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Homenagem Dia dos Namorados: Tiago para Aline Zattar

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Por Renata Poskus Vaz
E agora é a vez do marido da linda Miss Brasil 2013 Aline Zattar, homenagear a sua esposa. Uma prova de que os ogros também amam:
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“Quem diria que você anotando seu número no meu telefone, há 8 anos, nos traria até aqui.  Muitos momentos passamos: alegria, raiva, medo, choro, porém posso dizer que foram momentos muito bons desde quando eu comecei a te amar.
Tivemos os nossos filhos que foram os melhores presentes de Deus. E agradeço a Ele por vivermos juntos até hoje e até mesmo por termos nos conhecido. Só nós sabemos pelo que passamos e lhe agradeço pelo seu amor, compreensão nos meus momentos de estresse e por me amar, mesmo sendo tão ogro. Essa é a minha maneira de te amar, de ser feliz, de te fazer feliz e lutar para fazer a nossa família feliz.
Te amo minha Pepa Pig, Estegossaura, espero ser infinitamente feliz ao seu lado (desde que sem tpm, é claro!!!) Milhões de beijos apaixonados,
Tiago”
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Como as crianças magras veem pessoas gordas

luizitaLuizita com sua roupa de gordinha, no Dia de Modelo/ Foto: Katia Ricomini

Por Renata Poskus Vaz

Recebo muitos e-mails de mães gordas e magoadas porque seus filhos as discriminam por causa do peso. Sim, muitas mulheres sofrem preconceito dentro de casa e quando essa discriminação vem dos próprios filhos, pequenas e puras crianças, o sofrimento parece ainda maior. Mãe quer ser exemplo para seus filhos, quer ser admirada por eles.

Não tenho filhos, mas tenho uma irmãzinha linda, de 4 anos chamada Luiza, que me fez entender mais ou menos como funciona essa ideia de como as crianças enxergam pessoas gordas.

Luiza nasceu na mesma época em que o Blog Mulherão começou a fazer sucesso. Eu já tinha 27 anos. Ou seja, ela poderia ser minha filha, mas virou uma espécie de irmãzinha-sobrinha-afilhada-companheira. Por uns dois anos ela morou conosco. Desde pequena sempre foi muito vaidosa e adorava me observar colocando roupas bonitas, salto alto, me maquiando etc.

Ela também sempre acompanhou o Dia de Modelo. Muitas de vocês que já fizeram o Dia de Modelo devem se lembrar da pequena Luizita lá, observando aquele bando de mulheres gordas, felizes, super bem produzidas. Ela também já esteve em alguns Fashion Weekend Plus Size, vendo toda aquela correria, mulheres lindas desfilando… Luiza cresceu com isso, com a ideia de que pessoas gordas se vestem bem, são felizes, charmosas e interessantes.

Uma vez, indagada pela mãe sobre o que queria ser quando crescesse, ela não exitou: “gordinha”. Luiza já fez o Dia de Modelo Plus Size 2 vezes, como participante. E foi enfática: “Tata, separei minhas roupas de gordinha para fotografar”. Acho, que para ela, roupa de gordinha significa roupa bonita. Não sei, de fato, se ela me percebe de verdade maior do que as outras pessoas. Se ela enxerga meu excesso de gostosura como um defeito ou como uma característica qualquer. Na cabeça dela, pessoas tem olhos, cabelos, altura e peso diferentes e isso não precisa de alarde. Todos deveriam pensar assim.

No entanto, o que observo, é que Luiza não tem uma visão diferente do que qualquer criança deveria ter. O que acontece é que ela me enxerga como eu gostaria que ela me visse. Nunca me mostrei para minha irmãzinha como uma gorda triste e derrotada. Recordo-me de uma única vez em que ela me viu chorando, era bem pequena, e se desesperou. Aquilo me serviu de lição. Se ela ficou transtornada ao me ver infeliz, como ficaria ao me ver radiante? Igualmente radiante.

Crianças não tem semancol e testam nossa paciência. Se você se lamuriar por ser gorda na frente do seu filho, ao fazer birra, ele te chamará de gorda. Ele entenderá que ser gorda é um defeito, um ponto negativo seu. Ele dirá que não gosta de ter uma mãe gorda, porque é essa mensagem que você indiretamente passará a ele. Lembre-se que seu filhinho não é seu psicoterapeuta e não precisa presenciar você se autodepreciando.

Como já disse, não sou mãe. Mas fui a primeira neta de quase 20 primos, tenho 3 irmãos mais novos e por isso espero que recebam de coração este meu recado. 🙂

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Violência verbal contra criança também machuca!

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Por Renata Poskus Vaz

Mulherões, peço licença para falar sobre algo desumano que presenciei hoje. Muitas de vocês são mães e, mesmo as que não são, como eu, mas têm sensibilidade e respeito por outros seres humanos, entenderão minha revolta.

Frequento todos os dias uma padaria chamada Dom Filippe, situada na Rua da Bica, na Freguesia do Ó. Vou lá, compro meu brigadeirão, meu refri, coisa gostosa e obrigatória diária de gorda. Hoje, por volta das 20h30, estava eu lá, linda, fofa e feliz, olhando para a vitrine de doces, quando ouvi uma mulher, na porta da padaria, xingando MUITO sua filha. A garotinha mais parecia uma boneca com sua roupa de bailarina e tinha, no máximo, uns 4 ou 5 anos. Parei e comecei a olhar. Não importa o que a criança fez ou deixou de fazer, se trata de uma garotinha que pode sim ser repreendida, mas jamais humilhada, menosprezada, ofendida, muito menos por sua própria mãe. A mulher, com seus 50 e tantos anos, gritava: “sua burra, idiota, imprestável, paspalha, fedelha… Olha só o que você fez!”.  E quanto mais as pessoas olhavam, mais alto ela gritava. O que ela mais repetia era: “sua burra, imprestável, idiota” e completava com diversos: “vou meter a mão na sua cara”. Ou seja, ameaças, ameaças, ofensas que podem destruir a alma dessa criança e transformá-la em uma adulta problemática e sem um pingo de autoestima.

Eu fiquei lá quieta implorando em pensamentos que aquela mulher parasse com as ofensas, para que eu não precisasse intervir. Sim, pois sou dessas que não consegue fingir que não está vendo uma sessão de humilhações e torturas. Mas não, a mulher continuou e realmente deu um tapa na filha. A menina, de tão magrinha, cambaleou.

Naquele momento, intervi: “para de xingar e bater na sua filha”.

Foi aí que o demônio tomou conta daquela mulher. Ela me deu um tapa no braço, me xingou, me ameaçou e disse, com todas as letras, que a filha era dela e que ela tinha o direito de xingar e bater quantas vezes quisesse na menina.

Em outras situações, eu que sou uma lady da periferia, certamente quebraria aqueles dedos imundos que ousaram tocar com violência o meu alvo e delicado braço. No entanto, eu via aquela carinha linda da filha dela, que por mais que sofresse humilhações vindas da mãe, se sentiria impotente e imensamente triste ao ver a mãe apanhando de mim.

Então, mantive-me calma, embora firme e disse que havia leis em nosso País que proibiam a violência física e moral aos filhos. O barraco correu solto, a mulher gritava, xingava e a filha chorando, pedindo para ela parar. Me xingou de vadia etc e tal, mas isso eu já previa vindo de uma mulher que humilha e xinga a filha caçula publicamente.

 Ela foi embora quando me viu ligando para a polícia. Simplesmente 5 vizinhos da mulher vieram me parabenizar por minha atitude. Segundo eles, trata-se de uma moradora do Edifício Parque dos Pássaros, situado na Rua da Bica, número 410, na Freguesia do Ó, bem em frente à padaria que frequento.

O que mais me doeu é que todos foram unânimes em dizer que aquela mãe grita e humilha os filhos constantemente. E o pior, disseram que a pequenina é filha adotiva. Não sei se essas denúncias conferem, mas só o que vi na padaria já é o bastante para perceber que esta mulher não merece ser mãe.

Pergunto-me o porquê de ninguém fazer nada. Até entendo que as pessoas tenham medo, devido ao comportamento anti-social e desequilibrado que demonstrou ter a mãe, isso poderia gerar uma vida difícil entre os condôminos. Porém, o conselho tutelar recebe denúncias anônimas.

Amanhã vou ao conselho tutelar e protocolarei minha denúncia. A Padaria tem filmagens que comprovam o que estou dizendo. Espero, de coração, que o conselho tutelar apure esse caso.

A garota é linda, de classe média, bem alimentada, não tem marcas de violência no corpo, provavelmente estuda em escola particular, mas imaginem o que ela carregará na alma se a atitude que a mãe teve seja algo corriqueiro na vida delas?

Depois conto para vocês se o Conselho Tutelar investigará ou não minha denúncia.

No mais, fica minha dica para vocês, amigas e leitoras, que não se calem diante dessas situações. Crianças são pequenas demais, devem ser educadas, repreendidas, mas jamais humilhadas e ofendidas.

Violência verbal também é crime. Violência verbal também machuca.

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Minha pequena Isa

Por Eduardo Soares

Assim que acordei, olhei para o lado e…para minha felicidade ela estava lá. Por alguns segundos não contive o leve sorriso ao ver aquele rostinho lindo com pele macia naturalmente morena – um tanto bronzeada–, as generosas (para não dizer grandes) bochechas vermelhas, a boca pequena semiaberta em forma de biquinho, o narizinho desenhado a mão, as sobrancelhas grossas (herança paterna) e o cabelo castanho claro harmoniosamente desalinhado. Parecia sintonia. Enquanto eu olhava, ela acordou e deu um sorriso tão leve quanto o meu, para depois murmurar um “bom dia” enquanto espreguiçava para depois esfregar os olhos.

Quantas lembranças adoráveis. Certa vez, sei lá quanto tempo faz, num aniversário meu fui acordado de sopetão. Ela apareceu (toda de branco), ficou de pé sobre minha barriga que mais parecia um puff e com um embrulho amarelo-transparente nas mãos disse:

– Parabéns! Acordaaaaaa, pai! Hoje o dia é seu!!

Ia abrir o pesado presente (era uma cesta de café da manhã) mas não tive tempo. Ela pulava, pulava, pulava e eu coitado, demonstrava uma felicidade silenciosa porque a cada pulo dela na minha barriga, o ar ia embora dos meus pulmões.  Assim que consegui respirar, peguei-a braços e aí dei inicio a uma sessão deliciosa de cócegas. Ríamos juntos: ela, devido a manifestação de carinho e eu ria daquele maravilhoso presente – não o do embrulho amarelo – matinal.

Chuva. Nossa, como adorávamos correr para debaixo do aguaceiro celestial. Isso também foi herança minha. Certa vez, caiu um pé d’água daqueles e eu, como sempre faço, arrumo algum pretexto para ficar todo encharcado na varanda. Enquanto a chuva envolvia meu corpo como um lençol divino, fechei os olhos, ergui a cabeça (isso sempre acontece e provavelmente vou continuar fazendo isso até o fim da vida) e fiquei simplesmente parado. Segundos depois um “atchim” rompeu o som da chuva. Era ela, literalmente meu reflexo em forma de pingo de gente, sentindo os pingos na mesma posição que a minha. Só um detalhe: de vez em quando ela abria um olho para ver minha reação. Ao notar que eu a via, ela rapidamente tratava de fechar novamente os olhos. Ah, aquele dia rendeu (além dos alguns copos de limonada, apenas por precaução) uma tarde de pipoca com direito a trocentos desenhos animados: desde Up – Altas Aventuras (que eu adoro por influência dela) até Pernalonga, Corrida Maluca e Bibo Pai e Bob Filho (todos esses velhacos ela adora, por influência minha).

Em dias de jogos, era ritual. A cada gol do nosso time, corríamos juntos para a varanda e gritávamos “NENSEEEEEEEEEEEEEEE”, para delírio e alegria dos vizinhos. Ela ainda completava com um “UHUUUUUULL” mas nesse ponto eu não a acompanhava pois nunca fui fã dos gritinhos tipo yahoooo, yesss, ah moleque e uh tererê da vida.

Era inaceitável ficar triste perto dela assim como era inaceitável vê-la triste. Mesmo quando ela foi vice-campeã do torneio infantil de natação do clube. Nunca a vi chorar tanto. Deixei-a sentir aquela tristeza intensa mas depois a encorajei dizendo que era poderia e iria ganhar em outras oportunidades. Semanas depois, ela deu um pulo no meio peito e chorou de alegria por causa da primeira medalha de ouro conquistada naqueles inacreditáveis seis anos de vida.

Hoje, assim que acordei, olhei para o lado e…para minha infelicidade ela não estava lá. Bateu um vazio absurdo, inexplicável. Era agoniante saber que eu não a teria por um segundo sequer. Lembrei da última frase da crônica “Rita” de Rubem Braga e faço dela o resumo da minha história: minha filha em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca teve.

Tudo foi apenas sonho. Um dia, quem sabe, eu venha abraçar minha pequena Isa como você fará com seu(ua) filho(a) depois de ler essas mal traçadas linhas.

Faça por você.

Faça por ele(a).

Faça pelas lembranças adoráveis. E eternas.

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Nune e Kuka

por Keka Demétrio

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, mas eu discordo, até porque não conheço o paraíso. Mas uma coisa eu tenho certeza: filhos são divisores de água na vida de qualquer mulher.

Não consigo me lembrar com muita clareza minhas prioridades antes de receber de Deus a missão de ser mãe. A sensação que tenho é que depois de Matheus e Maria Angélica tudo tem outro sentido, e às vezes em que errei na educação deles, talvez por excesso de zelo e amor, me pego querendo acertar cada vez mais. Afinal, quem ama educa, e não é só educar para o trato com as pessoas, mas também educar o coração e a alma. Conheço inúmeras pessoas que mal sabem manusear um talher, porém, possuem uma generosidade no trato com a vida que deixaria qualquer um de nós roxo de vergonha.

Ser mãe é diferente de tudo o que eu poderia imaginar. É uma espécie de amor incondicional e insubstituível. Quando somos pequenos e imaginamos perder nossos pais nosso coração dói que parece que vai sair do peito. Pois é, quando temos filhos e imaginamos perdê-los essa dor se multiplica que faz até mal só de pensar.  E nas vezes que discuto com meus filhos aborrecentes, depois de inúmeras tentativas de diálogo, me pego tentando controlar o ímpeto de colocá-los no colo e pedir desculpas por ter sido tão dura. Mas me lembro dos exemplos de minha mãe, me seguro, e confesso que muitas vezes choro por perceber que, assim como eu, que muitas vezes não quis ouvir as palavras de minha mãe, achando-a retrógrada e chata, eles ainda vão aprender muitas coisas através do sofrimento.

Sempre tive a visão de que não crio meus filhos para mim, e sim para o mundo. Não para um mundo qualquer, mas um que eles devem criar através de escolhas sábias e descentes, tornando seus caminhos retos e claros. Isso nem sempre é fácil, o amor que uma mãe devota aos seus filhos às vezes cega e faz tropeçar nos ensinamentos, mas Deus é testemunha de que a intenção foi baseada no tal amor sem explicação.

Às vezes fico pensando como seria minha vida sem os meninos, e confesso que mesmo diante dos percalços vividos, na dor em ver um deles triste, minha existência não teria sentido. Confesso também que sinto medo em relação ao futuro, porque antes de serem meus filhos são pessoas dotadas de natureza própria, e que mesmo se eu quisesse jamais poderia tomar para mim suas dores, e mesmo se pudesse ainda assim estaria sendo egoísta ao ceifar-lhes o direito à evolução como seres humanos.

Tenho orgulho pela mãe que sou, mas mais ainda pelos filhos que tenho. Brigamos, discutimos, mas nos amamos. Aos trancos e barrancos vamos cumprindo nossos papéis. Eu tentando ser uma mãe presente, que ama, ensina, doa, satisfaz desejos, mas que também cobra e chama na conversa sempre que se faz necessário. E eles tentando entender essa mãe meio maluca, que tenta ser descolada, compreensiva, mas que faz questão de ouvir “Benção, mãe” junto com um beijo estalado, só para poder responder “Deus te abençoe” com um abraço muuuito apertado.

Nune vai completar 15 anos e Kukinha 14, mas para mim continuam a ser aquelas crianças que um dia Deus me presenteou para que eu compreendesse que a vida é muito mais do que simplesmente riscar os dias no calendário, que ela é feita de amor, de amor de mãe. E todas as vezes em que me sinto triste e desanimada, me lembro dessas duas almas confiadas a mim e agradeço a Deus por fazer esta minha existência muito mais fácil ao me permitir sentir as dores e as alegrias ao protagonizar o papel de mãe.

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Pronto, falei!

Por Keka Demétrio

O sorriso fácil, a espontaneidade, a gargalhada solta, a fala fácil e a facilidade em conquistar novas amizades, para algumas pessoas, não são vistas como adjetivos de gente séria. Eu sei que muitos de vocês vão achar uma insanidade o que eu disse, mas acredite, tem gente que realmente pensa assim.  O que essas pessoas não sabem, é que  mesmo a capacidade de falar certas bobagens, é, to dizendo de sacanagenzinhas que são proferidas em meio a amigos, mas sem ofensa a quem quer que seja, pode dizer se uma pessoa é ou não é séria ou confiável.

Seriedade e confiança se medem de outra forma. Sério é aquele que se coloca no lugar do outro buscando entender as diferenças que existem entre si, e que mesmo percebendo que algumas nunca serão ultrapassadas, ainda assim continua respeitando-o e admirando-o sem cogitar a pretensão de querer mudá-lo. E confiança se mede quando você abre sua Caixa de Pandora a alguém, e esse alguém não te critica, não te rotula, e nem usa seus sonhos ou fragilidades contra você.

Extremamente divertida, alegre e brincalhona, o que poderia ser um problema no campo profissional sempre se tornou um ponto positivo, diferente do que acontece em minha vida pessoal, no caso minha vida sentimental, onde essa minha maneira de ser sempre foi um grande problema. Eu até entendo que não deve ser fácil ter ao lado uma mulher que banca a autosuficiente, já que ainda vivemos em uma sociedade machista, embora muita coisa tenha mudado. 

Esse meu jeito, certa vez, me levou a pensar seriamente em querer mudar, e confesso ir contra a própria essência não é tarefa nada fácil. Então, um belo dia, uma conhecida, mulher linda, poderosa e super bem sucedida, me disse q seu marido era meu fã nº 1, que ele me achava fantástica.  Claro, levei maior susto e fiquei parada olhando aquele mulherão e pensando cá com meus botões: Angélica, você tá ouvindo isso, você não tem que mudar nada, mulher!

Da mesma forma que respeito as pessoas com suas particularidades, também exijo que me respeitem. Não posso aceitar que me julguem mal pela forma carinhosa com que trato as pessoas, e pela atenção que dispenso a elas. Sei bem onde, quando e como fazer isso, aliás, jamais permiti que minha alegria e minhas palavras carregadas de humor desrespeitassem alguém. Sou intensa por natureza. Não sei dar bom dia a quem quer que seja sem um baita sorriso estampado, porque se não for assim será o mesmo que estar dizendo um oi seco e sem emoção, e eu sou movida a emoção. Amizades sempre fizeram parte da minha vida e prezo cada uma, mesmo nessa loucura do dia-a-dia, onde às vezes os afazeres nos tomam quase todo o tempo, sempre que posso quero estar em contato com essas pessoas que também me devotam tanto carinho.   Portanto, para gostar de mim, tem que saber que eu não vou me anular, como já fiz em uma época de minha vida, para ser coadjuvante da vida de ninguém, e que, definitivamente, não vou reduzir a nada o que eu tenho de melhor: minha capacidade de deixar alegria por onde passo.

Pronto, falei!

 

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Quem sabe assim

Por Eduardo Soares

Faltavam duas horas para acabar o domingo e eu estava no bagaço. Resumo do dia: alguns afazeres do trabalho pela manhã (sim, sou daquele tipo workaholic que leva o trabalho para casa) e prova para concurso às 15 horas da tarde, com duração de 3hr e meia. E o pior: já havia feito essa mesma prova duas semanas atrás, mas devido a confusões oriundas sabe-se lá de quem (até sei, mas não vem ao caso) tive que fazer tudo de novo. Escolheram um local de prova que fica mais próximo de São Paulo do que do Rio propriamente dito, mas lá estava eu, longe de tudo como nunca e tenso como sempre. Ainda tive a genial idéia de pegar um cineminha depois da prova, com o intuito de relaxar a cuca diante do dia cansativo. Não sei se foi o estresse acumulado ou filme ruim, mas a proposta inicial foi por água abaixo. Saí da sessão mais irritado ainda. Como nada dava certo só me restou usar uma frase usada pelos chatissimos Teletubbies: era hora de dar tchau!

Peguei a van e desabei. Parecia que eu nao dormia há séculos. De quebra, o motorista tinha um ótimo gosto musical já que rolava um som relaxante na viagem. Meu sono estava delicioso quando, entre um sacolejo e outro da condução, ouço uma voz diferente. Nem vi quantas pessoas estavam na van, mas aquela voz em especial era doce e irritante ao mesmo tempo. Tudo que atrapalha meu sono é irritante e imagino que o mesmo ocorre com vocês. Procurei entender o que ela dizia. “Borboletinha…cozinha….titi….ido…au”. Depois de certa resistência, me dei por vencido. Dormir em paz só em casa, pensei. Resignado no meu canto, peguei os fones com raiva, estava prestes a castigar meus tímpanos através do som alto e agitado do MP3 quando parei para ouvir e entender aquela melodia cantada entre gargalhadas e pedidos de “de novo, mamãe”:

Borboletinha/ Tá na cozinha/ Fazendo chocolate/ Para a madrinha/ Poti, poti/ Perna de pau/ Olho de vidro/ E nariz de pica-pau (pau, pau)

Sabe aquela sensação que te faz derreter? Baixei as mãos, coloquei o fone no bolso. E a musiquinha continuava. Mãe e filha cantavam com alegria contagiante, como se aquela fosse a primeira canção decorada pela criança. Todos, absolutamente todos ficavam encantados com aquela pequena moreninha de Marias Chiquinhas e de vestidinho rosa com babados brancos. Parecia que elas vinham de uma festa, pois a mãe carregava dois balões cor de rosa e também um embrulho num saco plástico branco. Pelo cheiro, ali tinha de tudo: bolo e salgadinhos. A menininha por sua vez, carregava apenas uma bonequinha que era a sua cópia. Estresse? Qual estresse? Meu lado paternal, que já anda a flor da pele, se rendeu diante daquela mini cantora que embalava a viagem com sua canção típica de jardim de infância.

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Praça de Cascadura. Fizeram dali uma espécie de terminal rodoviário para vans e kombis. Lá encontra-se de tudo: ambulantes dormindo nas próprias caixas de isopor, bêbados “descarregando” o excesso de cevada nas esquinas escuras sem a menor parcimônia, gente estranha comendo espetinhos de churrascos frios, grupos de prostitutas com perfumes fortes e roupas esfarrapadas e mendigos fazendo seus cachorros de travesseiros. A decadência local é gritante. Aliado pelo dia e horário (quase madrugada de domingo), poucas pessoas transitavam por ali e com isso a praça nutria um clima quase assombroso.

Dentre os “moradores” do local, destacava-se uma família com pai, mãe e uma filha pequena. Eles não eram diferentes dos demais: faziam da calçada fria e esburacada uma espécie de “colchão” forrado apenas por jornais, revistas e restos de embalagens de biscoitos; o “quarto” deles era delimitado por vários papelões que juntos faziam uma espécie de quadrado. Com isso, não chamavam a atenção pelo aspecto desumano e sim por frases de aflição e uma voz de choro. Choro de criança. Choro de fome.

Dizem que dentro do possível os mendigos se ajudam. Dentro do que podemos considerar como ‘ajuda’ está o fato de ceder um copo de água para o outro. Entre eles, qualquer tipo de auxilio tem ar de caridade plena. Mas não era o que acontecia com aquela família. A mãe nervosa brigava com o marido, queria que ele desse um jeito para encontrar comida. Ele nada podia fazer, pois todos os bares estavam fechados. Também não iria assaltar, pois ainda mantinha a dignidade que a vida teimava em lhe tirar. Ela dizia que a criança iria morrer de fome em seus braços. Ele se desesperava e berrava com a mulher. A agonia tomava conta daquela família.

Mesmo fraca também devido a fome, a mulher levantou-se para embalar a criança. Ambas choravam copiosamente. Não havia um fio de esperança naquele coração materno. Ela olhava para o céu, não tinha coragem de encarar a filha. A sensação de impotência tomava conta daquele casal. Perder a filha daquela forma seria cruel demais, mas em questão de poucos minutos a morte iria ganhar contornos de realidade. Foi quando um veiculo parou do lado delas.

Dentro dele, uma pequena menina alegre de repente ficou séria ao olhar para a aflição daquela família paupérrima. Guiada por um instinto inocente ela apontou para o embrulho de saco plástico com comida que estava no colo da mãe e apontou para os famintos, como quem diz: “dá para eles, mamãe”.  Supresa, ela atendeu o “pedido” da filha que num último ato entregou com suas próprias mãos sua bonequinha para a menina que inexplicavelmente parou de chorar. Mas quem presenciou a cena não segurou as lagrimas.  Por pena da família, por orgulho da pequena, seja lá pelo que fosse. A van partiu e vimos a mãe faminta agradecer efusivamente a Deus e aquela menina que simplesmente dava “tchau” no alto dos seus dois, talvez três anos.

Seria ótimo se as autoridades competentes tivessem um coração tão sensível quanto a dessa criança que ainda não sabe muita coisa, mas teve a sensibilidade de perceber a agonia de sua “coleguinha” da mesma idade. Sendo assim, façamos a nossa parte: mostrando aos nossos filhos a importância de atos humanitários. Quem sabe assim estaremos modificando o amanhã com famílias dormindo em quartos feitos com tijolos, com camas macias e lençóis aquecidos. Quem sabe assim essas duas crianças poderão cursar uma faculdade juntas.  Quem sabe assim pessoas possam simplesmente comer. Deus nos deu a inteligência. Façamos dela Seu maior orgulho.

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