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Kama Sutra para gordos

Por Renata Poskus Vaz

Final de ano, festas, calor, curtição e as leitoras do Blog Mulherão ficam numa safadeza sem limites (menos eu que sou super santa! cof cof cof). Após o sucesso do post das pepecas gordas, fiz uma enquete com minhas leitoras lá no Facebook sobre temas que gostariam que eu abordasse aqui. E lá vamos nós de novo discutir a felicidade de nossas pepecas. A maioria pediu na enquete que eu fizesse um artigo sobre Kamasutra Plus Size.

Kama sutra é um antigo texto indiano que fala sobre o comportamento sexual, com posições ilustradas. Copiei daqui.

Kama Sutra Plus Size? Que doidera é essa?- pensei. Como abordar esse tema? Se a situação aqui comigo não estivesse tão crítica eu até que poderia tentar umas posições inusitadas com meu namorado (imaginário). Mas em época de racionamento afetivo e sexual em minha vida, esta alternativa está fora de cogitação. A base deste artigo, infelizmente, será apenas teórica. hahaha

Não fique com vergonha do seu corpo

Antes de sair por aí decorando posições do Kama Sutra, tenha em mente que se tiver vergonha do seu corpo, ou quiser esconder alguma coisa na hora h, é melhor não transar. É impossível que uma mulher consiga sentir prazer com vergonha da celulite, ou da barriga gordinha que esparrama para o lado quando se está deitada ou, ainda, do seio enorme que inevitavelmente dá uma caidinha quando se tira o sutiã. Ficar se preocupando com seu corpo, com a luz acesa ou com o que o cara vai achar de você ou da sua performance, não rola! Então, relaxe, curta, desencane. Você tem que sentir prazer também e não ficar lá reproduzindo posições e simulando prazer só para agradar macho.

Posições para Gordinhos

Não há como apontar posições 100% prazerosas para gordos (e nem para magros). Você tem que testá-las e descobrir quais as que agradam mais a você e seu companheiro. Nem sempre ele é gordo também e tudo isso pode influenciar, além de outros fatores.

O site Idelas consultou vários especialistas em chacachacanabuchaca e criou uma galeria com imagens de posições sexuais que, segundo eles, são mais confortáveis e gostosas para quem está acima do peso. Como este é um blog de família :p  , vou sugerir que cliquem neste link para visualizar as posições. Sinceramente, nada de novo. E na maioria delas aquela ideia de que não se pode exigir muito da performance da mulher gorda.

O ponto positivo é notar a retratação de homens sempre controlando o peso do corpo sobre a mulher. Não é porque somos gordas que aguentamos marmanjo despencando sobre a gente, né?

Já o Blog Obvious mostrou uma sacanagem cult! O renomado pintor colombiano Fernando Botero, que desde sempre retrata gordinhas em suas obras, criou o BOTEROSUTRA, com 70 imagens feitas por técnicas diversas. Olhe só:

kama sutra plus size 1 kama sutra plus size 2 kama sutra plus size 3 kama sutra plus size 4 kama sutra plus size 5 kama sutra plus size 6

“Em maio eu estava na Itália trabalhando em uma escultura de uma mulher reclinada e não consegui encontrar a solução da composição como eu queria. De repente, ocorreu-me que se você colocar uma figura masculina acima, como se fazem amor, poderia conseguir uma melhor composição. Eu nunca tinha feito nada parecido com isso. E eu pensei que tinha encontrado uma adição muito importante para determinada solução ousada da plástica. Terminei esta escultura, fiz um segundo, depois um terceiro e eu estava entrando no assunto de forma gradual. Então eu comecei a desenhar e ler o Kamasutra curioso. Eu pensei que era um tratado que mostrou muitas posições amorosas, mas a verdade é que há muito pouco sobre isso, pois se trata de um tratado de amor.” Fernando Botero (entrevista para o jornal, El Tiempo. Edição de 23 de novembro de 2013.)

Ah, e se posso deixar um conselho é que não sigam posições como um guia de ginástica. Sexo é pele, cheiro, beijo, abraco, contato visual também. O resto sempre surge naturalmente. É só você estar bem consigo mesma e com seu companheiro. ❤

***

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A gorda que não “compensa” e é feliz assim!

Por Renata Poskus Vaz

Quando alguém gosta de você, gosta de você completa. Não gosta só da sua bunda, ou só do seu sorriso, ou só das suas formas. Você não é fragmentada, é um conjunto de qualidades que vão muito além das físicas e que te fazem especial, única.

Quando alguém te enxerga em partes, como um objeto, inevitavelmente procurará defeitos. Quando o seu corpo é encarado desta forma, como defeito, se torna uma espécie de empecilho a ser revelado por essa pessoa que acha (ou finge) que gosta de você. Ela só revela seu peso, se você lhe trouxer compensações.

* Ah, ela é gorda, mas convida ela para a festa pra ajudar a limpar o salão.

* Cara, tô pegando a gordinha. Ela faz tudo o que eu quero na cama, não sabe dizer não.

* Tudo bem, eu fico com você, mas não fala para os meus amigos.

* Bota a gordinha para trabalhar no feriado, ela não reclama de nada.

É aí que você, se não for ainda detentora de segurança e amor próprio, se esforçará para compensar seu corpo gordo e agradar aos outros.

Você não precisa compensar nada! Seu corpo é apenas seu corpo, não te faz inferior a ninguém. Não precisa se esforçar para ser legal, muito menos para ser aceita. Não precisa ficar com o primeiro cara babaca que aparecer na sua frente, só porque acham que gorda não pode ser seletiva.

Se quiser ficar por ficar, fazer sexo sem compromisso, vai fazer apenas o que quiser e com quem quiser. Vai dizer não quando quiser dizer, sem medo de ser ofendida. E se for ofendida, vai ligar o foda-se e voltar para casa de cabeça erguida. Espero que você não precise, mas  lembre-se sempre que nosso País tem leis que enquadram certinho esse tipo de cara.

Você não precisa desculpar piadas de mal gosto, ofensas e discriminações. Não precisa forcar o riso. Muito menos ficar com vergonha de comer na frente dos outros.

Você não precisa ser a amiga que não sabe dizer não, que faz tudo para todo mundo, que escuta, é prestativa, mas não recebe nenhuma atenção ou consideração em troca.

Eu sei que é difícil e o medo de ficar sozinha é tão grande que pode te desencorajar, muitas vezes, a deixar de se comportar como a mulher que é gorda, mas compensa.

Neste mundão está repleto de pessoas dispostas a serem suas amigas de verdade, colegas de trabalho respeitosos, ou ainda loucos para se apaixonarem por alguém como você. Alguém completa, com qualidades, com alma, coração e não só peso. Mas, antes, você precisa se libertar deste tipo de gente preconceituosa que só convive com você por achar que traria algum tipo de compensação. Gente que, cá entre nós, é que não compensa sua amizade.

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O príncipe que desejamos, o cafajeste que esperamos

príncipe ou cafajeste

Por Renata Poskus Vaz

Você pede para Deus um príncipe. Um príncipe gentil, educado, que te de toda a atenção do mundo e te trate como a princesa que você é. De repente Deus te escuta. Manda aquele gentleman que você diz desejar. E o que você faz com ele? O transforma em seu melhor amigo, um ser assexuado, porque embora diga que deseja um príncipe, lá no fundo, o que você quer mesmo é um cafajeste para chamar de seu.

“Pô, Renata, não generalize! Nem toda mulher gosta de um cafa”. Concordo. Nem toda mulher gosta, mas a maioria das solteiras que conheço, que desejam um relacionamento sério e que estão sozinhas há tempos, reclamando da homarada e da solidão, é porque mira no príncipe, mas acerta no cafajeste.

Para essas mulheres, cara certinho não tem graça. É previsível demais, chato, cansativo, entediante… Um cara sem sal! Já os safados parecem homens irresistíveis e sempre interessantes. Só que é óbvio que os cafajestes jamais as assumirão. Essa história é mais ou menos assim: o príncipe que ama a princesa, que ama o cafa, que não ama ninguém.

Calma, não estou falando de algo consciente, é algo que foge da nossa razão.  Li alguns livros sobre isso e, em resumo, posso afirmar que relacionamento com cafas, que não nos dão valor algum, cria uma espécie de agitação em nossa vida. É uma relação turbulenta que preenche um vazio existencial. O cara vai lá, te leva para sair, faz um lepo lepo memorável e não te liga no dia seguinte, nem nas semanas seguintes, nem nunca mais. E quando liga, te usa, te maltrata, faz pouco de você. Sai com mais umas 5 ao mesmo tempo e não se importa que você fique sabendo, mesmo que você tenha deixado claro que não quer só uma amizade colorida ou sei lá o quê. Aí você sofre com isso, se ocupa com todo esse sofrimento e com suas próprias reclamações. E, garota, quer saber?  Jamais alguém que goste de você de verdade liga o foda-se para o seu sofrimento!

E tem ainda um outro tipo de cafajeste. Aquele que se faz de príncipe,  te engana, te ilude etc. Cabe a você ter sensibilidade para detectar se os sentimentos do cara são genuínos, ou uma reprodução em série de juras de amor para você e a torcida feminina inteira do Flamengo. Eles são tão confiantes que sempre, sempre mesmo, acabam dando sinais de que não valem o que comem, literalmente. Dissimulam, manipulam, mentem. Uma hora você descobre e  eles reagem negando. Simples.  Você vai sacar.

E antes que me pergunte, não, ele não vai mudar.

Por que você permite essa situação em sua própria vida? Por que se sente apaixonada por um cara desses? Provavelmente seja seu medo de sofrer. Você acaba preferindo um sofrimento previsível com um cafa, desde o início, do que correr o risco de ser feliz com um príncipe encantado. Isso mesmo, medo de ser feliz! Medo de ser feliz e um dia isso acabar, pois a dor poderia ser bem maior. Mas nesta de “poderia”, você deixa de vivenciar experiências bacanas com um cara realmente legal.

Às vezes, achamos que não somos merecedoras de uma história bonita, de fidelidade, carinho e respeito. E temos preconceito com caras legais, dispostos a nos valorizar, amar e apoiar. Nós os olhamos como bobos, quando na verdade são tudo o que lá no fundo precisamos, queremos e merecemos. A vida com um príncipe não precisa ser enfadonha. Muito pelo contrário. Príncipes são encantados. E há sempre surpresas neles. Mas essas surpresas você só descobrirá se permitir que ele entre em seu reino de faz-de-conta. Inclusive, príncipes podem ser cafajestes, mas apenas na hora “h”,  se você permitir,  e só com você.

Então, princesa. Dá um chega pra lá no seu cafa para seu príncipe poder chegar até você. 🙂

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As gordinhas são as melhores na cama?

Tara Lyn

Por Renata Poskus Vaz

Você certamente já conheceu algum homem gordofóbico, desses bem machistas, e que, de repente, se viu perdidamente apaixonado por uma gordinha. É mais ou menos como aquele ditado popular: “não cospe para cima que cai na sua testa”. O cara vai lá, cospe pra cima, desfila com magrinhas, esculhamba as gordinhas  mas, de repente, se vê completamente rendido, dominado e obcecado por uma mulher de medidas generosas, bem mais pesada do que ele.

Normalmente esse tipo de cara não se apaixona por uma gorda a primeira vista. Ele vai lá, sai com ela escondido dos amigos, se convencendo de que tudo não vai passar de apenas uma noite e que ninguém precisa ficar sabendo. Tem aquela ideia retrógrada de que gordinhas são mais fáceis e blá  blá  blá, que vai ser bem mais fácil levar uma gorda para a cama do que uma mulher magra. Ele sente que está usando a gorda, quando na verdade ele também está sendo usado por ela. Sexo é troca. Realmente tudo pode não passar de uma noite e pronto. Mas e quando o cara gama? Se apaixona? Tem com a gorda uma noite maravilhosa, que jamais teve com nenhuma mulher?

Ah, minha amiga, é aí que, ele, que zombou a vida inteira de gordas, certamente vai demorar meses até assumir sua fofinha por aí. Terá vergonha de ser ridicularizado da mesma forma com que ridicularizava as outras pessoas. Se ele estiver diante de uma gorda submissa, coitadinha, certamente estenderá esse romance secreto por muito tempo. Se na verdade ela for um mulherão, ele estará perdido! Ou assume  sua gorda de vez, ou corre o risco de perdê-la para outro (ou o melhor,  ela  simplesmente pode preferir ficar sozinha).

Perguntei para alguns amigos, ex-gordofóbicos (mesmo que contidos, não explícitos) o que as gordinhas tem que as magras não tem. Veja as respostas mais comuns abaixo:

Gordinhas são mais quentes na cama

Essa é a unanimidade! E eles ainda tem as teorias do porquê as gordinhas serem mais quentes e terem menos frescura na cama:

1) Sabem que é difícil para elas estarem com caras tão  bonitos (argh!) e por isso querem se esforçar em agradá-los (muito machista essa resposta, né?!  MAS VÁRIOS PENSAM ISSO)

2) Tem em proporção maior o que os homens adoram: peito e bunda!

3) Transam de luz acesa/tem menos vergonha do copo que as magras. Isso achei bem interessante e, segundo alguns rapazes,  eles acreditam que se deva ao fato das magrinhas tentarem esconder suas imperfeições, que normalmente são poucas, enquanto a gordinha sabe que mesmo que se esforçasse, não conseguiria esconder toda a sua celulite ou gordurinhas, lidando, dessa forma, melhor  com o próprio corpo.

Gordinhas são mais companheiras

Todos dizem que as gordinhas são mais pacientes, boas ouvintes, engraçadas e tolerantes (não sou nada disso! hahaha sou uma magra em um corpo gordo, será?). “Não vejo a hora passar quando estou com ela”, disse um amigo, para mim. Lindo, não é? Existe romantismo na safadeza!

Gordinhas são mais dispostas

Alguns rapazes dizem que as gordinhas são mais dispostas (seja para passear, transar ou conversar) que as magrinhas. E eu me pergunto: de onde é que eles tiraram isso? Será que é porque ingerimos mais calorias e fazemos menos exercício, gastando com coisas mais legais? rsrrs

***

O título dessa matéria foi um simples chamariz, pois não acredito em competições desse tipo entre mulheres. Não somos todas iguais. Não somos uma fórmula. Magras, não me batam! Não acho que vocês sejam inferiores  às gordas (embora eu seja bem melhor hoje em todos os sentidos do que quando era magrinha :p) . Não gosto quando homens nos definem sexualmente tendo como base o nosso físico, as nossas gordurinhas, como se cada uma de nós não tivesse sua própria individualidade, personalidade e sexualidade.

Não gosto quando homens falam como se tivessem nos escolhido, quando na verdade qualquer relacionamento, seja sexual, amizade,  casual, amoroso, necessita da vontade de 2 (ou mais!) pessoas para existir.

O interessante dessas colocações é saber como os pensam para definirmos se entramos ou não nessa de mulher objeto, nessa jogada. Ah, e não se esqueça: nem todo cara é um idiota que terá vergonha de você. :p

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“Quem não gosta de gordinha é porque nunca dormiu com uma”

Por Renata Poskus Vaz

A frase safadinha que dá título a esta matéria poderia ser, mas não é minha. É de Jayla X-Tudão, dançarina dos shows do funkeiro MC Serginho. Ela participou do programa “Gabi Quase Proibida” na semana passada e falou com desenvoltura sobre sua sexualidade.

A dançarina, que pesa 207 quilos, namora há um ano e nove meses e diz que faz “todas as posições sexuais”. Detalhe: nada de se esconder! O que ela gosta mesmo é de luz acesa na hora “h”! Jayla defende que a autoestima é fator essencial para que uma gordinha seja atraente aos olhos dos homens: “a partir do momento em que você sai na rua se achando bonita e se aceitando, você passa sensualidade e os homens percebem isso. Sou muito cantada. A gente acaba atiçando a curiosidade dos homens”, explica.

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Para não deixar a sensualidade de lado na hora “h”, Jayla manda confeccionar lingeries sob medida, bem sensuais e rendadas, no seu manequim 68.

Mesmo confiante e sexy com seu manequim avantajado, Jayla quer reduzir o estômago em breve. Ela é obesa desde os 10 anos e, atualmente, enfrenta problemas de saúde. Segundo Jayla, pesar 80 Kg seria o ideal para ela, o que a transformaria, de acordo com suas palavras, em uma “gordinha gostosa”. 

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“Fui estuprada”

Por Renata Poskus Vaz

Há alguns meses venho ensaiando fazer um texto sobre estupro. Ao longo desses 4 anos de Blog Mulherão recebi inúmeros e-mails de mulheres que se disseram vítimas de violência sexual. Grande parte delas, não relatam abusos sofridos por estranhos, mas por amigos, parentes e pelo próprio marido. Sim, pois quando seu marido quer transar, você não quer e mesmo assim ele força a relação sexual isso é um estupro. Você não é propriedade de ninguém. Não é um objeto.

Pedi para minhas leitoras relatarem suas experiências, mesmo que usando pseudônimo. Uma delas foi estuprada por um amigo, que lhe ofereceu carona, uma bebida com “boa noite Cinderela”. Ela perdeu os sentidos e acordou com dores e completamente suja de sêmen. Imagine o sofrimento de ter que contar que foi engana e estuprada por um amigo. Talvez seja essa vergonha, medo e resolta que a tenha impossibilitado de escrever para o Blog Mulherão.

No site Papo de Homem, Paula Abreu descreveu sobre um estupro que sofreu. Achei comovente e chocante ao mesmo tempo e acredito que possa servir para consolar e estimular mulheres a denunciar esse tipo de abuso. Veja o relato de Paula abaixo:

“Na primeira vez em que um pau me foi enfiado goela abaixo – figurativamente falando – eu tinha apenas doze anos. Doze.

Voltava da escola pra casa todos os dias, de ônibus. Naquele dia não foi diferente. E, mesmo assim, foi totalmente diferente. Porque, naquele dia, sentado do meu lado, estava um senhor que achou que seria uma excelente ideia colocar o pau pra fora da calça e se exibir pra uma criança.

Aquele foi o primeiro dia em que me senti um objeto. Enojada e impotente.

Da segunda em diante, parei de contar. Já apertaram minha bunda, já apertaram meus peitos, já puxaram meu cabelo, já assobiaram e disseram grosserias que, certamente, não diriam às suas santas mãezinhas.

Há quase dez anos, contudo, uma dessas situações marcou a minha vida. Há quase dez anos fui estuprada.

Não fui estuprada por um estranho. Sei o nome e sobrenome do meu estuprador, e há dez anos sabia também o seu endereço, onde trabalhava, o que fazia, onde tinha estudado, quem eram seus amigos.

Fui estuprada por um amigo, num encontro.

Não estávamos muito bêbados. Não, eu não estava usando roupas provocativas. Sim, eu disse que não queria. Aliás, nada disso explicaria ou justificaria o que aconteceu, mas acho bom ressaltar pelo caráter educativo do relato: não, as mulheres nunca estão a salvo.

Como em algumas vezes anteriores, eu e meu amigo tivemos um “date”, saímos juntos pra jantar, conversamos, rimos. Fomos pro meu apartamento, depois. Tomamos um drink qualquer. Eu queria estar com ele, eu estava atraída, eu estava a fim.

Mas, de repente, me vi forçada a uma situação de violência e agressão da qual não queria participar. Enojada e impotente, como aos doze anos. Dizendo, ou melhor, gritando que não, mas não tendo força suficiente para me desvencilhar de um corpo adulto muito maior e mais forte do que o meu.

Sei que é chocante revelar publicamente um estupro e pensei muito antes de escrever esse texto. Nem mesmo as pessoas mais próximas sabem do que me aconteceu.

Mas o estupro em si não é o meu ponto mais importante. A cada doze segundos – SEGUNDOS – uma mulher é estuprada no Brasil. A cada quinze segundos uma mulher é espancada por um homem, também no Brasil. Aproximadamente uma em cada três mulheres sexualmente ativas já sofreu agressão física ou sexual por um parceiro. Uma em cada 3 mulheres NO PLANETA já foram espancadas, estupradas ou submetidas a outro tipo de abuso. De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da sua vida.

O meu estupro é só mais um em UM BILHÃO no planeta. Sim, esse número é real. Um bilhão.

O importante é como eu, depois do estupro, relutei em acreditar e admitir que fui estuprada. É como defendi meu estuprador para o amigo que me socorreu, dizendo que ele provavelmente não tinha entendido que eu não queria. É como passei um longo tempo achando que, apesar de todos os meus gritos, resistência física e de todo o sangue que ficou na roupa de cama, aquilo tudo podia ter sido apenas um mal-entendido.

O importante é que, depois do estupro, ainda falei amigavelmente com meu estuprador, e ainda tive pena dele.

O importante é quantos anos demorou pra que eu finalmente admitisse pra mim mesma – e só pra mim, claro – que eu tinha sim sido estuprada. E como, mesmo assim, optei por não contar isso pra ninguém, por não falar no assunto, por não alertar outras mulheres para o perigo que correm todos os dias ao simplesmente existirem.

O estupro em si foi só mais um, mas a minha ATITUDE – infelizmente, também muito comum – é o que permite que a cada doze segundos uma mulher seja estuprada no Brasil.

Esse ano, me vi novamente numa situação em que me senti impotente e, por alguns minutos, não tive força física suficiente para resistir a algo que eu não queria que acontecesse com o meu corpo. Não era uma tentativa de estupro, mas a sensação de impotência me remeteu automaticamente a dez anos atrás. Das entranhas, me veio uma força desconhecida e consegui dizer NÃO. Consegui reaver a posse do meu próprio corpo, e impedir que alguém fizesse comigo algo que eu não queria.

E, pela primeira vez em dez anos, chorei pelo meu estupro. Me permiti sentir pena de mim pelo que aconteceu. Me permiti sentir raiva do meu estuprador. Me permiti chorar.

Mas chorei também de orgulho pela minha recém-adquirida coragem, por ter conseguido me defender, me impor, cuidar do meu corpo, mandar no meu corpo, retomar das mãos do outro o meu direito sobre mim mesma.

Parece uma coisa simples que uma pessoa tenha direito sobre seu próprio corpo, mas não é simples para as mulheres. E as mulheres precisam falar mais sobre isso, se abrir, contar suas histórias, ter coragem de se expor. Não só sobre estupro, mas mão na bunda, mão nos peitos, puxões de cabelo, paus pra fora da calça, agressões verbais. Me arrisco a dizer que TODA mulher que conheço já passou por pelo menos uma situação de abuso ou violência sexual (sim, tudo isso É violência!). E os homens precisam ouvir, saber, perceber as diferenças, compreender as dificuldades que, ainda hoje, as mulheres sofrem.

A propósito do 11 de setembro, lembro que na época do atentado uma das coisas que mais se falava era que eram tantos passageiros contra apenas uns poucos terroristas que, se tivessem se unido, o desfecho poderia ter sido tão diferente. Uma tragédia poderia ter sido evitada.

Demorei dez anos pra admitir e chorar pelo meu estupro. Demorei dez anos pra ter coragem de me abrir e me expor. Não esperem isso tudo. Contem suas histórias. Somos mais frágeis, sim, mas somos muitas. Juntas, podemos mudar tudo.”

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Sexo é bom. Sexo é muito bom

Por Keka Demétrio

Outro dia falei para Edu Soares que meu próximo texto seria sobre sexo, mas que estava sem inspiração. Ai veio a incredulidade em forma de pergunta: Você, Keka Demétrio, sem inspiração para falar sobre sexo?? Fui lendo e rindo, e a inspiração foi surgindo, porque me lembrei que nem sempre foi tão fácil falar sobre sexo, assim como não deve ter sido para a maioria das mulheres. Hoje em dia, não vejo problema algum em falar sobre o assunto, aliás, gosto bastante do tema.

Alguns anos atrás, mulheres falando sobre sexo era uma raridade, na verdade trocávamos algumas impressões e informações com as amigas mais chegadas e só. Era preciso descobrir por outros meios e pelas experiências. Porém, descobrir, buscar conhecimento, é uma coisa, porque conhecer nosso corpo e descobrir o prazer é um buraco bem mais embaixo. Sem trocadilho.

Como nos libertarmos de uma hora para outra da educação rígida e dos tabus a que fomos condicionadas desde a infância, quando sequer meninos e meninas podiam brincar juntos? E se essa menina estivesse acima do peso e além da rigidez da educação ela ainda tivesse sua autoestima abaixo de zero, como agir e reagir a isso tudo? Como faze-la acreditar que poderia se tornar uma mulher linda, desejada e com direito a sentir prazer como qualquer outra mulher, independente do seu corpo? Tarefa difícil, mas não impossível.

Quando não conseguimos trabalhar a autoestima dessas mocinhas, na primeira chance elas se jogam em relacionamentos onde o corpo é a válvula de escape para as angustias que sente por não se sentir inserida na sociedade do corpo ‘perfeito’. Presa fácil dos rapazes que se vangloriam pelo número de mulheres que conseguem levar para a cama e não pelo seu caráter, no caso aqui, duvidoso, vão passando de mão em mão buscando preencher o vazio cavado por anos e anos de autopiedade, preconceito e exclusão. O mais triste é que quando se deitam em suas próprias camas, sentem-se mais vazias do que quando acordaram, porque ao agirem desta maneira, estão esfacelando de vez o seu amor próprio.

Sexo é uma delícia, é saudável, faz bem para o corpo, para a pele, para a alma e para a vida, mas desde que você esteja fazendo com quem realmente valha a pena, que desperte em você a vontade de se sentir mulher. Sim, porque dizem que a maternidade é quem faz isto, mas devo dizer que não é somente ela, aquela sintonia, aquela química, as borboletas no estômago, o frio percorrendo a coluna quando está falando com determinado homem, são nossos instintos femininos declarando que estamos prontinhas para dar e receber prazer.

O grande problema, é, tem que existir problema, mas também tem solução, é que alguns homens são tão egoístas, egocêntricos, machistas e ridículos que tolhem suas mulheres. Castram seus desejos e sequer permitem que elas abram a boca para falar sobre sexo. Acham tudo maravilhoso com a mulher dos outros, tem fantasias com a gostosa da empresa, mas se sua esposa aparecer com uma lingerie mais sexy ele simplesmente a ignora ou diz que está ridícula. Mulheres de homens assim, e que continuam deixando eles agirem desta maneira, nunca poderão dizer que são mulheres de verdade, não só pelo prazer que nunca vão sentir, mas porque não sabem o poder que possuem para modificar a sua própria vida.

Mas graças a Deus existem homens de verdade. Homens que entendem a anatomia do nosso corpo, que possuem sensibilidade para saber o que desejamos, que nos deixam livres para falarmos o que, como, de que maneira e intensidade gostamos e queremos, que se deliciam ao nos fazer sentir mulher. Que não estão ali para reparar nas nossas celulites, estrias, flacidez ou gordurinhas, mas para descobrir nossas fantasias e dividir as suas conosco, e se for possível realiza-las vão querer fazer isto com a gente, porque sabem e conhecem a mulher que possuem dentro e fora de suas camas.

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“Sou gorda e ainda sou virgem”

Por Renata Poskus Vaz 

Hoje, 6 de setembro (fazendo alusão à posição 69) é o Dia do Sexo. Segundo minha amiga Keka, essa data foi criada por uma marca de preservativos  para , por meio de brincadeiras bem-humoradas, divulgar os seus produtos. E já que é dia do sexo, porque não falarmos de adultos que ainda não se relacionaram sexualmente com alguém?

Recebo inúmeros e-mails de mulheres na faixa dos 30 anos, que estão acima do peso considerado normal pela sociedade e que ainda são virgens. Primeiramente, não acho defeito algum mulheres e homens que se guardam, seja por ideais religiosos ou por questões particulares. Mas manter-se virgem na vida adulta deve ser uma escolha gratificante e não uma falta de opção. Se o fato de ainda ser virgem trouxer algum tipo de sentimento ruim para a pessoa, como sensação de inferioridade ou até mesmo uma vontade louca de vivenciar aquilo, mas sentir um bloqueio, alguma coisa está errada nessa situação.

Veja trecho de um e-mail que uma de nossas leitoras nos enviou na semana passada:

“Tenho 27 anos e peso 132 Kg. Sou gorda desde que nasci. Cresci sofendo preconceito e, talvez por isso, até hoje nunca tenha namorado. Já fiquei com alguns rapazes, mas nunca tive um contato mais íntimo. Sou virgem. Tenho vergonha do meu corpo e medo de ninguém me querer gorda”.

Muita gente pode achar essa situação absurda, mas não é. Acontece com mais frequência do que imaginamos. Se o momento de perder a virgindade já é um tabu entre aqueles que têm amor próprio e curtem o próprio corpo, imagine como é para quem tem vegonha das próprias curvas? Como alguém que não se ama pode convencer alguém a amá-la? Como alguém que não acredita ser desejável pode se sentir desejada? Os traumas, os medos, as inseguranças não tendem a passar com o tempo. Tendem a piorar. Procurar ajuda de um profissional é sempre válido para enfrentar essas situações.

Se eu pudesse dar algumas dicas para quem deseja se relacionar com alguém pela primeira vez seriam:

  • Observe suas qualidades, suas virtudes, seus pontos fortes. Saiba admirá-los e evidenciá-los. Cuide-se. Você vai se apaixonar por si mesma e fará com que os outos também se apaixonem por você;
  • Homens não ligam para excesso de peso na hora “h”. Celulites e pneuzinho passam despercebidos. Então, não tenha vergonha das suas curvas, relaxe!
  • Não saia procurando desesperadamente por alguém para amá-la. Ahora que tiver que ser, será.
  • Não se autosabote recusando elogios e aproximações de homens que te admiram. Aceite convites para sair e jantar. Isso não significa que você seja obrigada a se relacionar seriamente com ninguém
  • Por fim, caso não conheça ninguém interessante, matricule-se na academia, saia para dançar, suas chances de conhecer alguém aumentarão, e muito.
  • Procure um profissional. Ops, não estou falando de um gogoboy. Falo de um psicólogo, que pode te ajudar a vencer seus bloqueios.

E quando os virgens beirando os 30 anos são os rapazes? Um de nossos leitores, Emanuel Júnior, explica o porquê de ainda ser virgem, mesmo aos 28 anos:

“Fui muito discriminado na minha infância e adolescência por ser gordinho. Sofria bastante bullying na escola que eu estudava, mas conseguir fazer amigos fora da escola. Aos 16 anos, conheci uma garota chamada Livia. Após me declarar e ouvir dela que por mim também estava apaixonada, a surpreendi beijando outro rapaz. Fiquei sem chão, só me lembro de ter saído correndo e chorando, como se quisesse esquecer aquela cena.  Dediquei minha atenção aos animes e ao cinema e até hoje não achei um amor de verdade.  Quero perder minha virgindade com umamulher que entenda meus sentimentos.”

Para os homens, ser virgem com essa idade é uma cobrança ainda maior. O homem, para a sociedade,  tem que ser o pegador, o cara que leva várias mulheres para a cama durante a vida. Mas há homens que simplesmente são mais sensíveis do que a maioria. E, em casos como o de Emanuel, somam-se desilusões amorosas e também o preconceito em relação ao próprio corpo. Creio que os homens devam seguir as mesmas dicas acima citadas para as mulheres. E com um parentêses: não cobrem tanto a própria performance em sua primeira vez. Seja você mesmo e curta o momento sem cobranças.

Perdoem-me os religiosos, mas para mim sexo não serve só para a procriação. Quando duas pessoas se desejam loucamente, quandos e gostam incontrolavelmente, quando seus corpos se encontram, elevam o que seria apenas um encontro de corpos a um encontro de almas. Unificam-se, amam-se, completam-se.

Feliz dia do sexo para todos vocês!

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Ele trocou uma mulher magra por mim

Por Renata Poskus Vaz

Há alguns dias falei sobre a confusão de sentimentos de uma leitora após o marido terminar o relacionamento e logo engatar um namoro com uma magrinha. Leia mais clicando aqui.

Hoje vamos tratar do caso inverso, falar das magrinhas que de repente se sentem abandonadas e, logo depois, tomam conhecimento de que seus amados estão com mulheres acima do peso. Acreditem, na maioria das vezes dói muito mais para uma magra perder o marido para uma gordinha do que o inverso. Isso se deve ao excesso de preocupação que as mulheres tem com o visual. É como se tudo o que fizéssemos estivesse baseado nas formas físicas. Entretanto, homens costumam sim procurar mulheres de capa de revista para suas aventuras, mas não é a beleza dessas mulheres que define a longevidade de suas relações. Assim como nós, eles tem preferências, mas o que os mantém ao lado de uma mulher é a qualidade da cama, da companhia, do bom-papo e do bom-humor. E isso não tem peso! Ou seja, se a mulher magra tem fissura em controlar o peso como se isso fosse seu maior predicado, pode acabar frustrada em ver o ex com outra mulher gordinha.

Sim, garotas, acreditem, nem toda magra tem autoestima. Elas são gente como a gente. Algumas dessas mulheres magras sem autoestima têm tanto medo de engordar que encaram a gordura como algo limitador, ruim (falo por experiência própria porque já fui magra um dia!kkk). E ao ver o amado com uma mais gordinha sentem como se tivessem sido trocadas por alguém pior do que delas. Quando pensam em alguma forma de reconquistá-lo, lá vem aquela idéia de que para isso teriam que engordar, ser alguém pior para atraí-lo. O que não corresponde com a realidade.

Eu, por exemplo, namoro há quase 2 anos um lutador de karatê atlético, lindo, gostoso, bonito e sensual. Ao longo dos seus 31 anos de vida ele rodou a banca e, com certeza, já deve ter namorado com todo o tipo de mulher: magra, gorda, alta, baixa, morena, loira, enfim… Ao estabelecermos um relacionamento sério, algumas ex que nutriam ainda sentimentos por ele ficaram indignadas com a decisão do meu amado ficar comigo, a gordinha. Mais que isso, a gordinha que vai na tv falar que é possível ser feliz acima do peso. Já recebi recadinhos maldosos pela internet, principalmente em fotos de trabalho, em que exibia, sem vergonha, minhas curvas. Com temperamento intempestivo, óbvio que minha primeira reação era a de querer explodir. Depois, tentava exercitar a compaixão e compreender o quanto deve ser difícil para uma mulher mais magra do que eu vê-lo comigo. O quanto deve ser difícil ver que o cara vegetariano, natureba, curte alguém que se esbalda no Mc Donalds, Mas, o que elas não conseguem enxergar é o que fazemos em nosso dia-a-dia, os laços que nos unem, o amor que sentimos um pelo outro e como minhas gordurinhas, muito bem distribuídas em meus 1,73m e 83 Kg dão um tempero charmoso à nossa relação. Meu amado não me ama por causa da minha gordura. Não é o excesso de peso a razão deste amor. Ele só não deixa de me amar por causa dela. Se eu emagrecer ou engordar 20 Kg e continuar a cultivar esse amor e ser a mesma Renata de sempre, ele continuará me amando.

O que nós precisamos entender, tanto magrinhas como mulheres acima do peso, é que beleza e charme nada tem a ver com os quilos da balança. Que se nos amarmos independente de quanto pesamos, as pessoas também nos notarão assim, especiais. A partir do momento em que nos amamos e nos valorizamos, atrairemos atenção.

E que fique bem claro para todas: se o homem resolve te deixar, seja você gorda ou magra,  e ele engatar um romance com outra logo em seguida, seja ela magra ou gorda, é porque já não existia amor.

Vocês já passaram por isso, garotas?

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“Já transei com mais de 100 caras”

Por Renata Poskus Vaz

Certa vez, em uma festa, observei uma mulher que, na tentativa de seduzir um cara mais novo, dizia já ter transado com mais de 100 caras ao longo da vida. Falou na frente de todo mundo, segura e orgulhosa de si mesma.

Fiquei por dias pensando naquilo. Será que ela já havia transado com tantos caras mesmo? Se ela tem em média 30 anos e, teoricamente, tenha iniciado a vida sexual aos 15 anos, e namorou sério quase uma década (partindo do principio que foi uma mocinha fiel), isso quer dizer que ela transou com quase 20 caras por ano, o que dá uma média de quase dois homens por mês, nos cinco anos em que esteve solteira. Ufa!

Nesta análise da vida sexual alheia pqp, eita falta do que fazer!, me recordei de inúmeros e-mails que recebo de leitoras se achando inferiores porque há anos não transam com ninguém. E o fato de não transarem com ninguém há tanto tempo, também as fazem acreditar que, no dia que encontrarem algum parceiro, estarão “fora de forma”, serão comparadas com outras mulheres e serão rejeitadas pela performance sexual. Pura bobagem!

Dancei ballet por 11 anos, fazia várias aulas por dia, todos os dias. Dedicava-me exageradamente à dança, mas estava longe, muito longe de ser a melhor bailarina do meu grupo. Outra garota, no entanto, ia apenas duas vezes por semana na academia e era uma bailarina excepcional. Ok, ok, minha comparação é meio tosca, mas o que quero dizer é que a prática ou repetição não faz de ninguém uma diva sexual.

Transar por transar com um, dois, vinte, ou 100 homens durante a vida, não faz de ninguém melhor ou pior na cama. Não só mulheres, mas diversas fêmeas do reino animal são capazes de copular inúmeras vezes, com diversos machos. Os números de caras com quem você já transou não definem se você é ou não um mulherão. Fique tranqüila.

Respeito quem tenha o desprendimento de dividir os lençóis com alguém que tenha pouca intimidade, só por prazer. Como diria o filósofo pós-moderno Frank Aguiar, “lavô tá nova”. Todavia, ainda sou adepta do “fazer amor” com quem se ama de verdade. Olho no olho, beijo na boca com paixão, carinho, encontro de almas… Isso só acontece com amor e para isso não se exige prática. Quando você encontra aquele que te faz suspirar na vida, na sala, na cozinha, na rua e na cama, não precisa testar com mais 99 caras para saber se ele é homem certo que te fará feliz e se sentir completa em todos os aspectos.

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