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A culpa não é sua, ele que complica

Por Keka Demétrio

Sempre adorei analisar as pessoas, suas emoções e reações diante dos acontecimentos, e muito do que tenho aprendido vem destas observações, inclusive observando o meu próprio comportamento nos últimos anos e diante de situações bem diversas. Toda este amontoado de informações, me levaram a concluir, ao menos por enquanto, que por mais que tenhamos vidas diferentes, sentimentos são sentimentos e o que nos diferencia é a intensidade com que cada um de nós sente as alegrias e os temores que todos, absolutamente todos os tipos de sentimentos nos proporcionam.

Não sei porque desde sempre o mundo diz que as mulheres são complicadas, que é impossível entender o que nós desejamos, mas ando chegando a conclusão é que complicado mesmo é o tal sexo masculino. Saber o que nós mulheres queremos não é assim tão difícil, é só analisar como reagimos diante das ações dos homens.

Não é preciso ser uma mulher que possui autoestima baixa porque sofre com uma sociedade hipócrita que mensura o caráter das pessoas através do ponteiro de uma balança, enquanto valores morais e éticos estão ficando fora de moda, ou porque cresceu ouvindo que temo rosto lindo como se todo o resto não servisse para nada, fazendo com que enterrasse em um buraco muito fundo todas as outras coisas boas que poderia oferecer, mas que passou a esconder por vergonha de criticas, para embarcar em relacionamentos confusos, onde costumeiramente confundem ‘as coisas’.

Depois de alguns relacionamentos que nos ensinam algumas coisas importantes, e outras desnecessárias, pode acontecer de conhecermos um homem inteligente, culto, bonito, descompromissado, bem resolvido profissionalmente e temente a Deus (algumas vão discordar neste quesito, mas para mim é fundamental). Um homem que qualquer mulher se apaixonaria por ele facilmente, e com você não seria diferente. Isso pode acontecer comigo, com você, com quem tá solteira ou não, com quem está procurando relacionamento, ou não.

São homens que nos envolvem e quando percebemos estamos apaixonadas. Homens que entram em nossas vidas em momentos de transformações profundas, e mesmo quando vão embora, continuam nos ensinando, mesmo que através da dor da ausência das palavras bem arrumadinhas que ele nos enviava, dos links de músicas com letras que falam de histórias de amor que todos queremos viver, dos e-mails cheios de carinho, dedicação e entusiasmo, nas mensagens, telefonemas e na atenção que nos dispensava. Era maravilhoso crer que existia alguém que nos compreendia e que ao mesmo tempo nos ensinava.  Então acreditávamos que era benção, só que a realidade era bem outra.

Era outra porque um belo dia descobre-se que tudo o que ele fazia para e por você não tinha a carga de sentimentos iguais a que você acreditava ter, e quando descobrimos isso já estamos envolvidas de tal maneira que voltar a realidade dói, mas dói e não é pouco não. Vem a sensação de ter se passado por boba novamente, a sensação de que mais uma vez fracassou. E nestas horas, nos culpamos tanto, nos sentimos tão pequenas, que nem nos lembramos que não criamos este sentimento sozinhas, que o outro contribuiu efetivamente com suas ações e atenção despretensiosa para que nos entregássemos a esta história.

Somos e estamos todos muito carentes. De que? Não sei. Cada qual com seus temores internos, suas duvidas e angustias. Porém, quando encontramos no ‘outro’ um ‘alivio’ para esses males, a vida passa a ficar mais leve. Nos apegamos a esta pessoa, e quanto mais carentes, mais nos esquecemos de tudo o que acreditamos ter aprendido com dores de amores passados, cometemos exatamente os mesmos erros e tornamos a chorar. Ora, não sofra tanto, não coloque em seus ombros um peso que não é só seu, cada um com sua cota de responsabilidade. Acredite, tudo passa, e a gente sai mais forte, mais viva, mais abençoada, mais poderosa diante de tudo.

Inclusive nem acho que existam culpados. O que de verdade existe é carência de um lado e do outro um amor que é dado de forma descompromissada, chegando a ser até meio irresponsável, não porque ele assim deseja, mas porque não sabe amar de outra maneira. Nesse bolo todo, o grande problema é que carências devem ser supridas de dentro para fora, através do autoconhecimento, do engrandecimento do amor próprio que é o que nos possibilitará exercer de verdade o amor pelo outro. O amor de outra pessoa para conosco nos auxilia, nos fortalece, é bom demais, mas apenas o amor que sentimos por nós mesmos é que realmente pode suprir todas as nossas carências.

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Hipocrisia e felicidade

Por Keka Demétrio

Ando em um momento em minha vida onde estou procurando mais ouvir do que falar, e já dizia meu sábio avô que quando conseguimos nos calar a boca é porque a nossa voz interior está falando mais alto, e consequentemente isso nos conecta com a vida.

Já tem um tempo que estou percebendo algumas pessoas dizerem que é impossível ser feliz quando se está acima do peso, que quem grita isso aos quatro cantos está sendo hipócrita, fingindo uma felicidade inexistente.

Bom, não posso falar por ninguém além de por mim mesma. E sou feliz sim, com todas as minhas gorduras extras. Porque para mim a felicidade vai muito além de um corpo e tem mais a ver com a forma como eu me sinto, me vejo e me posiciono para mim mesma.

Um monte de gente diz que irradio uma felicidade contagiante e constante. Sim, eu sou feliz, mas eu também fico triste, magoada, às vezes sinto solidão que o coração chega a doer, fora as vezes que me acho horrorosa de feia (nessas horas a terapia do espelho me salva…rs). Tem dias que não sinto vontade de levantar da cama, aliás, a vontade é de ficar o dia todo assistindo comédia romântica, me empanturrando com chocolate, sorvete, pipoca e guaraná. Tenho sim minhas crises depressivas e de choro. Sou dotada de todo tido de sentimento e emoção, ou seja, normal como qualquer outro ser humano.

O que eu não faço, em definitivo, é ficar alimentando essa parte negra da vida, não permito que essa nuvem escura tome conta dos minhas ações e determine como será o meu dia. Prefiro educar meus pensamentos com alegria, procurando, embora nem sempre seja fácil, perceber o lado bom das coisas, porque de uma coisa tenho certeza, sempre há um lado positivo.

Já fiquei triste por estar gorda, por não poder vestir um short bacana por causa das coxas grossas e com celulite, mas na época pensei que isso não poderia me proibir de vestir uma bermuda linda e curtir o verão como todo mundo. Então, penso que aprender a educar os pensamentos seja uma arma poderosa contra esses pontos negativos que não nos traz alegria e vida, ao contrário, nos deixa pra baixo, com o sentimento de exclusão.

Talvez aí esteja uma das diferenças entre quem consegue ser feliz mesmo tendo consciência de suas limitações, e aqueles que fazem desses limites o ponto central de suas vidas. Isso não é ser hipócrita, é saber tirar proveito da vida.

Sou gorda, linda, gostosa, mais do que isso, sou inteligente, porque sei transformar pesadelos em sonhos.

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