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Alma feminina…ops, masculina!

Por Keka Demétrio

Falamos e discutimos tanto sobre a alma feminina, tentando entender esse turbilhão de emoções que se conectam dentro de nós nos transformando em seres muito especiais e, de acordo com a grande maioria dos homens, complicadíssimas e impossíveis de serem explicadas.

Mas acho que estou começando a nos achar egoístas. É, somos E G O Í S T A S! Na maior parte do tempo em que falamos e trocamos idéias só sabemos discutir sobre nosso mundo cor-de-rosa, em como vamos realizar nossos sonhos e desejos, de como nos sentirmos mais bonitas e firmes diante da vida. Além, é claro, de esbravejarmos que somos incompreendidas, que os homens são uns cafajestes, que estamos com eles porque é um mal necessário, que isso e que aquilo.

Ãhn, mas como assim?!

Homem, mas estou dizendo homem de verdade, daqueles modelo com H maiúsculo (aiai, até suspiro quando penso. Sim, porque sou dessas, não desisto never!!!), não é mal necessário coisíssima nenhuma, muito pelo contrário, é um bem mais do que necessário, diria que é essencial e possuem alma. Isso mesmo, nosso egoísmo nos fez esquecer que homens possuem alma.

Você já parou para pensar sobre a alma masculina, os mistérios contidos nela, sonhos, desejos, fugas? Já passou pela sua cabeça que não deve ser nada fácil para eles crescerem ouvindo que homem não chora, que homem não pode expressar sentimentos, porque quando o faz isso pode fazê-lo parecer fraco? Já passou pela sua cabeça que seu companheiro já quis te dizer um monte de coisas bacanas, mas não o fez porque se sentiu inseguro e temeroso? Você sabia que por detrás daquela expressão máscula e forte de quem quer proteger existe um menino que muitas vezes só quer recostar a cabeça em seu colo, sentir a delicadeza das suas caricias e ter a certeza de que pode contar com você?

Se eu perguntar do que os homens gostam, automaticamente muitas mulheres irão responder: futebol, cerveja e mulher, não necessariamente nesta ordem. Mas será que é realmente só isso que interessa aos homens? Será que não está na hora de darmos uma trégua, baixar a guarda e começarmos a reparar em nossos companheiros não só como macho procriador e realizador dos nossos desejos, mas como seres humanos que também erram e acertam, que caem e levantam, que são feitos de sentimentos e que, embora possam parecer muito diferentes de nós porque usam muito mais a razão do que a emoção, também possuem um coração que precisa ser aquecido?

Será que não está passando da hora de enxergarmos que em um relacionamento existem duas almas distintas e que nenhuma deve prevalecer sobre a outra, mas sim agirem de forma a complementarem-se. Que os sonhos de um não pode causar a morte dos sonhos de quem ama, e isso não quer dizer que vai ter que se sacrificar ou se anular, o que quero dizer é que se souber usar de sabedoria irá conseguir adequar os seus sonhos à mesma estrada da realização dos sonhos do seu companheiro. Um auxiliando o outro em todos os sentidos. Antoine de Saint-Exupéry retrata isso muito bem em uma frase super conhecida, porém pouquíssimo compreendida: “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”

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Eu te amo!

Por Keka Demétrio

Banalizaram o “Eu te amo!”. Sim, dizer eu te amo virou frase feita na boca das pessoas. Dizem eu te amo a torto e a direita sem se importarem com o real significado dessas três palavrinhas que de tão importantes que são possuem o poder de modificar pensamentos, atitudes, vidas. Dizer eu te amo é até certo ponto fácil, complexo mesmo é viver o amor, esse sentimento sem lógica que nos dá a consciência do que verdadeiramente somos e existimos.

O sujeito diz que te ama, que você é a mulher da vida dele, age como quem realmente ama, e você, calejada pelo passado, fica reticente, desconfiada e não leva muito a sério. As amigas dizem que voc é uma boba e que está deixando escapar um homem maravilhoso, e mais, ainda dizem que se você não o quiser pode passar o gato que qualquer uma ficará muito feliz com o dito cujo.

Você pensa, repensa, pesa os prós e os contras, resolve esquecer as mágoas que o “eu te amo” já lhe causou e resolve se entregar de novo. Abaixa a guarda e resolve deixar o coração bater descompassado. A vontade de estar com ele se faz frequente, e até a velha cara de apaixonada você não faz mais questão de esconder, suspirando sempre que se lembra do lindo. Aliás, tudo isso é muito lindo, até que o principe encantado, sem te avisar,  resolve dizer eu te amo para outra.

Então você fica se perguntando onde é que foi parar o amor que lhe era devotado ao se lembrar da inúmeras vezes em que ouviu eu te amo e quero você pra sempre na minha vida. É, parece que o principe que faltava adivinhar seus desejos mais ocultos teve um lapso sentimental e esqueceu tudo o que dizia a você assim que surge a oportunidade de soletrar as três palvrinhas mágicas a outra mulher, que surgiu não se sabe de onde  e nem quando, e volta a ser um belo exemplar de anfíbio.

Antoine de Saint-Exupéry, na obra O Pequeno Principe, diz que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, portanto, não saia distribuindo eu te amo como quem distribui sorrisos, porque ao contrário de um sorriso, que é sempre bem vindo e afaga a alma, o eu te amo da boca pra fora pode machucar a alma.

Quando crianças brincamos de casinha, pique-pega, amarelinha, bandeirinha, até de médico a gente brinca. Isso tudo é saudável e nos ensina a viver em sociedade. E a gente pode e deve brincar de muitas coisas na vida, inclusive de ser feliz, o que é um exercício fantástico, o que a gente não pode, de jeito nenhum, em momento algum, é brincar com os sentimentos e a vida das pessoas. E dizer eu te amo, sem realmente amar, é mesmo uma brincadeira de péssimo gosto.

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