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Dance, dance, dance…

Por Grazi Barros

Quem não já ouviu uma história de uma gordinha que foi discriminada na academia ou numa sala de dança?! Todos já ouviram histórias de discriminação nesse lugares, e esse foi o caso de duas das nossas amigas do II dia de modelo do RJ: Roberta Ferreira e Paula Khalil.

Na última fileira, bem escondida…

Enquanto se preparava para a sessões de fotos do Dia de Modelo do Rio de Janeiro, Roberta Ferreira se aquecia delicadamente, esticando os pés graciosamente e com uma postura digna de uma bailarina. Quando era criança, Roberta fazia jazz. Ela adorava, mas nas apresentações de fim de ano, sempre era posicionada pela professora na última fila e por lá ficava durante toda a coreografia. Na frente, eram apenas as magrinhas. As gordinhas, por mais que dançassem bem e tivessem tanta técnica quanto as magrinhas, ficavam atrás, escondidas, excluídas e discriminadas. Por conta disso, Roberta deixou de freqüentar o grupo de dança, embora ainda seja apaixonada pela modalidade.

Dança do ventre, a predileta entre as gordinhas

Já Paula Khalil, não sofreu preconceito por parte da professora mas das “coleguinhas” da academia. Ela fazia jazz e sapateado na infância e ouvia constantemente das “parceiras” magrinhas de turma, que se continuasse dançando daquela forma, ela iria “quebrar o chão”. Sofreu tanto preconceito que acabou engordando mais e mais, chegando a pesar 120 kg. Desistiu do jazz e do sapateado até que, mais tarde, resolveu emagrecer e atingiu o manequim 48. Ela redescobriu o prazer de dançar e encontrou nessa oportunidade uma maneira de ser feliz. Atualmente, Paula pratica a dança do ventre e com ela descobriu a sensualidade, o movimento, a alegria e a certeza de que mesmo mais cheinha era capaz sim de dançar e muito bem.

Grupo Plus Size de Dança do Ventre

Visionária, Paula reuniu as amigas do mulherão e montou um grupo de dança do ventre. A intenção não é formar bailarinas profissionais, mas permitir que cada participante redescubra a feminilidade, o bem-estar e o prazer, mesmo estando acima do peso. Além disso, melhorar a saúde. Segundo Paula, será uma oportunidade maravilhosa de conhecermos a “Deusa” que existe dentro de cada uma de nós e mostrar que, apesar de gordinhas, somos sim, capazes de dançar e com graciosidade e beleza!

Para mais informações, acesse a comunidade do Orkut do Mulherão Carioca.

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Gordinhas Lindas promove concurso de dança do ventre

Blog vai eleger a melhor dançarina do ventre. Para participar, ter uns quilinhos a mais é a primeira condição

LucianeNa foto, a linda Luciane

Quem gosta de internet e está sempre antenada no mundo das gordinhas, já deve conhecer o Blog Gordinhas Lindas. Eles estão sempre criando concursos culturais para as suas leitoras.

Agora, o Gordinhas Lindas inova mais uma vez e lança o primeiro Concurso de Dança do Ventre para gordinhas, no Brasil.

Serão, ao todo, quatro votos: três de jurados técnicos e o voto dos leitores. As pessoas interessadas deverão se inscrever via e-mail, gravar em vídeo uma apresentação solo utilizando uma música pré-estabelecida pelos jurados técnicos e colocar o vídeo no youtube.

Prêmios:
1º lugar: R$100,00;
2º lugar: Um chale no valor de R$ 75,00.

Para mais informações, entrar em contato por meio do e-mail: gordinhaslindas@hotmail.com.

Obs.: Inscrição gratuita

http://www.gordinhaslindas.com

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Keila Silveira comprova que as gordinhas arrasam na dança do ventre. Basta querer!

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Não é fácil sair do sedentarismo e permitir se entregar à uma nova arte e a um novo estilo de vida. Para quem tem mais de 100 Kg, se imaginar com uma roupa de dançarina do ventre, se apresentando com charme, sensualidade e elegância, pode ser difícil de se concretizar, um sonho distante. Para Keila Silveira, 28 anos, 1,70m e atualmente 85 Kg, isso é realidade. Há quase três anos ela pratica a dança, quebrou tabus, venceu a depressão, perdeu 15 Kg, e deixou o queixo de muita magrinha caído no chão com sua técnica apurada e movimentos graciosos.

Ela ainda não se considera profissional, faz curso com Lulu Sabogi, que considera uma das melhores professoras de dança do ventre do Brasil, mas já dá aulas e coreografa para grupos em Campo Grande, sua cidade. Keila também é graduada em letras, cursa psicologia e faz pós graduação em gestão de pessoas.

Quer saber mais? Então confira a entrevista abaixo. Quem sabe você não se anima e começa a dançar também?

 

Mulherão – Como surgiu a vontade de fazer dança do ventre?

Keila – Sempre me interessei pela dança, mas os horários e a situação financeira não me permitiam. Um dia uma amiga me convidou, disse que queria companhia. O convite tinha outros motivos: eu pesava quase 100 Kg, havia acabado de sair de um relacionamento de quase 4 anos, tomava anti-depressivos que detonavam minha libido, não queria mais sair de casa, não sentia prazer em nada, só queria mesmo era chorar, dormir e comer.

 

Mulherão – Como foram as primeiras aulas?

Keila – Eu me sentia ridícula e que todos iam ficar rindo da minha cara. Mesmo com a vontade de fazer a dança, ficava incomodada com o espelho da sala de aula, ia de calça e camiseta. Não houve milagre. Foi só com o passar do tempo que passei a me ver diferente, a me admirar, e foi aí que o mundo mudou para mim.


Mulherão – Ser gordinha atrapalha ou ajuda na hora de dançar?

Keila – Já vi pessoas comentarem que as gordinhas são mais lentas, desajeitadas, não têm fôlego para dançar muito tempo e que sofrem dos joelhos. Qualquer pessoa de vida sedentária tem essa dificuldade no começo, gorda ou magra. Sinceramente, o que mais atrapalha é a nossa mente, sejamos gordas ou magras. Se você se empenha, gosta do que faz, algo bom tem de sair daí, nós é que estragamos quando não nos consideramos capazes. Ser gordinha me atrapalhava quando eu me sentia feia, achava que iriam rir da minha dança e tantas outras neuras que eu tinha. Só que ser gordinha deixa alguns movimentos muito mais graciosos, coisas que as muito magras sofrem para fazer aparecer.

 

Mulherão – Culturalmente, as dançarinas do ventre do oriente são mais gordinhas ou magras?

Keila – Tradicionalmente, os árabes valorizam as mulheres “avantajadas”, é uma questão cultural: sinal de saúde, nobreza e que ela seria uma ótima mãe. Uma das bailarinas mais famosas, Fifi Abdo, tem um corpo lindo, mas não está dentro dos padrões ocidentais e esses, infelizmente, têm influenciado no corpo das bailarinas do mundo todo. Hoje, comercialmente falando, há muito preconceito com as gordinhas. Não importa se arrasam, o que importa é que é gorda. Se é magra, pode ser uma dançarina ruim, mas é magra.

 


Mulherão – Você já sentiu preconceito por ser gordinha ao se apresentar?

Keila – Várias vezes, como quando estou entrando e algumas pessoas fazem aquela cara de “o que essa gorda pensa que vai fazer?”. Aliás, adoro desfazer essas caras quando mostro o que sei fazer. Quando comecei, não havia outras gordinhas no studio onde faço, elas foram chegando depois e muitas vinham me elogiar, dizendo que se animaram ao me ver, que não se sentiam bem, afinal, é difícil você ficar num lugar onde não se identifica com ninguém. Ouvi coisas desagradáveis, mas não desisti. Hoje, pouquíssimas vezes sinto algum preconceito, mas aprendi que os outros eu não posso ir lá e mudar, se eu tentar fazer isso, sempre vou me frustrar. Mas se eu mudo a mim, se deixo de fazer me sentindo feia e me entregando de alma e coração, tudo flui, e posso não mudar o mundo, mas se isso influenciar uma ou outra cabecinha vazia e fizer uma gordinha sequer se sentir linda e sensual, já fico feliz.

 

Mulherão – Que conselho você daria ás meninas que desejam se iniciar na dança do ventre?

Keila- Dance. Se você sente vergonha ou medo, saiba que o que determina o nosso modo de agir não é a realidade existente, mas aquilo em que cremos e que, para nós, é a verdade. Se sempre pensar “sou gorda, isto não é para mim”, então não vai ser mesmo, não pelos outros, mas porque você acredita nisso. Permita-se viver essa experiência, imagine-se fazendo, é a nossa imaginação que controla o mundo.

 

Assista a apresentação de Keila:

 

 

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