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Quem muito escolhe, acaba satisfazendo a si mesmo

Por Keka Demétrio

Quem muito escolhe, acaba sendo escolhido. Sempre ouvira esse ditado, porém não entendia ao certo o porquê de não poder escolher o que quisesse na vida, e então caiu na armadilha da pressão social e com medo de ficar pra titia casou-se com aquele moço mesmo.

Havia no gráfico do tempo uma curva onde ela via as emoções se modificando: no inicio tudo azul, depois, o comodismo foi chegando, a falta de entusiasmo tomando conta e quando perceberam estavam em um estágio de maturidade chato e rotineiro que levou a relação ao declínio.  A separação era inevitável.

Depois de tempos sem um amor, ela se viu encantada por ele. Feições séria, bonito, inteligente, culto…  e extremamente ciumento. Isso! Essa era a deixa que ela precisava para se livrar rápido do sentimento de amor que começava a fazer com que o fluxo sanguíneo acelerasse os batimentos cardíacos causando taquicardia e suor excessivos. Tinha decidido a não ser mais escrava dos sentimentos e então, mais do que nunca, passou a escolher a dedo os homens com quem deveria se relacionar. No fundo, esperava que chegasse algum e arrebatasse o seu coração já não tão novo assim. O tempo também escorria pelo vão dos seus dedos.

Sentia-se solitária, embora tivesse companhia, e por ser como era, sem coragem de assumir de verdade seus relacionamentos, era vista como egocêntrica, egoísta e arrogante. Não sabiam que no fundo ela só queria relembrar os tempos de adolescência quando seu coração subia até a boca numa mistureba emocional desenfreada. Ela tinha direito a isso. Assim pensava.

Um dia surgiu a vontade de recomeçar do nada, do zero, e decidiu acalmar o coração ansioso e volúvel. Fez a lista de predicados essenciais que ele precisaria ter. Parecia que seria como ir às compras para buscar um vestido que iria deixá-la mais bela, mas ele não estava à venda onde procurou. Porém, ela insistia em querer escolher, e batia o pé dizendo que não faria diferente.

Então, o destino, cansado de tanta teimosia, resolveu dar uma mãozinha e trouxe alguma coisa diferente no ar. Havia uma distância, na verdade a geografia nunca fora sua amiga, mas mesmo assim houve a presença de ambos. Fome e comida, carne e alma, emoção e razão, dia e noite. Era urgente o que sentiam e tudo aconteceu sem planejar, sem procurar, simples assim, só aconteceu.

Bom, ao menos é assim que ela espera que aconteça. E, pensando bem, seria uma ótima maneira para ela recomeçar a viver.

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