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Carta para Santo Antônio

santo antonio

Por Renata Poskus Vaz

Santo Antônio,

Hoje é o seu dia. Não se preocupe, Santinho. Não vou te afogar em um copo qualquer, por aí. Não vou deixá-lo de cabeça para baixo e nem fazer aquelas inúmeras chantagens que só mulher desesperada para casar faz (e que eu já fiz também, por tantas vezes… Mas que fique só entre nós, hein?). Não farei promessas também.

Ah, Santo Antônio! Hoje, na verdade, eu queria te agradecer. Agradecer por não ter me atendido no passado. Eu sei, meu amado santinho, que você não me atendeu porque sabia que aquele não era o momento exato para eu me casar e construir uma família. Confesso que te achei um chato, pensei até que havia virado as costas para mim. Fiquei brava mesmo, Antônio!

Hoje sei que você sempre olhou por mim. Eu neguei, reneguei tantas vezes o que estava tão claro! O senhor tentou me avisar, mas eu não quis enxergar e até sofri um bocado com isso. Hoje entendo que você, mais do que ninguém, sabe que eu não quero casar pelos motivos errados. E que não sou o tipo que se deslumbra simplesmente com uma festa de casamento. Meu dia de princesa vivo todos os dias! Sou uma aquariana tão cara-de-pau que seria capaz de fazer uma festa de casamento comigo mesma, uma celebração de amor próprio, se sentisse vontade de usar um vestido de noiva e comer um bem-casado feito especialmente para mim. Assim mesmo, louca, sem medo de ser feliz. Não preciso de um marido para ter festa!

Ah, meu amado Santinho, quando pedia um marido é porque sonhava com um companheiro fiel, um amigo leal, um confidente, um amante nota 10… Tudo isso em um só homem, por todos os dias de minha vida. E você, tão amado e sensível, sempre soube disso. Sempre soube que eu não precisava me contentar com pouco. Você conhece cada detalhe da minha alma, sabe da minha capacidade de amar sem limites, entende o quanto sou verdadeira e intensa, e não me permitiria desperdiçar tudo isso sem ser retribuída à altura.

Por isso, meu Santo, agradeço mais uma vez. Obrigada por não ter me atendido. Por me proteger e me guardar para o momento exato. Amém!

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De dentro pra fora

Por Keka Demétrio

Me descobri assim, de dentro pra fora. Enquanto me olhava ao inverso sentia as dores do mundo que sufocavam minha visão do todo. Tadinha de mim vivia em um mundo tão pequeno que a casa de um caracol seria o universo. Talvez na época esse mundo fosse mesmo gigante.

Aprendi a me reinventar, e assim fui expandindo esse universo chamado vida própria. Calei-me diante das hipocrisias somando e subtraindo o que me era devido. Achei o fio da meada e passei a creditar a mim todos os meus sucessos e fracassos. Da dor sentida ao perceber tamanha monstruosidade interna surgiu o amor próprio que insistia em guerrear com estes monstros de diversas cabeças e um corpo gordo.

Fui me achando. Corria atrás de mim e às vezes me abraçava e acarinhava feito criança assustada em noite de tempestade. Nessa busca me perdi tantas vezes que acabei descobrindo todos os caminhos que levavam até mim. E se hoje me perco, busco outros rumos, outros espaços, me tornei infinita. Tudo parece ser muito pouco, ou vazio, entendi que mais do que viver preciso preencher a alma.

Descobri que gosto de sentir os olhos marejando, o corpo arrepiando e um leve sacolejar de cabeça de tanta emoção por não sei nem o quê. Posto isso, entendi que precisava viver uma vida que me dissesse alguma coisa, que me olhasse nos olhos e me fizesse acreditar que estava tudo bem, que eu fiz tudo nos conformes, ou não, mas que isso também não importava porque eu ainda me emocionava e isso era a prova de que o caminho estava certo. Era o começo de uma nova vida, o meio de uma trajetória e o fim de uma velha e enfadonha história sem graça.

Assim aprendi que tudo o que quero é perfeito, mesmo sendo imperfeito, principalmente eu. E que sendo assim vou ter muita coisa para sentir, porque nada vai ser igual, previsível e chato. E é assim que quero, é assim que gosto. Foi assim que aprendi a me sentir viva.

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Carta de despedida

Por Keka Demétrio

Hoje quero me despedir de muitas coisas. Quero abrir espaço para que a vida me ofereça outras oportunidades, outros sonhos, outros desejos. Levarei apenas a esperança de um novo recomeço. E por me dispor a começar de novo, estou aberta a novas experiências.

Quero deixar para trás todos os motivos que me fizeram sentir raiva, as situações que me fizeram alterar a voz, e todas as palavras pronunciadas para me desestimular a continuar a busca do meu eu, e consequentemente da minha felicidade. Despeço-me de tudo isso com a sensação do dever cumprido.

Vou deixar para trás todas as minhas fraquezas. Aquelas que me fizeram chorar, as que me fizeram acreditar que eu era triste e sozinha. Quero dar adeus à sensação que às vezes me acometia de que o mundo estava contra mim. E me despedir em definitivo da ridícula piedade que eu sentia de mim mesma nos momentos difíceis da minha vida.

Despeço-me de todas as mágoas que já causei e, ao pedir desculpas, despeço-me também de todas as que me machucaram o coração. Despedir-me-ei dos sentimentos negativos que atrasam a vida e nos transformam em lodo. Quero na minha vida natureza viva e abundante, regada com amor, respeito, consideração, carinho e muita fé.

Deixarei para trás alguns sonhos, mas isso não quer dizer que levarei comigo frustrações por não os ter realizado, mas a certeza de que eles foram importantes para que minha chama interna não se apagasse. Partirei para outros devaneios, e estes também serão combustíveis para o meu sucesso.

Assim sendo, avisei ao meu coração que ele será renovado. Baterá no compasso das novas emoções. Também já informei ao meu fígado que ele não mais sofrerá por causa da tristeza, pois estou me despedindo dela. Aos meus pulmões mandei um recado avisando que toda a aflição que eu sentia, por não conseguir controlar tudo e todos, não vai mais atrapalhar o seu excelente funcionamento, já que a minha paciência será exercitada. Por fim, quero dizer aos meus rins que eles estarão protegidos, porque o medo, esse sentimento que ceifa nossos sonhos, deverá ser extirpado de vez.

Me despeço das carências, e das atitudes impensadas provocadas por ela, que muitas vezes me feriram a alma. E pensando bem, de tudo o que vivi, levarei algumas coisas. Partirão comigo as emoções vividas que me fizeram sorrir, cantar e dançar. E na alma, vou levar a leveza e a alegria de quem quer transformar a vida em presente de Deus.

 

 

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