Arquivo da categoria: Preconceito

“Sua gorda!” – Pelo direito de não me ofender com a realidade

Por Isabella Trad

Antes de começar, quero que prestem atenção no vídeo abaixo:

Passei a minha vida inteira aprendendo que ser gorda não é legal. Que eu não seria amada, atraente e muito menos teria sucesso, que eu não seria digna de elogios. Como muitas de vocês, criei a imagem de um monstro e fui repreendida e rebaixada diante de várias situações por conta do meu peso.

Familiares diziam que eu se eu ficasse magra tudo seria diferente, tudo seria mais fácil e sabe o que eu aprendi? Que a vida é difícil pra quem dá desculpas pra viver. E o que o vídeo tem haver? Bem, a intenção óbvia dos brasileiros foi fazer uma piada com essa garota gringa, linda e gorda.  Eu não ri. Fiquei com vergonha.

isabella 1

Ela é gorda, mas eles não tinham o direito de usar o adjetivo como defeito. Ela é gorda e linda, é gorda e tem cabelo liso, ela é gorda e quem decide encarar como elogio ou defeito é ela e não vocês!

Eu sei que se ela soubesse falar português provavelmente se sentiria ofendida e o meu recado pra ela é: Não se sinta. Meu recado pra todas vocês é esse, não se sintam ofendidas por ela e não se sintam ofendidas por serem chamadas de gordas, obesas ou baleias.

A intenção desses idiotas foi de ofender, usaram a palavra gorda como ofensa, mas no final, quem escolhe se ofender é VOCÊ. Prefere ser a gorda cheia de coitadismo que deixa os outros opinarem na sua vida e se e ofende com uma realidade que só você pode escolher se é boa ou ruim? A atitude da garota inocente, dando sorrisos de satisfação mesmo sem entender o que estava acontecendo é digna.

Se todas nós não tratássemos nosso peso como defeito, talvez as pessoas não o enxergassem como um. Bem, eu sou gorda, baixinha e ruiva e escolhi que nenhum desses adjetivos são defeitos.

18 Comentários

Arquivado em Bullying Nunca Mais, Preconceito, Uncategorized

Sua saúde vai bem, mas você está gorda!

gorda
Por Giovanna Sbrissia

Sempre fui gordinha, então, desde pequena, ouço dos médicos a mesma ladainha sobre peso – ok, muitas vezes correta e como precaução – mas uma coisa começou a me incomodar com o passar dos anos: Poderia eu estar com gripe, ou então ter quebrado o dedinho da mão, tudo iria acabar se relacionando com meu excesso de peso, de formas muitas vezes constrangedoras.

“Vou te receitar um antigripal, e também te encaminhar para um colega meu nutricionista” E quando as cirurgias bariátricas passaram a ser, também, tratadas de forma mais estética: “Você nunca pensou em operar? Sua saúde está ótima agora, mas em breve você poderá ter problemas!”

Ok, todas nós sabemos que o excesso de peso traz sim alguns tipos de danos a saúde, e eu não estou aqui para levantar uma bandeira pró gordura mas, sim, para conscientizar de que ser gordinha não precisa ser sinônimo de pessoa doente. Minha saúde? Vai muito bem, obrigada.

Da mesma forma que existem pessoas magras, que tem péssimos hábitos, existe gordinhas e gordinhos que tem uma ótima qualidade de vida, praticam exercícios e são saudáveis.

Chega de preconceito! Abaixo, mostraremos alguns relatos das nossas leitoras sobre situações constrangedoras em consultórios e hospitais. Você já passou por algo assim?

Conte-nos nos comentários!

gorda 2

“Fui fazer um teste admissional para entrar em um emprego, o médico era um cirurgião plástico, um dos maiores de Goiânia e ele me perguntou se eu tinha inúmeros problemas por causa do peso. Eu respondi que não tinha nada, e ele me disse que iria me aprovar por caridade, pois eu não estaria apta para trabalhar pois estava gorda. Depois disso ele me indicou a clínica dele pra eu me tratar, eu fiquei boba, mas como era meu primeiro emprego e eu precisava, tive que engolir tudo que ele disse. Eu estava com 90 kg.” (Jossana Lauria)

“Tive cólica renal, e fui ao posto para uma consulta e pedir requisição para um ultrassom. O médico era Endocrinologista e a todo o momento me aconselhava a ligar para o seu consultório para fazermos um tratamento.”
(Jussara Nilsen)

“Fui em uma ginecologista pois queria engravidar, e ela foi super grossa. Disse que eu nunca conseguiria por conta do meu peso, e corria risco de morrer e deixar o filho largado no mundo.” (Day Duvale)

É claro que muitos são os médicos que realmente se preocupam com a saúde do paciente, mas e quando isso se torna um preconceito CLARO? O que devemos fazer? A quem recorrer? A gordofobia infelizmente segue sendo um dos preconceitos “aceitos” em nosso país.

 

19 Comentários

Arquivado em Preconceito

Audiência Pública em São Paulo sobre obesidade

audiencia publica obesidade

Por Renata Poskus Vaz

A Deputada Mara Gabrilli realizará audiência pública em 28 de abril, na Assembléia Legislativa de São Paulo, em parceria com a deputada Célia Leão, para discutir políticas públicas para pessoas com obesidade.

Mara Gabrilli é uma famosa e respeitada Deputada, que trabalha pela melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, pela inclusão e acessibilidade.

É importante que todas nós participemos dessa audiência pública, em 28 de abril, na Assembléia Legislativa de São Paulo, para sugerirmos medidas políticas públicas para pessoas com obesidade.

Entre outras questões, a Audiência abordará os seguintes temas:

1) acessibilidade: aos meios de transporte, vestuário, edificações e serviços;
2) saúde: acesso a medicamentos e apoios;
3) obesidade infantil: prevenção e vida mais saudável;
4) discriminação no mercado de trabalho.

Local: Assembléia Legislativa de São Paulo – Auditório Paulo Kobayashi – Av. Pedro Alvares Cabral, 201 – São Paulo

2 Comentários

Arquivado em Eventos, Preconceito

Reprovada em concurso público por estar obesa

professora obesa

Por Renata Poskus Vaz

Esta semana, li uma desagradável notícia de que uma professora que passou em segundo lugar no concurso público da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo foi impedida de assumir seu cargo por ter sido considerada inapta por ser obesa, na análise do perito médico do estado.

A professora, que há anos já atua como professora substituta na rede pública de ensino, disse que nunca foi afastada por problemas de saúde e que seus exames pré-admissionais não apresentaram nenhuma alteração.

Enfim, eu pergunto, cara leitora, qual o problema de uma mulher gorda lecionar? Se ela passou em segundo lugar em um concurso público, isso mostra que pelo menos academicamente ela está preparada – e muito – para assumir o cargo. E as chances dessa mulher ter um afastamento médico por problemas de saúde é a mesma que um professor com idade mais avançada, uma magra aparentemente saudável, mas que toma remédios para emagrecer, um professor com problemas oftálmicos, uma professora que tenha acabado de casar e queira ter 5 filhos… Enfim… Todos os professores são doentes em potencial, não só os gordos.

Tenho alguns professores “diferentes” que me ensinaram muito a entender, aceitar e respeitar a diversidade humana. No primário, todas as minhas professoras eram mais velhas que a minha avó. Tive que aprender que nem toda velhinha é gagá e que devia respeitá-las muito. Isso aconteceu também no colegial, em que meu professor de educação física era um senhor já de idade, negro, alto e manco. Ele não reproduzia nenhum exercício, devia ter algum problema sério na coluna ou nos membros inferiores, mas sabia nos orientar a fazer. Era crítico, exigente e muito amado por todos os alunos. Ainda dá aulas, na mesma escola.

Minha primeira professora de ballet também era mais gordinha. E ela era atenciosa com todas as alunas, sem exceção. Foi ela quem me fez me apaixonar pelo ballet. Eu a admiro até hoje.

Na faculdade tive o primeiro contato com professores gays, homens e mulheres (pelo menos assumidos) e, coincidentemente, era os que eu mais admirava.

Crescer e ser educada com as diferenças, com certeza faz com que nos tornemos adultos muito mais seguros e tolerantes.

Para saber mais sobre a história dessa professora, clique aqui.

E você, já sofreu preconceito no trabalho por estar acima do peso?

20 Comentários

Arquivado em Preconceito

Preconceito contra quem gosta de namorar gordinhas

preconceito contra gordas

Por Renata Poskus Vaz

Ontem recebi e-mails de leitoras sobre uma postagem que consideraram ofensiva no Facebook. Fui verificar e notei mais do mesmo: um escancarado e comum preconceito contra mulheres gordas. Nela, o autor do post criticava o autor da novela das 9 por, entre muitas coisas, colocar situações socialmente irreais, como uma gorda “feia pra dedéu” sendo disputada por dois homens bonitos.

Vejam essa postagem clicando aqui. Depois de debatermos na página do rapaz e em nossa própria Fan Page, fiquei pensando nessa idiotice e no efeito que pode causar nas gordas e o pior, naqueles homens que são apaixonados por elas. Sim, embora existam por aí tantas gordas e tantos homens lindos dispostos a namorá-las, a sociedade ainda enxerga com maus olhos a silhueta e o amor alheio.

Fico pensando que nós, gordas, já convivemos todos os dias com pequenas doses de preconceito que nos tornam já calejadas a essas manifestações. Mas rapazes que sempre foram magros ou atléticos e, do nada, se veem diante dessa situação, devem sofrer muito.

Pedi para um amigo apaixonado por mulherões escrever um pouco sobre o que enfrenta por sentir atração por gordinhas:

“Meu nome é Antônio Donizeti, sou de Goiânia, tenho 23 anos, solteiro, estudante de Engenharia Civil na PUC Goiás. Sou moreno, tenho 1,88 de altura e estou meio gordinho (aproveitar a chance pra fazer minha propaganda também kkk).

Hoje comentei com a Renata sobre o preconceito que nós admiradores de gordinhas sofremos na sociedade, pois esta nos obriga a termos namoradas magras e/ou saradas.

Esse preconceito acontece na família quando você vai apresentar a namorada e seus pais e parentes falam “puxa, fulano, mas você é tão bonito e ela é gordinha”. A mãe mais ciumenta solta: “imagina quando ela engordar depois da gravidez”. Já o pai: “ela é gente boa pelo menos”. Entre seus amigos geralmente surge: “Fulano, você é otário demais, só pega gorda”. Quando não aparece aquele inconveniente que fala: “tá fazendo caridade com aquela baleia, cara”.

O preconceito sobre nós admiradores de gordinhas é terrível. Ontem mesmo eu vi em um site um link com o título “Casal Estranho”, em que tinha um homem bombado abraçado com sua companheira BBW, tratando como se fosse um absurdo alguém que pratica esportes ter uma companheira gordinha. Recentemente, um colega me disse sobre uma menina conhecida nossa em comum: “Ow a gente faz engenharia, temos que nos valorizar. Não dá para pegar aquela gordona não porque senão queima nosso filme”.

Infelizmente, embora me sinta atraído por elas, tenho tenho dificuldade em me aproximar das meninas gordinhas, pois elas mesmo duvidam de minhas intenções. Fico imaginando se por ventura pensam se sou uma espécie de psicopata que quer sequestrá-las, ou então que sou um mero aproveitador que quer apenas dar uns “pegas” na gordinha pra não ficar sozinho.

Digo com propriedade que a maioria dos homens são admiradores de gordinhas, mas infelizmente por causa desse preconceito os homens tem vergonha de assumir. Mesmo com todas essas dificuldades e preconceito eu ainda sou um grande admirador da beleza das gordinhas, pois além de bonitas, são simpáticas, inteligentes e são motivos para que eu lute para conseguir o coração de uma menina gordinha para o resto da minha vida. Quem me conhece a muito tempo sabe que eu apoio sim essa luta para o respeito igualitário pois todas as pessoas são diferentes e cada uma tem a sua beleza de acordo com os olhos de sua alma gêmea.”

E desta vez minha pergunta vai também para os rapazes, vocês já passaram por isso?

56 Comentários

Arquivado em O que rola por aí, Preconceito, Relacionamento

Bar de Salvador faz piada sem graça com gordas e recebe críticas de internautas

Por Renata Poskus Vaz

O 30 Segundos Bar, localizado no Rio Vermelho, em Salvador, publicou uma imagem em sua Fan Page do Facebook com a intenção de fazer piada, mas que conquistou a ira de alguns internautas. A imagem mostra uma moça gorda, vista através do copo com uma silhueta fininha. Na legenda, os seguintes dizeres: “Beba com moderação… O resultado pode ser desastroso”.

Acho que não preciso explicar a piada sem graça, mas vamos lá… O que eles quiseram dizer é que se beber demais, o cara corre o sério risco de cometer o terrível engano de ficar com uma gorda.  O post foi apagado, mas muita gente reclamou e continua reclamando. E o mais bacana é que tem muita gente magra indignada também.

Piada sem graça com quem é gordo e com quem gosta de gordo. Não sou de Salvador, mas se fosse, certamente faria uma passeata da banha na frente deste estabelecimento, regado a muito beijo na boca entre magrinhos e gordinhas.

postagem ofensiva com gorda

Colaboração de Lou Oliveira. 

9 Comentários

Arquivado em O que rola por aí, Preconceito

“Gorda não tem direito a atendimento médico por não se preocupar com a própria saúde”

Por Renata Poskus Vaz

Calma, mulherões! A ideia acima não é minha e nem de ninguém que atua ou já atuou no Blog Mulherão. A ideia do título deste artigo foi defendida na internet por uma mulher comum, magra, que diz em seu perfil do Facebook ter estudado Direito nas Faculdades Integradas de Itapetininga e que, segundo consta, trabalha em uma empresa que vende farinha de trigo: Silvia Abrahão.

Não, eu não a conhecia. A frase chegou até mim por meio de um desabafo de uma leitora. Como a publicação foi pública e, diretamente ofendeu minha leitora e indiretamente me ofendeu, senti-me no direito de publicá-la na Fan Page do Blog Mulherão.

Vejam:

gorda

O que mais me chateou é que este comentário de Silvia, uma moça comum, representa o de milhares de pessoas por aí.  Ela não é única… Existem muitas, muitas Silvias que realmente questionam o direito do gordo a um atendimento médico de qualidade. Como se todo gordo ficasse gordo porque quer, por ser relaxado e comprometesse o atendimento médico dos outros (leia-se magros super saudáveis).

Já contei algumas vezes aqui no Blog Mulherão que minha mãe morreu aos 40 anos vítima de uma embolia pulmonar. Era gorda. Ela não gostava de ser gorda por conta das humilhações e preconceitos que sofria e evitava ir ao médico por se sentir culpada por não conseguir emagrecer. Ela merecia atendimento médico. Ela merecia estar viva.

Dizer que um gordo não merece ser tratado do joelho porque se mantém gordo propositadamente é a mesma coisa do que dizer que uma pessoa com câncer no pulmão não merece tratamento médico por ter abusado do cigarro, ou os portadores de HIV positivo não merecem tratamento porque pegaram AIDS por querer… Enfim, preconceito puro!

Até o momento, quase 200 pessoas compartilharam a infeliz declaração de Silvia Abrahão no Facebook. Espero que isso sirva de exemplo para outras pessoas ao emitirem suas opiniões preconceituosas publicamente. No mais, segue essa sugestão de leitura para Silvia. Clique e leia. 

53 Comentários

Arquivado em comportamento, Curiosidades, Preconceito

Aluno envolvido no “Rodeio das Gordas” é condenado a pagar R$20 mil

Por Renata Poskus Vaz

Há quase 3 anos, noticiamos aqui no Blog Mulherão (leia aqui) que alunos da  Unesp – Universidade Estadual Paulista, organizaram um “Rodeio das Gordas”, em que alunas eram humilhadas e agarradas por colegas de faculdade que simulavam um rodeio.

A “brincadeira” foi parar na justiça. Alunos fizeram um acordo com o Ministério Público e pagaram 20 salários míninos para instituições filantrópicas. O bonitão que não quis assinar o acordo, foi condenado agora a pagar R$20 mil, ou seja, 30 salários mínimos, como dano moral.

Que fique o exemplo.

4 Comentários

Arquivado em O que rola por aí, Preconceito

Amor plus size: quando o mulherão ama um gordo

Por Renata Poskus Vaz

Amor não tem forma, não tem corpo, não tem curvas, não tem barriga tanquinho. Simples. Mas muita gente ignora isso. Sempre falamos aqui sobre o amor entre pessoas com corpos diferentes e a dificuldade que esses casais enfrentam ao assumir seus relacionamentos. Narramos, por diversas vezes, o desafio que homens magros e com corpo atlético encontram ao namorar uma gordinha. Eles sofrem preconceito sim, ficam à mercê de piadinhas, já que poderiam, aos olhos dos outros, namorar uma “mulher melhor” (leia-se: mais magra).  Tem que ser muito macho para assumir para os amigos e para a família que se gosta de uma gorda.  Afinal, quase ninguém se interessa em saber o quanto somos maravilhosas e interessantes, apenas se limitam a olhar a nossa forma, o nosso exterior.

Para algumas de nós, mulherões acima do peso, namorar um cara sarado faz parte do pacotão da mulher bem-resolvida com seu próprio peso. “Olha só, sou gorda e namoro um saradão”, é o que muitas pensam. Não, não estou dizendo que toda gorda veja no atleta gostosão um troféu, mas não há como negar a satisfação que é desfilar com um homem lindo, admirável e invejável por aí.

Porém, nesses 4 anos de Blog Mulherão, quantas vezes falamos sobre casais de gordos? É como se desprezássemos que uma mulher bem-resolvida gorda pode ser muito feliz e realizada com um homem igualmente gordo.

 E porque ignoramos isso? Porque não compartilhamos em nossas redes sociais a imagem de um gordo e uma gorda, como sinônimo de amor verdadeiro e realização? Homem gordo com mulher gorda não sofre preconceito? Ah, sofre sim! Mas a gente acaba desprezando isso, como se o amor entre “iguais” não gerasse nenhum tipo de rejeição por parte daqueles que os cercam.

 É comum pessoas gordas começarem a namorar e suas famílias e amigos reprovarem a união. “Agora ele vai engordar ainda mais namorando com esta gordinha”, pensam aquelas pessoas próximas do rapaz. No caso da família da gorda, a ideia preconceituosa quase sempre é a de que o rapaz é relaxado, ocioso, incapaz de cuidar dela como merece. Bobagem, claro. Mas quem é gordo e já namorou outro gordo, sabe bem do que estou falando. Ah, isso sem contar os desafios do dia a dia, como sentar confortavelmente em poltronas, lado a lado, namorando no escurinho do cinema.

Cléo Fernandes e Luiz Henrique Frotscher em ensaio sensual exaltam o amor plus size

Pensando nessas questões, os modelos plus size Cléo Fernandes e Luiz Henrique Frotscher sugeriram um ensaio diferente para o fotógrafo Reinaldo Junkes. Após uma sessão de fotos para uma marca de moda plus size, a dupla encarnou um casal apaixonado.

“Eu já vi diversos ensaios sensuais com casais de magros, ou com uma gorda e um homem magro, mas nunca com um casal de gordos. A proposta era de expressarmos envolvimento, desejo e conquista, servindo de inspiração para quebra de paradigmas. Gordos também podem e devem ser sensuais e não ter vergonha de ir à luta pelo seu amor”, afirma Luiz Henrique.

“Queríamos Ilustrar esse amor de forma sutil, delicada e ao mesmo tempo, intensa” completa Cléo.

 O ensaio ficou lindo! E me sinto honrada em dividir em primeira mão as fotos com vocês, leitoras do Blog Mulherão. Muito amor para todas nós, sendo seus parceiros gordos ou magros. Ou não tendo parceiros também!

CL-7170

CL-7161

CL-7134

CL-7064

CL-7058

CL-7031

CL-7028

CL-7008

CL-6991

CL-6976

71 Comentários

Arquivado em Preconceito, Relacionamento

Preta e gorda

Por Renata Poskus Vaz

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra em diversas cidades do País. Como se trata de um ponto facultativo, nem todas as cidades aderiram ao feriado. Mas uma coisa é certa, nesse dia 20 de Novembro, sites, blogs e demais redes sociais estarão inundadas de matérias sobre preconceito, direitos e conquistas de cidadãos brasileiros da raça negra. Hoje, todo mundo virará militante da causa negra de carteirinha.

Lidiane Machado

Eu não queria ser mais uma dessas, só mais uma blogueirazinha cumprindo sua média social, criando uma matéria para esta data, sem ter feito nada antes para contribir com a discussão dessa temática. Há semanas, por sugestão de Lidiane Machado, uma linda modelo plus size negra carioca, já vinha rabiscando um artigo sobre este tema. Entrevistei algumas pessoas e pedi que me enviassem suas respostas antes do dia 20, para evitar a coincidência. Hoje, recebi uma das respostas. Logo pensei, chateada: “poxa, só agora fui receber?”. Acho que estava sentindo um medo danado de publicar algo hoje e todo mundo achar que só estava escrevendo porque era o Dia da Consciência Negra. Talvez, até sentisse minha consciência branca um pouco pesada: “eu não poderia ter abordado mais sobre racismo em meu blog nesses últimos 4 anos? Não poderia ter ajudado mais? Fui deixar para falar sobre isso somente agora?”. Porém, entre falar e me calar, entre contribuir e ignorar, eu preferi agir!

Ao longo dessa semana, vou publicar inúmeras entrevistas com profissionais negras e gordas. Mas a primeira delas, a de hoje, é uma das mais especiais para mim.

Faz algum tempo que eu encontrei no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda. Sim, diretíssima, sem diminutivos e nenhum nhenhenhém. O nome pode chocar os “politicamente corretos”, eu sei. Lembro de quando criei o Blog Mulherão e achava o cúmulo alguém ser chamado de Gordo. Hoje, com uma autoestima um pouco mais elevada, percebi que os diminutivos, como “gordinha”, “fofinha”, “cheinha”, podem ser muito mais cruéis conosco e, ao invés de passar uma sensação de carinho, às vezes transmitem a idéia de alguém pequenino como ser humano, digno de pena. Porém, muita gente ainda não gosta de ser chamada de gorda, mesmo tendo passado dos três dígitos da balança há muito tempo, fato.

Já de preta, há inúmeras mulheres que se autointitulam dessa forma. Ou homens negros que de forma carinhosa se referem assim sobre suas esposas. Todavia, uma mulher branca não ousa chamar de preta outra mulher. Já me arrisquei uma vez e ouvi: “preta é cor, negra é raça”. Aí você se sente a maior das racistas e se cala pra sempre, até ver no Facebook uma comunidade chamada Preta&Gorda.

Amber Riley, atriz e cantora, uma das imagens compartilhadas por Preta&Gorda

Preta&Gorda compartilha imagens e mensagens sobre mulheres gordas, negras, lindas e estilosas no Facebook, para servir de exemplo para outras mulheres, que não encontram nos catálogos e desfiles de moda mulheres da mesma raça.  Você pode achar que criar uma comunidade só para negras é racismo ao contrário. Então, pare para pensar em quando surgiram os blogs de gordinhas aqui no Brasil. Muita gente insinuou que as blogueiras GG estariam discriminando as magras, ou se fechando em um mundinho paralelo, que só criaria mais preconceito contra nós. E não foi o que aconteceu (com raras exceções, claro). Conseguimos reunir forças, recuperar a autoestima e, finalmente, sermos ouvidas. Uma nova comunidade reunindo e dando forças para as gordas da raça negra é um progresso, um passo adiante dos que já demos até então. Na minha opinião, alguns assuntos poderiam ser tratados na comunidade de forma menos agressiva e com mais respeito às divergências de opiniões (se bem que aqui no Blog Mulherão eu também não sou lá muito maleável). Vi algumas brigas e algumas pessoas queridas, que muito contribuem pelo crescimento do mercado plus size saindo magoadas de discussões lá na Preta&Gorda. Porém, essa é só minha opinião. E como sou só gorda, não sou negra, por mais que tente me colocar no lugar daquelas que já foram discriminadas por conta da raça, só posso ficar no campo da suposição. Jamais senti na pele esse tipo de discriminação.

Entrevistei a Alessandra que, junto com o Maicon, administra a comunidade Preta&Gorda no Facebok.  Leiam na íntegra:

Mulherão: Qual a motivação de criar uma página exclusiva para as mulheres acima do peso da raça negra?

Alessandra: Pra mim, Alessandra, a princípio foi algo voltado para minha auto-afirmação. Sou militante do Movimento Negro e sempre me indispus com todo este sistema que excluí todos aqueles que são considerados “fora dos padrões”. Sou gorda e sempre acreditei que não preciso mudar para agradar a ninguém a não ser a mim mesma. Enquanto eu estiver bem comigo mesma, a opinião das pessoas não tem de me importar. Como gorda, participava de grupos de discussão na internet, tinha o meu próprio grupo, acompanhava as postagens e tal, mas sempre notei uma exclusão já ali. Fotos de mulheres eram postadas, mas as que tinham maior número de curtições e elogios eram das moças brancas. As pretas, em geral, ou não se manifestavam, ou não tinham o mesmo reconhecimento de todos (homens e mulheres) como belas. Sempre fui muito crítica. Então, um belo dia, escrevi um texto de desabafo no meu perfil do Facebook tocando neste assunto, sobre a invisibilidade da mulher preta e principalmente quando ela é gorda. E isso chamou a atenção de muita gente, inclusive de uma amiga que é fat militante há anos. Começamos a conversar dentro deste contexto e ela, mesmo sendo branca, reconheceu que existe uma mega exclusão das mulheres pretas no meio Plus. Publiquei no Blog dela, e para minha surpresa, uma chuva de moças pretas assumidíssimas começou a desabafar! Achei lindo! Gosto do movimento do meu povo! Gosto quando eles vestem a roupagem de luta! Foi aí que eu percebi, que este sentimento, estava abafado dentro de mta gente. Então eu encaro a page como um desabafo de mais de 2.000 pessoas (em sua grande maioria mulheres) dizendo que existe algo de errado e que precisa urgentemente ser acertado.

Mulherão: Qual a sua visão sobre o mercado de trabalho para as modelos plus size negras?

Alessandra: Nulo. Dentro de um contexto amplo? Nulo. Tendo em vista o fato da população preta ser maioria. Questão de números. Existem modelos pretas lindíssimas que estão sem trabalho. Pessoas queridas com muito talento que não tem oportunidade de trabalhar porque o mercado simplesmente não está aberto a elas. Existem algumas pessoas que colocam pretas em seus catálogos, mas, sinceramente? Se não for feita uma campanha séria que realmente mova o mercado plus a abrir os olhos e as portas para as mulheres pretas (e homens também), a inclusão das meninas será por cumprimento de Lei. Nada mais além disso. Supondo que uma agência tenha 100 modelos, 10 são pretas? Onde está a igualdade nisto? Onde está a representatividade das moças dentro dos desfiles. Porque eu, como preta, sou obrigada a ser representada por uma mulher branca, loira? Porque eu não posso me ver também? Porque dizem para as moças que mulher preta não vende? Não vende? Lembro-me que a uns anos atrás o papo era que gordo não vendia… E olha aí todo mundo andando na moda! Agora preto não compra roupa? Quero ver uma negra vestindo uma roupa legal, que combine com o meu jeito de ser, com meu estilo, para que eu me veja também.

Mulherão: Eu li em alguns posts você falando que a preferência de modelos brancas ao invés de negras para estrelar catálogos é racismo. Na sua opinião, esse racismo é algo enraizado ou acha que as grifes fazem de propósito?

Alessandra: Racismo sempre está enraizado. Isso é algo que dificilmente mudará. De propósito? Sim é de propósito, como o racismo é cultural a discriminação por cor é o racismo em ação. Portanto, normal as grifes fazerem isso. O racismo é simplesmente manutenção de poder caucasiano não deixando ter acesso os pretos(as) em todos níveis sociais. Elas acham que realmente não são racistas, mas excluem naturalmente.

Silvia Neves: ela se autointitula negra, mas a consideram clara demais para ser negra.

Mulherão: No Fashion Weekend Plus Size há poucas modelos negras: Silvia Neves, Erica Calderal e Juliana Ferreira. Elas se intitulam negras, mas muitas vezes são censuradas por as considerarem muito claras para serem negras. O que acha disso?

Alessandra: Acho que o orgulho de ser preta independe da sua tonalidade da pele. Até porque aqui no Brasil, encontramos pretos e pretas em inúmeras pigmentações. Isso é genética. O que verdadeiramente define sua negritude não é apenas seus traços africanos, e sim o somatório destes traços com sua afirmação e posicionamento político e afrocentrado dentro deste contexto. Pretas que possuem pele mais clara mas que exalam e afirmam sua negritude diante de toda adversidade que encontram dentro do universo fashion, merece nossa total admiração! O que muitas pessoas não conseguem entender é que uma pessoa se intitular preta, é mais do que se orgulhar de quem é e de sua ancestralidade… É uma maneira também de protestar contra todo sistema excludente que nos cerca, que quer inclusive determinar quem somos e quais as ‘qualificações’ necessárias para sermos ou não pretas. Quanto as pessoas que as censuram, estão querendo chamá-las de mestiças. Uma forma sutil de diminuí-las e negar a participação das moças como pretas. Quantas pretas já ouviram assim “Não… Você não é preta! Que isso! Você é uma morena linda!”? Isso é uma forma sutil de dizer que não existe beleza em ser preta. Que para você ser aceita, tem de ser ‘morena’… Quanto mais “clarinha” você se afirmar, mais a sociedade vai te aceitar. Só que se as meninas se consideram pretas e batalham por representar as pretas, é como pretas que elas tem de ser reconhecidas e nada menos que isto. Coibí-las é racismo. Preterí-las também.

Quando se descreve como negra na internet, Erica Calderal também deixa muitas pessoas surpresas

Mulherão: No mercado tradicional, o das modelos magrinhas, não é muito diferente. Você acha que o mercado plus size também vai demorar para reconhecer as modelos negras? Qual a sua sugestão para alterar esse cenário?

Alessandra: O meio fashion é muito preconceituoso. Independente da forma física, dificilmente vemos pessoas pretas fazendo parte de desfiles. Isso é uma problemática antiga. Sim, o processo é lento… Muito lento. Mas não é impossível. Os pretos tem esta marca de sempre ter de batalhar muito e dobrado para conseguir um objetivo, e quanto a isto, não será diferente. Sabemos disso. Minha sugestão é a auto-afirmação. O que temos feito na nossa comunidade. As mulheres pretas precisam assumir-se pretas e acreditar que tudo o que disseram sobre sua aparência não passa de uma estratégia racista para diminuir nossa auto-estima. Isso é uma terrível tática de guerra, que funcionou durante séculos, mas que felizmente temos conseguido vencer. Temos de ter orgulho de nós mesmas e de nossa raiz e lutar para que sejamos reconhecidas e respeitadas como somos e pelo que somos. Acho que esta é a chave.

Juliana Ferreira, uma das modelos mais solicitadas pelas grifes do FWPS

****

Todo esse processo para conseguir a entrevista com a Alessandra foi bem difícil. Ela estava temerosa que sua ideologia e viés político não fossem respeitados. Eu, uma simples jornalista gorda, branquela e organizadora de um evento de moda plus size que se enquadra nos citados por ela, com apenas 3 modelos negras em um grupo de 28 modelos, tentei, a todo custo, provar que sei da situação atual do mercado, que não concordo com ela e que estou disposta a ajudar a mudá-la. Afinal, ao contrário de muita gorda que fica sentada na frente do computador atacando, ofendendo e depreciando quem se predipõe a fazer alguma coisa por nossas plus size, eu sempre estou disposta a contribuir. Fiquei relatando minha experiência a frente do Portal Negritude do qual fui editora, numa tentativa desesperada de mostrar: “olha, sou legal, acredite em mim”. E é por este motivo que colei suas respostas na íntegra.

****

Lembro-me quando iniciei minhas atividades no Blog Mulherão e recebia alguns e-mails dizendo que eu era racista, porque no Dia de Modelo só havia participantes brancas. Uma bobagem! O Dia de Modelo não é filantrópico, é um evento custeado pelas participantes e eu não tinha como obrigar nenhuma negra a pagar e participar, e nem era essa minha intenção. Notoriamente, naquele início, a participação de negras era bem menor.  Segundo Alessandra, esse fato poderia se justificar pelo medo da rejeição. “A mulher preta por si só já tem auto-estima baixíssima por conta do racismo e todas as formas de exclusão e perda de identidade que ele acarreta. A mulher gorda de modo geral nem se fala… Somos tidas como ET´S pelos demais… Então a mulher preta e gorda tem o dobro de dificuldade de acreditar que é linda e que pode fazer o que bem entender.”.

Já no Fashion Weekend Plus Size, as marcas que desfilam são orientados por mim a privilegiar a diversidade de raças em seus castings. Porém, a melhor forma das confecções entenderem essa necessidade e ampliarem seus quadros de modelos deve partir de vocês, consumidoras de moda plus size. Escrevam para os estilistas e manifestem suas opiniões nas redes sociais. Claro, de forma educada e construtiva, pois no momento em que a Militância vira Ignorância, ela perde o seu efeito.

Para acompanhar a Preta & Gorda, clique aqui.

35 Comentários

Arquivado em O que rola por aí, Para Refletir, Preconceito