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“Fui estuprada”

Por Renata Poskus Vaz

Há alguns meses venho ensaiando fazer um texto sobre estupro. Ao longo desses 4 anos de Blog Mulherão recebi inúmeros e-mails de mulheres que se disseram vítimas de violência sexual. Grande parte delas, não relatam abusos sofridos por estranhos, mas por amigos, parentes e pelo próprio marido. Sim, pois quando seu marido quer transar, você não quer e mesmo assim ele força a relação sexual isso é um estupro. Você não é propriedade de ninguém. Não é um objeto.

Pedi para minhas leitoras relatarem suas experiências, mesmo que usando pseudônimo. Uma delas foi estuprada por um amigo, que lhe ofereceu carona, uma bebida com “boa noite Cinderela”. Ela perdeu os sentidos e acordou com dores e completamente suja de sêmen. Imagine o sofrimento de ter que contar que foi engana e estuprada por um amigo. Talvez seja essa vergonha, medo e resolta que a tenha impossibilitado de escrever para o Blog Mulherão.

No site Papo de Homem, Paula Abreu descreveu sobre um estupro que sofreu. Achei comovente e chocante ao mesmo tempo e acredito que possa servir para consolar e estimular mulheres a denunciar esse tipo de abuso. Veja o relato de Paula abaixo:

“Na primeira vez em que um pau me foi enfiado goela abaixo – figurativamente falando – eu tinha apenas doze anos. Doze.

Voltava da escola pra casa todos os dias, de ônibus. Naquele dia não foi diferente. E, mesmo assim, foi totalmente diferente. Porque, naquele dia, sentado do meu lado, estava um senhor que achou que seria uma excelente ideia colocar o pau pra fora da calça e se exibir pra uma criança.

Aquele foi o primeiro dia em que me senti um objeto. Enojada e impotente.

Da segunda em diante, parei de contar. Já apertaram minha bunda, já apertaram meus peitos, já puxaram meu cabelo, já assobiaram e disseram grosserias que, certamente, não diriam às suas santas mãezinhas.

Há quase dez anos, contudo, uma dessas situações marcou a minha vida. Há quase dez anos fui estuprada.

Não fui estuprada por um estranho. Sei o nome e sobrenome do meu estuprador, e há dez anos sabia também o seu endereço, onde trabalhava, o que fazia, onde tinha estudado, quem eram seus amigos.

Fui estuprada por um amigo, num encontro.

Não estávamos muito bêbados. Não, eu não estava usando roupas provocativas. Sim, eu disse que não queria. Aliás, nada disso explicaria ou justificaria o que aconteceu, mas acho bom ressaltar pelo caráter educativo do relato: não, as mulheres nunca estão a salvo.

Como em algumas vezes anteriores, eu e meu amigo tivemos um “date”, saímos juntos pra jantar, conversamos, rimos. Fomos pro meu apartamento, depois. Tomamos um drink qualquer. Eu queria estar com ele, eu estava atraída, eu estava a fim.

Mas, de repente, me vi forçada a uma situação de violência e agressão da qual não queria participar. Enojada e impotente, como aos doze anos. Dizendo, ou melhor, gritando que não, mas não tendo força suficiente para me desvencilhar de um corpo adulto muito maior e mais forte do que o meu.

Sei que é chocante revelar publicamente um estupro e pensei muito antes de escrever esse texto. Nem mesmo as pessoas mais próximas sabem do que me aconteceu.

Mas o estupro em si não é o meu ponto mais importante. A cada doze segundos – SEGUNDOS – uma mulher é estuprada no Brasil. A cada quinze segundos uma mulher é espancada por um homem, também no Brasil. Aproximadamente uma em cada três mulheres sexualmente ativas já sofreu agressão física ou sexual por um parceiro. Uma em cada 3 mulheres NO PLANETA já foram espancadas, estupradas ou submetidas a outro tipo de abuso. De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da sua vida.

O meu estupro é só mais um em UM BILHÃO no planeta. Sim, esse número é real. Um bilhão.

O importante é como eu, depois do estupro, relutei em acreditar e admitir que fui estuprada. É como defendi meu estuprador para o amigo que me socorreu, dizendo que ele provavelmente não tinha entendido que eu não queria. É como passei um longo tempo achando que, apesar de todos os meus gritos, resistência física e de todo o sangue que ficou na roupa de cama, aquilo tudo podia ter sido apenas um mal-entendido.

O importante é que, depois do estupro, ainda falei amigavelmente com meu estuprador, e ainda tive pena dele.

O importante é quantos anos demorou pra que eu finalmente admitisse pra mim mesma – e só pra mim, claro – que eu tinha sim sido estuprada. E como, mesmo assim, optei por não contar isso pra ninguém, por não falar no assunto, por não alertar outras mulheres para o perigo que correm todos os dias ao simplesmente existirem.

O estupro em si foi só mais um, mas a minha ATITUDE – infelizmente, também muito comum – é o que permite que a cada doze segundos uma mulher seja estuprada no Brasil.

Esse ano, me vi novamente numa situação em que me senti impotente e, por alguns minutos, não tive força física suficiente para resistir a algo que eu não queria que acontecesse com o meu corpo. Não era uma tentativa de estupro, mas a sensação de impotência me remeteu automaticamente a dez anos atrás. Das entranhas, me veio uma força desconhecida e consegui dizer NÃO. Consegui reaver a posse do meu próprio corpo, e impedir que alguém fizesse comigo algo que eu não queria.

E, pela primeira vez em dez anos, chorei pelo meu estupro. Me permiti sentir pena de mim pelo que aconteceu. Me permiti sentir raiva do meu estuprador. Me permiti chorar.

Mas chorei também de orgulho pela minha recém-adquirida coragem, por ter conseguido me defender, me impor, cuidar do meu corpo, mandar no meu corpo, retomar das mãos do outro o meu direito sobre mim mesma.

Parece uma coisa simples que uma pessoa tenha direito sobre seu próprio corpo, mas não é simples para as mulheres. E as mulheres precisam falar mais sobre isso, se abrir, contar suas histórias, ter coragem de se expor. Não só sobre estupro, mas mão na bunda, mão nos peitos, puxões de cabelo, paus pra fora da calça, agressões verbais. Me arrisco a dizer que TODA mulher que conheço já passou por pelo menos uma situação de abuso ou violência sexual (sim, tudo isso É violência!). E os homens precisam ouvir, saber, perceber as diferenças, compreender as dificuldades que, ainda hoje, as mulheres sofrem.

A propósito do 11 de setembro, lembro que na época do atentado uma das coisas que mais se falava era que eram tantos passageiros contra apenas uns poucos terroristas que, se tivessem se unido, o desfecho poderia ter sido tão diferente. Uma tragédia poderia ter sido evitada.

Demorei dez anos pra admitir e chorar pelo meu estupro. Demorei dez anos pra ter coragem de me abrir e me expor. Não esperem isso tudo. Contem suas histórias. Somos mais frágeis, sim, mas somos muitas. Juntas, podemos mudar tudo.”

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Alma feminina…ops, masculina!

Por Keka Demétrio

Falamos e discutimos tanto sobre a alma feminina, tentando entender esse turbilhão de emoções que se conectam dentro de nós nos transformando em seres muito especiais e, de acordo com a grande maioria dos homens, complicadíssimas e impossíveis de serem explicadas.

Mas acho que estou começando a nos achar egoístas. É, somos E G O Í S T A S! Na maior parte do tempo em que falamos e trocamos idéias só sabemos discutir sobre nosso mundo cor-de-rosa, em como vamos realizar nossos sonhos e desejos, de como nos sentirmos mais bonitas e firmes diante da vida. Além, é claro, de esbravejarmos que somos incompreendidas, que os homens são uns cafajestes, que estamos com eles porque é um mal necessário, que isso e que aquilo.

Ãhn, mas como assim?!

Homem, mas estou dizendo homem de verdade, daqueles modelo com H maiúsculo (aiai, até suspiro quando penso. Sim, porque sou dessas, não desisto never!!!), não é mal necessário coisíssima nenhuma, muito pelo contrário, é um bem mais do que necessário, diria que é essencial e possuem alma. Isso mesmo, nosso egoísmo nos fez esquecer que homens possuem alma.

Você já parou para pensar sobre a alma masculina, os mistérios contidos nela, sonhos, desejos, fugas? Já passou pela sua cabeça que não deve ser nada fácil para eles crescerem ouvindo que homem não chora, que homem não pode expressar sentimentos, porque quando o faz isso pode fazê-lo parecer fraco? Já passou pela sua cabeça que seu companheiro já quis te dizer um monte de coisas bacanas, mas não o fez porque se sentiu inseguro e temeroso? Você sabia que por detrás daquela expressão máscula e forte de quem quer proteger existe um menino que muitas vezes só quer recostar a cabeça em seu colo, sentir a delicadeza das suas caricias e ter a certeza de que pode contar com você?

Se eu perguntar do que os homens gostam, automaticamente muitas mulheres irão responder: futebol, cerveja e mulher, não necessariamente nesta ordem. Mas será que é realmente só isso que interessa aos homens? Será que não está na hora de darmos uma trégua, baixar a guarda e começarmos a reparar em nossos companheiros não só como macho procriador e realizador dos nossos desejos, mas como seres humanos que também erram e acertam, que caem e levantam, que são feitos de sentimentos e que, embora possam parecer muito diferentes de nós porque usam muito mais a razão do que a emoção, também possuem um coração que precisa ser aquecido?

Será que não está passando da hora de enxergarmos que em um relacionamento existem duas almas distintas e que nenhuma deve prevalecer sobre a outra, mas sim agirem de forma a complementarem-se. Que os sonhos de um não pode causar a morte dos sonhos de quem ama, e isso não quer dizer que vai ter que se sacrificar ou se anular, o que quero dizer é que se souber usar de sabedoria irá conseguir adequar os seus sonhos à mesma estrada da realização dos sonhos do seu companheiro. Um auxiliando o outro em todos os sentidos. Antoine de Saint-Exupéry retrata isso muito bem em uma frase super conhecida, porém pouquíssimo compreendida: “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”

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Pesquisa indica o que os homens valorizam em uma mulher

por Keka Demétrio

Li uma matéria em um site sobre uma pesquisa sobre o que homens e mulheres buscam em seus parceiros. Além da famosa “química”, que para mim é indecifrável…aiai, e que ocupa o primeiríssimo lugar, nós mulheres valorizamos logo depois a responsabilidade financeira do sexo oposto. Gatas, sabem o que eles valorizam? Mulheres bem humoradas e felizes!

Yesss, podem ficar felizinhas da silva. Quer dizer, nem todas. Eu posso! Já que sou mesmo feliz, alegre, bem humorada e quem me conhece de verdade sabe que não é mentira (ok, estou sozinha, mas é porque DEUS tá caprichando pra mim rsrs) e sei que um monte de vocês deve estar se questionando: poxa, eu sou feliz, bem humorada e estou sozinha. Mas eu te pergunto: você é mesmo feliz, bem resolvida, bem humorada ou só representa um papel de gordinha feliz para que as pessoas não te massacrem com tanta discriminação? Existe uma grande diferença entre ser e dizer que é.

Quando começamos a dizer com o coração, realmente acreditando que somos felizes, bonitas, inteligentes, espertas, e mais um tanto de adjetivos que nos engrandece estamos dando força para que isso realmente se realize. Não tem nada a ver com mágica, com falsidades ou mentiras, tem a ver com a transformação de nossas energias em algo tangível. Isso é perfeitamente realizável. Sou a prova inconteste disso.

Quem me conhece há muitos anos sabem bem do que estou falando. Até uns 4 anos atrás eu vivia subindo ao céus com a mesma velocidade que descia ao inferno. Depressões alternadas com euforia, meses me achando o último Oasis do deserto, e depois o próprio deserto de tão seca para a vida que eu ficava. Até que um dia, eu, que sempre tive tanta fé, sempre fui alegre, divertida, percebi o que eu estava me tornando, então deixei a voz do meu coração me conduzir novamente. Comecei a acreditar que realmente eu poderia ser outra mulher, que todas as culpas que eu carregava, as minhas e as dos outros, deveriam ser vomitadas e perdoadas por mim mesma, pelo meu coração, sem procurar culpados ou desejar que alguém pagasse por qualquer coisa. Simplesmente limpeza na vida.

Meninas, trabalho meus pensamentos a todo instante. Nada do que vocês vêem eu dizer é da boca para fora, eu realmente acredito que o amor é a matéria prima para o sucesso em qualquer setor de nossas vidas. Sempre disse a vocês que somos energia pura e que nossos pensamentos são poderosos. Se emitirmos amor, receberemos amor, e sendo assim não há como as nossas lutas não obterem sucesso. Confesso que de uns tempos pra cá muitas coisas maravilhosas tem me acontecido, e um dia vou ter a alegria em compartilhar com vocês, mas ainda não é o momento, a obra não está completa. Mas minha alegria, felicidade, meu bom humor, minha fé e esperança, faço questão de dividir com todos, porque acredito firmemente que é dando que se recebe.

Vale a pena dar uma olhada no site onde li a pesquisa: Mulher 7X7

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/07/25/pesquisa-brasileiros-buscam-quimica-no-amor-e-nao-toleram-trapacas/

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