Reprovada em concurso público por estar obesa

professora obesa

Por Renata Poskus Vaz

Esta semana, li uma desagradável notícia de que uma professora que passou em segundo lugar no concurso público da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo foi impedida de assumir seu cargo por ter sido considerada inapta por ser obesa, na análise do perito médico do estado.

A professora, que há anos já atua como professora substituta na rede pública de ensino, disse que nunca foi afastada por problemas de saúde e que seus exames pré-admissionais não apresentaram nenhuma alteração.

Enfim, eu pergunto, cara leitora, qual o problema de uma mulher gorda lecionar? Se ela passou em segundo lugar em um concurso público, isso mostra que pelo menos academicamente ela está preparada – e muito – para assumir o cargo. E as chances dessa mulher ter um afastamento médico por problemas de saúde é a mesma que um professor com idade mais avançada, uma magra aparentemente saudável, mas que toma remédios para emagrecer, um professor com problemas oftálmicos, uma professora que tenha acabado de casar e queira ter 5 filhos… Enfim… Todos os professores são doentes em potencial, não só os gordos.

Tenho alguns professores “diferentes” que me ensinaram muito a entender, aceitar e respeitar a diversidade humana. No primário, todas as minhas professoras eram mais velhas que a minha avó. Tive que aprender que nem toda velhinha é gagá e que devia respeitá-las muito. Isso aconteceu também no colegial, em que meu professor de educação física era um senhor já de idade, negro, alto e manco. Ele não reproduzia nenhum exercício, devia ter algum problema sério na coluna ou nos membros inferiores, mas sabia nos orientar a fazer. Era crítico, exigente e muito amado por todos os alunos. Ainda dá aulas, na mesma escola.

Minha primeira professora de ballet também era mais gordinha. E ela era atenciosa com todas as alunas, sem exceção. Foi ela quem me fez me apaixonar pelo ballet. Eu a admiro até hoje.

Na faculdade tive o primeiro contato com professores gays, homens e mulheres (pelo menos assumidos) e, coincidentemente, era os que eu mais admirava.

Crescer e ser educada com as diferenças, com certeza faz com que nos tornemos adultos muito mais seguros e tolerantes.

Para saber mais sobre a história dessa professora, clique aqui.

E você, já sofreu preconceito no trabalho por estar acima do peso?

20 Comentários

Arquivado em Preconceito

20 Respostas para “Reprovada em concurso público por estar obesa

  1. Elisia Paes

    Realmente, é um absurdo! Esta é a prova do preconceito contra o gordo, pois a candidata não apresentou nenhum problema de saúde, está apenas acima do peso.

  2. Flavita

    Como professora e gorda, não pude deixar de me indignar com o caso de Bruna. Cada vez que precisamos da perícia suamos frio porque existe uma má vontade com professores no sistema. Tendem a achar que estamos sempre doentes – vcs devem imaginar por que ficamos assim, né? – e, embora não seja de todo mentira, não é admissível que simplesmente limem uma professora por “danos futuros” q sua obesidade venha a causar ao Estado.
    Na sexta-feira, também me submeto à perícia aqui no RJ para a admissão a FAETEC e espero não ter problemas. Meus exames estão ok, sou obesa, sim, mas leciono há 15 anos – 8 dos quais na rede pública. Espero que o caso de Bruna tenha sido algo isolado. #vergonhaalheia
    Como sou curiosa, fui catar a cara deste médico e descobri q foi candidato a vereador pelo PT na cidade de Igarapava (SP) em 2012 e conquistou 6 votos! Não preciso dizer mais nada! http://www.eleicoes2012.info/dr-thirone/

  3. sharon fanny

    Que absurso!!!

  4. Professora há 35 anos, consultora de empresas há 40 anos, micro empresária há 2 anos, gorda há 15 anos: como consultora, preconceito zero; na universidade, piadinhas idiotas (de colegas idiotas, jamais dos alunos!), assédio moral (de chefe obesa mórbida…) e por aí vai. O outro lado: meu desempenho excepcional sempre foi reconhecido pelos alunos e pela instituição, comprovando que peso e idade “excessivos” não são empecilhos a um bom trabalho. Li a história desta jovem professora e achei absurda, espero que ela processe o Estado e ganhe.

  5. Paula Regina

    Parabéns pela crônica, Renata!
    Obesos não podem ser empossados, mas votar pode, não é?!! Comparecer à uma urna para eleger Prefeitos, Governadores, Senadores e Deputados os obesos são pessoas saudáveis, potentes e plenamente capazes, para assumir seus direitos, aí a postura se inverte.

    Triste que além de todos os tipos de preconceitos, ainda remos que lidar com ignorância e dualidades. Feio! Vergonhoso!

  6. Mona

    Eu li a notícia e imediatamente pensei no blog, mas não achei o email para contato. Fico feliz em saber que a notícia chegou ao conhecimento de vocês. Esse foi a pior demonstração de gordofobia que já vi na vida. Eu sou recém formada, trabalho na iniciativa privada e busco um cargo público. Já não posso ser o que almejo porque não tenho altura mínima exigida, e agora posso ser barrada, PASSANDO EM TODOS OS EXAMES MÉDICOS, por causa do IMC??? Estou aguardando ansiosa o julgamento da causa dela para ver para que lado a jurisprudência vai levar. Porque se assim for, todos os gordos estarão incapacitados para o trabalho público???!!! Absurdo, absurdo, absurdo. Já buscamos ser concursados a qualquer custo para evitar sermos julgadas por aparência, para ter alguma estabilidade e não ser mandado embora por algum gordofóbico com cargo acima do seu. Não precisava mais essa. Parabéns a esta professora que se deu ao trabalho de ir atrás dos exames e descobrir o real motivo da sua desclassificação. Essa ação é por todas nós. Que o juiz seja sensato.

    • Mica

      “Já buscamos ser concursados a qualquer custo para evitar sermos julgadas por aparência, para ter alguma estabilidade e não ser mandado embora por algum gordofóbico com cargo acima do seu. ”

      Falou tudo, Mona. Este é meu maior receio, perder de vez o espaço na sociedade. Nem sei contar quantas vezes fui descartada em entrevistas de emprego por ser obesa. Isso não é mania de perseguição de gorda, é realidade, e aí está a prova. Já participei de inúmeras seleções e, em algumas, claro, havia candidatos mais capacitados, e apoio a predileção das empresas por estes profissionais. Mas em tantas outras, eu tinha todos os pré-requisitos para ser contratada, menos o corpo “saudável” que queriam (embora me exercite com regularidade, não fume, beba socialmente, e meu mau hábito seja exclusivamente comer porcaria – mas não excluo frutas, verduras e alimentos integrais do meu cardápio). Ah, também faço exames de 6 em 6 meses pra saber se está tudo ok.

      Até para trabalhar como operadora de telemarketing já fui excluída por conta do excesso de peso, acredita? E sei que esta foi a razão porque fiz um treinamento excelente, obtive notas ótimas durante este período, resolvi os problemas dos clientes, e quando fui fazer os exames médicos (audiometria, fono e uma rápida checagem médica), passei tranquilo pelas duas primeiras inspeções, e na terceira, após medir minha pressão (que não estava alterada), e fazer meia dúzia de perguntas, falaram que eu era inapta para a função. O curioso é que os outros gordos do meu grupo de seleção também foram dados como inaptos neste exame.

      Sou recém-graduada em uma área de campo restrito, e até que consiga me inserir, procurava um emprego qualquer para pagar minhas contas. Após tanta rejeição, optei por estudar para concursos públicos (o venho fazendo há alguns meses), para garantir minha vaga e depender de ninguém além de mim mesma para conseguir meu espaço. Quando vejo uma notícia deplorável como esta, fico arrasada, me sentindo um lixo, como se nada do que sou ou faço seja relevante, a menos que eu perca peso. Espero que a Bruna consiga o que lhe é de direito.

  7. Francisco Osires

    Sou Professor de Geografia, embora longe das salas de aula sei muito bem como é ser olhado com desprezo tanto por alunos quanto por colegas justamente por ser gordo e barrigudo, rsrsrsrs, mas são coisas que com muito senso de humor eu dava excelentes respostas a este público e com o tempo estas impressões passavam. Mas ser impedido de tomar posse de um direito nunca fui. Fico triste em ver este tipo de procedimento, de mais a mais que médico burro de contestar na cara dura as avaliações de seus colegas, isso é quebra do juramento hipocrático e eu acredito que os médicos que deram o parecer favorável para a professora deveriam entrar com uma ação contra este “colega da onça” por fazer isso!!!

  8. Gerusa Franco

    Já foi a vários lugares fazer entrevista de emprego e acharam meu currículo ótimo ai na hora da entrevista viam que sou gorda já torciam um nariz!
    Nunca me falaram nada mas para qualquer pessoa acima do peso um olhar já basta já edificamos que algo esta errado
    Trabalhei numa loja ,a onde a dona depois de meses de experiência me disse que ficou meio assim de me contrata sendo uma loja de roupas e a por si só não trabalhe com tamanhos grandes uma loja até que por sinal elegante, e que total maioria eram magra, ela me chamou e disse que ainda bem que teve a sorte de fazer isso sendo que eu no meu segundo mês de experiência tirei segundo lugar de melhor vendedora de todas as outras lojas dela começando como vendedora parei a caixa administrando uma de suas lojas sozinha, ao ponto de vender atender e cobrar, empacotar numa loja de 3 metros por 3 metros na qual ela sempre brincou comigo a gordinha se vira nos 30 aqui, sou gordinha sim e muito, mas não sou burra e nem inútil as pessoas julgam ainda os livros pelas capas

  9. Nadyyy

    Indignação foi o que senti ao ler essa notícia. Sou obesa, professora da rede pública há 7 anos e nunca necessitei faltar do meu trabalho por qualquer problema relacionado ao meu peso. Torço para que esta professora não desista e consiga tomar posse de seu cargo mais do que merecido.

  10. Rê o problema é que nesse caso, e existem outros casos, quando é conveniente pra alguém claro, eles resolvem considerar obesidade uma doença… Mas como já foi dito, pra votar, pagar imposto entre outras obrigações o obeso é obrigado, mas em planos de saúde eles caracterizam excesso de peso (IMC acima de 35 senão me engano) como obesidade e assim uma doença, nesse caso do concurso foi a mesma coisa.
    E o raciocínio não deixa de estar errado, hoje (falo de mim como obesa) posso não ter problemas de saúde, mas a chance de ter daqui uns anos é muito maior que uma pessoa magra, só pelo excesso da gordura no organismo… então é nisso que eles estão pensando, não no hoje, mas no daqui a uns anos quando por algum problema de saúde que seja consequência da obesidade ela não puder lecionar….
    Parece errado, mas o empregador pensa nisso sempre, por isso quando somos contratados fazemos exames antes de assinar com a empresa… ai foi a mesma coisa.
    Não sei se certo ou errado, mas que a probabilidade de um obeso dar “despesa” ao empregador isso é fato… mesmo sendo saudável hoje.

  11. Patricia

    Bem! Passei com o mesmo médico q a Bruna e pra várias Tb não apta Tb passeei pelo mesmo processo q a Bruna … Não sei de onde tirarei forças mais enfim …… Só gostaria de saber como estão as coisas com a Bruna Desde já agradeço

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