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Conversa de pré-pai para quase filhas

Por Edu Soares

Hoje escrevo exclusivamente para nossas queridas leitoras adolescentes. Estou com 32 primaveras nas costas e começo a exercitar meu lado paternal (sem maldades) da melhor forma possível: proseando. Adoro debater, ouvir/ler opiniões distintas, conhecer os dois lados de um mesmo assunto. Exceto em raríssimos casos, unanimidade gera preguiça cerebral.

Acidentes de trânsito acontecem em sua maioria por dois motivos distintos:

Embriaguez – incrível como algumas pessoas teimam em beber e dirigir. Esquecem que álcool é combustível apenas para os veículos e não para seus condutores. Na verdade fico preocupado não com o motorista (caso este se prejudicasse sozinho, beleza) e sim com as pessoas que podem sofrer por causa da imprudência de um sujeito imbecil.

Excesso de confiança – para alguns, afundar o pedal direito e ouvir o motor roncando alto significa pilotagem profissional. Infelizmente estive envolvido indiretamente neste exemplo. E até hoje sofro por isso. Muita molecada bate com o carro por excesso de confiança. Fora isso, conheço gente que mal tirou a habilitação é já pensa em pilotar um carrão que vai de 0 a 100 em sete centésimos de segundo. Dizem que a mulherada é mais prudente do que nós, homens. Pode ser, mas imprudência independe de sexo, idade, nível de escolaridade ou classe social. Afinal de contas, ser atropelado por um Fusca verde ervilha 1969 ou um Mustang GT 500 gera a mesma fratura.

Bom, vamos pautar no segundo exemplo. Quantas vezes cometemos erros por excesso de confiança? Seu chefe (muitos adolescentes trabalham, pois eles influenciam no sustento da família e tenho certeza que alguns de vocês se enquadram neste perfil) pede aquele relatório que você sabe fazer num piscar de olhos e por isso, a tarefa fica para depois. Só que acontecem quinhentas coisas ao longo do dia e quando a ficha cai, começam as cobranças de todos os lados, criticas, pressão…

Sua inteligência é evidente. Sabendo disso, você dedica pouco tempo para fazer uma revisão naquela matéria complicada da faculdade. A prova está chegando mas sua atenção está voltada em mil e uma coisas, exceto na dedicação para a tal prova. Eis que chega o dia e…deu branco! Como pode? O que aconteceu? Você sabia de tudo!!

E quando o assunto é coração, a confiança pós-juvenil/pré-adulta ganha ares inatingíveis. Aquela pessoa que mexe com você resolve investir pra valer na ficação (ou namoro, quem sabe). Para conquistar alguém, fazemos de tudo. Ou melhor, falamos de tudo. Citamos, concordamos, acatamos, prometemos. Mas nem sempre a pessoa que faz juras cumpre com as promessas. Confiar desconfiando é a melhor solução? Não sei, mas confiar cegamente em tudo o que você lê/ouve certamente não é atitude mais sensata.

Mas não tem jeito, o maior sábio do mundo pode enchê-las de conselhos só que todo e qualquer assunto referente a sentimentos só é acatado quando nós passamos por atribulações. Lembra do exemplo “só aprende a andar de bicicleta quem cai”? Pois é, o mesmo ocorre com quase todos nós.

Bem, antes que as quedas forem hematomas cada vez maiores, pise no freio. Antes que o excesso de confiança ganhe ar de prepotência, seja mais humilde. Antes que o chefe assine sua rescisão, pense na sonhada promoção (não a do shopping e sim a profissional).  Confie nos outros, mas seja precavida. Confie em si. Não em excesso e sim na medida certa para que suas qualidades façam a diferença e não a descrença. E não esqueça: se for dirigir, não beba. Prefira a barrinha de chocolate. Diet, claro.


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