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Estou apaix….por você

Por Eduardo Soares

Raramente proseamos a respeito de algo que obrigatoriamente antecede o amor: a paixão. Tem gente que menospreza o assunto, outros supervalorizam, mas inegavelmente nosso amigo coadjuvante também é figura presente em nossas vidas. O curioso é que a associação “paixão” + “masculina” não é tão comum assim. Afinal, essa comunhão de palavras/sentimentos existe na vida real?

Sim, nós, barbados, marmanjos, seres aparentemente desprovidos de sentimentos também alimentamos vários tipos de paixões: tem sujeito apaixonado por Ferrari; outros pelo time do coração; uns por esportes radicais; alguns por bandas; tem até marmanjo apaixonado por desenhos animados. Convenhamos que tais apreços existem em ambos os sexos e por isso vamos dispensar tais “paixões secundárias” para focarmos no inexplicável. Dá para entender porque raios o cara tem medo de assumir que está apaixonado?

A incerteza soa como refúgio sentimental. Fora isso, tem a turma defensora do tal advento da dúvida. Ou seja, defensores e argumentos não faltam. Entretanto, falta eficiência suficiente para manter tais teorias como itens fundamentais em qualquer tipo de relacionamento.  Ora essa, que garantia a mulher tem de que não será sacaneada quando está apaixonada? Nenhuma! E mesmo assim ela dá à cara a tapa para ver em que aquilo vai dar. Nós da ala masculina fazemos isso? Raramente. Motivo: m-e-d-o.

Homem tem mania de superioridade e isso vem desde a época primitiva. Deixar transparecer qualquer tipo de sensação boa vinda do coração nunca foi nosso forte. “Ela que demonstre/chore/declare/sofra”, pensam alguns. Lembrei de trechos de uma canção do Frejat: “Homem não chora nem por dor, nem por amor/E antes que eu esqueça/Nunca me passou pela cabeça lhe pedir perdão(…)Meu rosto vermelho molhado/É só dos olhos pra fora/Todo mundo sabe que homem não chora(…)Homem não chora por ter/Nem por perder… ”  

Raros são os casos onde o sujeito é/está desprovido de tal medo. Para isso, é necessário ter uma autoconfiança satisfatória. Imagine se todo mundo tivesse medo de receber um “não”, quem iria arriscar? Melhor, pra quê correr tal risco? Seríamos reféns dos nossos medos, prisioneiros das possíveis respostas contrárias àquelas que gostaríamos de ouvir.

Mas estamos analisando apenas um lado da moeda. Tenho uma amiga que costuma tocar na ferida quando o assunto envolve questões sentimentais. Ela consegue localizar causa e conseqüência com facilidade impressionante. Qual é a causa em questão? Palavras dela – A verdade é que hoje os homens têm medo dessas mulheres que não querem nada com a hora do Brasil. Enquanto algumas buscam apenas curtição, certos homens procuram compromisso com o intuito básico: achar uma pessoa bacana pra formar uma vida juntos. Esse papo de que todo homem é safado não está tão atual, pois determinadas  mulheres também não ficam atrás…às vezes elas são piores.   E qual é a conseqüência disso? O medo trocou de sexo. Hoje, ele também está na cabeça dos homens, coisa inimaginável num passado não muito distante. Além disso, vocês levam vantagem no assunto “amor próprio pós pé na bunda”. Afinal, a mulher sofre por curta temporada. Chora, desacredita, canaliza o pensamento no canalha mas depois passa. Nada como alguns encontros divertidos com aquelas amigas sempre dispostas a ajudarem a dona do pé na fossa. O homem acumula o sofrimento e usa o silêncio para manter a pose. Sofremos calados. Orgulho puro que leva ao alcoolismo, depressão e atitudes inconseqüentes (agressões físicas ou crimes passionais estão inclusas nesses atos impulsivos).

Mulher tem medo (de sofrer, arriscar, se apaixonar) mas mete o peito no vento e paga pra ver. Homem tem medo e se retrai, mete a cara na janela para tentar ver aquilo que nem sempre está no alcance visual. Logo nós, historicamente corajosos, guerreiros, desbravadores, audaciosos, ousados, valentes. Enfrentamos centenas em guerras épicas mas tememos expor nossos sentimentos para a mulher amada, como se isso fosse exposição de uma fraqueza.

Homem tem medo de perder o controle. Optamos por deixar a companheira dormir cheia de dúvidas, negamos a ela o doce som da verdade. Preferimos alimentar o machismo burro (como é o feminismo ou qualquer tipo de radicalismo) do que alimentar a harmonia do casal. Deve ser mais prazeroso para alguns falar “te odeio”, “você não é nada pra mim”, “quem manda sou eu”, “cale sua boca”ou “fica na sua” na hora da briga do que soltar um “estou apaixonado por você” no momento de carinho. Declaração essa sem neuras, receios e complexos. Declaração portadora de sentimentos verbalizados.

Sem a melosidade excessiva de quem erra a mão na forma de demonstrar sentimento (e isso independe de sexo), precisamos (ala masculina) soltar/dizer aquilo que está preso injustificadamente.  Ou você prefere “abrir o coração” quando for tarde demais? Saiba que, por mais sincero que venha a ser, tal declaração tardia soa como canalhice. Ou covardia.

Estou para conhecer idosos solitários e felizes. Conheço sim, vários idosos ranzinzas e (na maioria dos casos) solitários.  Tem gente deixou escapar várias pessoas ao longo da vida devido ao silêncio. Vai ver eles preferem levar para o caixão várias declarações não ditas e que ficaram perdidas no tempo e nos corações daqueles que pediram mas nunca as tiveram.

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Ô gente, é muito amor

Por Keka Demétrio

Tem gente que nasceu amando. Tem gente que aprendeu a amar. Tem gente que quer aprender a amar. Tem gente que não quer mais saber do amor. E tem gente que está esperando o amor. Sei que para cada amor, uma dor.

Sou das que provavelmente nasceu amando. Digo isto porque minhas lembranças sempre vêm acompanhadas de nomes, rostos e gostos. Não vejo minha vida sem o danado do amor, mesmo que ele me faça chorar. Decididamente nasci para amar.

O amor é ilógico, irracional, nos deixa abobados. Porém, quando a gente tá amando, e me corrijam se estiver equivocada, o céu fica mais azul, a vida passa a ter cheiro bom e surge uma paleta de cores absurdamente lindaspra gente sair pintando de sorrisos e suspiros.

O amor, amor mesmo, aquele de verdade, que prega o desprendimento, a felicidade do outro mesmo longe da gente, este é difícil de encontrar, e para dizer a verdade, quem tem na vida um amor assim deveria agarra-lo com unhas e dentes, porque poucas pessoas tem o privilégio de serem amados plenamente. O problema aqui é que a gente não manda no coração. Teve uma época em que eu queria mandar, e ficava revoltadíssima por não conseguir, mas com o tempo, as decepções, as lágrimas, os tombos, as noites mal dormidas aprendi que quando nos dispomos a amar estamos correndo riscos que podem marcar nossas vidas profundamente e até modificar nossa forma de viver.  É que a dor do amor às vezes dói tanto, que a garganta fica seca, o peito parece comprimido por uma tonelada e a gente chega a cravar as unhas na pele pra ver se a dor do coração diminui.

Achamos que vamos cair na classe dos que não querem mais saber do amor, passamos a desconfiar de tudo e de todos, mas no fundo, nem que seja bem no fundinho mesmo, continuamos com aquela vontade, mesmo que seja vontadezinha, de que apareça o cara certo, mesmo que seja na hora incerta.

Então, vamos seguindo, e depois de muito relutar decidimos nos entregar aos amores que vão surgindo pelo caminho como forma de aplacar a ausência e a solidão deixadas por tudo aquilo que sonhamos e que tivemos que deixar para trás. A princípio, viver estes amores parece ser errado, é como se estivéssemos negando o amor que dizíamos sentir por aquela outra pessoa, soa em nosso íntimo como uma forma de traição, porém, começamos a entender que é preciso olhar para dentro de nós mesmos e seguir adiante, e correr novos riscos, porque nos apegarmos a esses amores não tem anda a ver com sermos fracos ou que realmente não estivemos amando, tem a ver com o fato de sermos humanos, tem a ver com a busca do remédio pra a alma que insiste em não querer parar de chorar. Porque no fim das contas, a gente nasceu mesmo foi para sorrir.

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Minha pequena Isa

Por Eduardo Soares

Assim que acordei, olhei para o lado e…para minha felicidade ela estava lá. Por alguns segundos não contive o leve sorriso ao ver aquele rostinho lindo com pele macia naturalmente morena – um tanto bronzeada–, as generosas (para não dizer grandes) bochechas vermelhas, a boca pequena semiaberta em forma de biquinho, o narizinho desenhado a mão, as sobrancelhas grossas (herança paterna) e o cabelo castanho claro harmoniosamente desalinhado. Parecia sintonia. Enquanto eu olhava, ela acordou e deu um sorriso tão leve quanto o meu, para depois murmurar um “bom dia” enquanto espreguiçava para depois esfregar os olhos.

Quantas lembranças adoráveis. Certa vez, sei lá quanto tempo faz, num aniversário meu fui acordado de sopetão. Ela apareceu (toda de branco), ficou de pé sobre minha barriga que mais parecia um puff e com um embrulho amarelo-transparente nas mãos disse:

– Parabéns! Acordaaaaaa, pai! Hoje o dia é seu!!

Ia abrir o pesado presente (era uma cesta de café da manhã) mas não tive tempo. Ela pulava, pulava, pulava e eu coitado, demonstrava uma felicidade silenciosa porque a cada pulo dela na minha barriga, o ar ia embora dos meus pulmões.  Assim que consegui respirar, peguei-a braços e aí dei inicio a uma sessão deliciosa de cócegas. Ríamos juntos: ela, devido a manifestação de carinho e eu ria daquele maravilhoso presente – não o do embrulho amarelo – matinal.

Chuva. Nossa, como adorávamos correr para debaixo do aguaceiro celestial. Isso também foi herança minha. Certa vez, caiu um pé d’água daqueles e eu, como sempre faço, arrumo algum pretexto para ficar todo encharcado na varanda. Enquanto a chuva envolvia meu corpo como um lençol divino, fechei os olhos, ergui a cabeça (isso sempre acontece e provavelmente vou continuar fazendo isso até o fim da vida) e fiquei simplesmente parado. Segundos depois um “atchim” rompeu o som da chuva. Era ela, literalmente meu reflexo em forma de pingo de gente, sentindo os pingos na mesma posição que a minha. Só um detalhe: de vez em quando ela abria um olho para ver minha reação. Ao notar que eu a via, ela rapidamente tratava de fechar novamente os olhos. Ah, aquele dia rendeu (além dos alguns copos de limonada, apenas por precaução) uma tarde de pipoca com direito a trocentos desenhos animados: desde Up – Altas Aventuras (que eu adoro por influência dela) até Pernalonga, Corrida Maluca e Bibo Pai e Bob Filho (todos esses velhacos ela adora, por influência minha).

Em dias de jogos, era ritual. A cada gol do nosso time, corríamos juntos para a varanda e gritávamos “NENSEEEEEEEEEEEEEEE”, para delírio e alegria dos vizinhos. Ela ainda completava com um “UHUUUUUULL” mas nesse ponto eu não a acompanhava pois nunca fui fã dos gritinhos tipo yahoooo, yesss, ah moleque e uh tererê da vida.

Era inaceitável ficar triste perto dela assim como era inaceitável vê-la triste. Mesmo quando ela foi vice-campeã do torneio infantil de natação do clube. Nunca a vi chorar tanto. Deixei-a sentir aquela tristeza intensa mas depois a encorajei dizendo que era poderia e iria ganhar em outras oportunidades. Semanas depois, ela deu um pulo no meio peito e chorou de alegria por causa da primeira medalha de ouro conquistada naqueles inacreditáveis seis anos de vida.

Hoje, assim que acordei, olhei para o lado e…para minha infelicidade ela não estava lá. Bateu um vazio absurdo, inexplicável. Era agoniante saber que eu não a teria por um segundo sequer. Lembrei da última frase da crônica “Rita” de Rubem Braga e faço dela o resumo da minha história: minha filha em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca teve.

Tudo foi apenas sonho. Um dia, quem sabe, eu venha abraçar minha pequena Isa como você fará com seu(ua) filho(a) depois de ler essas mal traçadas linhas.

Faça por você.

Faça por ele(a).

Faça pelas lembranças adoráveis. E eternas.

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Meu bebê

Por Keka Demétrio

Tem dias que você acorda e mesmo antes de abrir os olhos já está se sentindo cansada. Eu particularmente me sinto péssima quando acordo desta maneira, e embora raríssimas vezes isto tenha acontecido, sei como é olhar no espelho e ver o desanimo escancarado em meus olhos. Ontem foi assim, acordei já com o coração aos pulos e mergulhei nas minhas lembranças em busca de algum motivo aparente que estivesse me levando a querer fechar os olhos e dormir ao menos mais umas 10 horas ininterruptas.  Acredite, achei vários.

Época de mudanças, muitas coisas acontecendo de uma só vez e a sofrida aqui tendo que aprender a segurar as pontas e desacelerar a vida para que tudo entre nos eixos. Aprendendo que sonhos são realizados quando priorizamos determinados aspectos. E é isto que tá acontecendo, estou tendo que me desvencilhar de um monte de coisa que adoro, saindo da minha zona de conforto e encarando mais um monte de responsabilidades que estão vindo juntas com o meu mais novo bebê. Não, eu não estou grávida.  Para isto teria que não ser operada, ter um parceiro fixo (sou avessa a tal produção independente) que quisesse ser papy, e transar sem camisinha, coisa que não faço. Não gente, transar eu transo, tô falando da camisinha. ahaha (uauuu, meus filhos agora vão saber que a mãe deles transa!) Meu novo bebê é um projeto fantástico, que tem sido sonhado, pensado, repensado, adiado, e agora tá tomando forma, corpo, e se depender de mim, um corpaço. rs. Não dá para falar muito dele por agora, mas posso adiantar que fará com que a gente fique  cada vez mais íntimos.

Lembra do lance lá no primeiro parágrafo sobre acordar e querer dormir de novo? Pois é. Quando estamos dispostos a realizar sonhos tem sempre alguma coisa que parece querer nos desanimar. E quando não temos ninguém para nos auxiliar, nos estender a mão, para compartilharmos o danado do sonho, para podermos confiar e trocar ideias sobre, e temos que resolver e decidir tudo sozinhas dá um cansaço danado. Então, às vezes eu quero dormir para poder desafogar um pouco o corpo e a mente da danada da ansiedade para, assim, equilibrar razão e emoção e enfim tomar as atitudes certas, por minha conta e risco. Ah, e não me venha dizer que homem só atrapalha que isso é conversa fiada. Desde que você saiba bem o seu valor e até onde ele complementa a sua felicidade, ter alguém pra chamar de seu faz um bem danado!

Bom, se não temos companheiro com quem possamos dividir planos, acabamos fazendo isto com pessoas que nem sempre vale à pena, porque tem sempre os frustrados de plantão pra dizer que não vai dar certo, que você é maluca, que vive em outro planeta. Nestas horas, é bom a gente se calar para não darmos força a este tipo de coisa que emperra a vida. Neste silêncio, é preciso sintonizar com Deus e procurar ouvir o que ele tem a nos dizer, porque também vai ter sempre um monte de gente do bem usada por Ele pra te incentivar a levantar da cama com muito ânimo e com um brilho extremamente forte, que é pra afastar de você quem vive na escuridão e não suporta ver quem tem coragem, fé e determinação para realizar projetos pessoais.

Uma das coisas que mais admiro em mim é essa certeza que possuo de que a minha alegria sempre vai voltar a reinar. É que nem sempre é fácil, nem sempre o caminho é tranqüilo, principalmente se suas decisões irão afetar pessoas amadas e queridas. Mas sabe, não gosto do pensamento de que para chegar ao sucesso é preciso sofrer, acho que pensar assim acaba colocando um peso extra de negatividade no processo, prefiro pensar que no meio do caminho irá surgir uma pedra aqui, outra lá, outra acolá, que poderão me arrancar algumas lágrimas, mas que jamais machucarão os meus pés de tal maneira que eu não consiga chegar aonde eu determinei.

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Tudo ou nada

Por Keka Demétrio

Pensa que está amando loucamente e ao menor deslize emocional ou intelectual daquele que você acreditava ser o homem da sua vida e o castelo se desfaz.  É que passada a fase da paixão, da taquicardia involuntária só de pensar na simples existência do moço, vem a fase do tudo ou nada. Geralmente descobrimos que o nada é bem maior que o tudo.

Na linha contrária, onde o tudo é tudo mesmo, o que faz alguém descobrir defeitos e fragilidades no outro e ainda assim manter intacta a idéia de que aquela é mesmo a tão sonhada e desejada pessoa especial? Autoestima, amor próprio, capacidade de superação, de suportar, embora não sem dor (ahhh, Vinícius de Moraes), as intempéries da vida. Resiliência. Estes são os predicados de alguém que aprendeu que relacionamentos devem ser criados, alimentados, e vivido por dois seres que se respeitam, sentem vontade de compartilhar dores e alegrias, risos e lágrimas, que suportam mutuamente suas quedas, sem que isso os tornem menores ou menos dignos aos olhos um do outro. Que tenham consciência que não existe perfeição, mas que quando está ao lado de alguém, deve cuidar e ser cuidado. Alguém que descobriu que amor não tem nada a ver com a cor dos olhos, com o comprimento dos cabelos, com o formato do corpo, mas sim com a estrutura do coração, com o colorido dos olhos e a anatomia da alma.

Entende que uma conversa, mesmo que curta, mas que ambos sintam-se à vontade um com o outro, fortalece a relação muito mais do que horas e horas de um encontro cujas presenças são apenas físicas. Descobre que deixar alguém entrar na sua vida pode te trazer surpresas fantásticas e descobertas incríveis, e que o medo do sentir e o receio do que pode vir a acontecer não deve impedir a benção de amar e ser amado.

 

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Patroa

Por Eduardo Soares

É ela
Que se joga no chão enquanto chove
Canta qualquer coisa para me encantar de qualquer jeito
E depois, cheia de dengo (em doses tímidas)
Usa e abusa daquele cenário sensual
Me convida pra deitar do seu lado, no barro molhado
Avessa ao modismo, vem com aquele sorriso lindo
E me beija sem pressa debaixo do temporal

É ela
Que faz do meu peito seu travesseiro
Enrosca suas pernas no meu corpo
Como quem diz “bom dia, fica mais um pouco”
E eu que não sou louco
Nunca irei recusar essa travessura

É ela
Que manda lá em casa
Que dita as ordens do jogo
Que alimenta meu fogo
Que aumenta meu amor de novo
Dia após dia
Poesia após poesia
Melodia após melodia
Entre teimosias e ousadias
Entre manhas e manias
A cada futura nostalgia
Nas antigas fotografias
Nas noites de boemia
No silêncio da calmaria
Nas palavras de sabedoria
Na contínua caligrafia
Pertencentes às páginas de ficção e fantasia
Da minha biografia

É ela
Quem leva a bossa
Sou eu
Quem lava a louça
Sou eu
Quem faz a janta no domingo
É ela
Que acaricia a barriga
E carece ter três filhas comigo

É ela
Que dá gargalhada deliciosa
Que tem a pele cheirosa
Que adora ser chamada de charmosa
Que chora ao ganhar uma rosa
Que da vida goza
(E goza no meu ouvido)
Que me considera um abrigo
Que me descobre tímido ou atrevido
Que tem um querer quase abusivo
Que resgatou meu sentimento foragido
Que prendeu meu instinto bandido
É ela
A quem chamo de patroa
E ela
Me chama de marido.

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Você nem sabe o que fala

Por Keka Demétrio

Com o tempo a gente vai aprendendo a dominar os instintos, os impulsos e até mesmo o coração. Você descobre que mesmo que exista a pessoa certa para a sua vida ela pode não ser a pessoa da sua vida, então aprende a adormecer aquele sonho e parte em busca de outros que a vida vai te apresentando.

No começo parece coisa complicada e o habito de alimentar dores de amor acaba nos prendendo no fim de um ciclo e emperrando o início de outro. Então a gente sofre. E não importa a intensidade, dor de amor é a mais arrasadora. Algumas vezes somatiza no físico e nos coloca de cama. Já vi amigas definhando, literalmente, pela dor de amor. Depois deste primeiro momento, o amor próprio é matéria prima essencial para começar a reerguer-se.

Você tem que começar a transformar aquela raiva de ser preterida em algo positivo. Ao invés de gastar energia chorando e se sentindo vítima, pega esse orgulho ferido e use-o a seu favor. Alimente-o e mande tudo às favas, inclusive essa autopiedade e o dito cujo. Olhe para si mesma e se lembre que não foi a primeira vez que imaginou que iria dar certo e deu tudo, absolutamente tudo errado, e que não foi a única vez que se sentiu ridícula ao lembrar que ficava lendo e relendo as mensagens e e-mails trocados com o gato nos áureos tempos em que jogavam o jogo da sedução. Mas lembre-se também que passou, tudo passou. A dor, as lágrimas, a tristeza, o abatimento, a vontade de ficar jogado na cama até o mundo acabar, tudo isso passou, e mais rápido que poderia supor. E você mais uma vez se reergueu, mais uma vez percebeu que era maior e melhor do que fora outro dia. Acordou de novo para a vida de forma mais harmoniosa, mais segura, mais dona de si. Sim, as dores de amor também servem para nos mostrar o quanto devemos ser importantes e amar a nós mesmos.

E a vida é isso: a gente ri, chora, dá gargalhada, sente raiva, ciúmes, mágoa, quer que o mundo pare pra gente descer, depois quer ele gire mais rápido. O que não dá pra fazer é ficar esperando o amanhã, o quem sabe, o talvez. Não dá pra deixar pra viver depois o que a vida está te dando agora. Não dá para desperdiçar tempo, sentimento, emoção, enquanto um monte de gente não sabe ou não quer aprender a amar. Quanto àquele amor que você ainda credita ser o certo para a sua vida, o deixe guardadinho, quietinho, num lugar bem especial em seu coração, e não tenha dúvidas, se ele for o amor para a sua vida, na hora certa Deus vai colocar no seu caminho. Se não for, não fique triste, Deus sempre sabe o que faz e às vezes a gente não sabe nem o que fala.

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A equação dos nossos medos

Por Eduardo Soares

Tem gente que consegue emplacar um longo relacionamento iniciado durante a adolescência mas convenhamos que essas pessoas são felizardas e raras, por isso poucos otimistas natos aconselham uma pessoa com menos de 20 anos a assumir um relacionamento que não seja o namoro. Denise tem 22 anos mas apesar da pouca idade já passou por um noivado de dois anos e um casamento de cinco, cada um com homens diferentes. Não é preciso ser expert em matemática ou psicologia para deduzir que ela iniciou sua vida sentimental (repleta de alegrias e aporrinhações) cedo demais, o que não garante necessariamente um amadurecimento precoce, pelo contrário. Prova disso é que atualmente (três meses depois do divórcio) ela está confusa até o último fio de cabelo.

Bom, quem sou eu pra guia da vida amorosa de alguém, longe disso (fosse fácil assim minha estrada sentimental estaria satisfatoriamente pavimentada). Mesmo assim não escondo o que penso e dou meus pitacos sem jamais assumir o papel de Senhor da Verdade ou Imperador da Razão. Durante um almoço recente, disse a ela que depois da maratona olímpica que seu coração passou (iniciada ao assumir um noivado aos -inacreditáveis- 15 anos), EU optaria pelo descanso. Sabe, na minha cabeça a fase pós-término sugere repouso, momento propício pra fazer o coração respirar livre e desimpedido, isento de cobranças que um relacionamento sério porventura venha a ter. Noiva aos quinze anos, leitora querida!! É muita coisa responsabilidade (desnecessária) para tão pouco tempo de vida! Sei lá, acho que têm pessoas que padecem da Síndrome da Solidão. Ou será que acostumei a viver só?

Pois bem, pois mais louco que possa parecer, como foi dito no inicio do texto hoje ela está confusa (ou nas palavras da moça: perdidamente apaixonada). Leve ao pé da letra a parte do “perdidamente” já que Denise alterna momentos de euforia com outros pautados pelo medo. Explica-se:

Euforia pelo re-re-re-re-re-re-reaquecimento do músculo que bombeia sangue e sentimentos proporcionada por um (de novo, palavras dela) simpático admirador. Analisando friamente, até que dá pra entender o entusiasmo, afinal quem não gosta de ser alvo de elogios rasgados, aparentemente sinceros?

O medo reside justamente nas experiências desastrosas obtidas ao longo dos primeiros e únicos relacionamentos. Afinal de contas, quem garante que o affair atual não terá o mesmo fim que os outros dois? Analisando friamente, até que dá pra entender o receio, afinal de contas e se for apenas fogo de palha por parte do cara, sabedor do momento carente da nossa amiga?

Adianta convencer o gato angorá que ele não é tigre siberiano? Como não dá pra transformar teimosia em calmaria, disse a ela: já que é assim, entregue-se em slow motion, sem afobação, e procure ser feliz à sua maneira anti-solitária de ser. A irritante resposta veio com um “ah, não sei o que fazer da vida! Estou tão feliz com as palavras dele mas tenho tanto medo de passar por tudo e novo. No fundo, ele tem cara de safado”.

Com base na santa paciência de Jó misturada ao humor do Dr. House, pensei com meus botões: o que Denise quer/espera da vida? Quando você cede (leia-se dar corda, abrir precedente) aos galanteios seja de quem for, arque com a escolha feita!  Ficar nesse cabo-de-guerra entre medo e euforia torna as coisas mais complicadas. Indecisão? Sem chance. Não dá pra descer da montanha russa quando ela está prestes a dar o primeiro looping. Motorista que tem medo de bater deixa o carro na garagem! Vivemos sob o efeito do “e agora?” e deixamos de viver o agora. Se você optou por determinado caminho, vá até o fim ou até o momento em que a escolha for benéfica. Do contrário, use aquele ditado: persistir é burrice.

Ao tomar uma decisão, você analisa o preço da escolha –acatada e recusada – e só. Não dá pra prever o risco daquilo que ainda não aconteceu. Em suma: acredito ser impossível calcular hipóteses, probabilidades, razões, paralelas e perpendiculares do amanhã.

Fosse assim, fosse a vida uma previsível estrada reta, sem atalhos ou desvios no meio do caminho, e caso quiséssemos saber a prévia de determinado risco, bastaria utilizarmos a equação ax + by + c = 0 e todos ospossíveis medos seriam sanados.

Arriscar está longe de ser uma ciência exata.

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Fácil não é, mas e daí?

Por Keka Demétrio

Por um tempo, quando não possuía autoestima alguma, pensava que tinha vergonha até de ser feliz. Me lembro que quando estava em estado de graça sempre procurava um lugar escondido pra poder ‘gritar’ a minha felicidade. Hoje, depois de tanto tempo, percebo que não era vergonha, mas que não me achava merecedora de nada que fosse bom, que me fizesse sorrir e ser feliz. Era uma péssima administradora de minha própria vida.

Os erros cometidos eram alardeados, como se o fato de eu contar para as pessoas me redimisse da culpa de os ter cometido. Ao invés de ‘comunicar’ meus pontos fortes, eu propagava minhas fraquezas, como se estivesse gritando: Olha só, eu errei, portanto continuo sendo um nada e vocês podem me manter por perto porque não ofereço ‘perigo’ a ninguém. O mais triste era que estava cheinho de gente adorando me ajudar a ser pequena para poder se sentir grande perto de mim, e eu nem percebia.

Hoje é diferente, sei exatamente o meu tamanho. E não estou falando dos meus 1,75cm de altura e meus 1,32cm de quadril, estou falando de como transformei a minha imagem para mim mesma e de como isto tem afetado positivamente todos os aspectos de minha vida. O respeito desenvolvido e alimentado, a busca pelo autoconhecimento e a forma como tenho entendido, aceitado e procurado melhorar meus pontos fracos tem me tornado muito maior do eu jamais poderia imaginar ser.

Tenho um longo caminho pela frente e nestas horas me pego pensando no tal ‘tempo’ que já desperdicei, jogando no lixo como produto inútil. Lembro-me de como era e me vem a mente um monte de mulheres que estão exatamente como eu fui, e confesso que isto me enche de tristeza. Tenho vontade de pedir pelo amor de Deus que acordem para a vida. Que parem de pensar que não vai dar certo se sequer tentou. Que passem a pensar grande porque o universo é infinito e ele trabalha a favor de quem se iguala a ele. Que ao invés de pensar nos percalços sintonize com os resultados que deseja. Época de mudanças, movimentações. Tudo que é estagnado só se modifica porque acumula pó, lodo e sujeira. Tudo que se movimenta cria vida, distribui e recebe energia.

Movimentei minha vida. Mais que isto, dei vida às minhas emoções, sensações e sentimentos. Descobri que sou capacitada a desenvolver minha felicidade. Sim, porque felicidade não cai do céu, mas depende de nossas atitudes para conosco. Sou merecedora de cada sorriso que dou e recebo e de tudo o que a vida tem me proporcionado, e olha que Deus tem me falado que é só o começo e dou Glória a Ele sempre por isto.

Não fico pensando se até agora foi difícil ou se ainda vou ter que chorar algumas vezes, prefiro concentrar-me e focar no tão sonhado resultado, no que o objetivo alcançado vai me proporcionar. É concentrar a energia no que realmente vale à pena e necessita e transformá-la em benefício próprio. É aprender a não ter medo de ser feliz e administrar a maior de todas as empresas, nossa própria vida.

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Notaram como tem gente?

Por Eduardo Soares

Notaram como tem gente que se transforma (para pior) quando determinada religião/doutrina é abraçada com fervor? Tal mudança negativa soa como paradoxo, afinal de contas em tese a conversão sugere uma (inédita) vida harmoniosa e, por isso, feliz. Certamente você deve conhecer vários casos onde a pessoa era feliz e alegre antes do batismo mas, sabe-se lá o que aconteceu no meio do caminho, a mesma figura torna-se reclusa depois da “nova vida”. A questão não é a escolha feita, qualquer um de nós pode simpatizar com a religião que achar melhor.  Tem gente até que não frequenta igreja e mesmo assim acredita verdadeiramente em Deus mais do que muito religioso “repetidor de Amém”  por aí. Como disse antes, a questão não envolve a escolha e sim o fanatismo. Tem coisa mais insana que as famigeradas Guerras Santas? Tem coisa mais estúpida do que o sujeito bomba-humana que sacrifica sua vida (e de vários que nada tem a ver com a situação) em nome das quarentas virgens no céu?

Será que essa gente não percebe que Deus não usa uma camisa branca de seda com a expressão “I LOVE FANATISMO” em letras garrafais?

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Notaram como tem gente que consegue ser mais falsa que a risada da Val Marchiori (cultura inútil: o melhor programa de humor escrachado do momento é o tal Mulheres Ricas)? Ao conversar com uma amiga de trabalho recém demitida, ficou nítido o jogo de cena que algum fazem para manter uma possível imagem de “pode confiar em mim, sempre estarei do seu lado”. A amiga em questão estava ausente do trabalho desde novembro passado e por isso sua demissão era certa (tão certa que foi alvo de um papo nosso ocorrido em dezembro). Ao retornar para o trabalho na semana passada, eis que a moça ouviu isso: Menina! Que surpresa te ver por aqui!! Como você está linda!!

Falsidade n° 1: não, ela não está linda pois acabou de sair do hospital onde ficou internada por duas semanas, entre a vida e a morte. Nem a beleza irretocável da Carla Gugino ou Drew Barrymore resistiria a um longo processo de recuperação pós-hospitalar;

 Falsidade n° 2: a frase dita beira o absurdo ainda mais quando vem da chefe de DP/RH. Pombas, “que surpresa te ver por aqui” foi dito pela pessoa que digitou o aviso prévio!

Dissimulação é uma das maiores doenças do nosso ego. Para concluir, a chefe desavisada ainda queria ganhar um abraço da demitida. Judas atualizado é assim: trocou o beijo no rosto por outros gestos.

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Notaram como tem gente desconfiada desde o nascimento? Esse tipo procura provas/certezas o tempo todo. Mas o que eles fariam se encontrassem?

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Notaram como tem gente que vive a rasgar elogios para você, 24 horas por dia, sete dias na semana? Sinceramente, esse paparico moral em excesso te faz bem? Você nunca estranha isso?

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Notaram como tem gente que confunde persistência com insistência? Aliás, esse será o tema exclusivo das nossas prosas futuras.

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Notaram como tem uma cambada de ricaços em depressão enquanto o sujeito da periferia vive a sorrir com o pouco que tem? Confesso que não entendo ambos: se o dinheiro facilita a vida, como pode a madame/grã-fino torrar a grana no psiquiatra por causa de “vazios da alma”? Em contrapartida, de onde vem (e pra onde vai) tanta felicidade suburbana?

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Notaram como tem gente que usa pesos e medidas diferentes? O coroa setentão a desfilar com a mulher de vinte e poucos é visto como velho safado, inseguro, isento de auto-afirmação (falamos sobre isso no post da semana passada). Por qual motivo raramente/ou não usamos a mesma definição quando vemos a senhora de 60 a namorar o estudante de vinte? Observem que a diferença de idade nos casos citados é a mesma (quarenta anos), mesmo assim o olhar crítico da maioria muda de acordo com o sexo do alvo. Temos exemplos de dois famosos solteirões convictos: por que criticamos as escolhas sentimentais etárias de um Antônio Fagundes da vida e aplaudimos a “iniciativa” da Marília Gabriela ao assumir seus bebês-namorados-bibelôs? Será que o ator e a apresentadora estariam à procura da tal auto-afirmação camuflada através das escolhas sentimentais,que nada mais seriam que distintos gestos de auto-ilusão quanto a velhice inadiável que caminha a passos lentos para todos nós, famosos ou não? Tradução: estou ficando velho(a), preciso disfarçar, fingir que os anos não estão passando! Hmmm…já sei! Tem coisa melhor que namorar com metade da minha idade?

Já diria Zélia Duncan: é difícil conjugar a vida…

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