“Moda é coisa de gente fútil”

Por Renata Poskus Vaz

Moda é coisa de gente fútil? Não, não é. Moda é questão de sobrevivência.

O ideal seria que todos nós fossemos apenas avaliados por nosso interior, que a nossa apresentação pessoal não contasse pontos na hora de se conseguir um trabalho, amigos ou um amor. Seria lindo que olhassem para nossa alma, reconhecessem nossos reais valores e nos dessem a oportunidade de ser mais do que apenas um corpinho bonito com roupas bonitas. Sim, isso seria muito lindo. Mas não é o que acontece na maioria dos casos.

Na hora de conquistar um emprego, nossa pós-graduação parece valer menos do que a sola do sapato que calçamos. Estar acima do peso, parece contribuir com essa cobrança. Alguns recrutadores nos veem como mulheres ociosas, preguiçosas e com mais chances de afastamentos no trabalho por causa de doenças. É lógico que isso não confere! O que não faltam são magrinhas sedentárias e doentes por aí. Mas no mundo do achismo, é isso que rege a cartilha do preconceito.

Lutar contra esse sistema parece tentador, mas quando se tem contas para pagar, uma casa e filhos para sustentar, parece mais fácil se adequar a ele. E é aí que entra a moda, como coadjuvante nesse processo de inserção na sociedade.

Quando nos apresentamos bem vestidas, de forma elegante em uma entrevista, com uma roupa que valorize nossa silhueta, com uma cor que exprime poder e confiança, mudamos a forma como esses avaliadores nos observam. Nossas chances mudam.

Já comentei aqui diversas vezes que minha mãe morreu nova, aos 40 anos, obesa. E se sentia excluída de tudo. Deixava de ir em ocasiões especiais, como casamentos e formaturas de parentes, porque não encontrava lojas que vendessem roupas GG apropriadas para essas celebrações. Hoje, aos 32 anos,  quando olho para trás, vejo o quanto minha mãe foi depressiva e o quanto ela sofria por se sentir excluída. Se fosse fácil emagrecer, certamente ela usaria manequim 38, mas a dificuldade de se obter um corpo magro e toda essa exclusão social por falta de uma simples roupa adequada, fizeram com que ela ficasse reclusa e ainda mais depressiva. E acredito que até mesmo essa reclusão e depressão de alguma forma colaboraram com sua morte prematura.

No caso de minha mãe, uma roupa jamais seria futilidade, seria o direito de se sentir feliz e incluída.

Hoje, vejo que a moda plus size no Brasil ainda engatinha, mas já apresenta um grande progresso para nós, mulherões. Antigamente, não tínhamos o direito de ter uma identidade cultural, um estilo próprio, usávamos todas as mesmas roupas, como se todas as gordas do mundo tivessem um uniforme: camisetão e legging. Hoje, podemos definir como queremos nos vestir. Podemos definir como queremos ser enxergadas. Hoje conseguimos transformar em estilo, com muita graça e à primeira vista, aquilo que antes ficava escondido: a nossa essência.

8 Comentários

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8 Respostas para ““Moda é coisa de gente fútil”

  1. Liliana Canali

    Olá…conheci seu trabalho no dia em q vc foi no programa da Fatima Bernardes,adoooorei…Gostaria de saber onde encontro essas roupas lindas q vi no programa e no blog.Tenho um sonho, de muito em breve,abrir uma loja com essas roupas para mulheres maravilhosas,mas preciso de muita informação,pois qro q meus produtos tenham qualidade e beleza,assim como aparecem no blog.Moro no Paraná, e sou um mulherão.Bjs…

  2. Marcele Cristine

    Ótimo…

  3. Realmente, se todas nós tivéssemos acesso a roupas bonitas, ou melhor, aquilo que temos vontade de usar, não teria tanta gordinha excluída. Aqui onde moro o que consigo encontrar para mim é calça jeans, por muitas vezes eu mesma confecciono minhas próprias roupas para me sentir poderosa. Bjão.

    fofolete23.blogspot.com.br

  4. Paula Regina

    Muito tocante, Renata querida e… realista! Até mesmo, sem querer (ou querendo subliminarmente), há sempre um algo na sociedade que ainda impede, que embarreira pessoas acima do peso terem uma leitura profissional no mesmo patamar que pessoas não acima do peso.

    Assisti voce e a Keka na FoxLife e fiquei orgulhosa, de verdade!, em saber que conheço (virtualmente) 2 mulheres maravilhosas, além de lindas, articuladas e talentosas em suas profissões.

    Mas quando chegou ao final do programa, 2 frases ficaram estranhas para mim, “não emagreçam não, continuem assim” e “vieram aqui para rechear o programa”.

    Enfim, parabéns pela crônica! Beijo grande.

  5. Existe outro aspecto muito importante da moda: é uma industria que da o sustento a milhões de seres humanos que trabalhan fabricando ou vendendo roupa ou tecidos: Assim que a moda não é un negócio frívolo, é un negócio muito importante

  6. G.

    É meio estranho que alguém não possa mandar fazer uma roupa na costureira por falta de peças nas lojas. É o que geralmente as pessoas obesas fazem. Na minha família há um caso. Eu mesma cansei de mandar fazer roupa para ir a casamentos, seja como convidada, madrinha ou até noiva. O Jô Soares resolveu perder 30kg pra sair justamente da dependência da roupa sob medida. Parece que não mas ainda existem costureiras e loja de tecidos!!
    Outra coisa: emagrecer é fácil. Difícil é se manter magra. E isso por uma simples razão: tirar a comida que faz mal e que engorda não tem problema; substituí-las por aquilo que é saudável e que não engorda ´é que são elas!

  7. Olha na minha concepção de pessoa a moda não é coisa fútil,só que aprendi que não sou a roupa que visto,mesmo assim, gosto de me vestir bem, com roupas com preço acessível,pois quando estava na minha adolescência sofria para achar roupas,e quando achava era muitooooooooo caro,ou era um caimento terrível,e hoje Graças a Deus conseguimos achar roupas baratas, e de caimento perfeito,aprendi a comprar roupa,não sou uma entendedora de moda estou longe disso,aprendi que podemos usar tudo que quero,e tem roupa para trabalho,roupas para passear e assim por diante.E você Renata esta de parabéns,continue sempre com esse jeito seu único,felicidades,e sucesso…Beijos =)

  8. Lana

    Outro dia estava pesquisando na web sobre moda plus masculina pois queria presentear meu irmão com roupas em seu aniversário e assim como para mulheres roupas tamanhos maiores para homens também é difícil de encontrar nas lojas aqui no Rio. Rio de Janeiro é muito “gordofóbico” e aqui espera-se que toda mulher seja uma sereia bronzeada e os homens surfistas sarados e tatuados. Nesta busca cansativa e frustrante acabei me deparando com este blog de um menino chamado caio morado aqui do Rio, intitulado “Não tem o meu tamanho”, li um relato no perfil onde ele comenta perfeitamente o que se refere nesse post:
    “A moda Plus Size já é uma realidade no mercado, mas creio que inúmeras marcas ainda têm medo de apostar nesse segmento. O padrão estabelecido pela sociedade _ e refletido nas passarelas _ gera certo distanciamento do público GG que, geralmente, encara a moda de forma fútil e/ou fora de sua realidade pessoal.”
    Pra quem tiver interesse o blog http://www.naotemmeutamanho.com/ , é bem legal pras mulheres ou parentes de Rapazes Plus, achei dicas de onde encontrar roupas masculinas plus de qualidade e não muito caras lá. Onde ele me indicou eu comprei 1blusa, 1 camiseta, 1 bermuda xadrez e uma calça jeans, meu irmão adorou e ficou surpreso por ter conseguido peças tão legais com preços tão bons!

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