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O Rei das festas exclusivas para gordinhas

Vamos fingir que não percebemos um cabelo feminino na frente do #boymagia

Por Renata Poskus Vaz

O reino dos mulherões tem um rei digníssimo, Alexandro Pereira Firmino, um negro alto, lindo, sarado (e bota sarado nisso!) de 31 anos, que é conhecido pelos amigos como TYSON. Sim, TYSON, fazendo menção aquele lutador super, ultra, mega forte e gostoso. Mas ao contrário do famoso boxeador, Alexandre só nocauteia as mulheres com seu charme, beleza e simpatia. Como se não bastasse, organiza festas e eventos destinados especialmente para o público plus size, que reúnem cerca de 500 pessoas. Mas isso é só um hobby ao qual se dedica com carinho. No dia a dia é funcionário da casa civil do Governo do Rio de Janeiro. U lá, lá!

Ah, só para constar, ele acaba de ficar solteiro. #todascomemora!

Porém vc deve amar crianças para fisgar seu coração, pois o bonitão é pai de 6 crianças, sendo que os caçulas, gêmeos, nasceram há apenas 20 dias.

Alê e seus 3 filhos mais velhos

Mulherão: Mas acabou de ter filhos e já está separado?

TYSON:  O fato de como casal as coisas não irem bem e termos nos separado, não diminui o carinho que tenho por ela e o amor que tenhos pelos meus “filhotes”.

Mulherão: Como surgiu a idéia de fazer um evento só para gordinhas?

TYSON: Em 2009 produzi uma festa eletrônica em alto mar, na região de Angra dos Reis, para 300 pessoas. Entre elas havia 3 gordinhas de Minas Gerais que ficaram o tempo todo longe das outras pessoas, super deslocadas. Estava um calor de 40º, todos os homens de sunga, as mulheres de biquínis e só as 3 gordinhas de maiô e vestidos. Uma delas veio ate mim e pediu para tira uma foto, foi super simpática e era impossível negar o pedido. Foi quando uma, ao me agradecer, falou que eu fui o único que aceitei tirar fotos com elas. Uma pessoa, inclusive, disse para elas que não aceitaria fotografar porque na máquina cabia apenas uma pessoa por foto. Um absurdo! Peguei o microfone com o DJ e falei que o evento era aberto a todos, sem preconceito!

Falei que havia no canto meninas que não haviam se quer tomado um gole de cerveja. Foi quando tomaram um banho de bebida e começaram a se divertir! Foi então que elas me sugeriram um evento só com gordinhas. E eu adorei a idéia de proporcionar um encontro para pessoas gordinhas, seus amigos e familiares, em que não sofressem nenhum tipo de preconceito ou hostilidade.

E ele cozinha nos eventos!

Mulherão: Quando aconteceu o primeiro encontro de gordinhas e admiradores realizado por você e seus amigos promoters?

TYSON: O primeiro foi organizado com os participantes da comunidade G&N (Gordinhas e Negros) do Orkut. Aconteceu em 2009 e recebemos pessoas que pesavam mais de 200 quilos. Foi um sucesso! Depois fizemos outro em novembro para mais de 200 pessoas, com direito a churrasco e piscina.  Cada festa tinha um tema e essa foi a Festa Brega.

Mulherão: E os eventos que produziu sozinho?

TYSON: Continuei produzindo eventos nas horas vagas e trabalhando numa multinacional. Em 2010, na Copa do Mundo, organizei meu 1° evento sozinho, uma feijoada. Forma 112 pessoas. Logo depois produzi mais 9 eventos para gordinhas. Um dos que mais me orgulho é o Natal Fats, em que recolhemos a doação de mais de 200 brinquedos que foram entregues à uma creche.

Mulherão: Mas você já curtia se relacionar intimamente com gordinhas nessa época?

TYSON: Eu gosto de gordinhas desde que nasci. Poder amar uma gordinha é privilégio para poucos! Eu gosto de mulheres de rosto arredondado, pernas grossas, busto fartos. E se a sociedade diz que isso é gostar de uma mulher gordinha, eu respondo que EU AMO.

Mulherão: De onde vem e como são essas pessoas que freqüentam seus eventos?

TYSON: Todos os meus eventos têm um custo acessível. Com isso, recebo gordinhos de todo o Brasil. Vêm pessoas de Minas Gerais, Brasília, Curitiba, Bahia, Espírito Santo, Amazonas e as que nunca faltam são as de São Paulo. Tive o prazer de conhecer pessoas que não saíam de casa por depressão, com vergonha de usar um maiô, de dançar ou até de levar a sua família a um passeio com medo de servirem como piadas de mal gosto. E o mais interessante disso tudo, é que o único meio de divulgação do evento é a internet e o boca-a-boca gerado pela satisfação de quem já foi aos encontros.

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Amanhã Renata Poskus Vaz estará no Hoje em Dia da Record falando sobre remédios para emagrecer

Por Renata Poskus Vaz

Olá, mulherões! Após o sucesso que foi o nosso quadro de moda no Hoje em Dia, na semana passada, fui convidada a participar no programa de um bate-papo sobre remédios para emagrecer. No palco irá também um especialista que vai falar tudo sobre os perigos da anfetamina. Conto com a audiência de todas vocês!

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Mulherão entrevista: Bruna Luísa Gonçales, modelo plus size

Por Renata Poskus Vaz

Bruna Luisa Gonçales, 23 anos, integra o seleto casting de modelos plus size da agência de modelos Ford. Ela nasceu  em Cornélio Procópio, mas morou em Londrina dos 40 dias de vida até os seus 22 anos. Agora, reside em São Paulo com seu namorido, o atleta Rafael Silva, que já conquistou muitas medalhas mundo a fora no Judô. Bruna também é atleta e, entre um casting e outro para catálogos de modelos plus size, além das aulas de interpretação no Estúdio Fátima Toledo, também mata a saudade dos tatames.

Ela tem 1m81 de altura, 94 Kg, 97 cm de busto, 86 cm de cintura e 115 cm de quadril. Usa manequim 46.

Mulherão: Quando decidiu ser modelo plus size?

Bruna: Sempre adorei fotos, composições, poses e olhares e por mais que minhas tias e primas me incentivassem a emagrecer, eu não achava viavel entrar no “padrão” das modelos. Fui atleta de judô por 15 anos e também devido a isso tenho uma estrutura corporal grande. Quando soube que existiam meninas lindas que usavam o mesmo manequim que eu  e eram modelos, pensei comigo ” Por que não tentar?!”.

Mulherão: Quais as dificuldades que encontrou no início da carreira?
Bruna: Para mim foi difícil compreender de imediato que as coisas não acontecem da noite para o dia. As conquistas são gradativas e paciência nesta profissão é a palavra de ordem!
Mulherão: Como foi integrar o casting da Ford?
Bruna: A Ford é uma agência que sempre admirei, mesmo quando eu ainda não era modelo. Quando fiz o teste e fui convidada a integrar o casting deles, fiquei extremamente contente. É muito bom ter alguém que admiramos acreditando em nosso trabalho.
Mulherão: Para quais grifes já fotografou?
Bruna: Gina Campos, Rery, Divas Couture, Marcia Morais….
Mulherão: Como foi desfilar no Fashion Weekend Plus Size?
Bruna Gonçales: Foi meu primeiro desfile e vou lembrar pra sempre dele. Adorei desfilar, conhecer outras modelos plus sizes e fazer contato com ótimas grifes. Foram muitas novidades em um único dia, mas consegui absorver e aprender bastante. O evento é super organizado, estruturado e feito com muito carinho. A  próxima edição já está quase chegando e estamos ansiosos para ver o que vem dessa vez!
Mulherão: Você traça metas para sua carreira? Quais os próximos passos que pretende seguir?
Bruna: Acredito que metas são importantes em qualquer situação. É muito difícil perfazer um caminho sem uma referência. Tenho minhas metas, mas no momento estou me importando mais com a viagem em si do que com o destino final.
Mulherão: Dá para viver só como modelo plus siz eno Brasil? Segue outra profissão?
Bruna: Bom, é a minha profissão. Não sigo nenhuma outra atividade remunerada. O cenário plus size está em ascensão e eu acredito nele!

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Matéria Vejinha São Paulo: Gordos e ex-gordos falam sobre suas dificuldades

Fonte: Veja São Paulo

COM A PALAVRA, OS GORDOS…

“São muitas as praças de alimentação com mesas e assentos fixos, sem espaço. Outro dia, levei um grupo de amigos a um restaurante do centro. Como o mobiliário era assim, tivemos de ir a outro lugar.”  Sérgio Montes, 33 anos, o DJ Catatau

“O preconceito das lojas é impressionante. Não entendo por que mesmo grandes redes de departamentos que têm roupas de tamanhos maiores jamais colocam uma manequim gordinha na vitrine. A cliente plus size não tem bola de cristal e acaba se sentindo tímida para entrar. Perde-se um mercado incrível.”  Renata Vaz, 29 anos, criadora do blog Mulherão e do Fashion Weekend Plus Size

“No trabalho, convivo com a curiosidade das pessoas. De vez em quando, alguém pergunta como posso estar tão acima do peso sendo cirurgiã plástica. Meu problema é principalmente genético e não fico chateada, mas acho que quando eu emagrecer minha autoestima vai melhorar. Perdi 17 quilos em um tratamento recente e agora falta me livrar de mais uns 40.”  Ana Helena Patrus, 47 anos, dona da Clínica Santé

“Passo vergonha em lojas porque tenho o hábito de me apoiar no balcão de vidro. Peso uns 140 e tantos quilos, e a placa não aguenta, né? Outro dia, fui comprar tênis em uma loja da Vila Madalena e, quando me encostei, o apoio quebrou na hora.”  Carlos Miranda, 49 anos, produtor musical

…E TAMBÉM OS QUE EMAGRECERAM

“Antes de fazer a cirurgia de estômago e perder 60 quilos, eu entrava em restaurantes preocupada com o trajeto da mesa até o banheiro. Em muitos lugares, a distância entre as cadeiras era mínima e quando eu passava se formava uma espécie de ola, com todo mundo tendo de se levantar para eu passar.”  Leonor Corrêa, 48 anos, diretora de TV

 “Com a redução do meu peso de 155 para 100 quilos, após operação bariátrica feita há cinco anos, o melhor foi pegar avião sem tanto aperto. Já comprei assento na saída de emergência para ter mais espaço, mas fui retirado porque acharam que não teria agilidade se algo acontecesse. O pior era quando pedia discretamente o extensor do cinto e a aeromoça vinha perguntando de longe para quem era o acessório.”  Celinho, 43 anos, membro da banda Fat Family

 “Acostumado a andar de ônibus na Itália, tive de desistir da ideia aqui, depois de ficar entalado algumas vezes na roleta. Não conseguia seguir em frente nem voltar, o que era bastante humilhante, algo que só acabou depois que perdi quase metade de meu peso com a cirurgia de estômago.”  Giancarlo Marcheggiani, 54 anos, chef do Italy

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Matéria da Vejinha: o aperto dos gordinhos em São Paulo

Fonte: Veja São Paulo

Com 26 anos, 1,79 metro de altura e 140 quilos, o comediante Ben Ludmer passa por apertos diários em seu cotidiano na cidade. “O problema já começa no elevador cheio, com olhares tortos quando o gordo quer entrar”, conta ele, que cita em seguida a frustração de não poder andar em montanhas-russas de parques de diversões nem se acomodar nas poltronas apertadas de teatros. “É por isso que prefiro estar no palco”, brinca o ator, que apresenta bem-sucedidos shows de stand-up no Shopping Higienópolis, nos quais se celebrizou por fazer graça sobre a própria circunferência. Em julho, ao estender a piada para a plateia e usar como exemplo um espectador também rechonchudo, acabou levando um soco no rosto, o que lhe mostrou quanto o tema é sensível.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o paulistano está engordando. E rápido. O porcentual de moradores da metrópole com sobrepeso — ou seja, índice de massa corporal (IMC, ou peso dividido pela altura ao quadrado) maior que 25 — passou de 44,3% em 2006 para 48,5% em 2010 (são 51,1% dos homens e 46% das mulheres). Se considerados apenas os obesos, de IMC superior a 30, o salto é de 11% para 15% no período. Pois, mesmo com uma população na qual os esbeltos e os chamados normais logo poderão se tornar minoria, são muitos os desafios do dia a dia. Comprar roupas sem cara de avô é sempre difícil e há, muitas vezes, discriminação na hora de procurar emprego. “São situações que fazem com que muitas pessoas se privem da vida social”, diz a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do Núcleo de Obesidade do Hospital Sírio-Libanês. “Tem gente que, em vez de se cuidar, acaba trancada em casa, triste e comendo ainda mais.”

Para avaliar como anda a relação da cidade com quem não está em dia com a balança, VEJA SÃO PAULO convidou quatro paulistanos, dois magros e dois gordos, para um teste. Na experiência acompanhada pela reportagem, o tratamento foi bom, por exemplo, em academias de ginástica, das quais muitos fogem por estar fora do padrão médio dos frequentadores, e em baladas da moda, como Mynt e Disco, conhecidas pelas hostesses implacáveis com quem está malvestido. Mas esse tapete vermelho não se repetiu em algumas lojas de roupas com numerações limitadas. Na Carlos Miele da Rua Bela Cintra e na Calvin Klein do Shopping Frei Caneca, os menos delgados foram logo deixados de lado pelos atendentes, que preferiram dar atenção ao outro par.

Para quem vive em São Paulo, as dificuldades podem ser as mais prosaicas. Carlos Miranda (1,75 metro e mais de 140 quilos), produtor musical, perdeu a conta de quantas vezes causou estrago ao se apoiar em balcão de vidro em lojas. “Outro dia, fui comprar tênis na Vila Madalena e, quando me encostei, o apoio quebrou na hora”, diz. Já Sérgio Montes (1,73 metro e 102 quilos), o DJ Catatau, da festa Trash 80’s, sofre com cadeiras fixas em lanchonetes e praças de alimentação, nas quais muitas vezes seu corpo acaba prensado. Para a atriz e diretora Eliana Fonseca (1,72 metro e peso não revelado), o pior são as restrições menos objetivas, como o julgamento alheio. “Parece que o excesso de peso virou falha de caráter”, observa. “O policiamento em cima da saúde faz muita gente esquecer que ser gordo não é uma escolha.” O endocrinologista Marcio Mancini concorda. “A pessoa é vista como culpada e não como vítima, o que é injusto”, afirma ele, que é chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas. “Mesmo que a força de vontade seja fundamental para emagrecer, há que considerar que não é tão fácil.”

 Uma pesquisa de 2010 do Hospital do Coração (HCor) que ouviu exclusivamente paulistanos e cariocas mostrou que a maior parte dos 600 entrevistados não se casaria com uma pessoa gorda. Essa rejeição ocorreu mais na classe A (66%) que na classe B (44%). Em outro ponto do questionário, 81% disseram acreditar que o excesso de peso interfere nas relações de trabalho. “De fato, mesmo sendo velado, o preconceito existe”, admite o headhunter Gutemberg de Macedo. “Muitos contratantes acham que esses empregados têm maior propensão a ficar doentes e a deixar a empresa na mão.” O próprio governo estadual causou polêmica recentemente ao vetar professores concursados da rede pública de ensino por sofrerem de obesidade, já que a doença causa ou agrava várias outras, como diabetes e hipertensão. Após o debate do caso na imprensa e a crítica de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, os reprovados foram reavaliados e a maior parte, enfim, assumiu o cargo.

Uma lei proposta pelo deputado Rogério Nogueira, do PDT, em vigor desde 2008, obriga cinemas, teatros, casas de shows e empresas de transporte público a assegurar, no mínimo, duas cadeiras especiais, mais espaçosas, para quem precisar delas. Com isso, vagões e estações de metrô ganharam assentos de 88 centímetros de largura e com capacidade para suportar 300 quilos (os demais têm 50 centímetros). Em casas de espetáculos como Credicard Hall e Citibank Hall, quem é obeso pode solicitar lugares maiores antes de comprar o ingresso, sem ter de pagar mais por eles. Já a rede de cinemas Cinemark admite que ainda está se adaptando. Em apenas parte de suas salas, o braço de algumas cadeiras pode ser levantado para que o espectador tenha mais espaço. Os complexos lançados a partir do ano que vem terão poltronas para gordinhos, e parte das plateias atuais será adaptada. O Procon lembra que quem não consegue usufruir o ingresso devido a esse aperto deve reivindicar a devolução do dinheiro. “Mas, por incrível que pareça, não recebemos reclamações assim de obesos, ao contrário do que acontece com cadeirantes, já habituados a reivindicar seus direitos de acessibilidade”, diz Andrea Sanchez, da diretoria do órgão de defesa do consumidor.

Na moda, quem excede as medidas ainda sofre para achar algo arrojado, mas isso tem mudado a passos lentos. Na companhia de redes tradicionais como as camisarias Varca, forte em trajes sociais, e Kauê, com peças mais esportivas, uma série de novos estabelecimentos ganhou espaço com roupas modernas. “Os modelos do tipo saco de batata, que eram confortáveis e só, estão sendo substituídos por itens que poderiam ser achados em qualquer loja”, afirma Renata Vaz, a paulistana mais influente do mundinho fashion GGG. Ela é a criadora do blog Mulherão, que tem 300.000 acessos mensais, e do Fashion Weekend Plus Size, evento que chega à quinta temporada em fevereiro, pela primeira vez com dois dias de desfiles em vez de um. “Na última edição, foram dez marcas”, contabiliza. “Nesta, estabeleci o limite em vinte, mas a demanda é crescente.” A Maison Spa, com sede em Moema e filial aberta há três meses nos Jardins, é repleta de artimanhas para ganhar esse mercado. Seus provadores têm espelhos sutilmente côncavos, para afinar o reflexo da cliente, e a iluminação é preparada para não evidenciar imperfeições. A vendedora Roseli Santos, com medidas comparáveis às da clientela, costuma circular com um pote de bombons e balas de goma entre as araras. “O açúcar ajuda a fechar a venda”, explica.

Principal top model nesse padrão no país, a paulistana Mayara Russi está fazendo história. Protagonizou a primeira campanha GGG da lingerie Duloren, empresa que lançou suas linhas em tamanhos plus size há quatro anos e hoje vê esse nicho representar nada menos que 55% de suas vendas. Na foto, impensável no catálogo da marca anos atrás, a modelo mostra sem pudor o seu corpo, coberto apenas por calcinha e sutiã. A publicidade ousada foi feita para ajudar muitas das pessoas que se escondem sob roupas de corte desleixado.

Ao mesmo tempo, a cidade também está cheia de gente que busca a autoaceitação correndo atrás do corpo perdido. Só o tradicional Vigilantes do Peso, por aqui desde os anos 80, alardeia que seus 16.000 frequentadores paulistanos perderam juntos 113 toneladas em 2010. Há grupos menos conhecidos, como os Comedores Compulsivos Anônimos, uma das opções gratuitas para quem procura um caminho sem medicamentos nem cirurgia. A reportagem acompanhou uma reunião numa sala da Igreja de São Judas Tadeu, na Zona Sul. Baseado nos princípios dos Alcoólicos Anônimos, como “Só por hoje”, o encontro mostrou ser uma boa forma de trocar experiências, das mais divertidas às mais dramáticas. Os relatos de perda de peso são animadores: “8 quilos”, “16”, “40”.

Vem mais por aí. Um projeto de lei do vereador Paulo Frange, do PTB, tenta implantar no município o programa Obesidade Zero, de autoria do nutrólogo Daniel Magnoni, diretor de nutrição do Instituto Dante Pazzanese. Nele, são propostas ações mais amplas e coordenadas para adequar a silhueta da população, que vão de educação nutricional nas escolas até incentivos tributários para a instalação de barracas de frutas nas ruas, oferecendo opções baratas à comida rápida e gordurosa. Os legisladores deveriam levar a sério esse tipo de debate. Criar uma capital menos hostil a seus moradores GG é uma questão de cidadania, de respeito ao próximo e também uma bela oportunidade de negócios.

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A diferença entre graça e desgraça

Por Renata Poskus Vaz

Desde que voltei do Rio de Janeiro, do concurso Miss Plus Size Carioca em que fui uma das juradas, pensei em postar algo meio chato que aconteceu por lá. Mas, com tanta coisa bacana, achei por bem deixar esse assunto para depois.

Quando cheguei com minha amiga e também jurada Cris Miranda na Lona de Jacarepaguá, local de realização do Miss Plus Size Carioca, aguardei a abertura do evento ao lado de uma cantina, afastada da entrada principal, da maior concentração de pessoas e, consequentemente, da imprensa. Depois de uns 10 minutos, um grupo de rapazes nos abordou perguntando se poderíamos conceder uma entrevista para um programa chamado “Rey da Imprensa”. Primeiro perguntaram se éramos candidatas. Eu disse que éramos juradas. Depois ,sem dizer que se tratava de um programa humorístico, um rapaz cujo nome é Fabio Matos iniciou a entrevista com minha amiga Cristiane. Não consegui ouvir sobre o que conversaram, mas sei que da minha vez ele fez uma série de perguntas de duplo sentido, sempre sobre comidas.

Rey da Imprensa entrevistando Cris Miranda

Sinceramente, não tenho nada contra programas de humor. Mas, acredito que piadas tenham limite. Após umas duas piadinhas sem graça sobre gordinhas, quando me perguntou se eu preferia ir à restaurantes à La Carte ou à restaurantes Self -service, eu disse que isso era um preconceito que tinham sobre gordinhas. Defendi que muitas meninas estão acima do peso não por gostarem de comer exageradamente, mas porque têm problemas metabólicos, outras porque sofrem de depressão e de suas consequências, como a ociosidade por conta do isolamento social e de distúrbios alimentares também. Oras, mesmo após minha “dura” educada (sim, porque agora faço a linha phyyyyna), ele continuou com piadinhas e piadinhas e piadinhas.

Outro dia mesmo, aqui no Mulherão, comentei que não achei correto uma modelo que deu entrevista ao CQC, depois sair falando mal da edição pois é de conhecimento público que a atração faz humor escrachado. Entretanto, quando me predispus a dar uma entrevista ao rapaz, não sabia que ele era um CQC piorado somado com um Pânico na TV de terceira linha, sem nenhum tato, sem nenhum respeito. Respeito qualquer jornalista, independente do seu veículo. Não o conhecia, mas acreditava que merecia o crédito da minha confiança e, por isso, aceitei dar entrevista.

Eu, tentando ser simpática e educada com o aprendiz de humorista

Após alguns segundos, pedi desculpas e disse que não poderia prosseguir com a entrevista pois eu era um exemplo para milhares de meninas acima do peso e que rindo daquelas piadas eu estaria compactuando com idéias preconceituosas. E completei: “você está em um evento de gordinhas, não é engraçado esse tipo de abordagem”. Eles desligaram a câmera e continuamos um bate-papo informal. Contei do Fashion Weekend Plus Size, do Blog Mulherão e dei uma sintetizada sobre o movimento plus size no Brasil. Afinal, muitas pessoas são ignorantes e fazem papel de babaca simplesmente por desconhecerem completamente a realidade de outras pessoas. Ele disse: “poxa, não sabia de tudo isso” E acrescentei que como repórter ele deveria fazer uma pesquisa prévia na internet antes de qualquer entrevista, pois se não ficaria eternamente refém de piadas sem graça por falta de argumentos.

Depois, brincando e tentando quebrar aquele climão chato, quis mostrar que sou engraçadinha e falei apontando para meu corpitcho: “poxa, olha pra mim, meu namorado é esportista, sarado, gostoso e tem dezenas de magrinhas atrás dele, mas é comigo que ele namora”.  Fabio Matos, então, pediu que eu repetisse isso no video. E lá começamos novamente a entrevista. Não lembro o porquê, mas em determinado momento comecei a falar de problemas de saúde que a obesidade pode causar:

“Por exemplo, minha mãe morreu de embolia pulmonar decorrente de uma trombose…”, falei. Foi quando ele me interrompeu: ” E quando sua mãe entrava nos lugares o chão balançava?”.

Gente, quem tem mãe sabe, não se brinca nem com mãe viva, quanto menos com mãe falecida. Imediatamente o interrompi em tom bem ríspido, quase voando em seu pescoço: “você não tem respeito por alguém que nem está vivo para se defender?” E ele disse:” não sabia que sua mãe tinha morrido”.

Fiquei pasma. Sou jornalista, nunca atuei com TV, mas já entrevistei diversas pessoas ao longo desses 6 anos de carreira se há uma coisa aprendi é que embora nós jornalistas gostemos muito de falar, nossa missão primordial é escutar. Realmente não acho que o rapaz que pensa que é jornalista teve real intenção de fazer uma brincadeira com o fato de minha mãe estar morta, mas seu despreparo o fez se dedicar a ficar pensando em bobagens e elaborando perguntas idiotas ao invés de me escutar para só então formular uma nova pergunta.

Só consegui virar as costas, caso contrário perderia todo o meu glamour. Mas antes, claro, virei e disse: “cuidado rapaz, na ânsia de fazer graça você só faz desgraça”.

Postei esse texto hoje pois vi diversas garotas adcionando o rapaz no Facebook e ele mesmo anunciando que viria ao Miss Plus Size de São Paulo. Sei que há duas pessoas organizando um evento do gênero em São Paulo, Adilton e Renata. Confio plenamente em ambos e sei que jamais permitirão que uma pessoa desse nível visite seus eventos.

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Entrevista com Lauana Brambilla

Por Renata Poskus Vaz

Lauana Brambilla, 22, é atriz e integra o elenco do musical Chicago, uma sátira à corrupção na justiça criminal. A produção original da Broadway estreou em 1975. Em 2002 surgiu uma versão para o cinema e em 2004, Miguel Falabella trouxe a montagem para o Brasil. A montagem de que Lauana faz parte é uma adaptação livre do musical, com letras novas. Veja só a entrevista com Lauana:

Mulherão: Fale um pouco do seu personagem em Chicago

Lauana: A Mama é uma personagem que veio do nada, de uma família destruída e conseguiu ser alguém na vida, o que em 1930 era algo significativo para uma mulher. A personagem é engraçada, forte e marcante… Quem não quer ser assim, mesmo que no palco?

Mulherão: Você acha que o fato de estar acima do peso te ajudou a conquistar esse papel no teatro, tendo em vista que no cinema a atriz que interpretou Mama, Queen Latifa, também é gordinha?

Lauana: Ter sido escolhida pra fazer a Mama foi uma grande honra, mas também um desafio pra mim. Sempre foi o meu papel dos sonhos, e com papel dos sonhos a gente tem que ser muito cuidadosa. Acredito que o perfil influenciou sim. Sempre fui gordinha e sempre fui feliz com isso. Sempre aproveitei tudo ao máximo, e acho que nesse ponto eu e a Mama temos muito em comum. Isso influenciou na minha visão do papel e na forma como eu apresentei a personagem para o diretor.

Mulherão: Você acredita que a sua personagem pode servir como exemplo para as mulheres que estão acima do peso ?

Lauana: A Mama mostra como nós podemos SIM ser sensuais e poderosas mesmo acima do peso e o quanto a gente pode ser o que a gente quiser. Digo isso porque a Mama tem umas variações, onde em um momento ela provoca e sensualiza e no momento seguinte é completamente debochada. Essa variação torna a Mama muito interessante em vários pontos, mas pra saber mais vocês vão ter que conferir a peça!

Serviço: Dias 15 e 16 de outubro/ 16h e 20h30/ Teatro da Universidade Cruzeiro do Sul/ Av. Dr. Ussiel Cirilo, 23/ SP. SP

Mais informações, clique aqui.

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