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Bulimia, diuréticos, laxantes, antidepressivos vale tudo pra vencer a guerra com a balança?

Por Simone Fiúza
Claro que não sou nenhum exemplo de alimentação saudável, corpo perfeito. Mas parece que tem uma chave na minha cabeça e passo dias de dieta, me alimentando bem, malhando… Aí derrepente essa chavinha é desligada e eu esqueço tudo o que fiz e coloco tudo a perder, como absurdamente tudo o que não presta. É muito louco isso, né?! Queria que minha mente ficasse ligada pra sempre na opção “saudável”! Sim, sou compulsiva e tenho que tratar a minha cabeça de gorda!

Sempre fui uma criança fofinha, mas não obesa. Tenho duas irmãs magras, uma família magra e eu sempre fui a mais cheinha. Cresci, sofri como todo gordinho no colégio, todos os apelidos que conhecemos bem ou a famosa musiquinha “gorda, baleia, saco de areia…” . Minha mãe nunca se conformou em ter uma filha mais gordinha, talvez por sentir o preconceito que sofria e  sempre me apoiou a emagrecer, me levou a vários endocrinologistas, nutricionistas…todos os istas possíveis! Enfim não deu certo como podem perceber! Risos

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Na minha vida adulta (não tão adulta assim! Hahahaha) acho que o peso mínimo que eu tive foram 75 kilos, distribuídos em 1,71 de altura, por incrível que pareça eu fiquei bemmm magra, parecia aqueles bonecões do posto com braços enormes.
Lembro que na época um namorado me disse, que ainda precisava perder mais uns 5 kilos pra ficar bacana. VTNC!! (Desculpem, mas foi mais forte que eu!) claro que terminei com ele!

 

Pesando 75 kilos

Pesando 75 kilos

Mantive esse peso por 2 anos, como? Tomando 3 litros de chá verde por dia, 2 maçãs, 1 filé de frango, água e 2 folhas de alface, sim essa era a minha alimentação todos os dias. Hoje tenho ânsia quando vejo chá verde, será porque né?! Hahahaha E sem contar quando estava muito na nóia de emagrecer, comia um pouco mais de frango, ou uma maçã a mais e em seguida ia para o banheiro vomitar, vomitei várias vezes e me sentia limpa com isso.

Uma vez para me sentir limpa cheguei a tomar 6 comprimidos de lactopurga e 5 coprimidos diuréticos daquele porreta! Senti cólicas absurdas, dores no abdomên, tonturas e não sai do banheiro por umas 3 horas e sem contar que perdi tanta água que desidratei e fui parar no hospital para tomar soro. Que belezinha, né?!

Tomava  4 comprimidos de sibutramina e femproporex por dia, resolvi ir pra balada exibir os 75 kilos na pista de dança, bebi como se não houvesse amanhã, já que não pode comer, vamos beber! Rsrs Desmaiei na pista, me tiraram com uma cadeira de rodas, fui pra enfermaria, depois pro hospital (isso me contaram, não lembro de nada!) e eu poderia ter morrido com essa combinação incrível e remédios com álcool.

E foram tantas dietas, academias e remédios tomei todossss os possíveis de sibutramina, efedrina em doses absurdas, femproporex ao famoso xenical (sim eu cagava o dia inteiro, literalmente um pato ambulante).

Entrei em muitos, digo muitoooos consultórios de endocrinologistas que tiravam a dieta xerocada da gaveta e mandava eu seguir, 1 xícara de café, 2 bolachas de água e sal e blá blá blá e eu sempre questionava “mas a bolacha de água e sal é rica em gordura” e o médico ficava puto da vida, me fuzilava com o olhar.

Sem contar quando via alguém tinha emagrecido, perguntava como e por mais maluco ou não tentava fazer igual, menos quando a pessoa me dizia que emagreceu fazendo reeducação alimentar e exercícios físicos.

Frequentei a maioria das academias do meu bairro, malhava por alguns meses, mas quando a chavinha da cabeça desligava eu não suportava ver aquelas pessoas magras, bundas na nuca malhando o dia todo e para mim um processo dolorido e tudo ia por água abaixo mais uma vez, quando a perna estava ficando boa, sem celulite e o bumbum durinho eu jogava tudo pro alto.

Pesando 96 kilos

Minha vida sempre foi conviver com efeito sanfona, emagrecia 20 engordava 30, eu até brinco que meu corpo se me apertar eu toco forró.

Mesmo gordinha já fiz lipoescultura pesando 96 kilos, as gordurinhas nas costas e nos flancos me incomodavam demais da conta, não queria emagrecer e fiz a cirurgia e coloquei silicone nos seios, fiquei com o corpo incrível, gordinha com tudo no lugar e amei o resultado, claro que depois de vários “engorda e emagrece” e uma gravidez que engordei 30 kilos o resultado foi embora. Ai todo mundo me pergunta, mas se você gosta de ser gordinha porque fez lipo? Ah gente fiz lipo porque quis melhorar minha silhueta, meu contorno corporal, tirar na faca as gorduras das costas, as gordinhas também podem se cuidar.

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Engravidei em dezembro de 2011 e engordei 30 kilos, sim exatos 30 kilos virei uma porpeta ambulante de tanto inchaço nas pernas, eu vacilei deveria ter me cuidado mais, assumo! Mas aproveitei a desculpa da gravidez e mais uma vez comi sem limites.

8 meses de gestação

 

De um tempo pra cá, acho que desde que participei do quadro “Casamento na Balança” (no qual perdi 25 kilos e meu esposo 30 kilos) da Record, a minha saúde estava comprometida, aprendi muitooooo tanto com os médicos que nos acompanhavam e com leitura, fui aprendendo mais e mais sobre a alimentação saudável e hoje sempre penso em nutrir meu corpo, estou mais consciente e “tento” ser saudável, ensinar hábitos saudáveis para o Davi (meu filho de 2 anos). Mas infelizmente ainda tem dias que a chavinha desliga e eu quero jacar, comer o mundo com ketchup e leite condensado e esqueço de tudo o que sei!

Mas desde o nascimento do Davi, nunca mais me droguei com esses “remédios”, morro de medo de tomar, ter um piripaque e deixá-lo.

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Hoje eu busco ter uma vida mais saudável, com alimentos, frutas, legumes, pesquiso muitoooo sobre isso para pelo menos tentar ensinar para o Davi o caminho certo (vocês devem notar pelo instagram rs). Sei que peco quando jaco e acabo comendo como se não houvesse amanhã, mas estou sempre em busca do meu melhor, de ser uma pessoa melhor e ter a saúde em dia.

Por muito tempo de minha vida travei a guerra com a balança e deixei de fazer muitas coisas por causa do meu sobrepeso, inclusive ser feliz! Me privava de sair, ir em lojas, passeios, piscinas (era super traumatizante), baladas. Hoje além de peso, balança, remédios eu quero É SER FELIZ! Aceito o meu corpo, gosto de ter pernão, mas não amo o meu braço de pernil de natal hahahaha toda mulher é assim, né?!

Mas não aceito deixar para amanhã, mês que vem, ano que vem ou quando “emagrecer” para ser feliz, a vida é tão curta para nos privarmos de sermos felizes.

Não está feliz com o corpo? A saúde não está legal? Vamos emagrecer, cuidar da gente!

Mas se você é feliz assim, a saúde está bacana mostre pro mundo que o seu amor próprio é maior do que qualquer amor. E seja FELIZ!!
Bjokas e se amem!

 

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Carta para minha mãe que me chama de gorda

Por Renata Poskus Vaz

fat womanFoto: Marjai Judit

Mãe, ontem a senhora me chamou de gorda.

Ok, eu sei que você falou com jeitinho para não me magoar, mas magoa. A senhora fala como se eu não enxergasse o que vejo no espelho, como se eu não percebesse que há tempos já passei do manequim 50. Não que eu ligue de ser gorda, muito pelo contrário. Mas os seus apontamentos sempre vem muito carregados de preconceito. Eu me sinto rejeitada e humilhada quando você faz isso.

Quando você fala que se preocupa comigo e que tem medo que eu não consiga um namorado por causa do meu peso, eu até entendo. Mas agora, mãe, vou te dizer a verdade: eu te entendo, mas não concordo. Eu não planejei ficar gorda, mas fiquei. E quer saber? Eu me amo pacas!

Não me culpe por meus quilos extras, como se eu fosse negligente ou relaxada. Se quer saber, mãe, sempre guardei algo para não te machucar, mas se fiquei gorda também é por culpa sua.

Lembra que a senhora rasgava os bicos da mamadeira para eu mamar mais rápido? Lembra que colocava metade da mamadeira de leite e a outra metade de Neston e açúcar? Era praticamente um mingau grosso, um coquetel de diabetes, que eu mamava 5 vezes por dia.

Mãe, você se lembra que só me deixava sair da mesa quando raspasse o prato? E que a cada refeição você aumentava a quantidade? Parecia que eu sempre tinha um novo desafio, comer mais e mais para não ficar de castigo e não deixar a mamãe chateada. Quando eu não comia tudo era aquele inferno. Eu até apanhava. Você pode negar, mas eu me habituei a comer para não te decepcionar, para ser elogiada e me sentia feliz com isso.

Eu me lembro também de ouvir a senhora falar que a  Dona Matilde, nossa vizinha, era uma má mãe, porque as filhas dela eram magrinhas demais, pareciam raquíticas e deviam não comer direito em casa. “Olha como essas meninas são feinhas, magrinhas”, você dizia. Eu queria ficar bonita. Hoje, você me compara com as filhas da Dona Matilde, que são altas e magras. Você sempre me diz: “tá vendo, olha lá a Marcinha, magra e linda. Conseguiu um marido rico! Aprende com  ela!”.

Mãe, como eu disse, eu não escolhi ser gorda. Eu me tornei uma. E não sou eu a única responsável por meus quilos extras. Agora sou adulta e não vou mais chorar o leite derramado. Eu poderia fazer dietas malucas para te agradar, para emagrecer, mas minha saúde está em ordem, estou aprendendo a comer direito e isso me basta, não vou ser escrava da balança. Conviva com isso mãe. Não tenho mais a obrigação de te agradar. E se você me amar de verdade, vai me aceitar assim. Assim como sou. Gorda e feliz.

update: Garotas, esse texto é uma crônica, um “faz de conta” inspirado em dezenas de relatos de leitoras tristes com situações em que passam dentro de suas próprias casas. Minha mãe morreu há mais de uma década. Na ocasião eu pesava menos de 60 Kg. Ou seja, eu era magra. Além disso, minha mãe não cometia esse tipo de crueldade comigo (ah, sim, ela entupia minha mamadeira de  açúcar e Neston e me fazia raspar o prato, além de me dar Coca-cola na mamadeira, mas não me humilhava e nem me cobrava um corpo perfeito). Ou seja, esse texto é apenas para refletirem.

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