Por uma moda plus size com roupas maiores e não somente garotas-propaganda maiores

Por Renata Poskus Vaz

Há muito tempo que discutimos uma questão aqui no Blog Mulherão: “que tamanho de manequim é o certo para ser considerado plus size?”.

Já mencionei inúmeras vezes que, para mim, o manequim 44 é sim o ponto de partida para as confecções plus size.  Usei por muito tempo manequim 42 o que já me fazia me sentir excluída de diversas lojas. Nunca podia comprar o que queria, apenas o que havia disponível para meu tamanho. Com 44 e esses seios do tamanho do mundo, então, estava praticamente banida das lojas tradicionais. Porém, sempre vai ter alguém dizendo que: “há 18 anos atrás, quando eu suava manequim 44, comprava sempre na C&A, então tinha roupa sim”. Desculpe-me, eu quero e sempre quis muito mais do que uma C&A na minha vida!

Analisando bem a gordolândia em que vivemos, percebi que é muito comum, ainda, que leitoras discriminem modelos que usam 46, 48 dizendo que são magras demais para ser plus size. Discriminam mulheres lindas, que usam sim manequins maiores como se fossem indignas de pertencerem a nosso universo porque não usam os manequins54, 56…60 das leitoras que as atacam.

Retomo este assunto pela centésima vez porque percebo que quanto mais surgem em nossas redes sociais mulheres assumidamente plus size, mais cresce o preconceito entre nós. Viramos uma série de mini-sizes, mega-sizes, king-sizes… Um festival de sizes que deveria ser apenas plus. Plus Size não é sinônimo de obesidade mórbida. Plus Size não é sinônimo de sobrepeso. Todas somos plus size e subdivisões só criam um segundo preconceito em quem já sofreu demais com segregações.

Gente, uma dica: não adianta atacar modelos mais magras na ânsia de que as grifes a substituam por modelos maiores. Sabe o porquê de isso nunca acontecer? Pois não há como exigir que uma grife que fabrique peças até manequim 52, ache uma modelo 48 indigna de representar sua coleção e contrate uma 60 para isso. Não exite, é irreal. O ideal, sugiro, é que ao invés de perderem tempo duelando sobre quem tem mais banhinhas, circunferência, quilos e números de manequins, que escrevam para as confecções pedindo o aumento de suas grades. O caminho correto é: a confecção passa a fazer roupas maiores e só então contrata uma modelo maior para representá-la.

Quando vocês se atacam e se ofendem para saber quem é a mais gorda e a menos gorda, quem é mais sofredora ou menos sofredora por causa do peso ou manequim, fazem tudo o que conquistamos perder completamente o valor. Vocês perdem a credibilidade. E gente sem credibilidade perde a voz.

11 Comentários

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11 Respostas para “Por uma moda plus size com roupas maiores e não somente garotas-propaganda maiores

  1. ARRAZOU. É bem isso, a grife só usa a manequim que representa mais ou menos, uma “média” do tamanho que ela faz. O lugar pra onde se aponta o dedo é o que realmente está errado.

  2. Nadabe

    Muito bom seu texto, tenho percebido muito isso acho um absurdo quando vejo leitoras criticando modelos e não considerando -as plus size. Sobre o tamanho das roupas eu tbm quero muito mais q C&A e Marisa, quero roupa boa e sofisticada, quanto ao preconceito infelizmente a mídia de alguma forma seja implícita ou explícita como no caso rídiculo da novela das 9 legitima isso, onde tudo relacionado a gordo fosse rídiculo, ou engraçado ou pior trágico.

  3. Lene

    Acompanho seu blog a muito tempo e sempre fui um mulherão, porém pela saude fiz a cirurgia bariatrica faz um mês, perdi 13 kilos e sai da obesidade mórbida e dos três dígitos… é uma felicidade enorme!!
    Sempre tive dificuldade de encontrar roupas, lembro da minha primeira calça jeans, (carissima e que nem jeans era, era tecido que imita), antes de operar usava 48 e sinceramente não é a numeração que me importa…

    Sonho em fazer o book com vcs, já está nos meus planos!!

    Sei que nunca serei magra e nem quero isso… quero saúde!

  4. Ananda Fernandes

    Sofro desse mesmo problema, antigamente só comprava roupas na C&A porque lá eu encontrava roupas 42, 44, 46 e 48 que eram realmente compatíveis com o meu corpo do momento, até hoje tenho saias e calças compradas a anos nessa loja e hoje em dia quando entro pra procurar algo, raramente acho, voltei a achar uma roupa que ficasse bem no corpo quando a Preta Gil estrelou a campanha da C&A porque a modelagem simplesmente DIMINUI e isso é certo porque quando visto a 46/48 de agora tem sempre algo que não encaixa ou a perna é estreita, ou a cintura não fecha… já mandei e-mail e não tive nenhuma resposta. Simplesmente desisti de procurar.

  5. Paula Regina

    Super de acordo, Renata! Vou falar aqui por mim, que vivo em um limbo pois sou gordota para numeração baixa e menos corpolenta para as mais altas. É um suplício eu comprar roupa bacana, de qualidade superior e destacada aqui no Brasil.
    Fico pluta da vida em deixar minha grana em loja gringa e privilegiar estilistas que não os brasucas; mas bem feito , de verdade!, para um país que ainda, como sua crônica aponta, patina em definir melhor esse tema.
    beijo grande.

  6. Luciana Correia

    😉 Concordo com cada frase do texto!!!

  7. Arrasou… adorei o texto, maravilhoso! =)
    Muito bom o blog viu?! Parabéns!!!!
    Beijinhos
    Sarah

  8. Nai

    Isso acontece (ou acontecia, pq não me arrisquei mais a comprar) com a linha plus size da Demillus! A primeira coleção foi linda, preta com bolinhas vermelhas! Comprei a calcinha no maior tamanho e ficou apertadíssima – sendo que usava outras da marca no mesmo tamanho; tbm comprei o sutiã – que ia pedir 44, o número que estava acostumada e minha mãe achou melhor pedir o 46… Gente! O 46 precisou de extensor nas costas e ainda ficou justo, além as taças terem ficado no limite! Se não me engano, ia até o 54 e olha… não acaberia num busto 54 nem a pau!

  9. É isso ai, Rê.
    A gente perde muito em ficar “rotulando” …
    A bagunça da numeração nas confecções não afeta só o mundo plus size, afeta os tamanhos “normais”, afeta as mulheres do tipo “mignon”, não´há padronização nem respeito pelo consumidor.

    A mulher brasileira é uma mistura maravilhosa de biotipos. E ainda temos confecções (grandes, até) que parecem ignorar completamente isso.

    Precisamos nos valorizar na condição de consumidoras – de grande potencial de mercado – que somos. E exigir produtos com variedade, qualidade, e beleza !!

    Tá certíssima, Rê..

  10. Vanessa Greter

    Concordo com o que vc disse que as modelos não precisam ser tamanho 54 na campanhas de moda para que existam roupas nesse tamanho nas grifes, mas também acredito que a ideia de plus size no Brasil ainda esteja em formação, pois outro dia li uma matéria falando que na Europa as grifes de plus size consideram modelos de manequins 54, 56, enquanto no Brasil muitos não chegam a 52. Eu visto 54 e se chegar ao 46 vou vestir essa numeração muito feliz, mas o que acho é que ainda existam grifes que se dizem plus sizes e que não chegam nem a 54, e isso realmente não é culpa das modelos, que por sinal são todas lindíssimas e com os corpos muito bem cuidados. Então entendo que como vc disse o que deve ser mudado e a mentalidade das marcas mas nada impede que as modelos das campanhas vistam 46 por exemplo. Parabéns pelo blog, gostei muito e voltarei sempre.bjs

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