Arquivo do mês: novembro 2012

Saia para quem tem corpo formato triângulo invertido

Por Renata Poskus Vaz

Olá, meninas. Uma dúvida que sempre me mandam por e-mail é sobre que tipo de saia quem tem corpo triângulo invertido pode usar. Para quem não sabe, corpo triângulo invertido é quando a largura dos ombros é maior do que a largura dos quadris. Ou seja, se você usar uma saia ajustada ao corpo, seu quadril parecerá ainda  menor. A idéia para deixar o corpo mais proporcional é conferir à saia volume e/ou estampas. Com isso, essa região do quadril parecerá mais larga, a cintura mais fina e os ombros mais proporcionais. Vejam alguns exemplos:

A saia clara da Juliana do Hoje Vou Assim Off Plus Size foi uam excelente escolha

A saia de tule da blogueira americana Gabi também é um arraso. Quanto menor seu quadril,, mais tule!

Juliana Romano do Entre Topetes e Vinis escolheu uma composição muito bacana para trabalhar

Neste outro look, Juliana escolheu uma versão mais descontraída, com saia estampada.

Gostaram, garotas?

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Chica Bolacha e a moda para todos os tamanhos

por Litha Bacchi

Estamos acostumadas: normalmente as lojas vendem tamanhos “regulares”. Não costumam passar do 44. Aí a loja vê que o público está usando tamanhos um pouco maiores, e aumenta a sua grade até o 46, no máximo até o 48. Algumas se rendem e fazem uma “coleção especial”, separada do resto da loja, em tamanhos grandes. E fica por aí.

O caminho inverso é algo realmente raro de se ouvir falar. Mas a Chica Bolacha, grife da qual sou super fã, resolveu andar contra a maré e trazer algo realmente novo pro mercado brasileiro. Lançou suas coleções em tamanhos grandes e fez tanto sucesso que deixou nossas amigas magras com invejinha. Não vou dizer que não gostei; pela primeira vez, eram as magras que não podiam ter algo super legal que eu podia ter. E por umas 4 coleções, saboreei esse momento vingancinha, haha (quem jura que não se sentiria assim jamais, que jogue a primeira pedra!).

Mas aí a Chica vai e faz algo lindo: estende toda a sua coleção no caminho inverso, incluindo tamanhos menores (a grade atual vai do 38 ao 56!!!). Ela não criou uma coleção especial pra cada “tipo de tamanho”. Ela simplesmente disponibilizou toda a sua coleção pra qualquer um que a quisesse vestir. Pessoalmente, esse é um sonho antigo. Qual foi a última vez que você teve a oportunidade de sair com uma amiga sua que é magra, pra mesma loja, onde as duas pudessem escolher roupas da mesma coleção? Sinceramente, quantos momentos assim vocês tiveram na vida? Porque eu posso dizer com certeza que nunca aconteceu comigo. No máximo, fomos juntas à C&A/Marisa/Renner onde eu consegui me enfiar num 46 ou 48 por algum milagre da natureza, ou tinha uma “coleção especial” limitada enquanto a minha amiga experimentava tudo que tinha vontade. Mas essa oportunidade de igualdade é algo totalmente novo nesse Brasil. Ainda mais com uma coleção mega legal, divertida, diferente, jovem…

Mini saias, shorts e T-shirts divertidas pra quem quiser usar!

E vocês, o que acham dessa proposta? Amaram tanto quanto eu ou gostavam de deixar as magrinhas com inveja?

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Espaço da leitora: “Eu já fui magra” – Cris Miranda

“Sim, eu já fui MAGRA!

No auge dos meus 16 anos, eu era uma bela morena, um corpão, cabelos cacheados, traços marcantes que chamavam atenção por onde eu passava. 

Sempre tive problemas com a balança, quando criança era a gordinha da turma, desde cedo me sentia pressionada pela família, amigos, colegas, a emagrecer, por morar no Rio de Janeiro, uma cidade praiana, a tal “cultura carioca” que dita que precisamos ser bronzeadas e saradas, me sufocava,  e eu sentia a necessidade de me enquadrar naqueles padrões tolos.

E por um tempo, até consegui. Virei escrava do sol, fui me “torrando” aos poucos, mas nunca era suficiente, eu sempre queria mais, fazia dietas radicais, vivia complexada, me enxergava GORDA! Sim, rs! Pode parecer loucura, mas a pressão era tanta, que eu com este corpo MAGRO usava maiô quando ia a praia, achava que estava muito gorda para usar um bikini, não demorou muito para eu desenvolver um quadro de bulimia, e eu ainda achava o máximo, dava a dica para outras amigas da receita “milagrosa” para emagrecer, me inferiorizava diante dos meninos, vivia insegura,  me sentia horrível diante de meninas que pra mim eram lindas e perfeitas, 

Por muito tempo eu vivi uma ilusão, a promessa do corpo perfeito e bronzeado. Agradei várias pessoas e mal sabiam o quanto eu me sentia triste e infeliz. Quantas loucuras eu fiz para estar neste padrão que insiste em ditar o que é certo ou errado, o que pode ou não pode, o que é feio ou bonito.

Hoje eu sou GORDA, mas não como naquela época, digo gorda de verdade, porque pra mim não existe gordinha, existe GORDA e isso eu assumo que sou! Assumi minha pele branca, não adianta, sou branquela mesmo, com muito orgulho! Detesto sol, odeio ficar me torrando em busca da marquinha perfeita, e quer saber? Sou MUITO MAIS FELIZ assim! 

Aprendi, que não preciso me adaptar aos padrões e conceitos da sociedade para ser feliz. Se eu decidir emagrecer, será por mim, pelo meu bem estar e não pela sociedade. Não temos que nos enquadrar há nenhum tipo de padrões, regras, temos que nos AMAR acima de tudo, e qualquer coisa que quisermos fazer, que seja feito por NÓS e não por quem julga ser certo ou errado. E como estou hoje? Sou muito mais FELIZ, mais SEGURA, e melhor… Me vejo e me sinto muito mais BONITA e muito mais MULHER!”

 

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Dica de Make: Saiba como fazer um olho preto esfumado

Por Valéria Porto

 Olá, pessoal! Meu nome é Valéria Porto e fui convidada pela Renata a integrar o time de colunistas do Blog Mulherão. Sou maquiadora e, além de lecionar na área, também trabalho com makes para catálogos, noivas, festas e no Dia de Modelo Plus Size.

 Vou ensiná-las a fazer algumas maquiagens práticas, para o dia a dia, e outras mais elaboradas. Hoje a dica que dou neste vídeo é de como fazer um olho preto esfumado. Assistam no video o passo a passo:

 Anotem o material que eu usei:

Pele: 1. Base Timewise (matt-wear) + 2. corretivo vult n°2 + 3. pó iluminado da Baltuá na cor Rosada

Olhos: corretivo retratil Avon: na cor natural + sombra marrom claro da Mary Kay + sombra Pretacoal da Mary Kay + sombra Sinabar da Mary Kay+ Sombra preta com gliter da paleta de 180 cores + delineador preto da Verídica + lápis de olho preto Natura + cílios da marca Macrilan nº 5 + rímel da Maybelline One by One.

Boca : Lápis de contorno cor de boca da vult + batom mary kay na cor (whisper) + gloss Make B. tecnologia luminosa cor (star lip)

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Dica para unhas impecáveis

Por Dani Marini
Olá meninas, tudo bem?
Entrei em férias essa semana e já estou indo viajar, vou para Buenos Aires 🙂 – e claro que vou trazer várias dicas de lá para vocês. Ficarei uns 10 dias e estou com a agenda cheia então tenho certeza que não vou ter tempo para a manicure. Minhas unhas são frágeis, quebram horrores e exigem muita manutenção.
minhas unhas naturais
Por isso, vou compartilhar aqui com vocês um super truque pra deixar as unhas impecáveis sem perder tempo: unhas postiças da First Kiss, da linha Impress.
Elas já vêm pintadas e com cola, como se fosse um adesivo. Pra aplicar é só ajeitar a cutícula, lixar as unhas, separar os tamanhos, tirar o plástico que protege a cola e fixar na unha. Muito fácil mesmo! O kit tem aproximadamente 20 unhas com tamanhos diferentes, acompanha uma mini lixa e um lencinho de limpeza. Pra mim foi uma super descoberta 🙂
Elas custam em torno de R$ 15 e já vi em várias perfumarias aqui em São Paulo. E o melhor: pra mim duraram 6 dias em perfeito estado!
Espero que tenham gostado. Em breve, novidades de terras porteñas!
Nas fotos: unha laranja é a minha real e as outras duas sāo com as unhas postiças aplicadas. Lá de Buenos tiro fotos das outras cores e posto pra vocês.

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Linha de lingeries e modeladores plus size da My Lady na Loja Mulherão

Por Renata Poskus Vaz

Mulherões, vocês se lembram de quando fui lá no programa Hoje em Dia da Rede Record falar sobre modeladores plus size? Pois bem, acabou de chegar na Loja Mulherão, uma série de modeladores plus size da marca My Lady, que usa Lycra de verdade em suas peças. É uma das melhores marcas de lingerie e modeladores que eu já usei. O único problema da My Lady, ao meu ver, está na numeração plus size pequena, só vai até o número 52/54 e as fotos em modelos magras.

Mas em breve farei fotos dos produtos em uma gordinha, ok?

Vejam as novidades:

Essa calcinha modeladora no estilo hot pant, segura a barriguinha e ajuda a disfarçar a gordurinha das costas, além de suavizar a celulite do bumbum. Ela é compressora, mas tem essa rendinha para dar um charme. O sutiã sem bojo, tem o aro para sustentar o busto e alças largas.

Este boddy modelador da My Lady tem estampa moderninha de onça, tem abertura higiênica no cavalo e as alças podem ser usadas de diversas formas, inclusive como tomara que caia. Tem bojo! Dá até para usar como blusinha aparente. Ele comprime a barriga. Como a modelo da foto é muito magrinha para nosso padrão gordelícia de ser, fucei an internet até achar uma foto da modelo plus size Samantha Rebello, com este mesmo boddy, em um evento da My Lady. Olha só:

Linda, não é mesmo? Vou para a balada assim, só com jeans! rsrsr

Ok, vamos lá, se concentrem na peça e não nas pernocas finas dessa linda e magra modelo. rsrrs… Esse conjunto é simplesmente lindo. O sutiã de onça (tem preto também) tem alça reforçada. Na parte de cima, aquela que normalmente fica apertando nosso ombro, tem uma espuminha. É bem confortável e os seios ficam juntinhos e bonitos. Já a calcinha tem essa faixa que prende a barriga e que dá aquele charme. Parece uma sainha, mas não marca sob a roupa.

Lembra que a Litha sugeriu aqui no Blog Mulherão a bermudinha modeladora para evitar o atrito entre as pernas? Essa bermuda modeladora tem o tecido grossinho, comprime a barriga, disfarça a celulite nas pernas e no bumbum.

Este modelo de cinta modeladora  é aquele mais grosso e incômodo de todos. No meu caso, evitaria usar todos os dias. Porém, para situações especiais, como uma festa ou roupa mais ajustada, que pede uma barriguinha e gordurinhas das costas mais enxuta, ela é ideal. Costuma diminuir até 2 manequins na região da cintura. Porém, compre sempre no seu manequim exato, nunca menor.

Como falei lá no Programa Hoje em Dia, esse sutiã modelador é perfeito para quem tem seios fartos e sofre com o busto “fujindo” pelo lado. As laterais, alças e a faixa embaixo do busto são largas.

Para adquiri qualquer um desses produtos, clique aqui.

Para relembrar do programa sobre cintas modeladoras no Hoje em Dia, clique aqui.

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Preta e gorda

Por Renata Poskus Vaz

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra em diversas cidades do País. Como se trata de um ponto facultativo, nem todas as cidades aderiram ao feriado. Mas uma coisa é certa, nesse dia 20 de Novembro, sites, blogs e demais redes sociais estarão inundadas de matérias sobre preconceito, direitos e conquistas de cidadãos brasileiros da raça negra. Hoje, todo mundo virará militante da causa negra de carteirinha.

Lidiane Machado

Eu não queria ser mais uma dessas, só mais uma blogueirazinha cumprindo sua média social, criando uma matéria para esta data, sem ter feito nada antes para contribir com a discussão dessa temática. Há semanas, por sugestão de Lidiane Machado, uma linda modelo plus size negra carioca, já vinha rabiscando um artigo sobre este tema. Entrevistei algumas pessoas e pedi que me enviassem suas respostas antes do dia 20, para evitar a coincidência. Hoje, recebi uma das respostas. Logo pensei, chateada: “poxa, só agora fui receber?”. Acho que estava sentindo um medo danado de publicar algo hoje e todo mundo achar que só estava escrevendo porque era o Dia da Consciência Negra. Talvez, até sentisse minha consciência branca um pouco pesada: “eu não poderia ter abordado mais sobre racismo em meu blog nesses últimos 4 anos? Não poderia ter ajudado mais? Fui deixar para falar sobre isso somente agora?”. Porém, entre falar e me calar, entre contribuir e ignorar, eu preferi agir!

Ao longo dessa semana, vou publicar inúmeras entrevistas com profissionais negras e gordas. Mas a primeira delas, a de hoje, é uma das mais especiais para mim.

Faz algum tempo que eu encontrei no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda. Sim, diretíssima, sem diminutivos e nenhum nhenhenhém. O nome pode chocar os “politicamente corretos”, eu sei. Lembro de quando criei o Blog Mulherão e achava o cúmulo alguém ser chamado de Gordo. Hoje, com uma autoestima um pouco mais elevada, percebi que os diminutivos, como “gordinha”, “fofinha”, “cheinha”, podem ser muito mais cruéis conosco e, ao invés de passar uma sensação de carinho, às vezes transmitem a idéia de alguém pequenino como ser humano, digno de pena. Porém, muita gente ainda não gosta de ser chamada de gorda, mesmo tendo passado dos três dígitos da balança há muito tempo, fato.

Já de preta, há inúmeras mulheres que se autointitulam dessa forma. Ou homens negros que de forma carinhosa se referem assim sobre suas esposas. Todavia, uma mulher branca não ousa chamar de preta outra mulher. Já me arrisquei uma vez e ouvi: “preta é cor, negra é raça”. Aí você se sente a maior das racistas e se cala pra sempre, até ver no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda.

Amber Riley, atriz e cantora, uma das imagens compartilhadas por Preta&Gorda

Preta&Gorda compartilha imagens e mensagens sobre mulheres gordas, negras, lindas e estilosas no Facebook, para servir de exemplo para outras mulheres, que não encontram nos catálogos e desfiles de moda mulheres da mesma raça.  Você pode achar que criar uma comunidade só para negras é racismo ao contrário. Então, pare para pensar em quando surgiram os blogs de gordinhas aqui no Brasil. Muita gente insinuou que as blogueiras GG estariam discriminando as magras, ou se fechando em um mundinho paralelo, que só criaria mais preconceito contra nós. E não foi o que aconteceu (com raras exceções, claro). Conseguimos reunir forças, recuperar a autoestima e, finalmente, sermos ouvidas. Uma nova comunidade reunindo e dando forças para as gordas da raça negra é um progresso, um passo adiante dos que já demos até então. Na minha opinião, alguns assuntos poderiam ser tratados na comunidade de forma menos agressiva e com mais respeito às divergências de opiniões (se bem que aqui no Blog Mulherão eu também não sou lá muito maleável). Vi algumas brigas e algumas pessoas queridas, que muito contribuem pelo crescimento do mercado plus size saindo magoadas de discussões lá na Preta&Gorda. Porém, essa é só minha opinião. E como sou só gorda, não sou negra, por mais que tente me colocar no lugar daquelas que já foram discriminadas por conta da raça, só posso ficar no campo da suposição. Jamais senti na pele esse tipo de discriminação.

Entrevistei a Alessandra que, junto com o Maicon, administra a comunidade Preta&Gorda no Facebok.  Leiam na íntegra:

Mulherão: Qual a motivação de criar uma página exclusiva para as mulheres acima do peso da raça negra?

Alessandra: Pra mim, Alessandra, a princípio foi algo voltado para minha auto-afirmação. Sou militante do Movimento Negro e sempre me indispus com todo este sistema que excluí todos aqueles que são considerados “fora dos padrões”. Sou gorda e sempre acreditei que não preciso mudar para agradar a ninguém a não ser a mim mesma. Enquanto eu estiver bem comigo mesma, a opinião das pessoas não tem de me importar. Como gorda, participava de grupos de discussão na internet, tinha o meu próprio grupo, acompanhava as postagens e tal, mas sempre notei uma exclusão já ali. Fotos de mulheres eram postadas, mas as que tinham maior número de curtições e elogios eram das moças brancas. As pretas, em geral, ou não se manifestavam, ou não tinham o mesmo reconhecimento de todos (homens e mulheres) como belas. Sempre fui muito crítica. Então, um belo dia, escrevi um texto de desabafo no meu perfil do Facebook tocando neste assunto, sobre a invisibilidade da mulher preta e principalmente quando ela é gorda. E isso chamou a atenção de muita gente, inclusive de uma amiga que é fat militante há anos. Começamos a conversar dentro deste contexto e ela, mesmo sendo branca, reconheceu que existe uma mega exclusão das mulheres pretas no meio Plus. Publiquei no Blog dela, e para minha surpresa, uma chuva de moças pretas assumidíssimas começou a desabafar! Achei lindo! Gosto do movimento do meu povo! Gosto quando eles vestem a roupagem de luta! Foi aí que eu percebi, que este sentimento, estava abafado dentro de mta gente. Então eu encaro a page como um desabafo de mais de 2.000 pessoas (em sua grande maioria mulheres) dizendo que existe algo de errado e que precisa urgentemente ser acertado.

Mulherão: Qual a sua visão sobre o mercado de trabalho para as modelos plus size negras?

Alessandra: Nulo. Dentro de um contexto amplo? Nulo. Tendo em vista o fato da população preta ser maioria. Questão de números. Existem modelos pretas lindíssimas que estão sem trabalho. Pessoas queridas com muito talento que não tem oportunidade de trabalhar porque o mercado simplesmente não está aberto a elas. Existem algumas pessoas que colocam pretas em seus catálogos, mas, sinceramente? Se não for feita uma campanha séria que realmente mova o mercado plus a abrir os olhos e as portas para as mulheres pretas (e homens também), a inclusão das meninas será por cumprimento de Lei. Nada mais além disso. Supondo que uma agência tenha 100 modelos, 10 são pretas? Onde está a igualdade nisto? Onde está a representatividade das moças dentro dos desfiles. Porque eu, como preta, sou obrigada a ser representada por uma mulher branca, loira? Porque eu não posso me ver também? Porque dizem para as moças que mulher preta não vende? Não vende? Lembro-me que a uns anos atrás o papo era que gordo não vendia… E olha aí todo mundo andando na moda! Agora preto não compra roupa? Quero ver uma negra vestindo uma roupa legal, que combine com o meu jeito de ser, com meu estilo, para que eu me veja também.

Mulherão: Eu li em alguns posts você falando que a preferência de modelos brancas ao invés de negras para estrelar catálogos é racismo. Na sua opinião, esse racismo é algo enraizado ou acha que as grifes fazem de propósito?

Alessandra: Racismo sempre está enraizado. Isso é algo que dificilmente mudará. De propósito? Sim é de propósito, como o racismo é cultural a discriminação por cor é o racismo em ação. Portanto, normal as grifes fazerem isso. O racismo é simplesmente manutenção de poder caucasiano não deixando ter acesso os pretos(as) em todos níveis sociais. Elas acham que realmente não são racistas, mas excluem naturalmente.

Silvia Neves: ela se autointitula negra, mas a consideram clara demais para ser negra.

Mulherão: No Fashion Weekend Plus Size há poucas modelos negras: Silvia Neves, Erica Calderal e Juliana Ferreira. Elas se intitulam negras, mas muitas vezes são censuradas por as considerarem muito claras para serem negras. O que acha disso?

Alessandra: Acho que o orgulho de ser preta independe da sua tonalidade da pele. Até porque aqui no Brasil, encontramos pretos e pretas em inúmeras pigmentações. Isso é genética. O que verdadeiramente define sua negritude não é apenas seus traços africanos, e sim o somatório destes traços com sua afirmação e posicionamento político e afrocentrado dentro deste contexto. Pretas que possuem pele mais clara mas que exalam e afirmam sua negritude diante de toda adversidade que encontram dentro do universo fashion, merece nossa total admiração! O que muitas pessoas não conseguem entender é que uma pessoa se intitular preta, é mais do que se orgulhar de quem é e de sua ancestralidade… É uma maneira também de protestar contra todo sistema excludente que nos cerca, que quer inclusive determinar quem somos e quais as ‘qualificações’ necessárias para sermos ou não pretas. Quanto as pessoas que as censuram, estão querendo chamá-las de mestiças. Uma forma sutil de diminuí-las e negar a participação das moças como pretas. Quantas pretas já ouviram assim “Não… Você não é preta! Que isso! Você é uma morena linda!”? Isso é uma forma sutil de dizer que não existe beleza em ser preta. Que para você ser aceita, tem de ser ‘morena’… Quanto mais “clarinha” você se afirmar, mais a sociedade vai te aceitar. Só que se as meninas se consideram pretas e batalham por representar as pretas, é como pretas que elas tem de ser reconhecidas e nada menos que isto. Coibí-las é racismo. Preterí-las também.

Quando se descreve como negra na internet, Erica Calderal também deixa muitas pessoas surpresas

Mulherão: No mercado tradicional, o das modelos magrinhas, não é muito diferente. Você acha que o mercado plus size também vai demorar para reconhecer as modelos negras? Qual a sua sugestão para alterar esse cenário?

Alessandra: O meio fashion é muito preconceituoso. Independente da forma física, dificilmente vemos pessoas pretas fazendo parte de desfiles. Isso é uma problemática antiga. Sim, o processo é lento… Muito lento. Mas não é impossível. Os pretos tem esta marca de sempre ter de batalhar muito e dobrado para conseguir um objetivo, e quanto a isto, não será diferente. Sabemos disso. Minha sugestão é a auto-afirmação. O que temos feito na nossa comunidade. As mulheres pretas precisam assumir-se pretas e acreditar que tudo o que disseram sobre sua aparência não passa de uma estratégia racista para diminuir nossa auto-estima. Isso é uma terrível tática de guerra, que funcionou durante séculos, mas que felizmente temos conseguido vencer. Temos de ter orgulho de nós mesmas e de nossa raiz e lutar para que sejamos reconhecidas e respeitadas como somos e pelo que somos. Acho que esta é a chave.

Juliana Ferreira, uma das modelos mais solicitadas pelas grifes do FWPS

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Todo esse processo para conseguir a entrevista com a Alessandra foi bem difícil. Ela estava temerosa que sua ideologia e viés político não fossem respeitados. Eu, uma simples jornalista gorda, branquela e organizadora de um evento de moda plus size que se enquadra nos citados por ela, com apenas 3 modelos negras em um grupo de 28 modelos, tentei, a todo custo, provar que sei da situação atual do mercado, que não concordo com ela e que estou disposta a ajudar a mudá-la. Afinal, ao contrário de muita gorda que fica sentada na frente do computador atacando, ofendendo e depreciando quem se predipõe a fazer alguma coisa por nossas plus size, eu sempre estou disposta a contribuir. Fiquei relatando minha experiência a frente do Portal Negritude do qual fui editora, numa tentativa desesperada de mostrar: “olha, sou legal, acredite em mim”. E é por este motivo que colei suas respostas na íntegra.

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Lembro-me quando iniciei minhas atividades no Blog Mulherão e recebia alguns e-mails dizendo que eu era racista, porque no Dia de Modelo só havia participantes brancas. Uma bobagem! O Dia de Modelo não é filantrópico, é um evento custeado pelas participantes e eu não tinha como obrigar nenhuma negra a pagar e participar, e nem era essa minha intenção. Notoriamente, naquele início, a participação de negras era bem menor.  Segundo Alessandra, esse fato poderia se justificar pelo medo da rejeição. “A mulher preta por si só já tem auto-estima baixíssima por conta do racismo e todas as formas de exclusão e perda de identidade que ele acarreta. A mulher gorda de modo geral nem se fala… Somos tidas como ET´S pelos demais… Então a mulher preta e gorda tem o dobro de dificuldade de acreditar que é linda e que pode fazer o que bem entender.”.

Já no Fashion Weekend Plus Size, as marcas que desfilam são orientados por mim a privilegiar a diversidade de raças em seus castings. Porém, a melhor forma das confecções entenderem essa necessidade e ampliarem seus quadros de modelos deve partir de vocês, consumidoras de moda plus size. Escrevam para os estilistas e manifestem suas opiniões nas redes sociais. Claro, de forma educada e construtiva, pois no momento em que a Militância vira Ignorância, ela perde o seu efeito.

Para acompanhar a Preta & Gorda, clique aqui.

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