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Minha pequena Isa

Por Eduardo Soares

Assim que acordei, olhei para o lado e…para minha felicidade ela estava lá. Por alguns segundos não contive o leve sorriso ao ver aquele rostinho lindo com pele macia naturalmente morena – um tanto bronzeada–, as generosas (para não dizer grandes) bochechas vermelhas, a boca pequena semiaberta em forma de biquinho, o narizinho desenhado a mão, as sobrancelhas grossas (herança paterna) e o cabelo castanho claro harmoniosamente desalinhado. Parecia sintonia. Enquanto eu olhava, ela acordou e deu um sorriso tão leve quanto o meu, para depois murmurar um “bom dia” enquanto espreguiçava para depois esfregar os olhos.

Quantas lembranças adoráveis. Certa vez, sei lá quanto tempo faz, num aniversário meu fui acordado de sopetão. Ela apareceu (toda de branco), ficou de pé sobre minha barriga que mais parecia um puff e com um embrulho amarelo-transparente nas mãos disse:

– Parabéns! Acordaaaaaa, pai! Hoje o dia é seu!!

Ia abrir o pesado presente (era uma cesta de café da manhã) mas não tive tempo. Ela pulava, pulava, pulava e eu coitado, demonstrava uma felicidade silenciosa porque a cada pulo dela na minha barriga, o ar ia embora dos meus pulmões.  Assim que consegui respirar, peguei-a braços e aí dei inicio a uma sessão deliciosa de cócegas. Ríamos juntos: ela, devido a manifestação de carinho e eu ria daquele maravilhoso presente – não o do embrulho amarelo – matinal.

Chuva. Nossa, como adorávamos correr para debaixo do aguaceiro celestial. Isso também foi herança minha. Certa vez, caiu um pé d’água daqueles e eu, como sempre faço, arrumo algum pretexto para ficar todo encharcado na varanda. Enquanto a chuva envolvia meu corpo como um lençol divino, fechei os olhos, ergui a cabeça (isso sempre acontece e provavelmente vou continuar fazendo isso até o fim da vida) e fiquei simplesmente parado. Segundos depois um “atchim” rompeu o som da chuva. Era ela, literalmente meu reflexo em forma de pingo de gente, sentindo os pingos na mesma posição que a minha. Só um detalhe: de vez em quando ela abria um olho para ver minha reação. Ao notar que eu a via, ela rapidamente tratava de fechar novamente os olhos. Ah, aquele dia rendeu (além dos alguns copos de limonada, apenas por precaução) uma tarde de pipoca com direito a trocentos desenhos animados: desde Up – Altas Aventuras (que eu adoro por influência dela) até Pernalonga, Corrida Maluca e Bibo Pai e Bob Filho (todos esses velhacos ela adora, por influência minha).

Em dias de jogos, era ritual. A cada gol do nosso time, corríamos juntos para a varanda e gritávamos “NENSEEEEEEEEEEEEEEE”, para delírio e alegria dos vizinhos. Ela ainda completava com um “UHUUUUUULL” mas nesse ponto eu não a acompanhava pois nunca fui fã dos gritinhos tipo yahoooo, yesss, ah moleque e uh tererê da vida.

Era inaceitável ficar triste perto dela assim como era inaceitável vê-la triste. Mesmo quando ela foi vice-campeã do torneio infantil de natação do clube. Nunca a vi chorar tanto. Deixei-a sentir aquela tristeza intensa mas depois a encorajei dizendo que era poderia e iria ganhar em outras oportunidades. Semanas depois, ela deu um pulo no meio peito e chorou de alegria por causa da primeira medalha de ouro conquistada naqueles inacreditáveis seis anos de vida.

Hoje, assim que acordei, olhei para o lado e…para minha infelicidade ela não estava lá. Bateu um vazio absurdo, inexplicável. Era agoniante saber que eu não a teria por um segundo sequer. Lembrei da última frase da crônica “Rita” de Rubem Braga e faço dela o resumo da minha história: minha filha em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca teve.

Tudo foi apenas sonho. Um dia, quem sabe, eu venha abraçar minha pequena Isa como você fará com seu(ua) filho(a) depois de ler essas mal traçadas linhas.

Faça por você.

Faça por ele(a).

Faça pelas lembranças adoráveis. E eternas.

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Patroa

Por Eduardo Soares

É ela
Que se joga no chão enquanto chove
Canta qualquer coisa para me encantar de qualquer jeito
E depois, cheia de dengo (em doses tímidas)
Usa e abusa daquele cenário sensual
Me convida pra deitar do seu lado, no barro molhado
Avessa ao modismo, vem com aquele sorriso lindo
E me beija sem pressa debaixo do temporal

É ela
Que faz do meu peito seu travesseiro
Enrosca suas pernas no meu corpo
Como quem diz “bom dia, fica mais um pouco”
E eu que não sou louco
Nunca irei recusar essa travessura

É ela
Que manda lá em casa
Que dita as ordens do jogo
Que alimenta meu fogo
Que aumenta meu amor de novo
Dia após dia
Poesia após poesia
Melodia após melodia
Entre teimosias e ousadias
Entre manhas e manias
A cada futura nostalgia
Nas antigas fotografias
Nas noites de boemia
No silêncio da calmaria
Nas palavras de sabedoria
Na contínua caligrafia
Pertencentes às páginas de ficção e fantasia
Da minha biografia

É ela
Quem leva a bossa
Sou eu
Quem lava a louça
Sou eu
Quem faz a janta no domingo
É ela
Que acaricia a barriga
E carece ter três filhas comigo

É ela
Que dá gargalhada deliciosa
Que tem a pele cheirosa
Que adora ser chamada de charmosa
Que chora ao ganhar uma rosa
Que da vida goza
(E goza no meu ouvido)
Que me considera um abrigo
Que me descobre tímido ou atrevido
Que tem um querer quase abusivo
Que resgatou meu sentimento foragido
Que prendeu meu instinto bandido
É ela
A quem chamo de patroa
E ela
Me chama de marido.

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Qual é o nosso medo, rapaziada?

Por Eduardo Soares

Semana passada bati um papo com Keka a respeito de temas para os textos. Tinha um em mente mas as idéias não estavam de acordo com as palavras e assim era praticamente impossível elaborar algo decente. Foi então que ela sugeriu algo: escreva sobre a imaturidade masculina! Do que vocês têm medo na paquera, namoro e conquista?

Cocei a cabeça, relutei um pouco até chegar ao ponto de partida para criar o enredo da trama. Notei como é fácil apontar o defeito dos outros (leia-se femininos) e esquecer dos nossos (marmanjos barbados). E quando falamos em imaturidade, lembro-me de dois conceitos paradoxos presentes na minha vida (e acredito na sua também):

 1) as meninas amadurecem mais cedo;

2) as mulheres são em sua maioria imaturas.

Explico melhor. Não que você concorde com as frases acima mas em algum momento da sua vida, algum trainee de filósofo ou aspirante a psicólogo citou tal pérolas para o seu apreço ou discordância. O que na verdade é uma tremenda bobagem sem sentido. As teorias citadas não caminham juntas, não existe lógica para o término de uma e a sequência da outra, sem intervalos. Ou então a pessoa errou a mão e perdeu o caminho em algum momento da vida. Mal comparando, é como se um motorista vindo do Paraná com destino à São Paulo fosse parar no Tocantins! Se a menina amadureceu precocemente, porque raios ela iria regredir justamente na fase adulta? Qual foi o desvio de rota dessa criatura? Nem se ela tivesse dado o pior dos azares no mundo no que diz respeito aos romances.

 Bem, desde os primeiros beijos dados na adolescência, os homens preferem deixar a falsa impressão da sabedoria plena. É inconcebível para alguns que a mulher seja simplesmente mais inteligente que ele (nem me refiro a conhecimentos didáticos, falo da escola da vida mesmo). Ok, não é exatamente uma questão de preferência, e sim do tamanho do prejuízo, afinal de contas nós (me incluo nessa, porque não?) perdemos o controle da situação (ou erramos o caminho e seguimos rumo ao Tocantins) quando temos ao lado uma mulher mais, digamos, sagaz que nós. Parece que assinamos um atestado de humilhação VIP perante nossos amigos e parentes. Pra essa galera, por mais que o cara seja um cabeça-dura, ele precisa se iludir e acreditar que a parceira é apenas uma bela mulher (JAMAIS superior a ele no quesito inteligência) a lhe fazer companhia.

Sendo assim, te surpreende o livre-arbítrio de certas escolhas masculinas? O setentão ao lado da menina de vinte (sendo esta mais nova até do que a caçula dele) é a prova disso. Ambos estão juntos num relacionamento pra lá de incomum perante os olhos do bom senso. Mas a cabeça de cada um idealiza a situação da seguinte forma:

ELE – Sou o mentor dela, professor da vida, dou no couro com estilo, sou Ph.D. em sexo tântrico (patrocinado pelo Viagra), sujeito na qual ela tem o maior respeito. Fora isso, meus amigos estão com seus calhambeques femininos enferrujados e eu aqui numa boa…

ELA – Quando será que ele vai morrer? Estou querendo comprar outro Aston Martin V12 Vanquish mas ele é um pão duro desgraçado! Preciso matar esse velho na cama!!

Sejamos sinceros. Em 90% dos casos como no citado acima, ambos pensam dessa forma. Sabe como podemos nomear isso? Síndrome de Peter Pan, velho babão, amor de setenta (cê setenta que um dia ele morre), ou simplesmente INSEGURANÇA MASCULINA.

Por que raios o cara bem resolvido (professor de Harvard, investidor da Dow Jones, presidente do clube nacional de golf e peteca da Suíça, dono de fazendas e sítios, CEO da Xingling Eletronics) treme na base quando flerta com uma digníssima não menos bem sucedida que ele? Por qual motivo a mulher precisa ser um degrau (ou toda a escadaria) inferior ao cara para que ele possa ficar aliviado no ato da conquista? INSEGURANÇA MASCULINA

E quando ela é linda? Um simples passeio torna-se um conflito descerebrado, onde (dentro da cabeça do sujeito) todos os homens (até o padre, se bobear) estão olhando pra mulher dele. Ciúme burro camuflado de INSEGURANÇA MASCULINA.

Já temos vários problemas para resolver, é necessário gerar mais conflitos para nossa cabeça? Segurança é vitalícia, insegurança é perecível. Qual é a vantagem, Papai Noel, de ostentar uma boneca com idade para ser rascunho do seu cromossomo? Diz pra mim que você deita na cama, olha pra beldade nuazinha e dorme 100% seguro de que esse relacionamento vai durar décadas?

Porque temer alguém que tem a mesma estrutura financeira que a sua, Sr. Dono das Finanças? A pergunta chave é: o que ela tem que você não tem? Serve “coragem” como resposta?

Porque não aproveitar a gata do seu lado, ciúme boy burro? Desde que os urubus não partam para o contato físico com ela, aproveite. A beldade escolheu você para ser o guardião dela, verdadeira escultura viva. 

Precisamos (marmanjos barbados) de vez em quando desligar o circuito interno emocional para ligar o sistema racional. De fato, mulher amadurece mais cedo. De fato, vocês são mais inteligentes que nós. Acredito que somos imaturos que vocês. De fato, sem vocês não seríamos nada. É tão difícil assumir isso?

*** *** ***

Vi inúmeras matérias em diversos sites e constatei que a cada ano que passa o FWPS ganha proporção sem igual. Infelizmente não pude comparecer na ocasião mas quero dar meus parabéns a todos os envolvidos no evento. Desde a produção (capitaneada pela workalohic Renata Vaz) até as meninas que exibiram as próximas tendências e desfilaram com beleza e o encanto de sempre. 

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Doce e maldito sussurro no ouvido

Por Eduardo Soares

Até quanto você pode pagar? Débito ou crédito? Vai parcelar em quantas vezes? Pagamento em dinheiro ou cartão? Quanto custa com desconto? Se eu levar duas terei brinde?

Dia desses estava almoçando num shopping quando parei para ouvir um bate papo em tom de lamento entre duas senhoras: atualmente a criança mal sai do berçário e meses depois está lanchando aqui! Agi assim e hoje minha filha mais velha repete o ato com meu neto. Esse ambiente (dizia a senhora enquanto circulava a mão fechada com o dedo indicador apontado para cima) vicia. No fundo, acho que deixei minhas duas filhas mal acostumadas desde cedo, até porque alternava passeios nos parques com as idas frequentes aos shoppings. Com o tempo, criei duas consumidoras compulsivas. 

Parei de comer para analisar o desabafo daquela senhora. No fundo, a teoria fazia sentido. Sou um exemplo dessa questão de “ficar mal acostumado desde cedo”, afinal se tenho o cinema como um dos passatempos favoritos agradeço a minha coroa que encarava horas nas filas para assistir comigo a todos os filmes dos Trapalhões na década de 80. Fora as comédias com Eddie Murphy , Bud Spencer e Terence Hill ou as películas de ação que até hoje ela curte (e eu sempre ia no embalo).

De volta ao tema, encher a barriga ou o guarda roupas. Você escolhe. Quantas vezes comemos algo sem a menor fome? Fazemos isso simplesmente porque a torta é bonita (afinal, come-se com os olhos também). Impossível resistir ao pecado da gula? E aquela calça jeans (cuja etiqueta famosa a faz custar os olhos, retina, pupila e íris da cara) “pendurada” à sua frente, entre um manequim obviamente bem vestido (com a tal calça, claro) e outro não menos “fashion” que faz sua imaginação criar cenas maravilhosas e declarações do tipo: essa calça ficaria muito bem em mim! Ainda mais naquela festa que vai rolar no fim de semana! Cinco minutos depois você sai da loja com bolsas e a consciência devidamente pesadas.

Seu celular tem oito meses de uso. Os amigos desfilam com modelos tipo androide, symbian, siberiano, ciborgue, scambaulóide da vida. Sem motivo aparente (ou justificável) você começa a enjoar da cara do aparelho (comprado no Natal passado). Ah, deixa quieto, isso é bobeira – seu pensamento prefere aparecer para mostrar que a coerência seria mais forte que a inveja. No dia seguinte ao abrir sua caixa de mensagens, surgem aqueles e-mails com promoções “irrecusáveis” de compras coletivas cujo anúncio abusa na tentação: celular que tira foto em 3D, toca música extraterrestre, filma no formato raio X, frita ovo, faz suco, sugere posição do novo kama sutra, tem GPS (e ainda faz ligações) e tecnologia 8G por apenas R$ 1.299,99 ou em 10 suaves parcelas de 145,00! Danem-se os juros, promoção assim é imperdível! Click. Confirma. E é assim com a camisa, relógio, pulseira, bermuda, vestido…chega o dia 15 e a fatura do cartão de crédito vem rasgando sua carne para depois colocar sal na ferida: 800, 900 ,1.000 reais só com peripécias não planejadas como a compra do celular faz-tudo. Se você for solteira, a facada dói menos…

Juro, nunca entendi a fixação feminina por bolsas e sapatos. Parecem objetos de veneração hipnótica, do tipo “quanto mais se compra, mais poder a mulher possui”. É como se uma nova bolsa modelasse um novo chacra, sei lá. O despertar para realidade (quando) acontece vem de forma alarmante: você se dá conta que a quantidade de bolsas entocadas no armário é tamanha que o espaço restante não cabe uma calcinha sequer. Aí vem outro momento crítico: é preciso separar as peças que serão eliminadas. Nessas horas, tem gente que chora e tudo, como se estivesse dando adeus a um parente. Quantas vezes você usou aquela linda camisa comprada no impulso? Cá pra nós, sua grife favorita oferece (além do preço salgado) produtos de qualidade ou você compra apenas por causa da aparência? Por falar nisso, lembrei daquele velho e ultrapassado slogan do refrigerante. Imagem não é nada, sede é tudo. Atualmente, para saciar sua sede de consumo, imagem é tudo.

Foi-se o tempo em que as marcas tratavam as crianças apenas como pequenos e inocentes seres amáveis. Hoje, qualquer produto destinado ao público infantil enxerga neles pequenos-grandes consumidores com potencial indócil. Para os adolescentes e adultos, os comerciais/outdoors/banners/anúncios são tentadores, audaciosos, passam a imagem (ou tentam convencer o espectador/leitor) do poder absoluto a qualquer custo: você pode comprar, você ficará na moda, você será bem visto, você será o diferencial na festa ou no trabalho, você será o centro das atenções por onde passar, você nasceu pra ser destaque, você não tem limites, você nasceu para impressionar. Numa boa, não serviria para ser vendedor. No primeiro indicio de descontrole, eu abordaria o consumidor com alguns questionamentos: o que bolso lhe permite ter? Até quando você pode pagar pelo consumo D-E-S-N-E-C-E-S-S-Á-R-I-O? Quanto vale seu impulso? Qual é o preço do seu controle? Qual é a importância da compra pra você? E quando a compra acontece em excesso, o ato mostra o que você é ou quem gostaria de ser (e não pode)?

Deve existir uma voz que ecoa na cabeça do consumidor compulsivo com várias frases de incentivo: não olhe para a carteira; gaste só um pouquinho do dinheirinho guardado na conta corrente (amanhã o pedido se repete); ignore as faturas atuais (e não quitadas); os juros são baixos; compre aquela casa maravilhosa; o carro tem três anos de uso, troque-o (vem o doce e maldito sussurro no ouvido: você vai se apertar, mas tem jeito pra tudo); compre a TV de 152 polegadas; ou aquele aparelho de som gigantesco; coma com os olhos, depois você começa a dieta (amanhã o pedido se repete); compre o celular do momento (aquele que você não precisará acessar 80% das funções), entupa o guarda roupas, vai que alguém compre aquelas peças (vem o doce e maldito sussurro no ouvido: você vai se apertar, mas tem jeito pra tudo)…

Ainda bem que arrependimento não mata.

Ainda.

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365 dias espetaculares!

Por Eduardo Soares

No último dia do ano passado deixei aqui o texto “2011 motivos para você ser feliz” onde comentei a respeito de um filme romântico que sempre mexeu comigo, e olha que não sou fã dessas películas tipo “mamão com açúcar”.  Antes de começar a escrever o texto que você lê agora, dei uma rápida lida no antigo. Gostei do seguinte trecho:taí, coloquei na cabeça que quero vivenciar um belo romance no próximo ano. Se não acontecer, beleza. Desânimo é uma palavra não habitante do meu dicionário. Mas pelo menos irei tentar. E o mesmo vigor deve ser a tônica para os demais objetivos.

A cada frase (em tom de bate papo quase confidencial), analisei a retrospectiva daquele ano e de lambuja fiz a revisão deste que está para terminar. Destaquei outro trecho: tenho inúmeras idéias em mente para o ano que vem(…) prometi a mim mesmo que irei fazer uma escala de prioridades para começar a agir. Não quero ter a sensação do “minha vida passou e agora é tarde demais”. O peso da idade pode ser empecilho para algo? Talvez, mas imagine se no primeiro obstáculo encontrado nós desistíssemos com medo de um suposto fracasso futuro? Quero dividir com vocês neste espaço as conquistas obtidas nos próximos 365 dias. E quero ver as suas também.

Promessa é dívida. Naquele momento, o foco principal das situações que deveriam mudar para 2011, por inúmeras razões, era a troca de trabalho. Quando olho para trás, acho graça daquela época onde eu ralava pouco, adorava cruzar a Ponte todo santo dia para caminhar naquela cidade (Niterói) e o nível de estresse beirava o zero. Em contrapartida, a rotina angustiante fez com que meu descontentamento atingisse o 100%. Hoje, o nível de trabalho/correria/estresse/falta de tempo/responsabilidade está sete vezes maior que o tal emprego no ano passado. Mas pelo menos atingi o objetivo número um da lista de prioridades elaborada em 31/12/2011.

Pode ser um pensamento maluco meu mas acredito que dificilmente atravessamos uma fase de plenitude/harmonia completa. Digo isso pois no meu caso mesmo com a tal conquista profissional, o lado familiar não anda bem faz tempo. E infelizmente as perspectivas estão longe da plenitude. O que devo fazer? Viver. É isso, friamente assim? Calma, vivo/viverei sem esquecer as atribulações (cuja solução nem sempre depende exclusivamente da gente), sem esquecer de oferecer ajuda (vai recusar? Ok, mas nunca sabemos o dia de amanhã, o mundo dá voltas…), enfim, minha dica é relativamente simples: viva sua vida, tenha mais e mais objetivos, transpira sangue para conseguir realizar a maioria deles mas nunca perca a humildade e sempre esteja disposto a ajudar as pessoas que gostam de ti.

Ah, aprenda a lidar com os planos (ainda) não realizados. O tal “coloquei na cabeça que quero vivenciar um belo romance no próximo ano” não aconteceu em 2011. Será que fui amaldiçoado ou sou indigno de obter tal conquista? Espero que não para as duas perguntas. Começo a crer no bendito clichê “cada coisa acontece no tempo certo”. Bom, preciso colocar na cabeça alguma teoria útil que explique a razão de certos acontecimentos continuarem apenas na teoria. Sem devaneios ou utopias e refletindo única e exclusivamente com a razão, se não aconteceu ainda é porque falta algo: maturidade, sabedoria, conquista da Mega Sena acumulada, sei lá. E isso serve para tudo, não apenas no quesito sentimental. Já andei incrédulo quanto ao porquê do ineditismo de algumas situações na minha vida, mas depois de certa idade se eu for caminhar pro lado do negativismo, meu futuro será tão próspero quanto sobreviver sem máscara numa tempestade de areia no deserto do Saara.

E quer saber? Não vou desejar “Feliz 2012” pra ninguém, isso é muito mecânico! Espero, sim, que você FAÇA POR ONDE TER 365 dias espetaculares, repletos de aprendizados, maturidade, superação, persistência, sabedoria e por consequência, realizações. E aí minha cara/meu querido, caso você tenha posse desse kit, aquele blábláblá infinito de “desejo sucesso, prosperidade, êxito, tudo de bom” estará nas suas mãos, no seu caminho e no seu futuro por muitos anos novos.Mesmo sabendo que determinadas realizações nem sempre depende exclusivamente da gente. Mas saiba que NINGUÉM, a não ser você, é o responsável pela pavimentação (ou má conservação) da sua estrada. Ou seja, seu sucesso nunca terá como alicerce possíveis desculpas esfarrapadas, muito pelo contrário. Nenhuma conquista tem sabor de garapa. Se fosse assim, que graça teria saborear a vitória?

A propósito (já diria o colunista ogro-mala-sem-alça deste espaço):Quero dividir com vocês neste espaço as conquistas obtidas nos próximos 365 dias. E quero ver as suas também.Sendo assim, aceito convite para as próximas formaturas, viagens, casamentos, batizados, churrascos, comemorações no geral. Vocês merecem (e eu também).

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Cada um no seu lugar

Por Eduardo Soares

Toda semana era a mesma ladainha. Era ele chegar em casa, dar os primeiros passos rumo ao sofá para fazer dele a melhor cama improvisada do mundo e começar a contar carneiros pulando cerca a cada inicio de sonho para ser acordado pelos berros da Marilda! Dia desses, o sujeito cismou de “bebemorar” o aumento salarial com os amigos e veio do bar completamente chapado. Na cabeça dele, ainda havia a possibilidade real da patroa recebê-lo cheia de amor pra dar. “Estou suado? Nada! Estou irresistível! Tenho cheiro de flores do campo”, dizia ele a cada cafungada nos sovacos desprovidos do tal aroma campestre. Bem, para defender nosso amigo, podemos argumentar que a cerveja (essa sim ditava o cheiro dele, misturada com o suor) vem do malte que vem do campo… Antes da sequencia só um parêntese: tem cara com mania doida de “chegar junto” da digníssima todo suado, catinguento, com perfume que nem gambá usa. Enquanto isso, ela está cheirosinha, arrumadinha, bonita, toda “se querendo” pro aspirante de Bom Ar vencido. Não tem amor que resista a essa poluição respiratória domiciliar, convenhamos.

Na semana passada não foi diferente. O sujeito chegou pra lá de Marrakesh (ou seria de Bagdá?) e foi desabando no sofá. Marilda deu tradicional berro semanal para depois concluir:

– Minha unhaaaaa! Quebrei a unhaaaa!

– Para de frescura, Marilda! Deixa seu marido fazer uma massagem, vem…

– Tá maluco? Qual foi a aula de ciências que você faltou? Desde quando massagem cura unha quebrada?

– Deixa disso…olha só, dá um sorriso! Eita, aquela plástica fez bem a você, viu? Tá com o rosto todo esticadinho, parecendo burro de charrete! Vem, tô pegando fogo hoje..

Mais dois berros eram suficientes para apagar o incêndio sexual do marido que, resignado, procurava dormir para encarar o trampo no dia seguinte. Certo dia, porém, ele chegou sóbrio em casa e encontrou a mulher fazendo as unhas. Olhou, olhou, olhou, e achou tudo aquilo uma palhaçada sem tamanho.

– Escuta, esse negocio de arrancar cutícula é lento assim mesmo? Você é muito fresca! Faça um favor: arranque as minhas! Com força! Vou mostrar o quão Maria Mole você é!

Era a deixa que Marilda queria ouvir. Com um sorriso maquiavélico no canto da boca, em silêncio ela trancou a porta, acariciou o rosto e deu um beijo lento no marido (que começou a ficar desconfiado). Cuidadosamente escolheu aquele “bifão” mais graúdo, aquele que dava para alimentar Inocêncio, o rottweiler da casa.

– Tem certeza, benhê?

– Arranca logo iss…..

Pimba! Parecia que Marilda estava arrancando a famosa espada de Excalibur da pedra, tamanha força que fez para extrair a cutícula do marido que segurou a dor em silêncio. Na verdade seu olhar esbugalhado queria transmitir uma calmaria que não pertencia aquele corpo naquele momento. Não satisfeita, Marilda foi além:

– Ah, amor! Lembrei que você me chama de fresca quando uso cera para ficar com a pele lisinha! Que tal eu depilar seu peito másculo de Tony Ramos?

– Sim – respondeu o marido. Ou melhor, a afirmação mais parecia o som de um miado pois o sujeito continuava sem ar e se segurando para não gritar de dor.

Marilda surgiu com um pote de cera que mais parecia aqueles potes de sorvetes de 2 litros, uma espátula e dois pedaços estranhos de plástico. O sorriso maquiavélico continuava e o marido sentiu que estava diante de uma tremenda roubada. Peito desnudo, a cera lambia aquela região como o fogo que varre uma floresta. Quente, quase pelando. O sujeito era a cara da concentração, dor e incômodo. Suava frio, tremia discretamente, não piscava, mantinha os punhos serrados e enchia a boca de ar para disfarçar o misto de medo e incômodo. Marilda fixava os plásticos no peito do marido de forma que todos, absolutamente todos os pêlos participavam daquela festa da tortura anunciada.

– Preparado, meu lindão?

E deu tempo de dizer “não”? Ele nem chegou a pensar nisso. Só sentiu o momento do ziiiip! Ah, o trajeto cozinha-banheiro nunca foi realizado em tão pouco tempo. Era lance para recorde mundial. A cada centésimo de segundo, uma sucessão de palavrões foram desferidos sabe-se lá pra quem. Eram tantos que foram ditos em diversos idiomas. Ao chegar no banheiro, ele foi verificar se ainda havia pele no peito, pois parecia que seu coração estava ao ar livre. O sujeito sambava no banheiro, não sabia o que fazer nem pra onde ir com tamanha dor e queimação. Era preciso apagar aquela cusparada de dragão que fazia morada fixa naquela parte do corpo. Como vocês sabem, na hora do desespero urubu se transforma em falcão e a primeira coisa que ele deduziu que poderia apagar o fogo foi jogada, ou melhor, esparramada no peito de algo desaconselhável para tal emergência. Ah…deu pena.

Creme para barbear não combina com queimação. Sem perceber o tamanho da burrada, ele praticamente jogou álcool no fogo. Vocês devem estar com a sensação da dor do sujeito, não? Multipliquem a tal sensação por dez! Não havia distinção entre aquele peito pelado e queimado com um pedaço de bisteca bem passado ou uma vasta região de tomates secos. A toalha molhada serviu para atenuar a sucessão de estragos causados pelo casal.

Horas depois, já na cama, a mulher (sacana que só) ainda queria satisfazer o desejo do marido. Sexo naquelas condições??? Só se fosse dos programas exibidos na TV pelo canal Animal Planet!

Ao acordar no dia seguinte, Marilda ainda prometeu que iria fazer “uma demorada chapinha caprichada” e em seguida uma depilação na virilha do marido. Ela nunca foi de dormir tarde, no máximo estava nocauteada antes das onze. Ironicamente, o marido chegou em casa beirando a meia-noite durante duas semanas seguidas. E o pote de cera sumiu, assim como o aparelho de chapinha.

Quem é o sexo frágil mesmo?

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A bolacha premiada do pacote de biscoitos finos

Por Eduardo Soares

1992. O diálogo abaixo aconteceu na quadra de uma escola pública suburbana, durante o intervalo matinal.

– O que você vai ser quando acabar o segundo grau?

– Humm..não sei. Ainda estamos na oitava série! Mas, acho que serei médica. E você?

– Ih, que bobeira! Com esse negócio da Eco 92 (*), certamente vou ser empresário do meio ambiente! Tu vai rir quando me ver na TV, durante o jornal das oito!

Durante todo o segundo grau, ambos sempre foram os nerds da sala, apostas certas dos professores de que seriam grandes profissionais em qualquer área que escolhessem entrar. De fato, Cristina tinha enorme facilidade em aprender o funcionamento das moléculas, membrana, citoplasma, núcleo, glóbulos, estrutura do DNA, enfim, toda engenharia do corpo humano. Por outro lado, César lidava com números de maneira assustadora. Sua nota mais baixa foi um 7,5 durante todo segundo grau. Nas demais matérias, os dois também tinham desempenhos acima da media porém ela nas ciências e ele na matemática eram praticamente imbatíveis.

Como acontece com todos nós, o tempo passou rápido e sem perceber em 1997 a dupla prodígio estava na faculdade.

– Cinco anos atrás estávamos aqui na quadra brincando sobre futuro, lembra? Eu achava que seria medica! Ainda achava! Nunca me vi fazendo outra coisa! Mas, sei lá, agora que estamos entrando na faculdade fico nervosa…é um novo passo, o mais importante que vai construir nossa carreira!

– Relaxa, Cris! Cara, sempre fomos os melhores da turma! Você acha que agora iremos desaprender só por causa de nervosismo? Sem medo! Somos bons! Vamos “bebemorar”, minha linda!

Ambos estavam no calor hormonal dos 18 anos. Sem admitir, Cristina começou a sentir uma atração um tanto infanto-juvenil por César. Este por sua vez sentiu que ela tinha uma queda e resolveu curtir a situação. De vez em quando ficavam às escondidas nos intervalos da universidade. Ele, aproveitava despropositadamente os encontros enquanto ela alimentava um sentimento não declarado de carinho cada vez maior pelo “namorado/amigo”. Passou o tempo e Cristina, sempre dedicada, conseguiu realizar seu grande sonho de ser médica. Mas aquele momento era um misto de alegria e tristeza pois, enquanto ela impunha o diploma nas mãos, Cézar se perdeu no meio do caminho. De aposta certa ele transformou-se em triste promessa desperdiçada. Sua presença na faculdade era cada vez rara ao passo que a curtição tomava conta da sua vida. Por sorte, passou entre os dez melhores do pais no único concurso que prestou e com isso seu salário custeava a vida inconsequente que levava.

Com 25 anos de idade cada um, os amigos estavam com as vidas relativamente bem encaminhadas. Certa vez, ambos se esbarraram numa festa da alta sociedade. O encontro aconteceu anos depois de uma ausência “social” inexplicável da parte dele. Cristina continuava sonhando com aquele menino/adolescente alegre, inteligente e dedicado. Vê-lo anos depois, fez brotar naquele coração doce uma mistura de alegria e preocupação.

– Cézar! Não acredito!! Por onde tem andado? O que tem feito da vida, seu maluco? Me dá um abraço!

– Cris! Minha linda!! Como vai você, doutora??

O reencontro foi caloroso. Em certo momento ambos pareciam estar 12 anos atrás, na mesma escola, com a mesma vida humilde e o mesmo carinho juvenil. Depois de algum tempo de prosa, um beijo aconteceu. Ali, Cristina se entregou de corpo e alma enquanto Cézar não parecia estar muito animado. Perguntado sobre o motivo do visível desconforto, ele foi taxativo:

– Ehhh….Cris…quantos anos sem te ver, né? Então, por isso mesmo…você estava uma gata na época da faculdade! Eu sentia o maior tesão, papo sério! Mas, pô…agora tu deu uma engordada! Sei lá, ficou desleixada! Numa boa, tu deu uma queda considerável! Acho que a medicina deu um estrago no teu corpo! Bem, tu sabe…a festa é fina! Fica longe de mim, não vou precisar de você, me faz esse favor! Não queime meu filme! Foi mal, não quero passar vergonha com você do meu lado…se cuida, valeu?

Ao sair, ele entregou um cartão a ela onde dizia: CÉZAR MACHADO. PROMOTER. BOATE BELIZE.

Naquele instante ela associou as informações e lembrou que dias antes daquele encontro uma boate havia sido inaugurada. No mesmo dia, aconteceu uma briga que estampou boa parte dos jornais devido a uma pancadaria generalizada envolvendo um grupo de gordos que pretendia passar a noite naquele lugar mas que foram alvos de comentários preconceituosos com os donos do estabelecimento. Leia-se “donos do estabelecimento” por Cézar Machado e um amigo conceituado na high society carioca.

Cristina ficou petrificada por alguns minutos. Aquelas palavras entravam na sua cabeça como pedras enormes jogadas sem piedade. Dor. Raiva. O choro foi inevitável. E assim foi durante os dias seguintes, a cada lembrança latejante na sua cabeça.  O encanto de uma vida toda foi desfeito em fração de segundos sempre que a união de palavras infelizes ecoava a ponto de deixá-la com insônia:

“Eu sentia o maior tesão”

“Tu deu uma queda considerável”

“Você estava uma gata na época da faculdade”

“Não quero passar vergonha com você do meu lado”

Num salto do tempo, vamos para 2010. Cristina, então já renomada psiquiatra, chegou em casa depois de dar uma palestra sobre o novo perfil dos drogados pertencentes às classes A e B. Seu status era tamanho que o prefeito havia feito um convite para que ela ocupasse uma vaga na secretaria de saúde do Rio de Janeiro. Enquanto a proposta balançava seu coração, ela ligou a TV para relaxar um pouco. Zapeando os canais, descobriu que um playboy trintão fora assassinado devido a dívidas e seu amigo foi preso num estado deplorável. Tao deplorável que foi preciso passar um minuto para que Cristina associasse aquela imagem com a de Cézar. Na verdade ela soube que era dele devido ao nome daquele drogado, cujo corpo atlético cedera vez para um homem de 1,80 com inacreditáveis 52 quilos, dono de poucos dentes e portador de inúmeras feridas espalhadas na pele ressecada e imunda.

Cézar foi parar numa clinica de reabilitação para dependentes químicos. Naquela altura, qualquer tipo de ajuda seria bem vinda, pois sua vida acabou anos atrás e o que restara não era o suficiente para classificar aquele estado quase vegetativo como sub-humano. No primeiro dia, ele foi direcionado para a ala de apoio psiquiátrico. Humilde, pediu licença e entrou na sala. Viu que a doutora estava em pé, de costas, fazendo algumas anotações. Cézar sentiu atração por ela, dona de um corpo que vestia G ou GG, bem diferente das meninas esquálidas que ele pegava nas noites regadas a drogas.

– Cézar Machado, sente-se por favor.

A voz não era estranha. Calado estava, calado ficou e simplesmente atendeu ao pedido da doutora. Parecia um cachorro amedrontado, faminto, trêmulo. Ela continuava de costas quando soltou os seguintes comentários:

– “Tu vai rir quando me ver na TV, durante o jornal das oito”, lembra? Não, eu não ri. “Acho que a medicina deu um estrago no teu corpo”, lembra? Hoje, vejo que você suas escolhas deram vários estragos no seu corpo.  E contrariando sua frase…

Nesse instante ela ficou de frente para Cézar, sem fitá-lo cara-a-cara, deixou um cartão na mesa (onde estava escrito DOUTORA CRISTINA MUNHOZ. PSIQUIATRA) e seguiu em direção à porta, antes de concluir a frase.

-…sim, você vai precisar de mim.

Cézar ficou petrificado por alguns minutos. Aquelas palavras entravam na sua cabeça como pedras enormes jogadas sem piedade. Merecidamente.

E você, vai continuar achando que o mundo acabou só porque (graças a Deus) ouviu um “não quero passar vergonha com você do meu lado” daquele que aparenta(va) ser a bolacha premiada do pacote de biscoitos finos?

(*) Para quem tem menos de 20 anos, a ECO 92 aconteceu no Rio de Janeiro e serviu para buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra (em outras palavras, iniciou-se ali o conceito do- hoje – propagado desenvolvimento sustentável).

 

 

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Vontades impublicáveis

Por Eduardo Soares

Hoje fiquei com sua imagem na cabeça/Certeza de saudade convicta latejante/Deu vontade de ser seu aconchego/Ver seu sorriso tímido/De acariciar sua pele.

Meu abraço pede o seu/Minha fome pede sua carne/Cai a noite e com ela/Abrimos nosso vinho favorito/Abrimos nossos pensamentos perdidos/Escondidos entre ansiedades e saudades.

Quando digo: quero beijar sua nuca/A resposta vem: preciso de você todo/Espalho o vinho pelo seu corpo/Ele percorre seu pescoço/Contorna seus seios/Vasculha suas coxas/Sinto o sabor suave da bebida/Misturado ao sabor ardente da sua pele. Arrepio quente, calor na alma/Sorrisos maliciosos, sensações maravilhosas/Seu calor envolvente e misterioso/Envolve meu corpo como lençol único/Despi-la das roupas e de todo tipo de pudor: Eis minha vontade para essa noite.

Pela manhã/Você está jogada na cama, querendo afago/Diz que não precisa de muito, apenas de mim/Rimel nos olhos, gloss nos lábios, algumas gotas de perfume/Me pergunta: estou bonita? Minha resposta vem através do beijo faminto/Caímos na cama, você me abraça forte/Somos a junção do implicante com a instigante/Trocamos olhares confidentes e palavras ardentes.

São sete da manhã/Quantas pessoas no mundo vivenciam isso neste momento?/Somente os atrevidos…

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Relacionamentos conturbados: aborrecimentos que dão certo?

Por Eduardo Soares

Desci da estação do metrô ontem à noite e esbarrei com um amigo que não via desde a época do primeiro grau (ou Ensino Fundamental, para os mais novos). Engraçado encontrar uma pessoa que no último encontro era apenas um colega de classe e hoje está casado e pai de três filhas (temos a mesma idade, 32 anos). Ou o tempo voa demais para alguns ou outros assumem compromissos precocemente. Vários “causos” foram contados às gargalhadas. Como é bom resgatar divertidas histórias que naquela época, eram dignas de suspensão e por consequência, castigo em casa. Entre um chopp e outro atualizamos os papos. Relatei que continuo solteiro e sem filhos (está complicado encontrar a perfeita cara-metade imperfeita), para espanto do amigo. Ele, em contrapartida, relatou que casou aos vinte (com uma amiga de infância, que, diga-se de passagem, era “inimiga” dele nessa fase) e três anos depois contratou a cegonha que concedeu ao casal três filhos de uma tacada só.

Aí vem o questionamento do título. O casal vive às turras. Desde o primeiro segundo de tudo até os dias atuais. Perguntei a ele o motivo de tanta confusão: ciúmes, bobeiras, discordâncias. Dois dias de brigas, caras fechadas durante mais dois dias… e a santa paz volta a reinar no (outrora) ambiente de guerra, amém! Entre confusão e sarcasmo, mandei na lata: brother, como vocês conseguem (con)viver assim? Dormem com facas, fuzil e escopeta? Ele riu e respondeu “sabe aquela pessoa que você não saberia viver sem tê-la ao lado? É por isso que estamos juntos. Quando você passar por isso, vou te ligar dizendo: te falei, sujeito!”

Proseamos por mais meia hora e cada um seguiu seu caminho. No trajeto, fiz uma reflexão demorada e concluí que, pelo menos na minha vida, a teoria dele fazia sentido. Meus grandes/intensos relacionamentos, por incrível que possa parecer, foram os mais conturbados. Tentei encontrar alguma conexão lógica entre eles que justificasse essa conclusão ilógica. Talvez fosse o desafio de ter uma pessoa diferente de mim APENAS em determinados aspectos. Ou também poderia ser o conflito de dois temperamentos fortes, sei lá. Cada desavença suscitava um novo desafio e de certa forma, tentávamos buscar nas diferenças nosso ponto de equilíbrio. Sem esquecer dos conceitos individuais.

Os opostos se atraem, iguais se repelem. Se nao estou enganado, isso é alguma lei aplicada no magnetismo. Mas o primeiro trecho (os opostos se atraem) é repetido incansavelmente quando abordamos assuntos sentimentais. E eu discordo de quem diz isso. Nao dá para conviver com alguem COMPLETAMENTE diferente. Notem que deixei o “apenas” em letras garrafais no parágrafo acima justamente por isso. Quanto ao segundo trecho (iguais se repelem), eu concordo. Imaginem aquela pessoa que é a cópia fiel das suas vontades. Não haveria espaço para uma discordânciazinha sequer? Calmaria demais, na minha cabeça, atrapalha.

Para os carentes de plantão, cuidado: ficar com alguém por medo de solidão (ou conveniência) é a maior traição que você pode cometer consigo mesma. Nunca minta. Jamais finja. Se não está legal, converse.

Não levanto a bandeira do “vamos viver entre tapas e beijos”. Nunca fui favorável a brigar por coisas insignificantes.  Fazer da harmonia um palco de estresse certamente não é algo digno de maturidade. Mas (e isso é polêmico), quando tudo parece ser perfeito demais, calmo demais, ameno demais, em algum momento do relacionamento, perde-se um pouco do encanto.

Concluí então que aborrecimentos na medida certa formam o diferencial no relacionamento? Será por isso que continuo sem ninguém para dividir a pipoca num dia qualquer?

Ser adulto é complicado…

P.S.: Antes que me chamem de louco, guardadas as devidas proporções, alguns sites enfocam conceitos parecidos com o citado no texto.

http://hypescience.com/por-que-mulheres-insistem-em-relacionamentos-complicados/

http://www.donagiraffa.com/2011/05/vale-a-pena-investir-em-um-amor-dificil.html

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Camarada, palavras têm poder

Por Eduardo Soares

Depois de algum tempo sem aparecer por aqui (inspiração em falta no meu HD encefálico), resolvi entrar no clima do momento. Exclua os fotógrafos, estilistas e promotores de eventos. Acrescente aí nesse rol os namorados, maridos, noivos, filhos e pais das modelos. Fora essa galera, a ala masculina não é chegada nesse lance de desfiles.  Não tem jeito, esse é um mundo basicamente feminino. Não adianta querer colocar na cabeça dos homens que isso é algo legal, bacana, diferente. Tem glamour de sobra, verdade. Quem está caminhando na passarela, por alguns instantes, é a dona do mundo. Flashes, holofotes, atenção, olhares voltados para aquela pessoa que transborda sensualidade, simpatia, encanto e beleza. Longe de mim querer comparar as situações mas também ficarei ansioso assim que colocar os pés no local.  Depois de muito relutar, fui convencido a comparecer no próximo FWPS. Como disse no inicio do texto, não é o meu mundo e provavelmente nunca será. Mas por vários motivos resolvi entrar num terreno até agora inédito pra mim. E confesso que nunca pensei em acompanhar um desfile de perto. O mundo é realmente surpreendente.

Mas, e aqui começo um papo de marmanjo pra marmanjo, assim como eu, quando estiver vendo cada mulher (uma desperta/despertará minha atenção/cobiça em especial) sorridente e feliz (embora seja difícil dimensionar a carga de nervosismo que cada sorriso esconderá a cada passo dado ou em cada troca de roupa), você deduzirá que todas elas são modelos que dispensam os elogios diários. Afinal de contas, pra quê tecer comentários rasgados a gente que vive da beleza? Elas sabem que são belas, logo dispensam palavras de incentivo! Dizer o óbvio? Ser mais do mesmo? Não, prefiro ficar na minha. Ela que deduza o que sinto/penso.

Segure o freio de mão, camarada. Antes que o carro capote, reavalie seu conceito. As modelos são lindas, sim. Mas isso não quer dizer que elas sejam isentas de  paparicos. Engana-se quem associa essa palavra a materialismo. Paparicar é algo muito além do palpável. Não custa nada rasgar sua amada de elogios quando esta coloca uma roupa pensando em você. Fato: elas fazem isso com frequência. Por isso, meu amigo, seja insistente. Ou como diria uma amiga, seja prolixo: elogie. Sem exageros, afinal não é preciso citar um poema de Vinicius para querer agradar. Fale aquilo que ela gosta de ouvir. Se for para ser sacana, que seja! Se a ocasião pede algo mais romântico, não espere duas vezes. Vai que você sofra um colapso e deixe sua amada com a triste incerteza na cabeça: ele bateu as botas e nem disse que eu estava bonita! Será que ela vai ter que recorrer a vidente para saber o que o recém-finado achava?

Elas adoram ouvir palavras de elogios, ainda mais quando saem da boca do parceiro! Exemplos: Nossa, como você está linda com esse vestido! Pense: que mulher linda é essa q me espera depois (ou durante, depende da fome de ambos) do jantar! Quando rola intimidade até comentários cafonas ganham ar de humor! Faça tudo para ver sua mulher sorrir. Mesmo se você for sisudo. Surpreenda, fale/faça algo! Se ela for descontraída, dê corda! Babaquice dizer que homem não gosta de ser ofuscado pela mulher. Ainda mais quando estamos falando de passarela, é impossível que o cara não seja ofuscado! Na boa: o cara tem que sentir orgulho de ver SUA mulher feliz, realizada. Sim, parceiro. Aquele monumento que desfila é seu. Elas adoram ouvir palavras de elogios, ainda mais quando saem da boca do parceiro! Mulher carece de elogios até quando acorda! Ou vai dizer que você prefere uma parceira tristonha com ausência total de estima? Tem qum prefira isso…pior: algumas aceitam!

E pra você que não tem uma modelo em casa, a dica é a mesma. Elogie. Saiba que quando a digníssima vai comprar uma calcinha, ela está pensando em você. Opine, diga qual seria a cor que mais combina com a pele dela. E quando a peça estiver no corpo da madame, camarada, corra pro abraço! Mas antes, veja todos os detalhes, comente, acaricie, sinta o “presente” que pertence a ambos. Elogie. Seja envolvente e você será/terá o eterno foco da sua parceira. Não é questão de gostar. Mulher PRECISA disso.

 

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