TODA mulher que conheço já passou por pelo menos uma situação de abuso ou violência sexual (sim, tudo isso É violência!). E os homens precisam ouvir, saber, perceber as diferenças, compreender as dificuldades que, ainda hoje, as mulheres sofrem.

A propósito do 11 de setembro, lembro que na época do atentado uma das coisas que mais se falava era que eram tantos passageiros contra apenas uns poucos terroristas que, se tivessem se unido, o desfecho poderia ter sido tão diferente. Uma tragédia poderia ter sido evitada.

Demorei dez anos pra admitir e chorar pelo meu estupro. Demorei dez anos pra ter coragem de me abrir e me expor. Não esperem isso tudo. Contem suas histórias. Somos mais frágeis, sim, mas somos muitas. Juntas, podemos mudar tudo.”

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Mulherão Internacional: concurso de modelos plus size no Plus Night Out

Por Tati Gaião 

No dia 6 de setembro, tive a oportunidade única em minha vida, que foi participar de um evento de moda plus size na cidade mais badalada do mundo, Nova Iorque.  O Plus Night Out aconteceu no salão do Yotel Hotel, pertinho da famosa Time Square.

Chegando lá, já fui de cara falando que eu era brasileira e que estava sozinha, querendo conhecer pessoas. As meninas da recepção foram super simpáticas e me levaram para uma salinha reservada onde as candidatas para o “Model Search“, um concurso para eleger a mais bela aspirante à modelo plus size do Plus Night Out, faziam a inscrição.  A vencedora ganharia, além da oportunidade de se tornar uma modelo plus, dois editoriais de moda em revistas, 500 dólares em compras e outras coisitchas.

Aventurei-me no tal concurso pra me divertir e ver como funcionava, além de viver a oportunidade de desfilar em NYC. E foi suuuper legal! O que observei é que o padrão das americanas é muito igual o tempo todo e pouco se diversifica. A maioria são negras americanas, muito grandes e muito bonitas. São extremamente altas, se vestem de forma extravagante e o mais legal é que mostram suas curvas sem medo de ser feliz!!

Vi também que o meio plus size não é muito diferente do que se tem no Brasil. As meninas disputam mesmo um espacinho no mundo fashion, invejam umas às outras, e tem as mesmas “picuinhas” que temos no Brasil. Normal isso acontecer num meio onde há tanta vaidade. Mas achei que o fato de estar num lugar onde há mais mercado para as gordinhas, a disputa seria menor… Doce ilusão! As modelos profissionais que estavam desfilando para algumas marcas, não se mostraram muito simpáticas. Não gostei do que vi. Não se mostraram amáveis em nenhum momento e pareciam as últimas cocadinhas do tabuleiro… rsrs. E vou contar aqui pra voces que nós brasileiras somos 7x mais bonitas do que as americanas. A diferença é que elas tem altura (sao enoooooormes), e nisso perdemos muito.

No momento em que eu fui para o “red carpet” desfilar, acho que chamei a atenção dos jurados, pelo menos por um momento, pois eles ficaram perguntando meu nome (já que era um nome diferente dos nomes americanos). Devem ter pensado “quem era aquela branquela bonitona e diferente de nome estranho?!” rsrs. Fui lá, defilei linda e bela, me sentindo uma TOP em NYC e tive meu momento diva! AMEI!

Voltando ao evento em si, os convidados por si só já eram uma atração a parte. Brincos enormes, cabelos diversos, sapatos altissimos! Teve desfile com as “tops” de algumas griffes e stands das lojas pra quem quisesse comprar com desconto. Vi muito vestido coladinho e muita cor. ADOREI!  Onde eu passava e me paravam pra perguntar algo, quando eu falava que era brasileira, que era modelo plus size no Brasil e que era Miss, eles achavam o máximo e pediam pra tirar foto comigo!!!

Conheci gente importante do meio, inclusive a “Renata Poskus americana” (rsrsrs) que é a responsável pelo Full Figured Fashion Week, que é o FWPS de Nova Iorque. A mulher me adorou e ate tirou foto comigo! rsrs…

 Os admiradores de gordinhas também são bem parecidos com os brasieleiros e marcaram presença no evento. Uns negões lindooooos, meninas!!! De tirar o folêgo!! rsrsrs Quando eu dizia que era “brazilian” eles ficavam enlouquecidos!!

 Enfim, fiquei muito feliz em poder levar na bagagem esta experiência única e inusitada e em poder levar o nome do nosso país para os bastidores da moda plus da cidade mais fashion do mundo!

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Pesquisa com leitoras do Blog Mulherão

Por Renata Poskus Vaz

Meninas, eu e a Dani Lima elaboramos uma pesquisa para traçar um perfil de nossas leitoras. Não é necessário se identificar na pesquisa e não vai tomar muito o tempo de vocês. Conto com a colaboração de todas!

Para responder, clique aqui.

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Dia de Modelo Plus Size na Loja Etiketa Plus Size

Por Renata Poskus Vaz

Dia 29 de setembro, sábado, teremos um Dia de Modelo Plus Size especial na loja Etiketa Plus Size. Para quem não conhece, a Etiketa é enorme e a sessão de fotos acontece na sobreloja, um espaço de mais de 200 m2. As fotos serão feitas em fundo branco infinito e com iluminação apropriada, com todo o profissionalismo que vocês merecem.

Para quem ainda não conhece, o Dia de Modelo Plus Size é uma sessão fotográfica exclusiva para mulherões, com produção completa e feita epsecialmente para quem não tem experiência como modelo, mas que gostaria de sentir estrela por um dia.

Além de maquiagem e penteados inclusos no valor do book, vocês tambem ganharão um presente especial da Lunender e poderão usar na sessão de fotos as roupas da Etiketa Plus Size.

A loja fica no centro de São Paulo, na Avenida São João, 725.

Faça sua inscrição! blogmulheraosp@hotmail.com

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Estilista gordinha reúne no mesmo desfile, modelos plus size e “pp”

Por Renata Poskus Vaz

 Na última quinta-feira, gordinhas e magrinhas brilharam juntas no desfile da Costurando o Futuro, que aconteceu no Oscar Fashion Days, em São José dos Campos. Costurando o Futuro é um projeto social voltado para pessoas de baixa renda que recebem aulas de corte e costura. Pela segunda vez, os alunos apresentaram peças confeccionadas em aula no Oscar Fashion Days. A estilista que assinou a coleção é a plus size Débora Fernandes e o tema é “A moda brilha para todas”, com looks para modelos magras e plus size. “A idéia é valorizar as formas femininas e mostrar que toda mulher pode estar na moda independente de seu manequim”, explica a estilista.

 Na passarela, muitos tons de azul e modelos plus size famosas como Jovi Sierascky, Mayara Russi, Bruna Oliveira, Carol Lages, Alessandra Linder, entre outras beldades.

À dir. a estilista Débora Fernandes

Mayara Russi

Jovi Sierascky

Alessandra Linder

Carol Lages

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Estilo e Conforto: Cardigã e Sapatilhas

por Litha Bacchi
Uma coisa que sempre me incomodou foi a concepção de que, pra se sentir confortável, uma pessoa tem que abrir mão completamente do seu estilo. Isso não é verdade. É por isso que proponho essa nova tag: estilo e conforto. Pra provar que dá pra se vestir confortavelmente sem precisar abrir mão do estilo!

Hoje apresento a vocês o look da Hanna, do blog gringo The Wardrobe Challenge. Ela escolheu um vestidinho de malha levinho, um cardigã (o rei do conforto e estilo) e uma sapatilha de cor forte pra dar um destaque.

Uma dica boa pra não perder o estilo com  um look super confortável é usar algum acessório diferente mas que não incomode você. Ter pontos-chave interessantes de se olhar sempre ajudam.

Gostaram da tag nova? Como vocês se vestem em prol do conforto?

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Gordo ativo é mais saudável que magro sedentário, apontam estudos

por Litha Bacchi

Hoje eu não vou falar de moda. Hoje eu vou falar sobre um assunto muito legal que li numa reportagem do site do jornal Folha de São Paulo.

 

A notícia é sobre uma pesquisa feita com 43 mil pessoas por 14 anos. Como podem ver, é uma pesquisa com uma amostra muito, mas muito grande, por um período super extenso. Nessa pesquisa eles pegaram todo esse pessoal e dividiram em grupos por faixa de peso. Eles observaram os hábitos dos participantes, tanto magros quanto gordos, e observaram seus exames.

A conclusão foi algo que o grupo Health At Every Size já defende há muito tempo: o que aumenta o risco de doenças do coração e outras doenças associadas à obesidade, não é necessariamente a gordura, e sim, hábitos de vida que não são saudáveis para o corpo, como comer comida nociva à saúde em excesso e ser sedentário. A pesquisa mostra que esse comportamento negativo atinge tanto magros quanto gordos, tirando o peso da culpa do IMC da pessoa.

Muitas pessoas acreditam que uma pessoa que come bem e faz exercícios seria automaticamente mais magra, o que não é verdade.  Nesse artigo em inglês, a autora fala sobre várias pesquisas realizadas nos últimos tempos (pesquisas sérias, com grande amostragem e tempo de estudo) relacionadas à obesidade. Já descobriram vários genes que facilitam a obesidade. É aquela história de “a minha amiga come uma barra de chocolate e continua normal, eu como um bombom e engordo”. Além disso, ela escreve de forma extensa sobre a propensão do corpo humano a manter o peso em que está. Quando uma pessoa gorda perde peso, o cérebro dela reage com mais força ao ver alimentos, e o corpo gasta menos calorias com atividades físicas, na intenção de manter o peso mais alto. Pessoas foram monitoradas por 5 anos depois de perder peso e esses efeitos continuavam ativos. E pensem bem: só estamos vivos como espécie por causa disso, ou a seleção natural já teria nos aniquilado. A humanidade já passou muita fome, e esse mecanismo contribuiu muito para que continuássemos vivos. Hoje em dia, com abundância de alimento, esse mecanismo tornou-se um problema.

É a ciência, médicos e pesquisadores, enxergando o excesso de peso menos preto e branco. Da próxima vez que você pensar em fazer exercício e comer bem, faça isso pela sua saúde, e não pra ficar mais magro =)

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Amanhã no Hoje em Dia, da Record, Renata Poskus fala sobre modeladores.

Por Barbara Poskus

Oi gente!

Amanhã minha irmã estará no programa Hoje em Dia com uma pauta sobre             bodys, modeladores, e outros truques para afinar a silhueta.

Amanhã, no Hoje em Dia, à partir das 10 horas.

Assistam!

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Coquetel de inauguração da Milanina Tatuapé neste sábado

Por Renata Poskus Vaz

Gatas, vai rolar festinha de inauguração da Milanina Tatuapé. A loja está linda e com um montão de novidades bacanas. Apareçam por lá!

Rua Coelho Lisboa, 251, dia 15/09 – das 14h às 18h.

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Democracia de manequins na Melinde

Por Renata Poskus Vaz

Olha que bacana esse catálogo! Nele, as modelos Carla Manso e Bruna Oliveira, com cerca de 2 manequins de diferença uma da outra, estrelaram juntas o catálogo da Melinde. Gosto muito deste tipo de propaganda, em que conseguem unir duas plus size, uma mais gordinha e outra mais magrinha (se é que podemos chamar uma plus size de magrinha…rsrsrs). Assim, todas as clientes se identificam.

Confiram, a coleção está linda!

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