Arquivo do mês: março 2014

Eu não mereço ser estuprada!

Por Renata Poskus Vaz

Nunca vou me esquecer de um dia em que assisti em um desses programas jornalísticos policiais de TV, em que um pai preso por estuprar a filha de 12 anos, disse: “não sou de ferro. Ela ficava me provocando andando pela casa de camisolinha”. Fiquei chocada com a justificativa do estuprador doente mental.

E não é a toa que ainda tem muita menina que é proibida pela própria mãe de ficar em casa de shortinhos curto, porque tem primos ou irmãos  “homens em casa”. Parece absurdo, mas isso existe! Meninas já nascem vítimas em potencial para um estupro. E as mesmas mães que as “protegem”, aceitam a probabilidade de seus filhos virarem abusadores, como se fosse coisa normal de homem, uma simples molecagem.

Mesmo quem nasce em uma família com um pouco mais de cultura e esclarecimento (não que não existam abusadores letrados!), cresce ouvindo: “vai sair com essa saia? Depois não reclama se for estuprada!”. É uma cultura que a gente quase não percebe. A gente acaba evitando sair com determinada roupa para não ouvir cantadas ou para diminui as chances de sofrer qualquer tipo de aborrecimento ou violência. Mas a verdade é que ninguém está livre de ser estuprada, com saia curta ou longa, roupas largas ou justas, todas somos vítimas de estupro em potencial.

Nesta semana pesquisa do Ipea – o Instituto de Política Econômica Aplicada, ouviu 3.800 pessoas de todo o país. Nela, 61,5% dos entrevistados disseram que as mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas e 58,5% afirmaram que se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros. O mais triste nisso tudo é que as mulheres foram mais da metade dos entrevistados para a pesquisa.

É absurdo ver que essa visão também parta de mulheres. Esse preconceito tem que acabar entre nós mesmas!

A gente não tem que aceitar a ideia de que homens são animais irracionais que agem por instinto e que  não conseguem se conter ao ver uma mulher de saia curta. E que a mulher, sabendo disso, não pode “provocá-lo”. Homem tem cérebro, capacidade de autocontrole, lívre arbítrio e não detém o direito de violentar quem quer que seja, mesmo que essa mulher ou menina esteja com roupas ousadas, decotadas, curtas etc..

Estamos organizando um grande mural no Facebook com fotos de nossas leitoras segurando cartazes com a frase: “eu não mereço ser estuprada”. Ok, isso não vai acabar com a violência hoje,  mas as nossas fotos podem ajudar a conscientizar as pessoas. Participe!

Clique aqui.

Eu não mereço ser estuprada 1

eu não mereço ser estuprada 2

eu não mereço ser estuprada 3

p.s: Depois que publicamos a primeira foto no mural, o DJ Nando Portugal, após ser marcado por sua esposa, escreveu: “quem vai querer estuprar isso?”, como se fosse um favor para nós, mulheres, sermos estupradas. Como se nos sentíssemos lisonjeadas por sermos violentadas por desconhecidos. Se era uma brincadeira, como ele posteriormente afirmou, foi uma brincadeira infeliz, em um momento super inoportuno.  E o cara não pensa que isso atenta até mesmo para a carreira dele. Pois se sou um contratante, em uma festa em que vá mulheres, não vou querer a presença de um DJ que acha normal o estupro, que faça piadas com isso.

nando portugal

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Mulherão saúde: Como exterminei a SOP e a esteatose hepática

Por Renata Poskus Vaz

Faz mais de um ano que eu contei aqui no Blog Mulherão que estava muito doente e que precisava cuidar da minha saúde. Se você não lembra, clique aqui e recorde. Resumidamente, eu estava com grau 1 de obesidade, com 96 Kg (sendo que engordei só de janeiro de 2013 a março  quase 7 Kg), esteatose hepática, síndrome dos ovários policísticos (SOP), estresse e mais de um monte de problemas associados.

Por alguns meses, com acompanhamento médico, tomei metformina para melhorar a situação da esteatose hepática e da SOP. Fiz também reeducação alimentar. Simplesmente parei de ingerir o tanto de besteira que eu comia, substituí gordices normais por versões light. Comia muito  o dia todo, mas coisas saudáveis. E me exercitava. No início na academia, depois em voltinhas com o cachorro pelo bairro.

Fui para o Spa também, fiquei por lá  por 15 dias. Não emagreci tanto no Spa,  mas dei aquele “up” na reeducação alimentar e consegui descansar bastante pois, naquele momento, o estresse era o maior vilão da minha saúde.

Enfim…

Um ano após esse meu início de mudanças de hábitos, emagreci 12 Kg. Hoje estou com 84 Kg.

renata poskus antes e depois

(tava mais tchutchuca gordinha, né?! :p )

Mas para mim, de nada adiantava estar mais magra.  Eu queria estar mais saudável. Então, fiz uma série de exames clínicos para checar como eu estava por dentro.

Não tenho mais esteatose, o exame não apresentou nenhuma função hepática alterada. A parte superior do meu abdome está visualmente menos dilatado, normal, não dói… Fiquei muito feliz com isso.

Todos os outros exames de colesterol, glicose etc deram normais com índices excelentes. Ou seja, nem bom, nem regular, nem ótimo… Excelente! Fiquei orgulhosa de mim mesma.

A próxima etapa para checar a minha saúde foram os exames ginecológicos. Desde os 22 anos tenho ovários micropolicísticos (acho que já tinha antes disso, mas como era virgem não tinha feito ainda o ultrassom transvaginal e só descobri nessa idade). Com o passar do tempo esses cistos foram aumentando a ponto de me causarem dores terríveis, ciclos menstruais irregulares e tive quase certeza que eles me gerariam infertilidade. Não havia pílula ou tratamento que os impedissem de crescer. Eu sofri muito pensando que não poderia ser mãe de barriga (porque de coração eu tenho certeza que serei, de qualquer forma), muitas vezes meu ex-namorado precisou enxugar minhas lágrimas quando eu via minha menstruação chegando mais um mês, sem que Deus (ou minha saúde) nos trouxesse um bebê.

Só que além de caminhar, me alimentar direito, tomar a metformina, passei a fazer terapia neste início de ano. Desabafar, ter alguém para me orientar e aprender a lidar com meus sentimentos  de uma forma positiva e equilibrada impactaram da melhor maneira sobre a minha saúde.

Ao fazer meu exame de ultrassom transvaginal a grande surpresa: eu não tinha nenhum cisto no ovário. Nenhum! O útero estava limpo, como nunca tive. Ovários lindos, fofos, cuti-cuti… Tomei a metformina no ano passado e sabia que reduziria alguns desses cistos, mas fui alertada de que ela não faria com que eles desaparecessem, que isso era impossível de se acontecer.

Ou seja, recebi um grande milagre!

Segundo o médico, eu sou uma mulher saudável, fértil e pronta para engravidar! (não que eu vá engravidar agora, mas saber que se um dia eu quiser, poderei, é um alívio e uma grande felicidade!)

E se estou dividindo algo tão íntimo com vocês é porque sei a quantidade de mulheres desesperadas com medo de não serem férteis. Quando dividi minha angústia com “amigas” no passado, elas usaram isso contra mim. Alimentaram o meu medo de infertilidade. E eu estou aqui para mostrar que, pelo menos para a SOP, há remédio, há cura total. Que vocês não precisam se contentar com redução de cistos, que vocês podem orar e se tratar para que eles sumam. Sou uma prova viva disso!

O mais bacana disso tudo é que embora não seja mais obesa, tenha apenas sobrepeso, ainda estou bem longe do peso ideal dessas tabelas de IMC.  Eu encontrei meu equilíbrio.

Minha dica é que sempre procurem orientação médica, jamais tomem remédios por conta própria. Eu levei um ano para recuperar minha saúde e ainda tenho mais um monte de exames preventivos para fazer, com o vascular. E ainda terei que continuar com meus exercícios e minha terapia, quem sabe para sempre, para não voltar a me estressar, prejudicando minha saúde e minhas relações sociais.

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Coelhinhas plus size na Erótika Fair

coelhinhas plus size

Por Renata Poskus Vaz

As Coelhas Plus Size, Daniela Cunha e Daniela Maggah, estarão presentes na 21ª Erótika Fair com muito humor e ousadia para animar o público. Com chegada triunfal em uma Limousine cheia de produtos sensuais e dicas apimentadas, as Coelhas Plus Size têm como meta mostrar que o preconceito vem de dentro e a beleza vai muito além do que uma mulher veste.

Até chegar à feira, as Danielas percorrerão diversas ruas de São Paulo, entre elas a Avenida Paulista, convidando as pessoas para conhecerem o evento, em uma van totalmente personalizada da Erótika Fair 2014, feira que este ano está focada em qualidade de vida e bem estar das pessoas.

As Coelhas Plus Size se conheceram na seleção do Miss Brasil Plus Size e a ousadia da dupla fez com que lançassem o Ponto GG do Prazer, um passeio de Limousine onde as meninas fazem brincadeiras e dão dicas apimentadas para as participantes.

Daniela Cunha, 31, é representante comercial. Teve uma infância cheia de dificuldades e sofria bullying na escola por ser gordinha, usar óculos e tranças. Devido a isso, chegou a fazer dietas malucas e ter anorexia. “Com anemia profunda, desmaiava nas ruas e nos ônibus, chegando a perder 40 kg em menos de 6 meses e ainda assim me via gorda”, comenta Cunha. Depois de passar por momentos muito difíceis, como violência sexual e agressão por parte do marido, ela resolveu mudar de vida. Passou a se aceitar mesmo sendo cheinha e valorizar o que tem de melhor. “Nessa época, uma amiga resolveu mandar uma foto minha para uma agência, exaltando sua beleza exótica e meu carisma contagiante”, argumenta. Essa iniciativa rendeu participação em vários eventos no mundo Plus Size.

Daniela Maggah, 30, é empresária. Envolvida com a arte e música desde pequena, sempre sofria por estar gordinha. Fez diversos regimes para agradar inclusive o namorado, que falava que se ela estivesse mais magra, seria a mulher perfeita. Até que terminou o namoro e resolveu se aceitar. “Sou uma mulher ‘sem vergonha’, ou seja, não tenho vergonha de ser quem eu sou, eu sou única, Eu tenho o maior orgulho de dizer: Eu sou Plus Size, baby!”, brinca Maggah. Participou de workshops e já fez ensaios para revista como Mamãe Noel Plus Size

Sobre a Erótika Fair

A feira é considerada a principal ferramenta de comunicação do mercado adulto brasileiro e o mais importante encontro de negócios do mercado erótico latino americano. Em sua última edição em 2013, a Erótika Fair recebeu cerca de 32.000 visitantes e movimentou aproximadamente R$ 18 milhões em negócios, para esta edição os organizadores esperam receber 70.000 visitas e pretendem uma expansão em mais de 25%.

Serviço:

Erótika Fair (27 a 30 de março de 2014) – Imigrantes Exhibition & Convention Center (Rodovia Dos Imigrantes, Km 1,5 – Jabaquara – São Paulo – SP)

Horários: das 14h às 17h dos dias 27 e 28 será reservado para os profissionais do setor e, após as 17h, os portões serão abertos a todo o público, que poderá conferir as novidades do mercado em primeira mão, além de curtir shows sensuais, concurso de pole dance, brincadeiras sensoriais e muito mais. No final de semana (dias 29 e 30), os portões abrem às 14h para todos os visitantes.

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Amanhã, terça-feira, estarei no Hoje em Dia da Record

Por Renata Poskus Vaz

Eu volteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Estarei amanhã, terça-feira, a partir das 10h, no Hoje em Dia da Rede Record. Assistam, mulherões!

A pauta será muito bacana, com diversas matérias sobre plus size. Vai mostrar pessoas que emagreceram após cirurgia bariátrica, outras que emagreceram com reeducação alimentar… E também mulheres que aprenderam a se aceitar mais gordinhas, como é o caso da nossa leitora Carol.

E, para completar um incrível desfile com dicas de saias e short para gordinhas. E quem vai apresentar? Euzinha! E sabe quem serão as modelos? Misses Plus Size, incluindo a linda Aline Zattar, detentora do título nacional.

Olha, tenho que confessar a vocês que estava morrendo de saudade de trabalhar no Hoje em Dia. Fui colaboradora da atração por 2 anos, mas com a troca de diretores fiquei uns 3 meses em casa. Fui lá dar um oizinho na Globo, na Fátima Bernardes e estou muito feliz de voltar à Record. E espero que pra ficar!

Obrigada a todas vocês que acompanham meu trabalho.

Olha, acho que vou com essa roupinha amanhã. O que acham?

renata poskus saia

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Cortei o cabelo curtinho!

Por Renata Poskus Vaz

E como não me aguentei, depois do episódio em que tirei na base da acetona o meu próprio mega hair com queratina (leia aqui), cortei o cabelo curtinho. Atrás é mais curto e na frente um franjão longo.

A cor está meio manchada, porque me aventurei sozinha a  um descoloramento. Mas depois eu acerto! rsrsrs Agora que está mais curto dá para brincar bastante. 🙂

 foto 1

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Questionário Loja Plus Size

Olá leitoras do Blog Mulherão!

Estou me preparando para abrir uma loja física em São Paulo e gostaria de pedir a ajuda de vocês, que moram na cidade de São Paulo, Guarulhos e ABC, respondendo o questionário abaixo.

A opinião de vocês é muito importante para mim!


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A última carta

Mãe,

Ao invés de ir a um centro espírito em busca de uma psicografia, eu é que queria te escrever. Não é Dia das Mães, não é o seu aniversário, mas finalmente chegou o momento de te escrever essa última carta. E eu tenho certeza que alguém, aí do outro lado, vai te entregá-la.

Eu nunca falo com você, mãe, porque dizem que não devemos ficar chamando por aqueles que se foram. Dizem que se eu te chamar, pedir ajuda, você vai ficar preocupada e na prática não vai poder fazer nada por mim.

Já o Orlando lá do prédio disse, há um tempo atrás, que em espírito você poderia fazer por mim coisas que as limitações de seu corpo físico não permitiam que  fizesse em vida. Mesmo assim, mãe, eu não conseguia pedir.

Eu sei, mãe, que você esteve comigo há 12 anos, em espírito. Quando eu chorava deitada em sua cama porque havia perdido minha avó e depois de seis meses você, as únicas pessoas que me faziam carinho. Carinho mesmo, aquele coça-coça gostoso nas costas. Eu dormi e acordei com você me fazendo carinho. Aí lembrei que você havia morrido. Eu não te vi, mas senti e fiquei muito assustada. Mas sou muito grata por aquele carinho que, hoje, encaro como uma forma doce de você me dizer que sempre estaria comigo.

Também senti a sua presença no casamento da Laiza. E até em um rodeio de Jaguariúna, quando tocou Kleiton e Cledir, uma dupla horrorosa das antigas que você tanto gostava. Justo aquela música da Maria fumaça, que você me cantava quando eu era criança. Bem na hora em que eu pensava: “minha mãe adoraria estar aqui”. Não, aquilo definitivamente não foi coincidência.

Sei que você nunca apareceu para mim, porque sou uma espírita de meia tigela que teria um infarto se visse um espírito na minha frente. Você sabe disso, ainda bem.

Mãe, eu quero te dizer que li seu diário depois que você morreu. Perdoe-me, eu sempre fui muito curiosa e eu tinha apenas 20 anos quando cometi essa indiscrição. Eu li a parte em que você escreveu que achava que eu não gostava de você, pois quando você foi me visitar na praia com o pai quando eu tinha uns 7 anos, e foi embora, eu nem me importei. Mãe, eu me importei sim, só não pedi para você ficar. Você não sabe, mas naquele dia eu fiquei com o coração apertado quando te vi partir. Eu corri muito atrás do carro. O Tetolas me viu correndo pela rua e me deu carona na monarkinha dele, fomos pedalando até a avenida da praia, mas não consegui te alcançar para pedir que você ficasse. Eu sentia sua falta, muita e sempre. E chorava às vezes escondida da vó. Mas eu sabia que as férias iam acabar e que eu voltaria para você. E que você estaria lá me esperando, me amando, como sempre. Eu sempre te amei muito mãe.

Sabe, depois que eu li isso, carreguei uma culpa muito grande por, ao invés de rezar para que você ficasse boa, ter me conformado com a sua inevitável morte e pedir para que parentes nossos desencarnados a amparassem nessa passagem. Você não estava morta, mas dentro de mim eu pensava: “ela vai morrer e eu tenho que agüentar e rezar para ela ir sem sofrer”. Porque não pedi em pensamentos para você se restabelecer? Por favor, me perdoe por isso. Perdoe-me por não ter orado para você ficar, de qualquer jeito. Era isso que você esperava de mim quando partiu na sua visita na praia, não era? Esperava que eu pedisse para você ficar.

Talvez seja por isso que, hoje, eu não deixe mais as pessoas saírem da minha vida tão facilmente. Eu insisto, choro, brigo, imploro para ficarem… Tenho uma dificuldade enorme de deixar aqueles que amo partirem. Sempre acho que esperam que eu demonstre meu amor desta forma, pedindo para que fiquem.

Mãe,  quando você morreu, tudo o que te prometi naquela carta que pedi para colocarem no seu caixão porque não tive coragem de te olhar, eu cumpri. Eu cumpri tudo. Tudo mesmo, mãe! Eu fui forte e honrei minha palavra. Talvez não tenha feito tudo da melhor maneira, dei alguns tropeções, mas finalmente eu concluí.

Eu te confesso que não foi fácil e depois de tudo fiquei bem confusa, me perguntando se os compromissos que assumi foram a minha melhor escolha, porque eu sofri pacas também com as consequências de toda essa responsabilidade que tomei para mim. Eu me senti meio perdida e vazia quando percebi que “não havia mais trabalhos a serem feitos”. Agora, finalmente, mãe, estou pronta para seguir. É estranho só precisar pensar em mim e na minha felicidade, agora. É estranho poder cuidar só de mim ou quem sabe ser cuidada.

Sabe, mãe, eu não acreditava em milagres e, esta semana, pude viver um e compreender que as coisas acontecem no tempo de Deus. Isso me encheu de esperança… Eu chorei tanto de alívio e felicidade por ter recebido esse milagre! Mas eu acho que você já sabe disso, não é? Alguma coisa me diz que você estava aqui, comigo e meu pai.

Desde que Orlando me contou aquela história de que poderia te pedir o que eu quisesse, pela primeira vez tomei a liberdade de te fazer um pedido. Na verdade, só queria uma forcinha para levar esse pedido para o pessoal aí de cima. Você sabe o que é. Eu demorei, pesei os prós e os contras, como minha intuição (ou você!) pedia. Levei meses até ter certeza… Agora eu tenho. Obrigada se puder me ajudar nisso. E eu nem vou dizer para você não ficar grilada se essa coisa não se realizar porque eu tenho certeza que vai.

No mais, mãe, eu te digo que é muito estranho ser apenas 8 anos mais  nova do que você, quando você partiu. E que vai ser mais estranho ainda quando eu tiver 80 anos e lembrar da minha mãe com 40.

Espero que Deus te segure aí mais umas décadas, para que eu possa te dar um abraço.

Vou jogar seu diário fora. E essa é minha última carta. Sem mais promessas, sem mais pedidos e sem prestações de contas. Obrigada, mãe.

Obrigada por ser minha mãe.

Sinto muita saudade, mas eu agüento.

Renata

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