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A gorda que agrada todo mundo e desagrada a si mesma

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Por Renata Poskus Vaz

Quantas vezes você se anulou para ser aceita na família, pelos amigos ou no trabalho? Quantas brincadeiras sem graça e que te feriram teve que aguentar? Quanto preconceito teve que suportar? Quantas vezes engoliu a sua própria opinião porque ela jamais seria aceita, respeitada? Tudo isso para ter uma vida social equilibrada, na tentativa de ser uma pessoa agradável para os outros, mesmo que desagradando a si mesma.

E aí eu te pergunto: vale à pena?  Você se sente bem sendo, aos olhos dos outros, alguém sem opinião? Alguém submisso? Alguém que não sabe dizer não e ri quando na verdade gostaria de chorar?

Não, não vale. Tenho certeza que quando coloca, à noite, a sua cabeça no travesseiro, não se sente a amiga, esposa, colega e filha perfeita. Você sabe que isso é um personagem, que existe um cérebro e muitos sentimentos por trás da gorda fofinha que você tenta encarnar.  Você se sufoca. E sofre.

Um dia esse mulherão escondido por trás do seu corpo gordo virá à tona, seja explodindo em um acesso de fúria, ou implodindo com uma depressão ou uma doença grave. Mas ela virá à tona.  Não é melhor deixar com que ela apareça, lentamente, todos os dias?

Eu me lembro que, quando pequena, era muito geniosa. Porém, recordo-me, nunca fui uma menina má. Tinha um senso de justiça e lealdade que poucas pessoas têm (modéstia à parte), não iniciava brigas, porém, não fugia delas. Definitivamente, não era uma menina fofa. Nunca fui tolerante, sempre reagi de imediato às ofensas e provocações. Isso, é claro, fez com que algumas pessoas se afastassem de mim. Sempre questionei porque a Lídia do prédio sempre tinha que ser a professora nas brincadeiras de escolinha, na nossa infância, ou porque as meninas, na juventude, insistiam em ser falsas com a Fabiana, falando mal dela pelas costas, mas aturando-a porque tinha carro para nos levar à balada. É claro que elas não gostavam disso. Não gostavam que eu lembrasse que suas atitudes poderiam não ser as mais corretas. Com o tempo, para ser aceita, comecei a fazer vistas grossas a essas injustiças. Não emitia mais minha opinião. Engolia. Suportava. E morria aos poucos.

Sim, porque não acho que seja certo sair dando voadora no peito dos outros a cada discordância de opiniões, mas ter que fingir que concordava com algo para ser aceita, não era bacana. E me calar, abriu precedente para que zombassem de mim e que não me respeitassem mais. Ok, respeito não se conquista no grito, mas se conquista com postura. E nunca com uma postura passiva.

Isso refletiu também em um de meus relacionamentos, sempre abaixando a cabeça, pedindo desculpas por erros que meu próprio parceiro cometia comigo. Sim, ele errava comigo, virava o jogo e eu, mesmo vendo claramente essa manobra egoísta, pedia desculpas só para ficar bem com ele. Mas não ficava! Essa situação só se prolongava, fazendo com que o relacionamento acabasse de qualquer forma, mais tarde, causando muito mais decepção e sofrimento.

Foi quando dei um basta. Voltei a expor minha opinião e admirar pessoas que fazem o mesmo (mesmo não concordando com elas). Não gosto de gente muito calada, que concorda com tudo, pois mesmo uma pessoa muito tímida pensa, tem sua visão particular sobre tudo e não ter acesso a isso me deixa insegura, pois ela não mostra de verdade quem ela é.

Com o meu atual trabalho, lidando com moda, mulheres e egos, decidi que ou me dedicaria a fazer amigos, ou a trabalhar. E escolhi trabalhar. É muito difícil dizer não para uma modelo em um casting. São poucas que reagem de forma positiva. A maioria fica brava comigo, mesmo dizendo a  elas a verdade de forma polida. Não, não posso mentir! Nem para mim mesma, nem para elas. Mesmo que isso me custe a ficar sozinha. Mas não fico! 

Assim como eu, quando você aprender a ouvir e a falar, nunca estará sozinha. Pode não ter mais a aceitação de 100 pessoas, mas sempre terá, ao seu lado, gente do bem, que admira amigos pensantes. Sempre existirá alguém que irá gostar de quem você é de verdade, mesmo brigando, discordando… Amigo que é amigo não vai embora só porque você não concordou com ele.

E é isso que eu espero que você, leitora, compreenda. Não omita, não minta, não sorria quando na verdade quer chorar. Não desagrade a pessoa mais importante da sua vida: você mesma.

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Coelhinho da páscoa que trazes pra mim?

Por Keka Demétrio

Coelhinho, sei que você está muito ocupado, e que para variar eu estou fazendo o meu pedido em cima da hora. É que eu sou mesmo assim, meio atrapalhada com datas, horários, e nos últimos tempos ando me achando com capacidade para abraçar o mundo, como se isso fosse possível. Então, tenha peninha de mim e me envie alguns ovos recheados com:

  • Amor. Porque sem amor nada tem sentido, e é o único sentimento que se multiplica quando dividido;
  • Paciência. Que é pra eu não sair quebrando tudo, só estragando algumas coisas. Aliás, sempre que faço isso geralmente eu não estrago, eu conserto; rsrs
  • Paz. Pra que meus lábios pronunciem palavras que auxiliem;
  • Serenidade. Para que eu não me perturbe diante das inquietações dessa minha alma às vezes tão indisciplinada;
  • Sabedoria. Para saber fazer minhas escolhas, e mesmo que lá na frente eu pense que não foi a correta, eu continue sendo sábia para mudar meu pensamento e absorver o ensinamento de mais uma queda;  
  • Alegria. Para que minha vida, meu ambiente de trabalho e meus amigos sejam contagiados pelo brilho dos meus olhos;
  • Paixão. Porque a vida sem taquicardia é monótona e a paixão faz com que eu me sinta livre, leve e solta. Ok, Coelhinho, não precisa rir só porque eu disse que me sinto leve, mas neste caso as curvas do meu corpo não tem absolutamente nada a ver com a sensação de me sentir leve;
  • Tolerância.  Para ouvir o meu próximo e entendê-lo mesmo que discordando de suas idéias;
  • Perdão. Porque às vezes minha ignorância e minha prepotência me cegam a ponto de me fazerem tão pequena que fica impossível exercitar o perdão;
  • Humildade. Porque é ela que me faz perceber o quanto eu erro, assumir esses erros e pedir perdão, mesmo que seja a mim mesma;

Coelhinho, como sou uma menina que procura se comportar sempre muito bem, além de ser muito humilde e discreta, acho que também mereço ovos com brinquedinhos dentro, e para não tomar o seu tempo pensando quais brinquedos escolher, já fiz minhas escolhas:

  •  Um cartão de crédito sem limite e sem fatura. Ok, tudo bem, não precisa ser sem fatura, mas com desconto de 90% no pagamento;
  • E, para finalizar e eu ficar muitíssimo feliz, quero também um moreno alto, bonito e sensual.

P.S: Senhor Coelhinho, sou chocólatra, portanto, se o moreno alto, bonito e sensual puder vir com uma camada extra de chocolate, vou ficar muito, mas muito agradecida.

 

 

 

 

 

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Carta de despedida

Por Keka Demétrio

Hoje quero me despedir de muitas coisas. Quero abrir espaço para que a vida me ofereça outras oportunidades, outros sonhos, outros desejos. Levarei apenas a esperança de um novo recomeço. E por me dispor a começar de novo, estou aberta a novas experiências.

Quero deixar para trás todos os motivos que me fizeram sentir raiva, as situações que me fizeram alterar a voz, e todas as palavras pronunciadas para me desestimular a continuar a busca do meu eu, e consequentemente da minha felicidade. Despeço-me de tudo isso com a sensação do dever cumprido.

Vou deixar para trás todas as minhas fraquezas. Aquelas que me fizeram chorar, as que me fizeram acreditar que eu era triste e sozinha. Quero dar adeus à sensação que às vezes me acometia de que o mundo estava contra mim. E me despedir em definitivo da ridícula piedade que eu sentia de mim mesma nos momentos difíceis da minha vida.

Despeço-me de todas as mágoas que já causei e, ao pedir desculpas, despeço-me também de todas as que me machucaram o coração. Despedir-me-ei dos sentimentos negativos que atrasam a vida e nos transformam em lodo. Quero na minha vida natureza viva e abundante, regada com amor, respeito, consideração, carinho e muita fé.

Deixarei para trás alguns sonhos, mas isso não quer dizer que levarei comigo frustrações por não os ter realizado, mas a certeza de que eles foram importantes para que minha chama interna não se apagasse. Partirei para outros devaneios, e estes também serão combustíveis para o meu sucesso.

Assim sendo, avisei ao meu coração que ele será renovado. Baterá no compasso das novas emoções. Também já informei ao meu fígado que ele não mais sofrerá por causa da tristeza, pois estou me despedindo dela. Aos meus pulmões mandei um recado avisando que toda a aflição que eu sentia, por não conseguir controlar tudo e todos, não vai mais atrapalhar o seu excelente funcionamento, já que a minha paciência será exercitada. Por fim, quero dizer aos meus rins que eles estarão protegidos, porque o medo, esse sentimento que ceifa nossos sonhos, deverá ser extirpado de vez.

Me despeço das carências, e das atitudes impensadas provocadas por ela, que muitas vezes me feriram a alma. E pensando bem, de tudo o que vivi, levarei algumas coisas. Partirão comigo as emoções vividas que me fizeram sorrir, cantar e dançar. E na alma, vou levar a leveza e a alegria de quem quer transformar a vida em presente de Deus.

 

 

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