Uma mensagem aos incomodados com nosso peso

Por Cintia F Rojo

“Infelizmente, até hoje percebo, MUITO, o incômodo que uma mulher como eu provoca quando está com roupas menos volumosas, digamos assim…” (mensagem de uma leitora via facebook)

Pinup plus size na janela

Tenho recebido muitos relatos de mulheres lindas que descobriram que não precisam esconder o corpo dentro de um casaco super largo ou de qualquer outro esconderijo. Tudo começou com a confissão da Melissa McCarthy, contada nesse post aqui, que escolheu um casaco gigante, não valorizando suas curvas, para fazer a capa de uma edição especial da Revista ELLE americana no final do ano passado. Então pipocaram os relatos  incríveis na caixa de comentários e nas redes sociais.

O trecho que está em destaque é de um desses Mulherões que também ficou indignada com a escolha de Melissa e compartilhou a experiência de ter ido à uma costureira para confeccionar um determinado modelo sob medida. O curioso é que a tal costureira tentou dissuadí-la da idéia,  dando mil justificativas diferentes. A nossa amiga respondeu, então, que queria a roupa exatamente daquele jeito. Pra fechar o episódio, a costureira terminou seu trabalho dizendo que dava para ver a felicidade estampada no rosto do mulherão “mesmo ela sendo gorda”. E a palavrinha usada por ela e que acredito que traduza bem situações como essa que lemos é INCÔMODO.

Os padrões impostos pela mídia são especialmente cruéis com as mulheres gordas. Entretanto, o fortalecimento do movimento plus size, a relevância e o destaque que a moda GG vem recebendo no mercado e a valorização de diferentes padrões estéticos, de certa forma, nos ajudaram na luta pela libertação dessa opressão e ditadura da beleza. Entretanto, gente magra também sofre com a imposição desses padrões e a amiga do parágrafo acima quase respondeu à costureira: “dá para ver sua infelicidade mesmo você sendo magra”.

A grande verdade é que os padrões estéticos vieram com força total sobre qualquer pessoa, gorda ou magra, mas só vai causar estrago se tiver espaço para tal. O padrão photoshopado de beleza é inatingível simplesmente porque ele não existe e sabendo/aceitando/entendendo isso não vamos nos acabar de tristeza ou nos esconder porque temos espinha no rosto,  celulite no braço e estria na barriga. E se nós não estivermos incomodadas com isso, porque dar ouvidos aos comentários azedos de gente como essa costureira?

No final das contas, descobrimos que os incomodados com a nossa auto-aceitação são justamente aqueles insatisfeitos com o próprio corpo. “Como é possível essa gorda estar tão felizinha com o corpo que tem se eu, que sou magra, não estou?”. E eu não tenho uma fórmula secreta ou uma resposta correta para responder isso. Esse é o grande mistério da beleza genuína, aquela beleza que desfila na rua, no metrô, no shopping e – de  biquíni! – na praia e não está plastificada na capa das revistas.

(Foto: Internet via Google Images)

8 Comentários

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8 Respostas para “Uma mensagem aos incomodados com nosso peso

  1. Jamylle Almeida

    É realmente complicado lidar com esse tipo de preconceito (por mais que estejamos felizes com o espelho)…. Tenho uma amiga que deu a entender que não conseguia entender como eu, que sou gorda, tenho homens me procurando e ela que é magra não tem…. Na época isso me magoou muito e comecei a procurar o motivo da gorda aqui ser mais feliz sentimentalmente do que a magra lá e percebi que era simplesmente pq a gorda aqui, é livre de “gordura trans” no cérebro (maus pensamentos, auto estima baixa, etc etc), enquanto ela… vc já pode imaginar o tipo de pessoa que é apenas por esse pensamento/ preconceito ridículo. Há algumas semanas, um cara me adicinou no skype e, como a maioria, ficou querendo ver fotos de corpo inteiro…daí já percebi o tipo de cara que era… qdo mostrei a tal foto, recebi o comentário: “vc é linda…mas precisa fazer um regiminho para que possa me agradar….” Quem disse que eu tenho que agradar mais alguém além de mim mesma??? É cruel a forma que nos tratam, como se fossemos aberrações por estarmos “fora” do padrão… Mas…sou mais eu e ponto final. Parabéns pelo blog, foi lendo suas matérias e relatos de suas leitoras que consegui evitar que estragassem a minha auto estima em algum momento da minha vida. Bjs!

  2. Maravilhoso, traduz muito do que penso! Tenho até uma “amiga” que diz: Como você que é gorda vai casar e eu que sou linda não consigo nem namorado? Elementar minha cara, corpo não é tudo, conteúdo sim!

  3. Caramba se vocês pudessem, ouvir meus aplausos e seriam bem ouvidos porque aplaudi de pé!!!
    Tudo que ela falou é verdade tem gente que se incomoda com a minha felicidade(sou uma pessoa que dou risada mega alto,e se irritam kkkk ai que rio mais),percebo, tem tanta gente querendo ser feliz, e não se permite para que???
    Ser feliz com 50,90,100,130,150,200 Kilos e possível,hoje coloquei um vestido e falei hoje to afim de arrasar rsrsrs fui que fui!!Ouvi tanto elogios!!
    O que importa é o que penso de mim!! Tudo flui quando nos achamos bonitas, e não temos que deixar as pessoas palpitar em nossa vida,os incomodados que se mudem.Esses incomodados queria ter a vontade de viver que temos,para que se escondermos em roupas enormes para que me diga??? Você é o que é a roupa não vai deixar vc magra ou gorda!! Seja o que és a felicidade vem de jatinho!! 🙂

  4. Verdade

    Gente, não é a primeira vez que vejo o blog (a autora) criticando modelos e meninas magras pra dizer que as gordas podem se sentir bem. Absurdo!
    Mulherões devem se sentir bem com seu corpo sim, por que não existe nenhum problema com elas ou seus corpos. E é essa a mensagem que deve ser passada e não: “No final das contas, descobrimos que os incomodados com a nossa auto-aceitação são justamente aqueles insatisfeitos com o próprio corpo. “Como é possível essa gorda estar tão felizinha com o corpo que tem se eu, que sou magra, não estou?”. E eu não tenho uma fórmula secreta ou uma resposta correta para responder isso. Esse é o grande mistério da beleza genuína, aquela beleza que desfila na rua, no metrô, no shopping e – de biquíni! – na praia e não está plastificada na capa das revistas.”
    PFV… vamos nos valorizar por ser quem somos, por gostar de ser como somos e não por que não somos assim ou assado, ou não somos como isso ou aquilo.
    Grande beijo.

    • Liane Rosa Martins

      A crítica não é às meninas magras e às modelos diretamente. A crítica é para a ideia de que só sendo magra você poderá ser feliz, ser amada por um homem, ser reconhecida, etc. Isso é vendido nas revistas, nos livros, na tv…e passa de geração para geração, é só ver o relato das ‘amigas’ das meninas aí em cima, que não se conformam com o fato das mesmas serem gordas e bem sucedidas. É como se uma coisa e outra não casassem, como se não merecessem. A palavra gorda em si, que nada mais é que o contrário de magra, é carregada de muito preconceito e da vontade profunda de ofender. Ninguém quer disputar o que quer que seja com as meninas magras. Nós queremos é o nosso espaço, e podermos viver sem ser desmerecidas, insultadas gratuitamente ou diminuídas pelo corpo que escolhemos ter.

    • Verdade,

      De maneira alguma a idéia ou intenção é de criticar mulheres magras tão pouco fazer apologia à gordura. Como leitora desse blog, você deve ter lido uma postagem minha, recente, falando sobre estilo e eu disse – e volto a repetir – que minha musa inspiradora é uma mulher magérrima de 50 e tantos anos, linda e elegante, chamada Inés de La Fressange. Eu poderia dizer que minha inspiração é a Brooke Elliott (que eu também acho linda) mas não, a gordinha Brooke não é a minha musa fashion, e eu não sinto constragimentos em dizer isso aqui porque acredito que beleza e elegância estão muito, muito além do peso ou do manequim. E acredito que a auto-estima também esteja muito além do nosso tamanho. As mulheres magras também sofrem com a ditadura da beleza e sei disso por causa de todas as mulheres magras, todas lindas, que se acham horrorosas ao se compararem com as capas de revista. Algumas dessas mulheres recorrem às gordinhas bem resolvidas de maneira positiva; algumas amigas magras, por exemplo, me telefonam pedindo ajuda para comprar roupas ou pedem dicas de maquiagem para valorizar seus traços. Outras preferem me tratar com hostilidade, infelizmente. O que posso fazer? Não tenho muito a fazer, queria que todas fossem bem resolvidas mas se essa não é a realidade, também não permitirei que ninguém venha com tentativas de estragar meu dia.

      Obrigada pelo seu comentário! Beijos

  5. Republicou isso em Jrmessi's Bloge comentado:
    São uns descerebrados, Cíntia

  6. Daniela

    Acho besteira ficar se incomodando com o corpo dos outros. A natureza nos fez com diferentes biotipos e essa ideia de padronização foi uma coisa que a indústria criou pra causar frustração nas pessoas, em especial as mulheres, e fazê-las consumir constantemente com a promessa de chegar ao padrão ideal, mas isso não acontece porque esse ideal simplesmente não existe.
    Acho que a preocupação deveria ser com o que se veste, se a roupa valoriza a silhueta da pessoa, se as peças têm um bom caimento, porque isso é o que faz diferença no visual.
    Queria ver diferentes tipos físicos nas capas das revistas e propagandas sem tratamentos extremos, isso sim representaria a realidade e comunicaria às pessoas reais.

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